sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cansaço

Decepção é uma das minhas palavras e sentimentos mais temidos. Não sei lidar com ela. Nunca soube. Em qualquer área e de qualquer tipo. Ser decepcionada ou decepcionar alguém é uma das piores coisas da vida.

E venho chegando à conclusão de que o cansaço é o melhor amigo da decepção. É como uma espécie de diabinho que aparece ali na cabeça e fica dando idéias nada bacanas ao pé do ouvido.

Quando se está cansado nada mais é como deveria ser. Você não é mais você e o que você faz passa a não corresponder com as atitudes que seriam as suas. Começa pela perda de critério. Quando se está no limite da falta de energia, qualquer coisa está bom. O senso crítico vai pra casa do caralho.

Da cama que não dá mais tempo de fazer antes de sair a noites e noites mal dormidas, todos esses pequenos detalhes vão se juntando e te transformando numa pessoa pior, numa pessoa diferente. Não só o seu padrão de qualidade, mas a sua própria qualidade em si enquanto pessoa – justamente o que faz os outros te admirarem - caem. E nem é algo que não se vê acontecendo. Até vemos, mas não há tempo nem para tentar reverter. Você vai indo com a maré e é jogado longe.

O cansaço tem me impedido de escrever coisas legais aqui, tem me impedido de ter tempo ou inteligência para pescar as coisas inusitadas ou que dêem uma boa história. Acordo, lutando com o despertador, saio correndo, não como, corro o dia todo e no fim, nem durmo porque nem isso a cabeça cheia de coisa deixa. O que só piora o cansaço, que acumula, acumula e acumula.

Por isso, a decepção. Estou decepcionada comigo por não conseguir mais pensar na velocidade e na qualidade de antes. A sensação é que tudo o que eu estou fazendo está mais ou menos. Saca pintura de parede mal feita? Ou aquela borracha que quando apaga deixa o papel meio manchado; o esmalte que descasca e a gente dá aquela retocadinha tosca; matéria de jornal entregue em cima da hora; roupa de viagem já meio suja mas só tem aquela mesmo; caneta acabando a tinta mas que a gente faz uma força incrível até sair alguma coisa, ainda que meio falhado... enfim, posso ficar até amanhã nas alusões, mas acho que deu para entender, né? Perdão.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Não estou Afim hoje

Esse afim aí é junto ou separado? bom, não estou a fim e nem afim...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Besteiras um Pouco Atrasadas, mas Válidas

Fiquei triste pelo Gabeira ter perdido. Mas, pera lá!, ninguém me avisou que ele era Flamengo!? Camisa da charanga do mengão não dá. Pior que uma outra com florzinhas que ele já apareceu uma vez...

Simpatizo com Luana, a Piovani. Já disse aqui. Mas, querida, o mundo sabia que Dado era uma roubada! Esperava mais velocidade da moça.

E, por fim, o melhor cartão postal que alguém poderia me mandar. Infelizmente, vi na internet. Mas se eu ganhasse isso de alguém, admiraria a pessoa para sempre. Achei sensacional.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O que é o Casamento

A pessoa passa uma semana viajando, quase incomunicável com uma desculpa lá de que o telefone ‘está fora de rede’, e nosso primeiro diálogo é:

Lá do fundo da casa:

- Mor! Mor!

- Que é?

Nada.

- Que ééé?

Nada de novo. Levanto e vou até lá:

- Que é?

- Você não regou as plantas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quando Vale à Pena

Adoro pintar a unha de vermelho. Mas dá tanta trabalheira para tirar depois que, volta e meia, eu pinto de clarinho mesmo.

Gosto muito de tangerina. Mas tirar as pelinhas e o cheiro que fica na mão depois, às vezes, faz com que eu coma uma maça sem muita graça mesmo.

Esquiar é muito legal. Mas aquela roupa toda que tem que colocar e a dificuldade de andar normalmente com botas duras até dizer chega me fazem pensar que, talvez, eu queira só apreciar a vista. Sem desmerecer a vista.

Ainda não inventaram coisa melhor que sexo, mas viajar para aquele lugar maravilhoso e frio pra caralho, muitas vezes, já fez com que eu ficasse com preguiça de tirar todas as camadas de roupa que estavam ali quentinhas...

Comidas com catupiry são divinas. Só que o tanto que terei que correr mais depois, me lembra que um peito de frango com salada pode ser melhor negócio.

Enfim, a preguiça está aí à beira o tempo todo. Tudo bem se render a ela na maior parte das vezes. Sim, na maior parte das vezes. O que não pode é deixá-la vencer sempre. Aí, realmente, corre-se o risco de viver uma vida sem graça. Ao mesmo tempo em que enfrentá-la o tempo todo acaba fazendo com que a vida fique complicada e cansativa em excesso. Nem estou defendendo o equilíbrio. Sou a favor da balança pender para a preguiça, só não quero que encoste lá na base.

Ôpa, está quase lá? Pinte a unha de vermelho, vai esquiar, se entupa de tangerina, esqueça o frio, abra a boca para o catupiry ou compre um barco! Nada dá mais trabalho que um barco, como diria papai, que já até naufragou e passou semanas desaparecido. É, tipo náufrago, mas aí já é outra história...

domingo, 26 de outubro de 2008

Lema

Estou sem idéias e aí, vou colocar a letra de uma música hoje. Acabei de ouvi-la no carro. É uma música que eu não escutava há um tempo e que eu adoro. Uma espécie de lema mesmo. Estou bem, antes que chovam e-mails perguntando se eu me separei, se eu estou grávida e coisas sérias do gênero. Não é o meu momento. É o quanto o que diz aí me agrada.


Socorro

Composição: Arnaldo Antunes/Alice Ruiz

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada

sábado, 25 de outubro de 2008

A Volta dos que não Foram

Fluminense 3 x 0 no Palmeiras! Coisas de fluminense... Está quase caindo, mas ganha de três de um dos que estão lá em cima.

Ser tricolor é muito mais do que torcer para um time apenas. É ser surpreendido. É ganhar quando parece que tudo está perdido. E juro que a minha intenção aqui não era rimar.

Há uma coisa de superioridade em ser Fluminense, mesmo quando se está na porta da 2ª divisão. Uma coisa meio como aquelas famílias que estão quase na falência, mas não perdem a pose. A boa e velha tradição. Não teria orgulho de pertencer a uma família decadente, mas tenho um baita orgulho de ser tricolor. O paralelo foi só a título de ilustração.

Sempre achei que escolhi meu time de coração influenciada por homens importantes da minha vida. Mas estou começando a perceber cada vez mais que sou fluminense porque o time combina comigo. Quem mais vibra tanto com uma simples vitória na reta final do Brasileiro como se fosse título de campeonato? Uma vitória que só garante - por enquanto - a saída do rebaixamento, mas ganha ares de grande evento. Uma vitória simples e significativa pra cacete.

E isso sou eu. Adoro ganhar campeonatos. Adoro viajar para a Europa
Adoro sábado, domingo e feriados. Mas uma vitória pra sair da zona, um pulo ali em Mauá ou uma quinta-feira bem-vinda, muitas vezes me deixa mais feliz do que um troféu.

NENSE!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Glacê

- Ela era muito esquisita mesmo.

- É, sei lá, tinha cara de quem comeu e não gostou.

- Pois é parecia que não ia com a cara de ninguém.

- Não era ela que não ia com a nossa cara, era a cara dela que não ia com ela.

- Eu acho que ela era um pouco assim... como é?

- Como?

- Tipo... como fala?

(gestos, mímicas e tentativas.)

- Aquele ar meio superior, sabe? Como é? É... Glacê!

- Hein?

- Não é Glacê?

- Blasée, pode ser?

- Ah, é. Blasée...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Liberdade, Igualdade e Foda-se

E a fraternidade foi pro caralho...

Li isso uma vez também numa dessas coisas enviadas por amigos por e-mail e não sei porque na época não dei a devida atenção. E sei menos ainda porque lembrei disso agora.

Na verdade, sei. É que me irritei comigo mesma porque numa discussão com o meu marido que durou apenas cinco minutos, usei ‘foda-se’ umas dez vezes. Não sou nenhuma pudica, mas acho feio menina falar tanto palavrão. Acho, fazer o quê? Talvez papai tenha falado tanto isso que ficou.

Aí, me peguei pensando em como hoje em dia tudo é meio foda-se. O tal liga o foda-se. Bem, a relação não ficou muito clara. Nem pra mim. Mas foi apenas uma tentativa de explicar de onde veio meu título.

Enfim, mas acho mesmo que as pessoas já se importaram mais umas com as outras. Atualmente, vinga o individualismo. E, olha, isso vindo de uma individualista é algo a se pensar... Sempre prezei minha individualidade, liberdade, meus direitos iguais, principalmente, no quesito homem e mulher. Aquela guerra adolescente de se eles podem, elas deveriam poder. Sempre achei chato quem gruda no pé, quem dependia de mim e tal. Mas daí a mandar todo mundo se foder, é um passo um pouco mais largo que eu ainda não tive coragem de dar. E tomara que nem tenha.

Acho que o mundo está precisando sim de mais fraternidade. Acho que as pessoas estão precisando de mais amigos. Nosso tempo hoje é gasto com trabalho. O pouco que sobra é obrigatoriamente para o marido, a mulher, namorado, namorada e afins. Coitado de quem já tem filhos. Mais gente para dividir a atenção e o tempo curto. Ou seja, para os amigos, quase nada. Migalhas. Migalhas e pedidos de desculpas. Migalhas e e-mails marcando aquele encontro que ‘nunca será’. Migalhas e justificativas. Eternas justificativas. E assim, o mundo sente falta da fraternidade.

Tenho total consciência de que a coisa aqui hoje não ficou redondinha. Não teve lógica do início ao fim e nem um fechamento cereja de bolo. Tá cheio de buracos, de furos de roteiro, de lacunas. Mais ou menos como a minha vida sem tempo para os meus amigos. E foi por isso que eu discuti. Preciso de amigos. E atrás deles, irei. Quer queiram, quer não. Justo ou injusto. Certo ou errado. Foda-se.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sem Noção

Orkut dá ibope e adorei Bárbara, minha nova leitora! Agora, eu de novo... Nunca paro de me surpreender comigo. Estava eu e Chamila no ônibus – é, enfiei a menina num ônibus! Fiz só por puro prazer de vê-la odiando a situação – quando, de repente, ao lado de fora, vejo um amigo dela que trabalhava com a gente antigamente.


- Olha! Falei dele ontem.

- Semana passada.

- Ah, tá. Mas caraca, que coincidência! Será que ele ainda trabalha lá? Nunca mais vi...

- Adriana, quem não trabalha mais lá é você. Há mais de dez meses...


Cara, sinceramente, de onde vem essa minha total falta de noção para certas coisas? Eu não sou retardada. Não esqueço coisas profissionais. Sou responsável. Mas tenho uns lapsos, uns brancos, uns desligamentos que decididamente não são facilmente explicáveis.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Seres Orkutianos

Pergunta bem manjada: ‘Você acredita em E.T.?’ Como não gente? Eles estão por aí num orkut perto de você.

E eu duvido que um marciano verde e cabeçudo seja mais inacreditável que certos perfis do orkut. E nem precisa ser um perfil de alguém que você nunca viu mais gordo. Um perfil amigo pode ser revelador.

Mais do que perfis, fotos. Mais do que fotos, as legendas das fotos. Essas desmascaram qualquer orkutiano. E te deixa seriamente pensativo, questionando como é que você não tinha percebido tamanha estranheza antes...

O tópico ‘quem sou eu’ é o melhor deles. Em meio a poesias, músicas e celebrações ao time de coração há cada coisa... que só pode ser de seres de outro planeta. E esses seres são super evoluídos, têm múltiplas personalidades. A cada semana, um ‘quem sou eu’ não só diferente, mas com outro eu. Algo que vai do pagode à música clássica, sem o menor constrangimento. Isso poderia ser uma coisa boa. Uma pessoa eclética, flexível ou até uma pessoa louca! Até aí, ótimo. Mas, na maior parte das vezes, é uma pessoa sem noção. E nada interessante.

Estou cansando do orkut. Foi apenas um desabafo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Muito Foda

- Eu só estou cansada. Pára de reclamar. Eu duvido que você ache outra mulher que nem eu.

- Eu também.

- Tô falando sério. Tô trabalhando que nem uma corna. Cuido dos cachorros. A casa tá sempre direita. Você não tem o que falar. Só estou exausta. Mas sou uma mulher muito foda.

- Muito foda, só não fode.

domingo, 19 de outubro de 2008

Mais uma vez, Renata

Renata é meu carma. Desde aquela história lá do início da doida de uma das minhas ex-academias que cismou de me chamar de Renata e depois tive que sair de lá para não correr o risco dela descobrir minha verdadeira identidade até o nome da ex do meu amado marido.

A única. Sim, antes de mim, só houve a Renata. Diz ele que andou comendo umas por aí no curto período entre nós duas. Eu, sinceramente, acho difícil já que a pessoa conheceu Renata pirralho, namorou Renata uma eternidade, ficou solteiro apenas seis meses e se apaixonou por mim para sempre... Eu prefiro pensar assim e não parar muito pra tentar fazer as contas e ver se é possível ele ter se divertido uma vida em apenas seis meses. Eu aproveitei bastante a minha, mas tive uns aninhos aí antes da criança. E ah! um intervalo com ele mesmo em pleno carnaval carioca que foi o melhor de todos os tempos. Já ele, coitado, passou três meses chorando por mim... e não pegou ninguém!

Bom, contada a minha versão romântica dos fatos, o problema é que Renata ainda está entre nós. Não sempre. Mas volta e meia Renata não é morta.

A primeira vez que a moça surgiu foi bem no início do namoro. Estávamos caindo na porrada no carro quando ele solta um berro com algo como: “Puta que Pariu, Renata!”.

E o silêncio se fez presente. Serviu para desviar o foco e mudar o assunto da briga, mas fiquei puta pra cacete. Mesmo com justificativas de que ele lembrava dela de momentos estressantes como aquele e que por isso seria compreensível, ele se confundir naquela situação desagradável e de pressão. Não engoli muito não, mas ele já tinha me chamado de mãe e de Cristina, a irmã, em outras brigas parecidas. Resolvi não dar muita bola.

Um tempo depois o ‘Renata’ apareceu numa situação corriqueira, tipo chamando para sair de casa logo. “Vamos Renata!”. Não fomos, claro. E o resto do dia foi dedicado a discutir porque Renata apareceu dessa vez. Mais blá blá blá e, outra vez, eu decidi deixar pra lá.

Aí, Renata deu uma sumida no mundo. Enquanto isso, nós evoluímos em nossa relação de ficantes, para namorados, depois moradores do mesmo local até efetivamente marido e mulher. E vivemos assim muito tempo até Renata ser convidada para jantar na casa dos meus sogros. Contei aqui. Foi uma coisa bem esquisita até porque quem veio me contar foi o próprio. Estratégia ou não, o fato dele mesmo vir me dizer achando a coisa meio estranha, fez com que eu ficasse sem argumentos para reclamar com ele. Se eu quisesse brigar com alguém, teria que ser com a minha sogra. Mas aí... deixei pra lá. Tenho uma grande tendência na vida a deixar pra lá, como já deve ter dado para perceber.

Eis que Renata aparece de novo. Há pouquíssimo tempo. Estávamos jantando na casa de um casal amigo. Conversas descontraídas. Falávamos sobre viagens. Situação nada estressante. Papo bom, companhia legal. Sai um:

- Claro que não, Renata.

- E aí, querido? Qual será a explicação desta vez?

(uns dez segundos em que ele ficou pensando. E o outro casal mudo na expectativa, assim como eu.)

- É que o Renato está na minha cabeça.

Foi a pior desculpa de todas as ‘Renatas’. Renato é um grande amigo dele, até aí, morreu Neves. E não estávamos falando do Renato. Ou seja, não tem desculpa. Mas aí o que eu ia fazer? Ia ficar pensando que ele ainda vê Renata? Ia fechar o tempo num jantar que estava no início e divertido? Ia ficar enchendo a paciência em busca de uma explicação plausível que eu sabia que não existia? Resolvi deixar pra lá...

sábado, 18 de outubro de 2008

Deus, Dai-me Paciência

Situação: Eu e ELE deitados na cama, nos dois minutos iniciais em que eu consigo permanecer na posição abraçadinha. De repente, uma risada acontece bem no meu ouvido:

- Que foi?

- É que eu lembrei de uma vez em que a gente encheu o saco da minha mãe para ela abrir uma lata de marrom glacê pra gente comer. Ela não queria, mas acabou abrindo. Odiamos, mas aí ela fez a gente comer tudo. E ficamos lá chorando e comendo.

- E de onde veio isso?

- É que quando eu estava saindo da academia, parei ali no sambinha da Praia Vermelha e na música eles falaram em canjica. Aí, lembrei que eu não gosto de canjica e que eu também não gosto de manjar e que...

- Ah tá, foda-se.

- ok.

- O quê?

- Mais alguma explicação?

- É, realmente é muito esquisito você rir no meu ouvido do nada e eu perguntar do que se trata...

- O problema não é perguntar, é não ter paciência para ouvir a resposta.


Ele não deixa de ter razão. Deus, dai-me paciência...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ode à Forma Simples

‘Às vezes não entendo coisas difíceis, escritas de forma simples’. Quase poética essa observação, não? Quase uma tese sobre a vida e o modo como a encaramos.

E ao contrário daquele chato das cuecas em degradée, a sinceridade fofa e transparente desse outro coleguinha de conversas aleatórias, me fez dar o sorrisinho com a viradinha de cabeça para o lado. Me fez pensar um pouquinho.

Mas não é? Porque pensa só: estamos tão acostumados a ter que interpretar o que realmente o fulano ou a fulana quis dizer, que quando nos deparamos com algo curto e direto, temos certa dificuldade em acreditar que aquilo é aquilo mesmo.

Imagina o diálogo da ‘trepadinha’. Não dá para supor que alguém teria coragem de dizer algo assim na lata, certo? E aí, é tão louco - olha só! - que mesmo sem conseguir achar uma interpretação, tem que haver uma explicação plausível. Tinha. Mas será que ninguém mais hoje em dia consegue ser simples e direto em suas conversas e diálogos por aí?

Não sou a favor da grosseria, da sinceridade por sinceridade que machuca. Não. Acho legal termos cuidado com as pessoas a nossa volta. Só tenho medo do exagero das entrelinhas. Que de romântico e sugestivo podem se tornar um pouco chatas e confusas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Velocidade de Cabeças

‘Sua cabeça funciona numa velocidade que eu não consigo acompanhar’. Isso é um elogio? Não consegui descobrir. Até porque foi escrito e não falado ao vivo. Ou seja, não teve tom, nem expressão.

Ou a pessoa é meio mongol, ou estava me achando um pouco demais, ou é simplesmente homem e não agüenta o tranco da cabeça de uma mulher como nós mulheres agüentamos o tranco das cabeças masculinas. Com todos os trocadilhos.

Não sou do time que gosta de discutir a relação. Acho bem chato, apesar de ser necessário de vez em quando. Aí, não tem jeito. Alguém tem que falar. E esse alguém somos nós, muito mais corajosas que vocês. Em qualquer situação. Se Deus nos tivesse dado também a força bruta, o mundo estaria totalmente dominado pelo grupo das meninas.

Mas não é disso que se trata meu pensamento de hoje. Não estava discutindo a relação. Até porque não tenho este tipo de relação com meu interlocutor da ocasião. Estava só jogando conversa fora, colocando assuntos aleatórios na roda. Aí, o sujeito reclama que eu não termino os assuntos em ordem?! Que mala! Deve guardar as cuecas em degradée...

Abre aspas: Querido, eu não termino todos os assuntos porque, por incrível que pareça!, nem todos os meus assuntos são interessantes. E eu tenho senso crítico para perceber que a coisa não vai dar em lugar nenhum e que morreu ali. Fecha aspas.

Tá, aí a pessoa argumenta que então não teria porquê voltar a um assunto mencionado, após já estar há um tempo se falando de outro diferente.

Abre aspas: Meu amor, se por acaso eu voltar a achar meu assunto interessante porque tive uma luz ou fui picada pelo bichinho que junta coisas aparentemente sem sentido, é óbvio que eu voltarei ao assunto. Fecha aspas.

Mas o chato não se convenceu e saiu achando que a minha cabeça funciona mais rápido do que deveria. Ok. Cada um com a sua velocidade de cabeça.

Ps: Enfim, levei os portugueses ao Maracanã. Já que o Fluminense não anda empolgando muito - apesar de ter ganho da última vez com gols do Washington lá no Atlético dele de coração -, decidimos ir ao jogo do Brasil. Uma coisa para turista mesmo. Maracanã, Seleção, distribuição de bandeirinhas, um show palhaçada lá no início, crianças assoprando aquela corneta insuportável, hino nacional, Kaká e Robinho em campo, placar 0 x 0... Enfim, um saco. Nunca tinha ido a jogo da Seleção no Maracanã, que eu me lembre. E arrisco dizer que não devo ir mais. Prefiro o Flu, ainda que bem mal das pernas...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Vivendo Divertidamente

Vamos lá, mais uma das minhas histórias divertidas. Têm acontecido tantas ultimamente que eu poderia fazer mais de um post por dia. Mas aí acho que o povo ia me achar over.

Enfim, estava eu e minha querida sócia Chamila Camomila no calor do Centro da Cidade, munidas de uma papelada considerável em busca do Escritório de Direitos Autorais, que é super fácil de chegar, mas demos tanta volta que eu não sei mais dizer exatamente onde é.

Nosso intuito era registrar um de nossos projetos super criativos. E após descer e subir algumas vezes um elevador daqueles bem caquéticos de brinquedo de parque temático americano, conseguimos chegar ao 12º andar, o nosso destino.

Hora de apresentar a documentação toda. Fui tirando da bolsa Identidade, ficha disso, ficha daquilo, sei lá quantas cópias, etc, etc, etc. Aí, a atendente – simpática, é importante dizer - após passar um tempinho olhando bem a xérox do meu CPF, vira-se para mim e pergunta:

- Quem é ‘fulano’?

Ao olhar pro papel, vi que, bem ao modo Adriana desligada de ser, eu havia xerocado o CPF DELE e não o meu. Mas antes que eu pudesse abrir a boca para explicar o mal entendido, escuto Camila, com uma bela e poderosa engroçada de voz, dizer diretamente à moça atenciosa:

- ‘Sou eu’.

Gente, vocês precisavam ver a cara da criatura olhando meio pasma para nós duas. Foi a melhor do dia. Saímos as duas loucas, rindo sem parar. Por essas e outras é que eu adoro o que eu faço e com quem eu faço.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Trepadinha

Estava eu voltando da praia com: o primo português do meu marido; o melhor amigo do meu marido; e um amigo do amigo, quando esse último vira-se, dando uma batidinha malandra no meu ombro, e diz:

- E aí, vamos dar uma trepadinha?

Cinco segundos de silêncio em que todos, inclusive eu, tentamos entender de onde veio aquilo. Sim porque é importante dizer que estávamos em silêncio. Naquele vácuo que fica entre um assunto e outro, sabe?

Pois bem, passados os cinco segundos, eu quebrei o gelo:

- O quê???

E gargalhadas vieram de todos os lados. A mais alta foi do autor do convite que rapidamente tentou se explicar, um pouco sem graça para deleite geral, dizendo que estava se referindo a uma singela escalada.

Explicando: o menino gosta de trepar em morros por aí e faz muito isso aqui na Urca, pertinho da minha casa. Havia comentado comigo e eu falei para ele me chamar numa próxima vez.

O coitado foi tentar puxar assunto e lembrou do meu comentário passado. Mas, cá entre nós, quem usaria ‘trepadinha’ para chamar alguém para escalar? Só Marcos André...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Concursos e Promoções

Acabei de ver uma coisa que eu sempre pensei em fazer: uma menina que dedica a vida a participar de concursos e promoções dos mais diversos temas e áreas. Pensa só: não é genial?

E, não. Não envolve sorte, só foco. É bem diferente. Até o mais azarado dos seres, se sentar a bunda na cadeira de manhã até à noite e se dedicar só a pesquisar o que há de promoções em pauta, alguma coisa vai ganhar. E muito provavelmente, algumas. Não pode ficar escolhendo só o que gosta. É aquela história de atirar para todos os lados. Tá, a pessoa precisa ser um pouquinho criativa, mas só um pouquinho mesmo, porque nem todas as promoções necessitam de respostas geniais. A maioria, aliás, é bem pobrinha de sofisticação.

Então, no jornal da tarde agora, saiu uma reportagem de uma menina que faz exatamente isso da vida. Gasta seu tempo livre investindo em sorteios sem precisar sequer sair de casa. Nessa, já ganhou carro, viagens e zilhões de produtos, serviços e mordomias. Assim, ela conseguiu passar por experiências exóticas como um spa na África do Sul e um dia de princesa no Gugu.

O problema, o meu pelo menos, esbarra na tal falta de paciência. Deve ser infernal passar o dia a preencher cadastros. Ainda que usando Control C, Control V. Mesmo com expectativa de recompensas melhores do que em alguns cargos do funcionalismo público em que só se preenche fichas mesmo.

E há também um certo preconceito interno. ‘Você não vai fazer nada de útil da vida? Só ficar na internet atrás de prêmios?’ Como se ganhar uma viagem com tudo pago para sei lá onde não fosse útil...

E, olha, daria para ir além e transformar o inútil efetivamente em negócio. Imagina uma empresa só para fazer isso pelos outros. As pessoas pagariam uma mensalidade e disponibilizariam seus dados pessoais. Contrata-se uns estagiários espertinhos e subvalorizados só para preencher cadastros e dar respostas antenadas mais ou menos de acordo com os perfis dos associados. Quanto mais o cliente ganhasse coisinhas, mais ia divulgar sua empresa sem querer até. Mas atenção! Seria um clube restrito. Algo com muita cara de privê para não dar a idéia de que muitos associados dificultariam as chances dos antigos. Ao atingir um patamar ‘x’ de, sei lá, 100 sócios, o clube fecha. Só entra quando alguém sair. E mesmo assim, pagando-se, no mínimo, o dobro ou o triplo. Depende da procura.

Não é uma idéia?! Podem roubar. Eu realmente adoraria, mas não sou capaz... Boa sorte.

domingo, 12 de outubro de 2008

Quando Não Pode

Dizem que o proibido é mais sedutor. Será? Será que é só porque é proibido que chama mais a atenção? Não pode acontecer de você de repente se ver querendo algo que não pode, mas porque combina com você, porque te chamaria atenção ainda que permitido, você quer? Pode, claro que pode.

E aí? E aí, nada. A verdade é que não pode. Tipo criança quando pega algo do chão e a gente diz: não pode. Disse ‘não pode’ hoje para o meu afilhado algumas vezes. Passei o dia todo com ele. Dia das crianças. E falei tanto ‘não pode’ que fiquei me imaginado no lugar dele. Eu para ele sou a vida para mim. Eu a falar não pode para ele. A vida a falar não pode para mim.

Sou tão criança quanto ele querendo coisas que estão ali na minha frente e que me parecem tão interessantes quanto pedrinhas brilhantes na terra. Mas aí, alguém do parquinho disse que as pedrinhas dão coceira. Machucam. Não pode. E passei a tarde a tirar pedrinhas brilhantes da mão ávida e afoita de uma criança.

No fundo, no fundo, a gente nunca perde o ímpeto infantil de abaixar e colocar a mão nas pedrinhas proibidas. A diferença é que quando criança, um adulto tira da sua mão. Quando adulto, geralmente você mesmo solta as pedrinhas antes de colocá-las na boca.

É só, que a tarde infantil me deu uma canseira danada e eu estou filosofando sem muito saco de filosofar. Feliz Dia das Crianças. Para todos.