segunda-feira, 30 de junho de 2008

Cóccix Revelador

Alguém aí sabia escrever direito o nome do ossinho que fica no finzinho da coluna? Eu confesso: não sabia. E demorei um tempinho no google até achar a grafia correta, já que comecei procurando por ‘cóx’. Mas não é por isso que ele é revelador. Meu ossinho é revelador porque, por causa dele, tive a confirmação de uma das qualidades que me faltam na vida.

Papo com o professor ex-gatão de Pilates agora há pouco:

- Meu ossinho está doendo.
- Qual ossinho?
- O cóx.
- Ah, é porque você não tem bunda.

Que liberdade é essa? Como é que ele manda isso na minha cara, assim? Tá, eu sempre soube que não tenho bunda, mas daí a ouvir da boca do professor de Pilates é demais... Fiquei olhando para a cara dele. E ele nem tchum. Não tava nem aí para a minha falta de bunda. Ou seja, ainda bem que já desisti de idolatrá-lo há tempos. Não teria a menor chance.

Aliás, esqueci de contar outro papo recente com ele que também eliminou qualquer tipo de interesse.

- E o Fluminense, hein? (eu estava com a camisa)
- Você é Fluminense?
- Não, mas a minha esposa (é, ele fala esposa...) é fanática.

Pois é, já vi esse filme. Tenho um exemplar assim em casa e está de bom tamanho.

Para acabar – é, hoje não será muita coisa em homenagem a bunda que me falta – minha mãe já quebrou cóccix!? Não é esquisito? Segundo ela, caindo do ombro do meu avô, na praia. E olha que areia é fofa, hein... Já deu para sacar de quem eu puxei o shape tábua traseira, não?


Ai, meu Deus.. 2 dias só! 2 dias!

domingo, 29 de junho de 2008

Ibitipoca Domingo

Um bicho estranho:


Meu carro viajado:


Os pés misteriosos dele...


e um peixe no céu:


Cantinho do Fluminense

Voltei de viagem ouvindo Botafogo e os garotos de Xerém. 0 x 0, mas parece que os botafoguenses tomaram um sacode, hein...

Data do jogo :: 29.06.2008 :: 18h20
Local :: Maracanã
Campeonato :: Brasileiro
Placar :: 0 x 0 (Botafogo x Flu)

E o que interessa: 3 dias! Apenas 3 dias para eu voltar a respirar normalmente. Confesso que nem o ar puro da serra de Minas Gerais conseguiu me fazer esquecer a data mais importante do ano.

sábado, 28 de junho de 2008

Ibitipoca Sábado

Estrada na ida:


Um touro no meio do caminho:


Janela do Céu:


um girassol:


um piquenique:


e um pôr-do-sol:


4 dias...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Eu apareço no Google!

Uma homônima desconhecida me deixou feliz! Querida Dri mineira, outro abraço enorme. Tentei te responder, mas seu perfil não estava disponível... Coisas desse mundo virtual, moderno e de vontade própria. Mas deixo aqui a minha gratidão por ter me proporcionado duas alegrias:

O fato, por si só, de não me conhecer e deixar lá um comentário. (você não imagina como isso é uma espécie de vitória!).

E, também, por ter me avisado de que apareço em pesquisas no Google.

Já brinquei de me procurar no grande guru cibernético inúmeras vezes e nunca havia me achado. Era frustrante.

Agora, sou uma pessoa mais completa e sintonizada.

Sintonizada e atrasada. Estou viajando. Não dá mais tempo de me alongar.

Tá friozinho com sol! Melhor temperatura do mundo.

Beijocas,
dri

5 dias, hein!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Resultados

1º resultado: 4 x 2 LDU. E, por incrível que pareça, dei graças a Deus por ter ficado aí. Renato Gaúcho foi mais longe, acha que saímos no lucro. Thiago Neves tem quase certeza que o gol dele foi o gol do título... Caralho... Me sinto uma espécie de mulher de malandro com o meu time. Amo na mesma intensidade em que levo porrada. É um sofrimento do início ao fim do apito. E hoje não colocarei cantinho lá embaixo. Todo mundo sabe quanto foi, onde foi, com quem foi e etc. Teria várias coisas para falar, mas quero apagar o 1º tempo que nem o Luiz Alberto e irei me recolher até semana que vem, no Maracanã! E que esse papai do céu aí do Fernando Henrique também guarde bem a energia dele.

2º resultado: Depois de muito me descabelar, lembrei que o moço tem paixão por carros antigos. Carros em geral, mas os antigos são uma espécie de xodó. Foi um ponto de partida. Queria dar alguma coisa relacionada a esse universo. Queria dar um carro propriamente dito, mas ainda não cheguei lá. E uma miniatura seria muito mixuruca. Então... resolvi usar Camila e suas habilidades manuais. (Ficou esquisito isso, né? Parece que contratei Camila para brincar com o rapaz...). Mas não. Paguei Camila para presenteá-lo. (ôpa! A coisa continua estranha...). Camila fez um quadro é isso. Camila é boa. (tá foda...). Mas a menina é realmente boa com as mãos. Uma artista. Bom, ele foi seu primeiro cliente (...). Ela fez uma espécie de montagem com gravuras de carros antigos lado a lado. Ficou fofo.
Olha só:


E, para não dizer que eu nunca dei flores para ele...



O menino adora jujubas. Aí, dei um arranjo de jujubas!
Eu que fiz. Mentira. Shshshsshsh

6 dias para o Maracanã. Um jogo de vida ou morte. Pro meu pai, literalmente. Não sei nem como ele não morreu desta vez. Nunca vi o cara da cor que ele ficou ontem. Preocupante.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Combinações Astrais

É hoje! É hoje que o Fluzão joga o 1º jogo da final contra o LDU e é hoje que eu faço três anos de casada. (E foi hoje também, há 13 anos, que o Renato Gaúcho fez o histórico gol de barriga que nos deu o Carioca de 1995).

Há muito tempo, eu disse uma frase que hoje li parecida numa revista furreca e do século passado no consultório da minha dentista. Vou escrever a minha versão que é melhor: ‘pessoas muito parecidas funcionam, mas não se sustentam’.

E, repara só, é verdade. Claro que é. Eu, por exemplo, me imagino namorando um monte de gente que eu adoro, que pensa como eu, que entende os meus pontos de vista, que se diverte com as mesmas coisas, lê livros parecidos e por aí vai. Mas só me imagino casada com meu atual marido, que não tem absolutamente nada a ver comigo.

A maioria dos meus amigos próximos ‘seguem meu estilo’, digamos assim. Vieram mais ou menos dos mesmos lugares, foram criados mais ou menos da mesma maneira, passaram mais ou menos pelas mesmas fases. Fiquei, namorei, saí com um montão deles. Mas fui acabar com um cara que quase não fala a minha língua. Aliás, diria que, muitas vezes, não fala mesmo. Mas foi assim, sem se entender, que a gente foi ficando, ficando, ficando. Incrível, não?

O início foi o mais complicado. Tinha a parte do ‘tudo é novidade’, mas na maioria das vezes as novidades vindas dele, não me agradavam muito. Não tínhamos nenhum amigo em comum. Nenhum! Nunca tínhamos nos visto antes. Falávamos de coisas totalmente diferentes. Ele era contra absolutamente tudo o que eu havia feito na vida e eu continuava contando minhas histórias sem freio.

Por um motivo astral que até hoje eu não sei explicar, a gente foi se sustentando. O negócio foi se ajeitando aos trancos e barrancos e a coisa engatou, para a alegria da minha família que já havia se conformado com a hipótese deu não casar nunca, alardeada por mim durante muito tempo.

Acabei sendo a primeira a casar de todas as minhas amigas. Meu pai foi resistente até o fim. Foi o último a acreditar que a coisa era séria. Quando se abriram as portas da igreja, ele apertou minha mão, olhou firme pra mim e disse: “é isso mesmo?”. Acho, do fundo do coração, que se eu dissesse ‘não sei’, ele teria saído correndo comigo dali, sem pensar.

Lá se foram oito anos desde que começamos a namorar. E quer saber? Continuamos muito diferentes. Ninguém fez grandes mudanças para se adaptar ao outro. Acho até, que se isso acontecesse, o caldo entornava. Somos os mesmos de antes com alguns aninhos de vida a mais.

Muita gente - aliás, acho que quase todo mundo - não entende mesmo como a gente existe enquanto casal. Tirando a minha família que se livrou de um problema, nem os meus amigos entendem muito bem e nem os dele.

E há quem ache que a nossa vida, então, é um inferno. Não é. Não é mesmo. Brigamos muito pouco, apesar de nos desentendermos e discordarmos bastante. Fazemos várias coisas ao contrário e diferente da maior parte dos casais. Eu falo tudo. Ele escuta tudo. Eu sou imatura. Ele é impressionantemente acima dos meus ataques e crises. Não consigo ficar presa. Ele sabe. E solta. Solta e puxa no momento exato. Dou escândalo, ele fica quieto. Não tenho certeza de nada. Ele tem uma segurança inabalável. Falo o que não quero falar. Ele entende exatamente o que eu queria dizer.

‘Pai, é. É isso mesmo.’ Só faltava ele torcer de verdade para o Fluminense...


7 dias para a final histórica no Maracanã.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Leitura Dinâmica

Mentira. Só coloquei esse título porque achei bonitinho e tem mais ou menos a ver. Mas as leituras de que vou falar não são dinâmicas. Não são dinâmicas no sentido de que não apenas passo o olho. Eu leio mesmo. Com interesse, vontade e curiosidade.

Mas estou vivendo um conflito. Já vivia antes, mas piorou de uns tempos para cá. É o seguinte: nós, seres do novo milênio, da modernidade, somos bombardeados com muita informação. E isso está quase dando pau no meu HD à medida que, em vez de selecionar e descartar, venho acrescentando coisas novas para ler.

Teve uma época em que tentei ler dois jornais – O Globo e A Folha de São Paulo -, mais duas revistas semanais – Veja e Época -, e mais um livro da vez. Não deu. Acabava com tudo acumulado e passava o fim de semana na piscina tentando colocar a leitura em dia. Fiquei só com O Globo e o livro por um tempo.

Aí.... Bom, aí foram entrando os sites informativos (estou considerando qualquer tipo de informação, sem preconceitos). Globo.com; Terra, Ego, Planeta Bizarro e uns outros aí de fofocas. Fiquei com O Globo, Globo.com e Ego.

Aí de novo..., resolvi entrar na era dos blogs. E danei de ler blogs alheios para checar como anda o mercado. E fico horas a fio a ler. É impressionante a capacidade que outros mortais como eu têm de escrever besteiras interessantes. Não consigo parar de ler. Passei meses com olheiras. Dormia muito tarde lendo tudo de todo mundo. Começou a afetar a minha vida profissional e sexual.

Achei que era hora de diminuir.

Bom, hoje estou com O Globo; Globo.com; Ego; “A Menina que Roubava Livros”; e blogs que leio com mais ou menos freqüência.

blog do Fernando Caruso - http://bloglog.globo.com/fernandocaruso -;
da Isabella Saes - http://www.isabellasaes.com.br -;

... e de outros que vou entrando pelos outros. Uma coisa meio amigo do amigo, que nem orkut.

Um parêntese aqui para falar uma coisa: comerciais. Já havia falado do ‘na casa do Pedrinho’. Tá, mas é que há mais dois comerciais que me divertem atualmente: o do Niely Gold com o Richard Gere. (o que é aquele homem falando “que cabelo lindo”!?); e o do chocolate Twix com os três caras falando “caramelo”, “biscoito” e “chocolate” como se estivessem numa espécie de ataque epilético. Adoro!

Niely Gold: http://br.youtube.com/watch?v=4QqGrObUgL8

Twix: http://br.youtube.com/watch?v=8DIuyi4-3mI


É AMANHÃ, hein! E faltam ‘só’ 8 dias para o Maraca.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

E agora?

Antes, um espaço para o meu horóscopo. Fazia tempos que não aparecia nada filosófico e engraçado nele. Apareceu:

Corte vínculos afetivos com a situação que está dolorosa para você. Mas atenção! Cortar, sim; esquecer, não. Senão não se aprende nada com a experiência.

Pois é, mas adoro vínculos...

Bom, vamos lá: sabe quando uma data importante está distante e aí, mesmo que o tempo vá passando, a sua impressão é que a ocasião especial ainda vai demorar. Pois é. Me fudi. Mais uma vez.

Depois de amanhã, faço aniversário de casamento. Três anos. E fui achando que estava longe e agora me desesperei. Não por me dar conta que estamos mais um ano juntos. Até aí, tudo bem. É que não pensei em nada para dar para ele. E não tenho a menor idéia se ele vai fazer alguma coisa ou me dar alguma coisa diferente. Estou em pânico. Vou ficar arrasada se ele fizer algo fofo e eu der, sei lá, uma camisa.

E o pior é que eu sou boa nessas coisas. Não sou daquelas de fazer coisas mirabolantes tipo ‘siga pistas’, presentes feitos a mão, caixas dentro de outras caixas... mas costumo ter idéias simples e de impacto. Costumo. Mas desta vez, estou totalmente perdida. Não sei nem por onde começar.

Sei que devemos viajar. Já peguei ele algumas vezes olhando o guia 4 rodas. E quando ele faz isso é porque vem viagem por aí. Tomara que seja só isso. Só, não. Adoro viajar. Mas tomara que não seja a viagem e mais alguma coisa significativa.

Eu nunca sei quando ele vai aprontar. Ele é, talvez, a única pessoa que eu conheço que realmente sabe planejar, disfarçar e fazer uma surpresa. Ou então eu sou muito desligada mesmo... o que é muito provável.

Não agüento mais dar objetos com gravações. Quando fizemos 1 ano dei tipo uma placa de vidro com metal onde gravei parte da letra de uma música e a data. No segundo ano, gravei outra vez a data num mega canivete suíço. E já gravei outras coisas em outros objetos. Canetas, pesos de papel... Acho que estava tentando marcar território. Agora, cansei.

Tenho uma amiga muito esperta que soube fazer de uma situação ao acaso algo simbólico, relativamente barato, e que resolveu o problema dos presentes para o resto da vida. No dia do casamento dela, ela e o marido acharam uma moeda rara e antiga de outro país aí qualquer no chão e guardaram como um amuleto da sorte. Aí, quando eles fizeram 1 ano, ela ‘fez ele achar’ outra moeda antiga de um outro país. No 2º ano a mesma coisa e assim por diante. Eles farão uma coleção de moedas raras que ficarão num pote de cristal na sala e terão história para contar aos netos.

Eu iniciei uma coleção de objetos gravados, mas enjoei deles...

Bom, é isso. Achei que escrevendo aqui, me dedicando ao assunto por alguns minutos, talvez tivesse uma luz. Nada... Tô ferrada.

2 dias para o 1º e 9 para o 2º!

domingo, 22 de junho de 2008

Super-Gêmeos Ativar!

Forma de um som de periquito! Não sou velha. Peguei aí a tal da geração internet numa idade razoável. Deu para me acostumar com a revolução tecnológica. Mas não paro de me surpreender com esse mundo virtual, meio buraco negro, onde há de tudo, sem limites visíveis e imagináveis. A internet hoje é capaz de tudo.

Por quê? Por que estou aqui a falar de internet? (nossa, saiu meio português de Portugal, não?) Bom, porque eu precisava achar um som hiper, super, mega específico para colocar num vídeo que eu estava editando e achei o barulho estranho, exatamente como eu estava na cabeça em, sei lá, três minutos. E olha que eu nem sou das mais espertas e sagazes para descobrir páginas e sites incríveis.

Há que se falar do google. Sem ele a internet seria, aí sim, um grande buraco negro desconhecido. E é aí que entro no meu título criativo.

Internet e Google são uma espécie de Super-Gêmeos. Juntos são capazes de tomar a forma de qualquer coisa e nos salvar das mais perigosas situações. O resto da liga da justiça seria composta pelo Windows e seu mestre Bill Gates, o Youtube, o Emule, o Hotmail e outros heróis menos famosos só para encher a sala de justiça, mas que ninguém lembra direito o nome.

Minha irmã não sabe muito bem quem são os Superamigos. Tirando a Mulher Maravilha e o Super Homem, não sabe citar mais ninguém.

- Tem aquele da água também, não tem?
- Tem, Taty. Adivinha o nome dele?
- Sei lá. Aguaman.
- Quase Taty. Quase...
- Como é?
- Aquaman.
- Ah, é que eu não terminei o curso de inglês.
- Hã?

Enfim. Já meus pais se confundem com os novos personagens.

- O que é eMule?
- É um programa para baixar música e vídeos da internet, pai.
- É para burros?
- Não, pai. Não é difícil. Eu te ensino, vem aqui.
- Não. Tô perguntando porque o deseinho do ícone é de um burro, oh. É para burros?
- É uma mula, pai.
- Ah! Mule, mula. Que coisa. É para mulas?
- ...

Fiquei seriamente preocupada com o meu futuro. As coisas estão mesmo cada vez mais complexas de serem entendidas e operadas. O que será que meus filhos e netos vão saber que eu não sei? Angustiante isso. Terá algo mais incrível que a Internet e o Google!?


Ninguém soube tirar a minha dúvida do Coritiba X Curitiba. Nem papai. Só um lá que falou que talvez seja porque a torcida deles se chama Coxa. Aí, pegaram o ‘co’ de coxa e fizeram um combinado com Curitiba. Sei não... Continuo achando estranhíssimo.

3! dias para o 1º e 10 para o 2º. Agora sim está com cara de contagem regressiva!

sábado, 21 de junho de 2008

Relatividade

Para uns, eu não fiz nada o dia todo. Para muitos outros e para mim, eu fiz tudo.

No jogo passado da Libertadores, Flu X Boca, um iluminado e paciente amigo meu ficou cinco horas na fila para comprar nossos ingressos. Matou o trabalho, ficou sem comer, em pé e blá blá blá. Falei que ele era louco e tal, que eu não teria agüentado ficar tanto tempo e mais blá blá blá.

Não é que agüenta!? Claro que agüenta. Quando você está lá, você agüenta. É incrível.

Fui dormir ontem bem tarde, escutando o povo que já estava na fila cantar sem parar. No início, estava achando divertido. Mas quando o sono bateu de verdade, fechei a janela e liguei o ar-condicionado.

Sonhos. Sonhos são estranhíssimos. Sonhei que eu não conseguia chegar ao Fluminense para comprar os ingressos. Depois, quando eu chegava, o clube não estava mais lá e aí, eu tentava ir para o Maracanã, mas estava só de camisola na rua (?)... Enfim, loucuras desse nível.

Às 7h o despertador e o telefone tocaram ao mesmo tempo. Era o amigo iluminado da outra vez me acordando para começarmos a saga, agora na vida real.

Ele saiu da Tijuca e foi ver a situação do Maracanã, enquanto eu fui à pé para as Laranjeiras. Graças a Deus, o clube continuava lá. Não fiquei na fila do lado de fora, que – juro – às 8h da manhã já estava lá na General Glicério. Compro lá dentro. Mas a fila também não estava nada animadora.

Bom, fiquei. Fui ficando. Sozinha. Renato, o amigo, já tinha desistido do Maracanã e ido para São Cristóvão. A minha fila estava andando rápido demais. Desconfiei, mas senti uma ponta de felicidade. Óbvio que a minha desconfiança tinha cabimento. Quando cheguei lá na frente, descobri que era uma fila para pegar uma senha!

Minha senha: número 804. Fiquei. Sozinha. Mas, numa situação mais confortável: na arquibancada, na sombra, vendo um jogo treino da galera. Estavam lá os Thiagos Silva e Neves, meu querido Conca, Somália! - tinha até me esquecido dele - e mais uns gatos pingados. Renatão passou, fez um alongamento básico e sumiu.

Já o Renato amigo torcedor desistiu também do São Cristóvão e foi encontrar minha irmã na Gávea. Após algumas horas, eles me ligaram para falar que havia acabado lá também. Taty apelou e ligou para o Toti, amigo do papai e vice-presidente alguma coisa do clube. Ele atendeu!, mas falou que só podia confirmar se dava ingresso para gente na quinta de manhã.

Ou seja, eu lá dentro das Laranjeiras, era a última esperança para garantir nossa ida ao principal jogo da História do Fluminense. Fiquei.

No tempo em que estive lá sentadinha e escutando a mulher no microfone chamar número por número desde o nº1, eu conversei com um monte de desconhecidos, encontrei alguns conhecidos, recusei uma praia, comi só um Trio para não gastar dinheiro, senão não daria para comprar ingresso para todo mundo e tomei espôrro pelo telefone porque avisei que não iria comparecer a um almoço lá do lado dele.

- Você está aí desde que horas?
- 7h30.
- Você está maluca? São 13h30 da tarde.
- Eu sei.
- Você vai ficar aí o dia todo, não vai fazer mais nada?

Para uns, não fiz nada... mas para mim, fiz tudo. Às 14h30, já com Renato e o irmão lá comigo, conseguimos encontrar um outro amigo que tinha uma senha um pouquinho melhor e sentimos na mão, orgulhosos, nossos ingressos suados.

Tomados de um alívio indescritível, fomos encher a cara ali mesmo. Merecíamos. Nós e outros sócios e torcedores satisfeitos. Todo mundo como numa mesa só.

Exausta, fui resgatada por ele que me tirou lá de dentro um pouco à força. Me apeguei ao lugar em que estava a tanto tempo... No carro, no ínfimo percurso do Fluminense até em casa, já apaguei. Tadinho, me trouxe nos braços até o sofá. Subir a escada já era demais...

Acordei agora e, por um momento, cheguei a pensar que tinha sido mais um sonho. Por via das dúvidas, corri até a bolsa e verifiquei os ingressos. Estavam lá. Que venha a final de 2 de julho! NENSE!

Cantinho do Fluminense

Então, passei dias achando que eu sempre tinha escrito o nome da cidade de Curitiba errado. Tudo porque estou a semana toda lendo no jornal que o Fluminense ia jogar com o Coritiba (?). Mas, descobri que não sou burra. A pessoa que escolheu o nome do time que é incoerente. Fluminense enfrentou o Coritiba de Curitiba. Que diabos...

Data do jogo :: 21.06.2008 :: 18h10
Local :: Na casa deles
Campeonato :: Brasileiro
Placar :: 2 x 1 (Coritiba x Flu) :: E a lanterna continua.

Mas... faltam só 4 dias para o 1º e 11 para o 2º. O negócio está voltando a esquentar...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Crianças

- Tia Dri, eu engoli um caroço de Tangerina. Será que vai nascer uma tangerineira em mim?

- Acho que não.

- Se nascer, ela vai sair pela boca, pelo nariz ou pelos ouvidos?

(pausa)

Resposta pensada: pelo cu.

Assunto delicado. É perigoso falar de crianças. Há sempre o risco eminente ou iminente – assumo, não sei a diferença neste momento – de alguém se magoar. Falar mal do filho dos outros faz qualquer pai ou mãe virar bicho. Por isso, não citarei que pentelho ou pentelha travou o diálogo acima comigo. Mas é um pentelho encravado.

Não tenho com crianças o que tenho com velhinhos, por exemplo. Velhinhos conseguem o que querem de mim. Sinto pena e compaixão imediatas. Mas crianças, nem todas. Crianças remelentas, melequentas, sujas não são bonitinhas aos meus olhos. Minha mãe diz que quando eu tiver o meu, não vou me importar. Tomara.

Mas há muitas crianças mal educadas por aí. E elas têm habilidades incríveis como falar palavras como ‘tangerineira’. Pensa bem. Essa criança não é uma dissimulada? Ela consegue falar tangerineira!? A peste é inteligente e vai arranjar algum jeito de te infernizar a vida.

Essa peste específica não é nem de longe bonitinha. E passou longe do fofa. Tem um olhar ameaçador, sabe?

A essa altura já deve haver um pelotão me censurando. Pensando: ‘como pode, ela falar assim de uma criança?’ Meu Deus!

Por que todas as crianças do mundo têm que ser imaculadas? Por que temos que partir do pré-suposto que eles todos são pequenos anjinhos? Não podem existir diabinhos? Gente que nasce meio podre já? Nem estou falando que a culpa é sempre dos pais. Não estou julgando a educação que ninguém dá a seus rebentos. Só estou defendendo um ponto: nem todas as crianças são dignas de confiança.

Pronto, falei.

5 para o 1º e 12 para o 2º.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cheia de Amor pra Dar

Querida Deca, eu te amo. Muito. Você é a amiga mais bem-humorada, divertida, engraçada, bonita e moleca que eu tenho. E olha o problema que você acaba de me arrumar! Vai ter gente reclamando... Mas é verdade.

Desde que te conheci, fiquei mais leve, menos dura (estou falando da minha personalidade. Continuo pobre...), mais descontraída e feliz. Não imagino meus anos de PUC e Globosat sem você. Foi tudo uma festa.

Você foi a grande responsável por eu ter me fantasiado pela primeira vez num carnaval após a infância e te agradeço por isso. Graças a você, meu período de intervalo de namoro foi incrível. Não deu tempo nem de sofrer. Ele que não me ouça...

Por você, conheci gente alegre e de tudo quanto é tipo. Nunca vi... oh garota para se dar bem com todo mundo! Mais que isso. Oh garota danada que faz gente como eu, que não preza pela simpatia, se dar bem com todo mundo. É isso. Uma das grandes lições que aprendi com você é que vale à pena sorrir de bobeira para quem passa. (Vai que ele é gatinho e está solteiro...)

Por causa de você fui e voltei tantas vezes de Niterói, achando que estava ali na esquina. São momentos, tardes, dias tão gostosos que iria até a pé, sem nem ligar. E uma pessoa maravilhosa, não é de se admirar, vem de pais maravilhosos. Invejo com muito carinho a relação que você tem com seus pais, a união e a alegria da sua família toda. O casamento da sua irmã foi o melhor que eu já fui na vida. (estou incluindo o meu) E olha que eu nem conhecia muita gente. Seu pai de cartola, na frente, comandando a bateria da Mangueira é uma das imagens que guardarei na memória.

Não consigo lembrar de você sem ser com um sorrisão no rosto. E os dentes perfeitos, filha da p...

Sabe quando a gente é adolescente menina e não gosta muito de ter amigas muito bonitas para não sumir do lado delas? Sumo do seu lado com prazer e com orgulho. Isso hoje. Mas tenho certeza que se tivesse te conhecido antes, não seria diferente.

Sua beleza física é admirável, mas seu recheio é infinitamente mais significativo. Uma criança grande. Uma amiga gigante. Uma mulher de 1,70 e muitos. Você é um exagero só. Mas não faz mal à saúde. Nem um pouquinho. Love U!

Não é por nada não, hein... mas este Brasil e Argentina foi muito do sem graça. Fluminense e Boca foi infinitamente mais interessante.

Teimoso esse Dunga. Deixa todo mundo zangado (piadinha nível ‘ELE’)

Enfim, faltam 6 dias para o 1º e 13 para o 2º...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Ex-marido

Já passou de meia-noite. Então, já posso escrever de novo. É que não quero perder o frescor da coisa. Acabei de debater o assunto no carro, voltando para casa. Estou com um probleminha básico. Um detalhe na minha vida que está atrapalhando a minha imagem. É que toda mulher moderna e bem-resolvida que se preze tem um ex-marido, certo? Pois é. Eu não tenho. E não está combinando com o meu estilo independente, cool, prafrentex...

Levei a questão ao meu próprio marido. Segundo ele, eu ainda estou nova. Dá tempo dele desistir de mim. Ele disse que deve me largar quando eu estiver com uns 40. Foi aí que me emputeci. Ah não. Com 40 não! Se for largar, tem que ser antes.

- Quando? Agora?
- Não. Mas precisamos impor um limite.
- Qual?
- Sei lá. Um limite que ainda dê para eu ter filhos.
- Filhos? No plural?
- Sim. Acho que quero dois.
- Porra, então tenho que te largar logo. Você não é mais nenhuma garotinha...
- De novo essa história. Sou sim. Tenho cara de criança.
- Já contou isso pro seu útero?
- 33.
- O limite?
- É. Se você for me largar tem que ser até os 33.
- E você acha mesmo que vai conseguir casar de novo aos 33, desesperada e sem filhos?
- Não estarei desesperada. Tem um monte de gente que casaria comigo.
- Quem?
- Não vem ao caso.
- Coitado. Avisa para ele que é melhor não pedir referências.
- Eu posso ter filho antes, com você mesmo e depois separar. Aí, é mais fácil alguém me querer.
- Com dois filhos e um ex-marido?
- E daí? É super moderno. São as famílias do novo milênio. Uma salada. Dois pais, duas mães, um monte de irmãos. O negócio é casa cheia!
- Casa cheia e dinheiro.
- É verdade. Custa mais caro.
- Divórcio também. Custa uma grana.
- Quanto?
- Não sei direito. Mas já fui ver uma época e era tão caro que desisti.
- Como assim? Você ia se separar de mim?
- Claro né, Adriana. Só casei com você.
- Por que você nunca me disse?
- Já disse várias vezes.
- Não. Que foi ver quanto custava o divórcio. Eu podia dividir os custos.
- Não, não podia.
- Joga na cara que eu ganho pouco, joga.
- Você ganha pouco.
- Eu ganho pouco, serei uma separada sem filhos e com 33 anos ou com dois filhos e um ex-marido e você não vai dar referências. Talvez seja melhor eu ficar com você mesmo.
- Eu também acho.
- Mas lá pelos meus 30, uma coisa meio crise e tal, a gente pode se separar só para os olhos da sociedade e depois voltar? Assim eu ganho um ex-marido para a minha imagem e no fim das contas fico com você mesmo. Olha, é mais moderno ainda! Pode ser assim, então?
- Não sei. Vou pensar.
- Até quando? Tem que ter um limite...

7 dias para o 1º e 14 para o 2º...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Estilo

Falei aqui que fui no Fashion Rio, né? Então, não tem nada para fazer lá, a não ser ficar olhando a roupa dos outros. Eu fui meio básica. O máximo que havia de ousadia em meu look - é assim que fala – eram uns brilhinhos na alça do vestido. O resto era sem graça toda vida perto das cores, estampas e criatividade de 90% das pessoas que circulavam pelo local.

Pois é. Criatividade. Sou criativa em diversas áreas da minha vida. Para escrever, no trabalho, para dar presentes... Mas para me vestir, esse meu lado aflorado não aflora. Além de uma baixa resistência a coisas desconfortáveis, desconfio que seja por causa de um pouco de falta de paciência e dinheiro. Ainda assim, há quem diga que uma cabeça criativa na moda consegue montar os tais looks sem gastar muito. Bom, eu não sou uma dessas cabeças.

Sou uma reles mortal que adoro comprar roupas, mas costumo não conseguir fugir do preto e do clássico. Não gosto de porcaria e me recuso a entrar em determinadas lojas que, para o meu marido dá no mesmo - mas não dá -, mas não enlouqueço. Adoro calça jeans e blusa branca. Mas a blusa branca não precisa ser Hering e a calça tem que ter uma modelagem quase feita para mim. Aliás, um parêntese rápido: (amo homem de camisa social branca e calça jeans. Fico louca. Uma coisa meio mal educada que não consegue parar de olhar. Juro. Não precisa nem tirar a roupa. Vem assim mesmo e me joga na parede).

Bom, voltando ao estilo fashion de ser, também queria falar de algo um pouco contraditório que sempre me pega como uma armadilha. Há coisas que sem saber muito bem porquê você passa a gostar e quer usar. A explicação é simples: está na moda. Nessa temporada, aconteceu isso comigo com os shorts de tecido usados com meia calça opaca escura ou colorida. Acho que cai super bem e viva! ficou ótimo em mim também. Mas aí... Eis a contradição: você quer usar porque está na moda, mas, ao mesmo tempo, passa a não querer mais porque está todo mundo usando. É claro, pombas! Se está na moda, vai todo mundo usar.

Enfim, o fato é que comprei um monte de shorts e meia de tudo quanto é cor e agora não consigo mais usá-los. Está aí parte da explicação de porquê nós mulheres vivemos comprando roupas novas. É porque só dá para usá-las num raro intervalo entre ‘estar na moda e o mundo está usando’. É um intervalo mínimo, sutil mesmo. E é por isso também, maridos, que nós quando limpamos o armário para fazer doações há um monte de roupa nova. É, essas pegaram um intervalo curtíssimo ou nem chegaram a ser usadas porque perdemos o timing. Acontece. Com todas as mulheres. É super normal e, agora, depois desse testemunho aqui, muito compreensível.

8 dias para o 1º e 15 para o 2º...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A Caixa de Adriana

Preparem-se para saber mais um causo da vida de uma garota inquieta, eu.

Em um determinado momento da minha infância, lá pelos 11, 12 anos – sim, na minha época, isso ainda era considerado infância, Graças a Deus! – cismei com mitologia grega. Acho que foi porque comecei a ver algo no colégio e também porque ganhei aquele “Livro de Ouro da Mitologia”.

Bom, a questão é que fiquei encucada com a historinha da Caixa de Pandora. Para quem não sabe ou não lembra, um breve resumo:

Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus. Uma espécie de Deus, tão sacana quanto o da Bíblia. Ele criou a tal Pandora e deu na mão dela, UMA MULHER, uma caixa, cheia de coisas, que ela não podia abrir. Óbvio que a moça abriu e fudeu com a humanidade dali em diante. Da caixa saíram a velhice, o trabalho, a doença, a loucura, a mentira e a paixão. E ficou lá no fundo a esperança. A tal última que morre...

Essa idéia de uma caixa fechada cheia de coisas meio aleatórias é que ficou na minha cabeça. Aí, um belo dia de tédio total em um fim de semana em Ibicuí - lá onde minha família tem casa, já contei -, resolvi pegar uma caixa de papelão e colocar coisas dentro. Lembro que botei uma panelinha da minha coleção, um pedaço de um pano de prato, um batom de mamãe, um papel de carta, mais alguns cacarecos e um pires que tirei da louça de vovó, escondido. E enterrei. Uma coisa meio cachorro.

Não, nunca fui lá desenterrar o negócio. Na verdade, nem lembro o local exato mais. Mas isso foi meio de propósito. Enterrei com um sentimento romanceado de que algum dia, alguém muito tempo depois, desenterraria meus segredos. Pelo que sei, eles ainda estão enterrados.

Mas por que estou falando isso tudo? Porque ontem, na capa da revista de Domingo do Globo (olha ele aí), saiu a foto de um prato que foi encontrado enterrado. Lembrei do meu pires. Do pires de vovó, perdão. E fiquei pensando algumas coisas que queria compartilhar aqui:

Por que diabos dão tanto valor a coisas que, muito provavelmente, não são nada demais? Os caras fazem um alarde imenso porque encontraram pedaços de um prato de louça portuguesa, numa escavação no Centro da Cidade. Uma relíquia do século XVII! Relíquia por quê? E se esse prato fosse algo como uma louça de dia-a-dia que uma pessoa qualquer comprou numa espécie de Casa & Vídeo das antigas? Vai que é um pires que uma criança travessa enterrou de brincadeira no quintal da avó? Enfim, qual é o valor fenomenal que há num prato? E que História toda é essa que um prato quebrado pode contar?

Fico imaginando arqueólogos importantíssimos de dois séculos a frente encontrando a minha caixa de papelão. Olha o puta trabalho que os caras vão ter para tentar montar meu quebra-cabeças! Vão perder anos e anos de pesquisas tentando achar uma lógica num batom ao lado de uma panelinha minúscula e um papel de carta. Daí, vão traçar toda a história de um povo que viveu há 200 anos.

Sei lá. Eu acho essa história de fósseis e sítios arqueológicos um trabalho muito do chutado. Neguinho sai achando e chutando um monte de significados e teorias impressionantes. Fora que cadê a relevância de saber da história do fulano, dono do prato, no século XVII? Ele podia ser qualquer um. Podia ser eu! Pena que não estarei aqui quando acharem a minha caixa...

Faltam 9 dias para o 1º jogo e 16 dias para a final.

domingo, 15 de junho de 2008

Nada Óbvio

Lembra da crônica do pastel? Aquela que eu falava em sair da rotina?

Bom, primeiro eu quero falar como é gostoso voltar a ler um livro. Estava há um tempo só na leitura do dia-a-dia (que, pra mim, significa O Globo e Globo.com. Sou totalmente vendida para a máfia do falecido Roberto Marinho) e bobeiras, como blogs alheios, revistas de fofocas e sites de celebridades. Bobeiras essenciais para a minha vida, hein! Não estou menosprezando.

Enfim, estou de volta a uma leitura construtiva. O livro é “A Menina que Roubava Livros”. (ok, estou atrasada. Todo mundo já leu. Mas isso é comum. Sempre leio um pouco atrasada. Li “O Código Da Vinci” bem depois do burburinho).

Mas o fato é que estava me sentindo superficial demais, sem conteúdo. Nada contra. Mas acho que não pode estender muito essa fase vazia. O ideal é ir revezando, equilibrando. Uma “Caras” aqui, um Machado de Assis ali, um “Ego” acolá, um Nelson Rodrigues...

E eu, com minha mania de pinçar frases, bati o olho em mais uma que me encantou. A situação era a seguinte: uma mãe e uma filha, que viajavam num trem, foram surpreendidas com a morte do filhinho menor. As pobres precisaram saltar na estação seguinte e enterrar o pequeno. Fazia um frio horroroso. E, após a saga toda, as duas pegaram outro trem para continuar o destino anterior. Nesse momento, em que a menina senta, ela diz a seguinte pérola (sem ironia, nesse caso):

“E seguimos viagem como se tudo tivesse acontecido”.

Não é genial? A gente sempre usa certas frases, expressões, de um determinado jeito, engessado. Às vezes, nem prestamos atenção no significado. Vira defaut. E, de repente, se invertermos o sentido, olha só que coisa mais profunda.

Perdi a conta de quantas vezes falei “como se nada tivesse acontecido”. Na maioria delas, meio puta com alguém ou com um tom meio debochado. ‘Fulana falou comigo, na maior cara de pau, como se nada tivesse acontecido’. ‘Entrei, peguei minhas coisas e saí, como se nada tivesse acontecido’. E etc, etc, etc.

Agora, sentiram o peso embutido nesse ‘como se tudo tivesse acontecido’ da menina do livro? Toca fundo. Mostra dor, sofrimento. Enfim, me fez prestar uma atenção do cacete e sentir profundamente aquele momento ficcional. Essa é uma das grandes coisas que me faz querer escrever bem. Esse poder pelas palavras de mexer com as pessoas.

PS: E o Jamelão, hein... Vai com Deus...

Faltam 10 dias para o 1º jogo e 17 dias para a final.

sábado, 14 de junho de 2008

Casais

Ih... Ontem foi sexta-feira 13. Nem reparei.

Bom, vamos lá: casais podem ser algo muito perigoso. Não os casais em si. Mas um grupo de casais. E não estou querendo falar de swing, estou pensando apenas num grupo de casais amigos. Um grupo que se forma por ‘n’ mil motivos: ou porque trabalham juntos; ou porque as mulheres são amigas antigas e acabam colocando os maridos na roda; ou vice-versa. Esse é o meu caso. Tenho, vivo, faço parte – melhor assim – de um grupo de casais que se formou porque os meninos eram amigos da faculdade e, à medida que foram namorando e casando, inseriram suas mulheres no contexto. Eu sou uma dessas mulheres.

E, por uma benção divina, nosso grupo vive em total harmonia. Mentira. Às vezes, sai um pega pra capá ou outro. Mas, quando acontece, é entre cônjuges. E, atenção, essa seria uma situação com bem mais chance de dar errado. Os homens já eram amigos. As meninas é que tiveram que se conhecer, se aceitar e se gostar. Ao contrário, é infinitamente mais fácil. Homens são muito menos seletivos e exigentes em qualquer tipo de relação...

Mas nos adoramos. Não me lembro exatamente do início. De como fomos nos aproximando. Mas a coisa foi acontecendo naturalmente e hoje nos vemos numa média de duas vezes por mês. Viajamos umas duas vezes por ano e trocamos e-mails ‘sacaneativos’ toda semana.

E estamos tão unidos e vivendo felizes para sempre que até fizemos, anteontem, um Dia dos Namorados Grupal. Foi ótimo. Muito melhor que ficar só com ELE... Afinal foi o nosso... caralho! 8º dia dos namorados. Ah! Ganhei um pijama, só pra ficar registrado. Esqueci de dizer o que havia ganhado dele lá no dia 12. (mas, por incrível que pareça, gostei. Foi útil. É fofinho e estava sem para esses dias frios. É um empresário. Um homem de visão!)

Enfim, somos um grupo feliz. Vivemos numa espécie de seriado americano. Cada um tem um perfil.

Ficou definido que eu sou a saidinha disfarçada. E que ELE, o trouxa, comprou gato por lebre. Sou muito mais fachada que interior, digamos assim. Uma puta do pau oco. Fala, fala, mas, na hora do vamos ver, foge da raia. Além de trouxa, ele também faz às vezes de piadista. Ganha no volume, sabe? Faz tanta gracinha que, em algum momento, acerta.

Temos ainda o moço das tiradas rápidas, que sacaneia todo mundo, mas mais - bem mais - a mim. Mas assumo que tenho mania de deixar a bola quicando. A próxima é a nossa estudiosa e inteligente (alguns dizem que a moça é muito séria... não pode brincar com ela). E ela acaba de passar em mais uma fase de um concurso sinistro. PARABÉNS, Paulette! É quem vai ficar rica e nos sustentar.

Falta ainda a menina mais barata do grupo. Uma espécie estranha que gasta dinheiro de menos em coisas básicas como roupas, bolsas e sapatos. E que por isso, por ter outros valores, é a mais admirada pelos homens. E, por último: o prefeitinho da galera. O boa-praça, que está sempre de bom humor, topa tudo e abraça demais, segundo sua respectiva.

Somos os 6!

Faltam 11 dias para o 1º jogo e 18 dias para a final... (saco...)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Submundo do SMS

Sabe aquela pergunta capciosa: “onde vão parar as canetas Bics?” Todo mundo já perdeu, pelo menos, uma na vida. E foi comprando ou roubando outras para substituir. Pois é, mas para onde vão as perdidas? Para o mesmo lugar que vão os guarda chuvas de 5,00 reais e as mensagens e torpedos não recebidos.

Há tempos queria falar sobre isso. Pensa bem. Quantos torpedos você já mandou que não chegaram ao destino deles? Eu já mandei vários. Mas há um torpedo pior do que o que não chega. É aquele que chega muito tempo depois. Tipo no dia seguinte, quando o que está escrito ali, muito provavelmente, já até perdeu a validade. E quem mandou nem lembra que fez essa burrice.

Celular sempre foi um perigo para bêbados. Mas enquanto eles só faziam ligações eram mais justos. Você tá fazendo a merda de ligar e alguém fez a merda de atender. Daí em diante, o que se fala e o que se escuta é de total responsabilidade das duas partes. Agora, torpedo não. Torpedo, uma pessoa manda e você não tem a opção de não ver. (Até tem, mas não conheço ninguém na face da Terra que receba um torpedo e consegue, simplesmente, não ver. A não ser a minha avó que não sabe como faz e, se bobear, nem o que é um torpedo...). O fato é que um torpedo tardio é ainda pior porque a pessoa que fez a merda não está mais consciente e o que recebe a merda atrasada fica meio sem entender o contexto. Uma coisa assim, acordando às 9h da manhã para trabalhar e vê escrito em seu celular: “já estou no décimo chopp. Beijo na boca”.

Essa frase recebida às 2h da manhã quando o outro lado também está se divertindo em algum lugar pode ser muito bem recebida e até gerar um bate papo quente madrugada adentro. Mas às 9h da manhã, com a pessoa acordando, o que vai acontecer é que ela vai ficar puta. Achar que o outro só pensa nela quando bebe e vai ficar de mau-humor o resto do dia. Olha aí a merda feita...

Mas o que eu queria falar é dos torpedos que nunca chegam. Esses, sim, um mistério do mundo tecnológico que podem causar estragos de maiores e menores proporções. Quantas vezes você fica se perguntando se o diabo da mensagem terá chegado ou não? ‘Como assim ele não vai responder?’; ‘Será que ele não gostou?’; ‘Será que exagerei?’; ‘Ai, meu Deus, não devia ter mandado...’. E aí, fudeu. Para uma pessoa completamente paranóica como eu, por exemplo, que tem pavor de pegar no pé alheio e faz de tudo para não ser chata, isso é mais do que suficiente para sumir do mapa. E, semanas, meses ou até anos depois, descubro que o torpedo nunca chegou ao seu destino...

Ou outra: você fica ali um tempão para tomar coragem e mandar a bendita mensagem. ‘send’. E ela cai no buraco negro... Não parece que as máquinas, às vezes, têm vontade própria? E, de novo, para paranóicos como eu isso é uma espécie de sinal que me avisa que não era para eu ter mandado mesmo. E me fecho outra vez.

Quem foi que disse que tecnologia avança a nossa a vida, hein? Sou mais um olho no olho. Sem dúvidas. Sem ‘send’, sem ‘clear’ e, o melhor: sem aquele ‘você tem certeza que deseja apagar essa mensagem?’.


E aí, foi engraçado? Menina, tô tensa com essa coisa de ser engraçada, agora. Que merda.

Cantinho do Fluminense

Nem vi o jogo. Mas papai não gostou. Enfim, empate. E continuamos lá atrás no Brasileiro.

Data do jogo :: 12.06.2008 :: 20h30
Local :: Acho que foi no Maracanã
Campeonato :: Brasileiro
Placar :: 1 x 1 (Flu x Santos)


Faltam 12 dias para o 1º jogo e 19 dias para o grande embate final. (só um comentário: quem foi o infeliz que definiu que a final seria um século depois da semi? O puto tinha uma viagem marcada na época, não é possível!)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados

Sabe qual foi o meu primeiro presente de Dia dos Namorados? Um coração de chocolate, vermelho e grandão. Eu era uma criança e quem me deu o presente foi meu pai. Um pra minha mãe e um pra mim, as mulheres da vida dele. Tatiana, coitada..., nem pensava em existir ainda.

Bom, não é segredo pra ninguém (ninguém mesmo. Nem precisa ser meu leitor assíduo aqui pra saber. Está na minha cara ultimamente. Dou pinta fácil), que minha atual paixão atende pelo nome de Fluminense Futebol Clube. E que estou aguardando ansiosamente pelo presente que ele vai me dar que tem dia e horário marcadíssimos.

Bom, mas enquanto isso, eis o que acontece para a minha surpresa - boa surpresa, é bom deixar claro -: papai desencavou os velhos tempos e resolveu me dar, anos e anos depois, um outro presente nesta data comercial e que deixa o trânsito e os restaurantes do Rio de janeiro um inferno na Terra!

Ganhei dois pingentes com o escudo tricolor. Não é fofo? E olha só o que é mais fofo: sabe por que ganhei dois? Lembra que eu disse aqui que odeio ganhar coisas de valor porque morro de medo de perder e acabo não usando? Pois então, papai espertamente e dotado de uma sensibilidade que eu desconhecia lembrou disso. E me deu dois! Foi o jeito sensacional que ele encontrou de fazer eu usar o negócio no pescoço. Eu guardo um e assim uso o outro sem pânico. Gente, é ou não é o homem da minha vida?

Antes que me achem realmente uma doida varrida e fanática (não que eu não seja...) quero registrar que se trata de uma coisa discreta. Coloquei atrás, na argolinha do fecho do cordão que eu já usava. Quando me interessa, jogo ele pra frente. E beijo o escudinho que, pelo visto, se tornará uma espécie de amuleto.

Não tem mais jeito. Estou mesmo completamente inserida nesse contexto tricolor. E a coisa foi acontecendo meio sem eu perceber. É engraçado lembrar como tudo começou. Eu torcia pro Flu porque não gostava de ver papai triste. E adorava ver papai feliz! Mas era só por ele. Com o tempo e a paixão por outros tricolores, eu acabava torcendo para o bem da minha relação ‘conjugal’. Mas perdi o controle. Totalmente.

Vivo aquela relação intensa de amor e ódio. E fazer as pazes? Como é bom fazer as pazes com o Washington depois daquele período sem gols, com o Thiago Neves. Como é bom estar nas nuvens com o Conca e viver entre tapas e beijos com o Fernando Henrique. Estar ali naquele período da paquera com o Dodô. E ainda tem o Renato Gaúcho. Nenhuma mulher resiste a um canastrão... Hoje, posso falar que torço por mim mesma.


Ps: Uma coisa engraçada para você, Marquitos: (Se fudeu. Agora, pegarei no seu pé até o fim!)

Ontem fui ao Fashion Rio com um convite que era duplo.
Aí, entrego para a mocinha da porta, que diz:

- Cadê seu acompanhante?
eu, tentando ser engraçadinha... – Não quis me acompanhar.
(surrealmente, a menina engata num papo)
- Jura? Por quê? O que aconteceu?


Faltam 13 dias para o 1º jogo e 20 dias para o grande embate final.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Engraçadinha

E-mail recebido:

“Vou falar uma coisa que eu acho que você não vai gostar. Nem eu sei exatamente se é bom ou ruim. A questão é: acho que você está escrevendo melhor. À medida que está fazendo com que quem lê se envolva cada vez mais, dia a dia, com uma história aí que está sendo contada desde janeiro. Mas... Sempre tem um ‘mas’. Não dou boas gargalhadas há um bom tempo”.

É verdade. Não gostei. E também não sei muito bem porquê. Talvez porque seja verdade. Não tenho sido muito engraçada. Mas não é por mal. É natural.

Acho que a dinâmica é mais ou menos como a de um relacionamento qualquer. No início, a coisa é mais pavão. Todo mundo quer aparecer mais. Há uma cobrança interna de contar piadas boas, estar sempre bonita, ser interessante o tempo todo. É a fase da paixão, que, por si só, já é um combustível e tanto para se ter energia de ser interessante o tempo todo. Vamos combinar que é cansativo.

Bom, mas o tempo vai passando e sim, como o fulano disse, o envolvimento vai ficando maior. E junto com ele vem a intimidade e um certo relaxamento que não precisa ser encarado como desleixo. Não é passar a se vestir mal e a não ligar para ser ou não interessante. É apenas um sentir-se bem. Um sentir-se mais à vontade. Um comportamento mais aconchegante e sincero. É aí que eu queria chegar.

Carrego uma característica totalmente inerente. Ser sincera. Sou muito. Sempre fui. E é batata. Isso aparece naturalmente. E apareceu aqui. Venho aqui todos os dias. Às vezes, escrevo antes de escovar os dentes de manhã. Ou mulambenta, com roupa de deputado. E até nua se a inspiração bater. Não me incomodo. Adoro vir aqui todo dia. Me sinto em casa. Acolhida, segura, amada. Lida.

Por isso, é inevitável que o que saia de mim seja, muitas vezes, sem graça. Sou sem graça também. Bastante. Que nem todo mundo. Poderia fazer um esforço maior para tentar ser sempre engraçadinha? Poderia. Mas não controlo. Me envolvi.

Então, será assim. Às vezes, bom. Às vezes, ruim. A Vida como Ela É.



Faltam 14 dias para o 1º jogo e 21 dias para o grande embate final.