quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Trânsito

Odeio trânsito. Trânsito de carro parado. Prefiro levar mais tempo para chegar a algum lugar andando, do que menos tempo, mas quase parada. Por isso, sou daquelas pessoas que ficam tentando pegar caminhos alternativos. E, sim, já tive milhões de provas de que isso nunca dá certo. E, pior, na maioria das vezes você se complica ainda mais.

Mas não tem jeito. É mais forte que eu. Se estou parada e aparece uma ruazinha ali à direita, eu sigo. Nem sempre sei onde aquilo vai dar. Posso ser sincera e assumir que, na maior parte das vezes, eu não resolvi o meu problema do trânsito. Mas... Mas amenizei o meu problema de tédio. E isso já é alguma coisa. Muita coisa.

Odeio tédio mais do que eu odeio trânsito. Música me distrai um pouco. Mas eu logo percebo que eu estou ali parada. Uma pessoa junto no carro só piora. Levando em consideração que eu fico intragável, as chances de uma discussão (se for alguém com uma certa intimidade) ou de uma explosão (se for alguém com quem eu tenha que aparentar normalidade) são altas, bem altas.

Uma das coisas de que mais tenho pavor de ficar parada no trânsito é que começo a pensar na vida. E pensar na vida entediada, presa dentro de um carro não é legal. Questões já resolvidas voltam à cabeça. Outras coisas que você nem tinha tempo de pensar e por isso mesmo estavam lá quietinhas no canto delas, surgem de repente, querendo solução. Você lembra de um monte de coisas que tem que fazer e não fez. Uma vai puxando a outra, culpados escondidos vão aparecendo e as dúvidas. Pqp como eu tenho raiva das dúvidas! Dúvida só serve para confundir mesmo. Enfim, não gosto de pensar na vida.

Por isso, desde que eu comecei a dirigir, são nove anos (caralho! Fiz 18 há 9 anos!) de dedicação a achar coisas que disfarcem meu tédio no trânsito. Hoje inventei uma nova brincadeira que pode até virar roteiro de curta-metragem.

Estava eu na Lagoa-barra (o que fazia eu lá, às 20h?? burra para c...) quando o mundo parou. Nem sinal de caminhos alternativos. Estava presa. Precavida que sou, antes do tédio invadir ou da vida rondar, comecei a fazer o seguinte: olhava para os carros do meu lado, na frente, atrás, enfim, os carros que estavam próximos e começava a inventar uma historinha para cada pessoa que estava dentro deles.

Assim: do meu lado tinha um velhinho em um táxi, com uma cara meio tristinha. Aí, fingi que ele tinha trabalhado a vida toda e juntado uma grana boa. Com esse dinheiro, abriu um negócio com um amigo que veio do norte, onde ele também morava. O negócio deu certo, cresceu e eles estavam super bem. Um belo dia, o cara sumiu com tudo e deixou o velhinho sem nada. Sem alternativa, ele teve que começar a trabalhar de novo e alugou um táxi.

Atrás, tinha um casal num carro preto grande que eu nem sei qual era. (não sou muito boa nisso, o que deixa meu marido, viciado em carro, um pouco irritado). Os dois estavam, há uns 10 minutos, mudos, olhando para a frente sem trocar uma palavra. Na minha historinha, estavam indo para a festa de 70 anos do pai dela. (ela estava toda maquiada) e como já haviam discutido em casa, porque ele não queria ir, agora estavam sem se falar. Ele pensava que era a última vez que estava fazendo algo que não queria e ela pensava em como ele era injusto, ingrato e egoísta.

Na frente, um cara num chevete (esse eu ainda sei reconhecer!) que tinha acabado de jogar uma lata vazia de cerveja pela janela. Preconceitos à parte, no meu roteiro virou um pé-rapado, que estava indo numa festa num condomínio na Barra com churrasquinho, pagode e funk.

Do outro lado, um garoto, sei lá de uns 20 anos, roendo unha. Esse estava indo pegar uma menina para sair pela primeira vez. A infeliz mora na Barra e fez com que eles marcassem um cinema no infernal New York City Center. Ele já está atrasado, começando mal. Está nervoso, ela não atende o celular.

E assim foi até eu chegar em São Conrado, quando peguei o Joá (dane-se se é perigoso) e fui me divertindo com curvas até a Barra. Cheguei de bom-humor, com uma idéia na cabeça e simpática com todo mundo!

Se eu não fosse maluca, ia acabar ficando louca...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Nada É por Acaso

Não, por favor, nada de espiritismo. Sei que há um livro famosérrimo da Zíbia sei lá das quantas que tem esse título. Mas não sou espírita, para desgosto do meu pai, e muito menos leio livro da Zíbia que tem um filho dono de um dos programas mais trashes da TV. E trash no mau sentido. Porque há trashes e trashes e esse é o trash do mau, do demo, para ficarmos no campo religioso.

Meu ‘nada é por acaso’ é mais simples. Simplório, fica melhor. Tudo começou com Miguel, um dos portugas, que me pediu uma caixinha para guardar a coleção de moedas que está se formando na mesinha de cabeceira dele. Catei, mas não encontrei nenhum compartimento adaptável.

Até que andando pela Marechal Cantuária, a única rua da Urca onde vende-se coisas, passei por uma lotérica que além de aceitar apostas, vende trecos. Sei lá porquê, parei e entrei para olhar os trecos. Aí, avistei um simpático cofrinho em forma de porquinho todo pintado com temática tricolor. Tá, meu time não tá merecendo minha simpatia, mas quem é que resiste ao escudo do Fluminense? Eu ainda não consigo. É como olhar para o Marcelo Antony ou para o George Clooney, meus musos quarentões.

Enfim, comprei o porquinho para dar de presente a Miguel. Ele merece. Mesmo tendo chegado ao Brasil numa época em que o Flu não anda essas coisas, fez questão de escolher meu time para chamar de seu, comprou uma camisa e a veste com orgulho, vai entender...

O fato é que as moedas do Miguel, depois o escudo tricolor e, por último, o porquinho associado ao tema econômico e a alguém que eu gosto muito fizeram com que eu tivesse idéias bacanas e resolvesse coisas importantíssimas de trabalho hoje.

Viu, simplório. Como eu gosto.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pedras Portuguesas

Tenho praticado muito o desapego. É um exercício diário e forçado. Sou chata. Falei isso já, né? Mas engana-se quem pensou que minha chatice se resume a ser meio travada. Não. Minha chatice abrange temas como: chata com quem usa as minhas coisas, chata com quem tira as minhas coisas do lugar, chata com quem come as minhas coisas... chata com qualquer coisa que envolva as minhas coisas. E esse ‘minhas’ não necessariamente é tão ‘minhas’ assim. Deveria ser de todos. Mas eu não vejo assim. Desde muito nova, quando minha luta era só com Tatiana Maia.

Pois bem. Morar sozinha acostuma mal o ser humano. Um ser humano com tendências egoístas então... Sou esse aí. Tenho muita pré-disposição ao egoísmo e prezo bastante a privacidade. Nunca morei sozinha, sozinha. Mas morar com o meu marido é quase isso já que o cara é quase um escravo dos Senhores Feudais Portugueses. Desde que o conheço ele trabalha de domingo a domingo, salvo raríssimas exceções e nem estou falando de feriados, natal e ano novo. Esses são os dias em que mais se trabalha, aliás. E quando ele chegava em casa, não tinha força para mexer nas minhas coisas. Quem sempre mexeu e decidiu tudo fui eu. Nunca declarei, mas sou totalmente a favor da ditadura dentro de casa.

Agora, cada dia é uma surpresa. Cadê o pão preto que estava aqui? O João comeu. Cadê o João? Está procurando o chocolate. Cadê o chocolate? O Miguel comeu. Cadê o Miguel? Está monopolizando a TV...

Tá. Ainda gosto deles. E eles são muito menos intrusos do que parecem na minha descrição simpática. A chata sou eu mesmo. E é por isso que comecei dizendo que estou praticando o desapego. Acho que vai ser bom para mim. Até para o futuro. Se dois marmanjos me cutucam, imagina crianças!? Como farei para adestrar meus filhos?

Mas enquanto não encontro a cura da chatice, encaro meus novos moradores como pedras no meu caminho.

No meio do caminha tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. No meu caminho, são pedras, assim no plural. E portuguesas!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A La Cláudio Paiva

- Oi! Que bom encontrar com você. Estava há um tempão pensando nisso.

- Oi.

- Eu me separei também, sabia?

- Ah é?

- É. Não estava dando certo. Muito tempo juntos. O relacionamento se desgastou sozinho, sabe? Não é culpa de ninguém. Não tinha mais paixão. Estávamos vivendo como dois velhos amigos. Meio devagar quase parando.

- Que pena.

- Ah, vai dizer que você não ficou feliz?

- Hã? Não, por que eu ficaria feliz? Separação é sempre uma coisa sofrida.

- Na verdade, estou aliviado. Só tenho pena pelas crianças. Mas também não estava sendo bom para elas.

- Bom, se cuida.

- Ei! Mas e você?

- Eu o quê?

- Separou por quê?

- Como assim?

- Como, como assim? A secretária lá da academia falou que você tinha se mudado. Tinha voltado para a Urca. Aí, me lembrei que você tinha me dito uma vez que seus pais moravam lá. Logo...

- Ah! Por isso que você falou ‘também’ no início... Não. Eu me mudei sim, mas não fui para a casa dos meus pais. E nem me separei.

- Não?

- Não.

- Que merda.

- (?)

- Bom, esquece tudo o que eu falei. A história de aliviado, velhos amigos e tal. Estou tentando voltar para a minha mulher.

(...)

domingo, 5 de outubro de 2008

O Bolo

Aniversário dele. O combinado era que o moço passaria o dia fora fazendo um rali aí em Niterói e eu cuidaria das pouquíssimas coisas que faltavam ser organizadas para a festinha de mais tarde em nossa casa.

Fiz até uma listinha. Ele podia ir tranqüilo. Pedi, esperei e paguei o gelo. Coloquei as bebidas para gelar com a ajuda de um dos portugas. Passei aspirador e pano na casa inteira. Recebi os sanduíches enormes. Recebi os barcões da comida japonesa que ele ama e eu odeio. Arrumei tudo. Lavei copos. Arrumei espaço para os petiscos. Selecionei DVDs e músicas. Confirmei com os amigos dele mais próximos. Tomei banho e fiquei linda, com o detalhe importantíssimo de que fiz isso sem precisar usar uma roupa nova. Prometi que ia gastar menos em roupa e tenho cumprido. De presente, usei uma roupa velha no aniversário dele! Ele ficou orgulhoso.

Estava tudo ótimo. Tudo lindo. As pessoas começaram a chegar. Veio todo mundo de mais importante. Não faltou comida e nem bebida, a maior alegria do rapaz, que tem uma neura um pouco acima do normal com isso. Coube todo mundo. Enfim, a noite corria muito bem.

A não ser por um detalhe. Sim, o bolo. Cadê a porra do bolo? Eu esqueci o bolo! Alguém me fala como pode no aniversário do meu marido em que eu fiquei encarregada de organizar uma festa na minha própria casa, eu esqueço do bolo, Jesus?!?!

Um bolo muito do mixuruca foi comprado às pressas numa padaria magicamente aberta. Com aquele glacê de cores que só há em padarias, sabe? Bom, estava todo mundo bêbado e o bolo desceu assim mesmo. Mas pqp! Oh cabeça ruim... Que merda. Ainda bem que ele é homem, já acostumou comigo e não fica magoado. Tá vendo como eu não poderia ser lésbica!? Imagina se fosse uma mulher. Tava fudida.

sábado, 4 de outubro de 2008

Capítulo 2 - Letícia

Entendo que as pessoas muitas vezes não acreditem muito em algumas das minhas peripécias contadas aqui. Mas o que eu posso fazer se vivo passando por situações meio bizarras. Sei lá, atraio. Deve ter alguma explicação.

Bem, primeiro foi a ida à pracinha com Paulinha, a filha dos vizinhos que estavam caindo na porrada. Agora, conheci minha outra vizinha mirim. De novo, de uma maneira incomum. Letícia mora na casa ao lado.

Estava eu sexta-feira trabalhando, lá para umas 5h da tarde, quando começo a escutar:

- Manoel – Manoel (na voz de uma criança aos berros)

Primeiro só pensei uma besteirinha: Caralho, eu tenho três portugueses em casa e o vizinho é que se chama Manoel.

Mas aí, a criança permaneceu: - Pai – Papai – Manoeeeel!!!!– Alguém – Socorro! – Me ajuda – Me ajuda!

E a voz foi ficando cada vez mais desesperada. Tão desesperada que finalmente me fez levantar da cadeira e achar que não era possível que tudo aquilo fosse manha. Cheguei a pensar que ela tinha acabado de fazer cocô e ninguém estava indo lá limpá-la. Depois, achei que ela podia estar de castigo. Num terceiro momento, que de fato me fez levantar, achei que a estivessem matando.

Enfim, me meti numa microjanela que tem na minha copa e dá para ver a lateral da casa onde estavam matando a criança que ainda não tinha parado de gritar.

- Ei. – Ei, aqui.

(silêncio)

- Está tudo bem? Você está precisando de ajuda?

Uma voz fanha me responde: – Não está tudo bem.

Volto para o meu cafofo.

Segundos depois: - Me ajuda! – Pai, chega logo, pai. – Pai, por favor me ajuda.

Voltei para a janelinha: - Oi, olha para mim. O que está acontecendo?

- Eu estou sozinha em casa.

- Você tava dormindo?

- Não, tava no computador.

- E não tinha ninguém?

- Eu achei que a empregada tava, mas ela saiu. E agora eu tô sozinha. Me ajuda! Me ajuda! Pai! Papai!....

Resumindo: eu fui lá para frente, pulei o muro da casa da garota (totalmente louca, né? Ela podia estar de pirraça, podia estar mentindo, a casa podia ter alarme, podia ter cachorro... aliás, tinha. Dois. Mas eles foram com a minha cara), resgatei a pequena e saí com ela pelos braços (o portão abria por dentro, não pulei de novo). Levei a menina ainda histérica e soluçando para a minha varanda e ficamos lá sentadas conversando, esperando alguém da casa dela chegar. Nesse meio tempo, ELE entra em casa e óbvio pergunta quem é a pessoinha.

- Sou a Letícia. Tenho 7 anos. E estava sozinha em casa. Eu que pedi para vir ficar aqui, esperando. Não foi ela que me obrigou.

Muito bem. Letícia fez direitinho como combinamos. Estava morrendo de medo de levar um puta esporro por ter invadido uma casa na Urca e ter saído de lá com uma criança a tira-colo!?

Bem, o lance é que, no fim da história, foi ELE quem entregou Letícia ao pai, que chegou dois minutos depois. Perco quase três horas do meu dia e o menino com cara de bonzinho e responsável é quem leva os créditos. Francamente.

Letícia passa bem. O pai tinha ido buscar o outro filho na natação e avisou a Letícia que não quis ir. Pelo visto, ela mudou de idéia...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Gisele

Quando eu era bem menina, ganhei um livro com todas as peças de ballet famosas: “O Lago dos Cisnes”; “O Quebra-Nozes”; “Copélia”; “Giselle”... Adorava. Era esse livro e um outro treco que era de uma boneca de papel e suas roupas também de papel. Eram dois dos meus passatempos prediletos. Li e reli as histórias de ballet cinqüenta mil vezes. Tenho ele até hoje. Meio prejudicado e tal, mas tenho. A boneca de papel escafedeu-se junto com o meu pogobol, o meu Sr. Batata, o jogo do pirata lá... e o resto do Almanaque Anos 80.

Mas não é sobre nada disso que eu quero falar. É que quando coloquei o título ‘Giselle’, lembrei do livro das histórias de ballet. Mas parou aí. O que eu quero falar mesmo é sobre o comercial da Vivara com a Gisele Bundchen.

Já viram? É uma mistura de comercial de shampoo com cabelos ao vento e de perfume com olhares e movimentos sedutores. Mas tem um ‘ar’ constrangedor a mais. Quando vi, me lembrei imediatamente da minha pré-adolescência quando eu ficava em frente ao espelho fazendo caras, bocas e poses para... nada. Só por puro prazer de se descobrir menina e admirar os próprios cabelos compridos.

Mas eu não tinha coragem de fazer isso na frente de ninguém. Desde pequena desenvolvi um senso de ridículo muito bem apurado até os dias de hoje. Nunca usaria um laçarote rosa enorme, por exemplo...

Mas o fato é que olhei para Gisele e lembrei de mim. Uau! Humildade para quê, não é mesmo? Mas é sério. Voltei uns quinze anos no tempo e me vi em frente ao espelho do quarto que hoje é ocupado pela minha irmã, que assim que eu saí de casa nem deixou a cama esfriar. Pulou para o meu ex-quarto que era maior que o dela.

Então, Gisele está lá dando uma de pré-adolescente curtindo uma com o espelho em rede nacional, quiçá internacional! E está ganhando horrores para pagar esse micão.

Talvez meu senso de ridículo tenha me atrapalhado mais do que me ajudado... vou rever os meus conceitos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Noiva

Ok, ok, todo mundo conhecia a do ‘tô vendendo o almoço pra pagar a janta’. Sorry. Mas eu realmente nunca tinha ouvido e gostei. Vamos à próxima página:

Sempre achei noiva uma coisa meio paraíba. Não a ‘noiva’ em si. Mas aquele povo que fica noivo, sabe? Tipo, ‘estou noiva’; ‘meu noivo blá blá blá’, ô coisa brega...

Como nunca fui noiva, nunca usei aliança na mão direita. Deixo aqui um adendo de que aqueles casais que usaram aliança na mão direita um tempo antes de se casar sem o estardalhaço de ‘ficamos noivos’, não tem problema. Implico apenas com o termo estou ‘noiva’.

Mas então, eu não fui noiva e nem usei aliança na mão direita. Conheci o anel que usaria para ‘todo o sempre...’ no dia do meu casamento. Gostei mais ou menos. Antes eu tivesse visto antes... Não dá para deixar nada na mão de homem, literalmente no caso. Agora tenho que usar esse negócio mais ou menos ‘para sempre’.

Enfim, mas o fato é que estou noiva! Como? Tive uma espécie de alergia inexplicável no dedo anelar da mão esquerda por causa da aliança. Fez machucado e tudo!



E aí, tive que tirar a aliança de lá. Ou seja, estou temporariamente noiva. O anel está, pela primeira vez, na mão direita.

Será que isso faz diferença? Meu marido falou que faz. Pelo menos, para mulher. Diz ele que homem noivo é chamariz de mulher. Mas eu não acho que seja muito diferente de casado. Se uma aliança chama mulher, não importa em que mão esteja. Aliás, se levarmos em conta o desafio, quanto mais difícil melhor, não? Achei bobagem. Mas queria dar uma testada.

Aliás, eu tenho um sério problema. Já fiz inclusive pesquisa entre as minhas amigas e sou uma das poucas que não repara em aliança de homem. Isso não é bom. Mas é que nunca me lembro, ou me lembrava... de olhar para a mão do sujeito pra ver se ele era comprometido. Na maioria das vezes, descobri ou com o tempo ou porque o próprio avisou... Não me orgulho, quero deixar claro. Mas faz parte da minha desatenção.

Ao contrário, digo os homens em relação a mim, também nunca senti que repeli ou atraí gente pela aliança. Já ouvi muitas vezes “Você é casada???”, mas muito mais porque as pessoas não levam fé que eu possa ser casada do que por interesse em mim.

Mas vou aproveitar esse momento noiva para checar se algo muda. Aviso.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Colaboradores

Conversa escutada no Bibi Sucos do Jardim Botânico, entre dois atendentes:

- Vai lá no baile da Rocinha hoje?
- Vou não.
- Ih... Tá devagar.
- Minha mulher me bate.
- Que isso rapaz?
- É. Ela falou que só não bate em homem bonito. Feio, ela senta a porrada.

Conversa entre eu e um taxista que virou meu fiel escudeiro nesses tempos de Lei Seca:

- É, policial é tudo bandido mesmo. Eles já têm esquema com os garçons dos bares, sabia? Os fofoqueiros avisam quando sai um cliente que bebeu e dá o itinerário todinho. Aí, os caras vão na certa.
- Jura? Mas também está tudo errado. Eles ganham mal para caramba.
- Que nada. Pode botar um salário de 5 mil na mão deles que eles vão continuar tudo mau caráter igualzinho. Sangue ruim.
- É verdade. Caráter é caráter.
- Eu não consigo. Tô vendendo o almoço pra comprar a janta, mas durmo tranqüilo.

Cantada que uma amiga levou e me contou:

- Aí, ele vira para mim e diz: Eu tenho que te fazer um elogio. Sua estrutura mandibular é linda. (?)

Outra amiga contando de outro cara que também estava dando mole:

- Ele olha de longe. Dá uns abraços mais longos, sabe? Tem um papo legal e tal. Mas... ele pisca. Vive piscando. Uma coisa meio Latino, sabe?



Por essas e outras meus dias têm sido bem divertidos. Queria só falar uma coisa que não tem nada com nada: descobri o Diogo Nogueira. Quer dizer, descobri que o Diogo Nogueira é uma graça! Apesar de dar pinta de viado de vez em quando. Mas fiquei impressionada. Depois de Maria Rita, estou vendo o mundo musical com olhos mais atentos e descobri que Diogo Nogueira também tá podendo, hein?! Pegava fácil... Homem que rebola, usa gola rolê e ainda assim é incrível, tem que ser muito macho.

Um último comentário: qual é o sentido da gente pagar pedágio na ida e na volta? Eu acho que todos os pedágios tinham que ser que nem a Ponte Rio-Niterói. Pagar para entrar, eu até entendo. Mas pagar para sair eu acho um pouco de abuso.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Golo

Querido Francisco, não. Nada de novos ares no Flu. Eu ando de mal com o time há um tempo, acho que nem saberia se alguma contratação bombástica acontecesse. Aliás, aproveitando o mote das eleições, que estão quase aí, cheguei à conclusão de que lido com o Fluminense da mesma maneira que lido com as eleições. Torço quando papai torce, voto em quem papai vota. Que vergonha, né... com 27 anos na cara. Mas é exatamente assim. Desde os meus 18 anos, vamos caminhando juntos da Rua Lauro Muller até perto da Morada do Sol e chegando lá, ele me dá a cola que preparou para mim. E eu simplesmente repito os números um a um. Quase um coronelismo. A analogia não foi boa? Diz aí, difícil saber quem anda mais desacreditado o Fluminense ou todos os políticos nacionais.

Agora, outra coisa boa. Já tentei fazer mistérios antes para dar ibope e não funcionaram muito. Mas é só ser verdade e vir lá do fundo que o troço desperta um interesse fora do comum. O que me leva a crer mais uma vez que o segredo do sucesso é a sinceridade. O meu, pelo menos. E eu adoro ser assim.

Juro que eu gostaria de publicar aos quatro ventos meus motivos de alegria, mas não é só meu e aí, tem que se respeitar os outros. Esclarecendo mais uma vez, não estou grávida. Como sempre, choveram e-mails, principalmente das minhas amigas meninas, perguntando. Não, gente. Vão ter os filhos de vocês e me deixem em paz. Alice será o oposto da mãe: uma pessoa paciente, serena, calma, sem pressa, sem angustia. Nada de ansiedade. Se bobear, deixa até o Antônio Pedro vir antes. Ela só vai chegar na boa, quando a mãe dela estiver feliz e contente com outras coisas que são mais importantes agora. Ok? Combinado? Vocês estão parecendo a minha mãe.

E, pra fechar, uma coisa engraçadinha: sou casada com um quase português há anos e nunca soube que em Portugal, o povo grita Golo! quando o time põe a bola na rede.

Golo. Gente, não é sonoro. Tenta aí gritar empolgado, como se o Brasil tivesse feito um golaço em plana Copa do Mundo: Gooooooolo! Esse último ‘o’ não encaixa de jeito nenhum. Quebra o ritmo todo. E nem é uma coisa tipo: nós brasileiros não estamos acostumados. Não. Escutei um dos portugas aqui gritando e fica esquisito da mesma maneira. Meio retardado. “Gooooooo – lo”. O ‘lo’ vem meio que depois.

E golo lembra o Golum de “O Sr. dos Anéis”, lembra bolo, lembra tudo, menos ‘gol’. Gol é gol. Não é golo.

Por hoje é só.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eu e a Revista de Domingo

Hoje estou eufórica, mas não posso contar o motivo porque não me deixaram. Mas não há a menor possibilidade deu escrever um texto sobre outro assunto. Ou seja, não escreverei nada. Deixo só uma coisa que li na Revista de Domingo, na entrevista com o Carlo Mossy que eu adorei:

“O bar é o psicólogo da vida. As pessoas saem de lá ávidas, cheias de idéias e de planos para os próximos 15 minutos”.

Achei genial.

Beijos felizes!

domingo, 28 de setembro de 2008

Não Existe Mulher Feia, Existe Mulher Pobre

A Maria Rita é uma espécie de Carla Perez da MPB. Perdão começar assim de supetão, mas é que fiquei realmente de queixo caído ao ver de perto a metamorfose da moça. Uma ex-gordinha, tímida que agora é um furacão, cheia de presença e trejeitos ousados, com direito à barriga de fora e micro vestido de paetês. Se a Maria Rita fosse num programa desses de transformação, a gente ia ficar em casa jurando que não era possível, não era a mesma pessoa.

Mas é. Oh, se é. Maria Rita está gostosérrima. E, mais, ela sabe disso e usa e abusa de suas novas formas. Eu sei lá se ela fez lipo, se botou silicone, se fez lifting... Não importa. Ficou ótimo. Mas não deixa de ser surpreendente.

Outra coisa muito surpreendente é a platéia de Maria Rita – ah sim, fui ao show dela ontem. Eu não costumo freqüentar casas de show pelo simples e sincero motivo de que não gosto de definir o que vou fazer daqui a dois fins de semana. É. Tudo acaba muito rápido e se você quiser mesmo ir a algum espetáculo, é preciso se adiantar. Mas isso pra mim é uma tortura automática. Me sinto imediatamente presa. Ou seja, quase nunca consigo ir a show nenhum. Fora que é tudo muito caro e confesso que tenho peninha de gastar o equivalente a um vestido sensacional numa única noite, que eu nem sei se vai ser boa. Mais ou menos como quando se gasta os tubos numa festa de casamento, quando se podia viajar por um mês. Guardadas as devidas proporções é claro.

Mas a platéia da Maria Rita. Muito estranha. Eu, no meu humilde réles conhecimento do mundo musical, tinha a impressão de que Maria Rita agradasse a uma faixa etária que começava na minha e ia mais além. E que fosse um pessoal mais sofisticado. Enfim, achei que ela havia herdado o público da mãe. Ledo engano. Maria Rita é do povo. Me senti num show do Belo, da banda Calypso ou similares. Era um tal de berrar ‘Gostosa!’, ‘Poderosa!’, ‘Vem aqui que eu...’ e a coisa foi piorando.

A faixa etária da galera era de 15 a 20 anos. Uns poucos velhos como eu se misturavam à massa. Achei que poderia ser só no curralzinho da ralé onde eu estava. Nada. Fiquei de olho na hora da saída e era tudo parecido. Talvez os da área vip estivessem um pouco mais bem vestidos. Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato deu não ter avistado nenhuma celebridade. Maria Rita está em baixa com os famosos. Achei que eu poderia não tê-los visto porque entraram e saíram por outro lugar. Hoje dei uma checada no Ego e sites do gênero e não tinha nada sobre famosos no show de Maria Rita. Apenas uma simples chamada: “Maria Rita lança DVD no Rio”. Xiii.... Nem o Falcão deu pinta.

Para fechar, a melhor conversa ouvida na noite:

- Ela é filha da Rita Lee, né?
- Acho que é.

Ôpa, para mim deu. Até.

sábado, 27 de setembro de 2008

Fila da Baronetti

Não, eu não fiz parte da fila da Baronetti. Para quem não sabe - meus leitores lá de Santo André e tal... – Baronetti é uma boate da moda, ou melhor, que nunca sai de moda mesmo que volta e meia morra gente por lá. Fica em Ipanema.

Pois é. Aí é que está. Eu sempre soube que ficava em Ipanema. Mas eu nunca tinha parado ou investigado para saber a localização exata. E, por algum motivo que eu não sei ao certo qual é, eu achava que era ali no fim/começo (depende do ponto de vista) da Visconde de Pirajá. Quase Posto 6. Mas ali é, ou era, outra, que eu esqueci o nome. Como dá para perceber, não sou muito ligada em boates...

Aliás, nem que eu quisesse eu poderia freqüentar a Baronetti, por exemplo. Primeiro porque iam me barrar na porta por excesso de idade e segundo porque, pelo que eu pude notar, é preciso ter algum tipo de esquema para conseguir entrar, vide a fila absurda – que não anda! – que fica na porta. O que me levou a perceber que há dois tipos de ‘night’ no local. Uma dentro da Baronetti e outra fora, onde o pessoal fica na calçada – e em grande parte da rua - desfilando e usando o banheiro do Informal. Era lá que eu estava. No Informal. Que, para os leitores de Santo André, é um bar, um dos muitos que tem filial no Rio e em São Paulo, acho.

Mas, então, falemos da fila da Baronetti. Fiquei assustada. Gente, existe um outro mundo, totalmente paralelo ao meu, onde meninas se vestem como se fizessem parte do grupo de bailarinos da Cher. É a melhor explicação visual que eu posso dar. Adoro reparar na roupa das pessoas. É feio, eu deveria ter vergonha de assumir e tal, mas é verdade. Sempre achei incrivelmente divertido. Lembro de almoços hilários no meu antigo trabalho – eu e minha querida amiga Andrea Gubert – só sentadas, observando e nos comunicando por olhares sarcásticos.

Como a Andrea fez falta ontem... Porque só eu parecia estar fazendo uma reportagem para o Planeta Bizarro. Os outros que estavam comigo estavam achando incrível. Eram só homens. E homem não se importa muito se a menina tem um laçarote rosa na cabeça, muito maior que o da Minnie. Se ela estiver de vestido curto, é para lá que eles olham.

O laçarote aí não foi ‘força de expressão’, ele era real! Os vestidos é que eram todos meio sem criatividade. Todos do mesmo modelo e variações. É nos acessórios que elas se diferenciam. Se diferenciam entre elas, porque para mim eram todas iguais.

Será que há uns dez anos eu também era assim? ELE falou que provavelmente. Mas eu continuo duvidando... Fiquei muito impressionada com a fila da Baronetti.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Peitos

- Bom, então é isso, isso e isso, né?
- É. Acho melhor assim.
- Tá, amanhã então a gente faz assim e assado.
- Tudo bem, vai me ligando.
- Bom, então já vou indo... (quase na porta)
- Ah! Esqueci de te falar uma coisa.
(voltei um pouco)
- Vou colocar peitos.
(?!)

Óbvio que sentei na beirada da cama e fiquei mais uns 20 ou 30 minutos falando sobre os futuros peitos da moçoila aí, que eu não sei se eu posso dizer o nome. Se bem que, a essa altura, os peitos novos já estão devidamente colocados. Um pouco inchados, é verdade. Ainda estão estilo Pamela, mas já já estarão mais proporcionais, segundo a recém dona dos meninos. Eu estou achando ótimo, tirando o sutiã da vovó que nesses primeiros dias é essencial. Enfim, não será fácil disfarçá-los. Mas manterei a identidade da menina em segredo só para atiçar a curiosidade dos meus leitores assíduos.

Bem, o fato é que reclamei horrores de ter sido informada sobre a novidade assim de supetão, uma coisa meio un passant, tipo: Ah! Esqueci de te falar uma coisa. O fulano ligou ontem! Ou: Ah! Esqueci de te falar uma coisa. Resolvi onde vou fazer a festa! Quem é que esquece de dizer que aparecerá de peitos inflados?

Mas hoje fico pensando e concordo que não há muito uma maneira de se dizer que vai colocar novos compartimentos dianteiros.

Talvez eu, que tenho peitos, não entenda muito bem a cabeça de quem quer colocá-los. Mas, segundo outra amiga que já tinha passado pela experiência antes, faz uma diferença incrível. A auto-estima vai lá em cima. Bom, com peitos de silicone, concordo. Já com os meus aqui de verdade, nem tanto...

Não sou contra plástica. Acho que se a pessoa se incomoda com algo, tem dinheiro e vai se sentir muito melhor do outro jeito, ótimo. Dou a maior força. Foi o caso dos peitos. Ainda não vi por completo. Mas estou em um dos primeiros lugares da fila. Essa é a vantagem de ser mulher. Se uma amiga põe silicone nos peitos, você pode matar a curiosidade e olhá-los bem de perto. Pode até tocá-los. Imagina se um cara faz plástica no pau para ele ficar maior e o amigo pede para ver?!

É isso. Estou louca para dar as boas vindas aos novos peitos de (...), que cansou de ser inteligente e agora só quer ser gostosa. Válido. Tô pensando em colocar uma bunda...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Distraídos Venceremos

Essa frase está na minha geladeira. Há anos. O coitado do imã já está até meio rasgadinho, sabe? Enfim, hoje fui beber água e dei de cara com ela. Tinha esquecido que ficava lá. Com o passar dos anos, minha geladeira foi amadurecendo e ganhando várias responsabilidades. Ficam lá: as datas das últimas vacinas dos cachorros; telefones diversos de farmácias, depósitos de água, restaurantes, Pets e mil outros serviços; receitas de como o moço gosta que a empregada faça a soja (urgh) dele (é nojento); e recados variados para os portugueses, ELE e a empregada. Viu, trata-se de uma geladeira atarefada. E no meio dessa poluição visual, sabe-se lá porque, bati o olho na velha frase.

Quem me deu o imazinho foi um amigo das antigas que sempre brincava com o fato deu ser desligada e, por isso, me dar bem com todo mundo. Ele dizia que eu esquecia de coisas que as pessoas disseram ou fizeram e aí, conseguia conviver com elas na boa. Que a minha distração me salvava de muita dor de cabeça. Quando ele viu o imã para vender, comprou feliz da vida para mim.

Por muito tempo eu me esqueci dessa história. (Claro, não é mesmo?) Mas hoje lembrei e dei uma reanalisada nessa minha distração. Decidi investigar como ela anda hoje em dia.

Bom, estou igual. Mas... isso não é tão bom atualmente. Assim como a minha geladeira que ganhou incumbências importantes, eu também ganhei e esquecer delas não é uma boa. O que antes era quase um charme, uma característica engraçada, um jeito de ser cool... hoje, nem tanto.

Tenho de quem puxar. Já disse aqui um monte de vezes que saí igualzinho a Pedro Luiz, meu amado pai. Com uma diferença mortal! Ele é homem.

Em nossa sociedade é meio que permitido os homens serem desligados, esquecidos, meio irresponsáveis. Mas uma mulher? Não. Mulher por definição precisa ser mais cuidadosa, zelosa, responsável... Enfim, mulher.

Meu pai nunca soube em que série nós estávamos na escola. E notas, ele só tinha conhecimento quando era um ‘10’! gritado aos quatro ventos. Ele nunca foi a uma única reunião de pais e em todos os meus boletins, a assinatura é de Stella Maris Villarinho Benevides e Maia, minha querida mamãe.

Assim, papai ficou para a história e na nossa cabeça como o legal, o gente boa, o divertido e a coitada da mamãe virou quase persona non grata. Ninguém fala dela com gargalhadas no rosto.

Bem, no fim da minha análise, cheguei à conclusão de que um dos motivos, além da genética, para eu ser e gostar de ser essa pessoa esquecida e desligada é o simples fato de no meu inconsciente eu querer ser a legal, a gente boa, a divertida. Não é à toa que casei com o meu oposto. Afinal, alguém precisa fazer o trabalho sujo...

Conclusão: continuarei sendo esquecida e distraída. Mas devo muita coisa à mamãe que quase não é citada aqui exatamente por ser quem cuida de tudo o tempo todo e se contenta com o backstage. Mãe, brigada.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Lixeira

Sempre me impressionei com aquelas cenas de alguns filmes de suspense em que neguinho vai cavucar a lixeira alheia para descobrir coisas importantíssimas sobre o sujeito. É um nojo e eu nunca cheguei a achar que isso um dia pudesse fazer parte da minha própria vida. Não até inventarem as lixeiras dos e-mails. Uma lixeira mal administrada pode acabar com a vida de qualquer um. Ainda mais com pessoas como eu que demoraram um certo tempo até descobrir que o fato de você apagar ou excluir não quer dizer absolutamente nada no mundo virtual.

Aliás, esse mundo é um pouco benevolente demais, não é não? Uma espécie de universo em que para tudo há uma segunda chance e você não faz nada antes de um grande guru te perguntar ‘você tem certeza?’. Mesmo que você tenha, aquele negócio te faz dar uma balançada. “Hum... será?”

Mas o fato é que isso não deveria valer com a lixeira. Se você jogou no lixo é porque era para sumir. Ainda mais e-mail gente! Tudo bem que tem uns retardados por aí que jogam fora o que não deve e amam a lixeira. Mas, no geral, é trabalho dobrado. Você apaga lá e depois tem que ir apagar acolá. Um pequeno deslize e um mal entendido leva anos de relacionamento por água abaixo. Eu já tive que explicar porque chamei um cara, que teoricamente eu mal conhecia, de ‘querido’. Saco. Nada enfiava na cabeça do menino que querido é uma forma coloquial e tranqüila na minha área profissional, onde todo mundo acha que conhece todo mundo muito mais do que conhece.

Há um tempo descobri um atalho muito útil – shift + dell – que apaga a porra toda de uma vez. Mas meu atalho não funciona no e-mail fora do Outlook. O e-mail cibernético é contra apagar coisas assim de cara. É sim. Olha só a mensagem que fica depois que eu esvazio a lixeira:

Não há nenhuma conversa na lixeira. Por que jogar fora quando se tem mais de 2000 MB de armazenamento?!

“?!” digo eu! O que é essa pontuação exagerada no fim de uma mensagem doida dessa? O povo do Google que é dono do g-mail, do globo-mail e de mais da metade do mundo também é adepto da filosofia do ‘conhece muito mais do que conhece’. Porque para falar comigo com um ponto de exclamação e um de interrogação juntos tem que ter pelo menos me levado para jantar ou ser muito amigo ou um mala, que é mais o caso dessa mensagem surreal.

Enfim, foi só para compartilhar a mensagem aí que realmente me chamou a atenção. E respondendo a pergunta feita lá: porque alguém pode espionar a minha lixeira!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Voltando à Tona

Ainda da série do coração já que o assunto foi bem aceito e comentado. Ontem falei da mania ou burrice que às vezes nos assola e faz com que tentemos desesperadamente forçar a barra. Principalmente as mulheres que em um determinado momento perto dos 30 saem fazendo mesmo qualquer negócio. Bom, hoje vou falar de uma situação um pouco inversa. De quando a gente, por motivos legítimos como defesa, se engana e finge que já esqueceu alguém.

Todo mundo já teve pelo menos uma grande paixão na vida. Se não teve, acha que teve. E quando tiver, vai ver como a coisa é realmente muito maior do que se imaginava. Mas nem sempre essas paixões avassaladoras são possíveis. Aliás, muitas vezes não são. Por ‘n’ mil motivos. Dentre eles, incompatibilidade de gênios – amar não basta -; incompatibilidade de momentos na vida – amar não basta -; falta de coragem – amar não basta -; incompatibilidade de estado civil – amar não basta -; e mais um monte de outras incompatibilidades que só reforçam o fato de que o amor, ou a paixão, não é tudo. Não sustenta. Não enche barriga. E não gosta da rotina.

Mas o fato da cabeça ter tomado uma decisão, muito sensata até, não faz com que o coração acate essa escolha. E aí, é uma luta quase eterna entre um e outro. Quando a cabeça vence ou parece que vence, a importância da coisa vai mesmo diminuindo com o tempo e a esperança é que um dia suma. Trata-se de uma espécie de autodefesa muito útil para se continuar levando a vida. Caso contrário, seríamos um monte de infelizes a se lamentar o tempo todo.

As lembranças vão vindo com cada vez menos freqüência e rapidamente se consegue voltar ao que se estava fazendo antes. O máximo que o passado apaixonado ganha é um cúmplice suspiro. Um ar conformado e, no fundo, aliviado por aquele incômodo sentimento estar te deixando pouco a pouco. O problema é que a gente se apega. Se apega a filhote de cachorro, imagina a um sentimento que foi capaz de abalar as estruturas!

O segredo é saber lidar com esse corpo mole que pode ameaçar a paz conquistada. Não vou colocar aqui uma receita pra isso porque cada um deve descobrir a sua. Eu gosto muito das coisas naturais. Como eu sou meio esquecida e desligada mesmo, sempre deixei o fluxo da minha memória me ajudar a não me tocar da falta que alguém pode fazer. Insisto que isso não é fácil e que nem sempre fui bem-sucedida. Mas de outra forma não funciona. Comigo.

Mas vamos ser justos com os apaixonados e lembrar que nem sempre depende só deles. Uma variável determinante nesse caso chama-se destino. Se ele ajudar e colocar as duas partes em caminhos que não se cruzam, ótimo. Mas, se, por acaso, cruzar, as chances de se ‘defender’ diminuem consideravelmente. Eu até hoje só consegui esquecer gente de duas maneiras: ou porque me apaixonei por outro ou porque deixei de ver o sujeito at all.

Esse negócio de que se há de ser forte e assim você vai conseguir superar a dor é tudo balela. Quem é o sangue de barata que supera alguma coisa dando de cara com o objeto de sofrimento todos os dias? Gente, ninguém. A força aí só serve para tomar uma atitude do tipo mudar de emprego, sair do curso de inglês ou dar um tempo no mesmo grupo de amigos. Mas até chegar a esse ponto a pessoa precisa ter ido até o seu limite porque todo mundo sabe que no fundo, no fundo, a gente não quer coisa nenhuma ficar longe de quem se ama.

Bom, está na hora de acabar. Como deixei um conselho ontem – não force a barra -, deixo um conselho hoje - muito cuidado com a auto-enganação. Achar que esqueceu alguém está a léguas de distância de realmente ter esquecido. Então, se a idéia é realmente ficar cada um no seu quadrado, não atice o coração. Ele precisa de muito pouco para voltar à tona. E quando volta é mais ou menos como aquela primeira respirada quando se está debaixo d’água e, enfim, chega-se à superfície. Força total. Quase uma sobrevida. Um renascimento triunfante. E lembre-se de que quem achou que estava morto e, de repente, se descobre vivo, tem muito mais vontade de viver.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Vestibular do Coração

Um amigo outro dia me pediu para deixar aqui mais ‘textos meus’ do que continuar usando o blog como diário. Eu falei que ia tentar, mas que era difícil porque escrever diariamente é foda, não tem outra palavra. Estava olhando no arquivo geral e já tem 269 posts! Com esse, 270. Isso me fez pensar que eu perdi algumas oportunidades como a de comemorar a postagem nº 100. Burra pra cacete, fica desperdiçando assunto... Bom, o que eu posso fazer é tentar ficar mais ligada nessa questão do diário ou ‘não diário’, no caso. Concordo que nem todo mundo está interessado em saber o que eu fiz no fim de semana, mas pode estar aberto as minhas idéias e aos meus pensamentos mais abstratos. Lá vai mais um:

Sabe quando você passa por uma fase em que parece que ninguém foi feito para você? Um momento de carência e solidão capaz de fazer você se esforçar ao máximo para ficar com aquele cara mesmo. Oras... ele é tão legal. O que importa se ele é baixinho ou magro demais? O que é que tem se ele não encaixa no seu hall de pratos preferidos? Que bobeira, não é? Preconceito bobo.

Na na ni na não. Muito cuidado com a famosa forçação de barra. Na maioria das vezes, tudo aí acima importa sim. Importa muito. Eu sei lá o que nos atrai ou não no sexo oposto, ou, no mundo mais moderno, pode ser no mesmo sexo mesmo. Mas, enfim, existe uma conjuntura de fatores, mais ou menos como um mapa astral que define sua personalidade, que define o seu ‘tipo’ de homem, ou de mulher. Isso não quer dizer que a gente só vá se sentir atraído por um tipo determinado de pessoa. Há consideráveis combinações possíveis. Mas não há como tapar os olhos para as matérias específicas, digamos assim. Não dá para querer ser médico e zerar em biologia, entende? Há certas questões, ainda que de múltipla escolha – já que sorte é um fator importantíssimo nesse jogo -, que não dá para passar em branco. E chutar qualquer merda, nesse caso, costuma não funcionar... Nem aquele truque de marcar tudo a letra ‘b’. Com o tempo, as outras letras farão falta.

E é aí que já dá para perceber logo de cara quando não vai rolar. O cara é um problema de física e você quer ficar lá tentando resolver, achando que se estudar mais uma semana dá para encarar. Não dá.

O problema é que, ainda na alusão com o vestibular, tem gente que escolhe uns perfis em que a relação candidato/ vaga é assustadora. Se o seu tipo de homem é medicina na UFRJ, tá fudida. Agora, um de Geografia, de Ciências Sociais é bem mais fácil.... Mas, como eu disse no início, infelizmente, não somos nós que escolhemos. E quando tentamos fazer isso, tipo querer fazer direito de qualquer maneira porque o pai e a mãe querem, o risco de ir estudar na Estácio é grande, já que capacidade natural para passar não existe.

Por isso, é muito melhor ser honesta desde o início e fazer uma seleção básica, baseada na carcaça do sujeito. Se não há nada ali que te chame atenção imediatamente, é bem improvável que o quadro vá mudar com o tempo.

Tem gente que insiste e acaba ganhando um amigão no final. Aí pode até ser que não seja tanto desperdício. Mas se o que se está procurando é aquele ou aquela por quem a perna irá tremer, o coração vai disparar e a barriga vai ser sugada para dentro, aí é muito melhor prestar atenção naquele cara que o jeito de andar já te faz abrir um sorriso; que o som da risada tira imediatamente a sua concentração; e que volta e meia povoa seus sonhos. Se ele é moreno, alto, bonito e sensual, não interessa. Mas precisa parecer que foi feito para você.

domingo, 21 de setembro de 2008

A Oito Mãos II

Dentre várias coisas preguiçosas que fizemos durante o fim de semana, esteve a leitura da entrevista da Cláudia Abreu à revista TPM. E a maior colaboração de tal entrevista foi a inclusão da palavra 'estofo' no vocabulário da Paula. Que rapidamente a usou para esculachar seu marido no café da manhã de domingo, dizendo que ela tinha receio de que no futuro, quando ela for alguém muito importante, vá faltar estofo intelectual nele para freqüentar os eventos de trabalho dela. Mas isso é bem no futuro porque por enquanto quem nos sacaneia e nos esculacha são eles. Mas o mundo dá voltas, oh se dá...

O esculacho a minha pessoa também se manifestou. Coloquei na roda o fato do meu próprio marido se interessar e se orgulhar mais do blog do priminho português que chegou agora e quer sentar na janela, do que do blog da própria mulher. O outro elemento masculino da roda, claro, ficou do lado dele e Paulette me deu apoio, afirmando que os homens têm muita dificuldade de elogiar suas mulheres e se incomodam com o sucesso delas. Quebra pau encerrado com os times claramente divididos. Falando em times, as meninas deram uma surra nos meninos no truco e no buraco. Lavada, com direito aos rapazes passarem por debaixo da mesa. Lamentável.

ELE descobriu o melhor restaurante que já comeu na vida! Um buffet a quilo em Teresópolis... Jesus amado...

Ainda sobre meninos terem ficado contra meninas, deu-se o seguinte diálogo entre eu e ELE:

- Por que não tem sonho na padaria do mercado?
- Porque eu não tenho confeiteiro.
- Mas não vale à pena ter?
- Vale.
- Ué. Então, por que você não contrata um?
- O problema é que eu não tenho espaço para expor.
- Não?
- Não.
- Mas você não comprou vários balcões novos?
- Comprei.
- Então?
- Agora eu vou ter espaço.
- Ué, menino, então contrata um confeiteiro.
- Sim. Vou contratar.

É mole? Porque ele não simplificou a conversa desde o início? Homens...

Para finalizar, uma piadinha que demonstra o típico humor do meu amado marido:

Qual é o contrário de volátil?

(...)

Vou lá sobrinho!

E esse foi o clima de um fim de semana sensacional entre amigos. Isso porque nem contei que ainda teve espaço para dois filmes de mulherzinha, feirinha, um festival de fondue, 6 garrafas de vinho e alguma coisa de sexo. Cada um com seu cada um porque a Paula fica nervosa ao ouvir falar de suruba e o marido dela acha que eu sou uma tremenda de uma propaganda enganosa...

até.



sábado, 20 de setembro de 2008

A Oito Mãos I

Cena: Eu, ELE, Paula e o ELE dela no carro. Passamos por um cavalo em pé no acostamento.

Eu: Eu sempre fico com pena de cavalo. Ele fica em pé o maior tempão...

Paula: Cavalo não deita?

ELE da Paula: Claro que deita. Cavalo dorme.

Paula: E a girafa, deita?

Eu: Deve deitar.

Paula: Caraca, deve ser difição para ela levantar depois...

ELE da Paula: Todos os mamíferos deitam. Dormir é característica de mamífero.

Eu: Hã? Qual é a relação?

Paula: Ué. E a baleia? Baleia não dorme?

ELE da Paula: Peixe não dorme.

ELE: Baleia é mamífero.

Paula: Tá. E tipo um sapo?

ELE da Paula: Inseto não dorme. Por isso eles têm vida curta.

Eu: Sapo não é inseto!

(e nesse momento foi decidido que essa era uma conversa digna do meu blog...)