Esse é o título de um desses filmes que chamam ‘de mulherzinha’. Aqueles que os namorados odeiam ver e só o fazem obrigados. Ainda assim, quase sempre dormem. Mas eu adoro esse gênero de filme. Assumo que há muita porcaria nesse meio, mas há coisas ótimas também. Desde aquela sensação boa que fica na gente de que é possível sim viver uma linda história de amor até alguns pensamentos mais profundos e filosóficos sobre certos aspectos do ‘felizes para sempre’, ‘almas gêmeas’ e similares.
Resumindo a história do filme, é sobre a vida de um cara e seus amores da adolescência até a vida adulta. Não, não é bem isso. Bem, o foco é esse tal cara e suas namoradas pelo caminho. Na verdade, três. São três as mulheres realmente importantes que passaram pela vida dele. Ah, e tem a filhinha que é pra quem ele conta a história de sua vida e seus amores, o que dá um charme todo especial à coisa. Achei o formato bem original. Gostoso de ver. Ainda mais porque quem faz a tal menininha é aquela garotinha de “A Pequena Miss Sunshine”, uma graça.
Enfim, as três moças são completamente diferentes uma da outra. Mas todas são apaixonantes no que lhe cabem. Até ele, o fodão aí da história, é a mesma pessoa, mas com cada uma delas exerce um ‘eu’ diferente. E foi isso o que mais me chamou a atenção. As mulheres são três, mas poderiam muito bem ser uma só. Com tanto que houvesse três homens. Explicando: não acho que cada pessoa tem um ‘papel’ definido. Ela exerce um papel de acordo com quem está e com as circunstâncias.
A primeira mulher é a namoradinha do colégio e da faculdade. O primeiro amor. Eles se conheceram numa cidade pequena e prometeram casar, ter filhos e serem felizes para sempre. Só que ele sai dessa cidadezinha para seguir seu sonho profissional. Não a abandona. Promete voltar para buscá-la. Mas em NY, claro, ele conhece a vida além dos horizontes demarcados de antes. E junto com o além horizonte, vem uma morena, altamente sexy, inteligente e transgressora, que namora um cara bem mais velho e famoso. Não ficam juntos de cara, mas acabam se envolvendo após alguns outros acontecimentos. E a terceira é uma fofa, maluquete, que ainda não decidiu bem o que quer fazer da vida e, enquanto isso, sai por aí com a intenção de se divertir sem neuras. Não ficam juntos de cara também e ela vira uma espécie de melhor amiga e step ao longa da vida dele.
Com quem ele fica no final, eu não vou contar. Vejam o filme. Meu ponto aqui não é esse e sim que eu, por exemplo, poderia ser qualquer uma dessas mulheres. Tudo depende de com quem eu estou e quando e porquê eu conheci tal pessoa. Me imagino muito bem como a transgressora sexy ou a maluquete desencanada. Um pouco menos como a namoradinha de infância, mas mesmo assim consigo. A questão é: dá para ser qualquer um desses personagens.
O próprio cara, mesmo sendo um só, exerceu, como eu falei, cada hora um papel dependendo da mulher que ele tava. Para a namoradinha do colégio, de única opção, ele passou a ser um fardo. O homem especial e bom pai para os filhos dela, mas que também significava uma vida de conhecimento e diversão limitada. Para a morena, ele era uma opção mais normal ao bêbado e excêntrico coroa por quem ela era realmente apaixonada. E ainda por cima, estava de quatro por ela. Quem não adora um homem babando por você? Atenção que é bem diferente de homem chiclete. E para a terceira, ele era o inatingível. E por isso mesmo, acabou virando seu grande amor. Ao ser vista como a amiga bacana, para quem ele podia contar tudo, ela sim caiu de amores e nutriu esse sentimento por anos e anos, se contentando com migalhas.
Até que, uma delas diz uma frase que ficou na minha cabeça: ‘não existe esse lance de pessoa certa. A pessoa certa é a que você está no momento em que você pensa em dividir a sua vida com alguém’. Aí, ele pergunta: ‘Então, você está dizendo que não é quem e sim quando?’. E ela conclui: ‘Exatamente’.
Isso me fez pensar. Quanta gente não sofre horrores na hora de terminar com aquele namorado que está na sua vida desde que você tinha 15 anos? Como largar esse cara? Mas como não largar? Só porque você conheceu ‘a’ pessoa cedo demais está fadada a conhecer só ela na vida? Injusto. Ao mesmo tempo em que é injusto descartar uma pessoa tão sensacional só porque você quer beijar mais bocas. Mas é compreensível. É justo casar com um traste só porque já se tem 37 anos e a maré não está para peixe? Talvez, não. Mas continua sendo compreensível.
Claro que você precisa gostar um pouco do ser que está ao seu lado. Mas o momento fala bem mais alto que qualquer outra coisa na hora de juntar os trapinhos e subir um degrau na escada da vida. Olhou para o lado nesse momento e é hora de decidir se quem está ali serve, pelo menos razoavelmente, para subir com você.
Ou seja, tem sorte é quem encontra ‘a’ pessoa ‘no’ momento. Se fode aí quem encontra antes ou depois. Perdeu, playboy.
sábado, 22 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Ô Cabeção...
Título sugestivo, mas não é nada disso. Na verdade, me inspirei no título devido a um comentário de minha querida amiga Paulette que me chamou a atenção para um erro geográfico num post, que ela achou ter sido cometido pelo meu marido, mas fui eu mesmo... Óbvio, a essa altura, não está mais lá. Quem viu, viu. Quem não viu, não vai ver mais. Falando em erro, uma outra querida amiguinha, a Deca, cometeu a maior gafe. Foi zoar meu digníssimo dizendo que ele não sabe brincar, e quase estraga também a brincadeira (prefiro chamar assim) de não poder colocar o nome do sujeito aqui.
Bom, feitos esses primeiros apontamentos, o ‘ô cabeção’ aí é porque eu me esqueci de fazer um texto em homenagem a partida Brasil 6 x Portugal 2. Como pude, não é mesmo? Pois é. Pensei na hora, criei passagens, anotei destaques e... me esqueci. É que foi tão fácil, né?!
Mas, então, o jogo foi quarta, hoje já é sexta, mas ainda assim, acho que o evento merece algumas palavras.
Primeira coisa: o uniforme dos portugueses. Um pouco justo além da conta, não? Tudo bem que temos o ‘metrossexual’ Cristiano Ronaldo como capitão, mas não me pareceu algo esportivo e confortável. Ainda sobre Cristiano Ronaldo – pano rápido: por alguns instantes achei que o ‘C’ na braçadeira dele fosse de Cristiano... – o gajo tem uma pose de pombo muito estranha. É que ele é atlético e tal, mas meio fino. Sei lá... não fica nem lá, nem cá, sabe? Destaque também para a indumentária de Pelé. De longe, quando tive a impressão de tratar-se de um manto branco, ri o achando vestido de Pai de Santo. Com a câmera mais de perto e o azul bebê revelado, ninguém traduziu melhor que Paulette: Pelé estava de pijama. As gravatas verde-limão de Galvão e Falcão foram outro ponto alto da festa. Dunga tava lá de camisa rosa, mas Dunga não surpreende mais. At all. Quem surpreendeu foram nossos jogadores que, finalmente!, resolveram mostrar intimidade com a bola.
Assistimos na cobertura alugada em Ipanema por outros portugueses, amigos de nossos primos portugueses que também estão por aqui de passagem. Ontem, eles desejaram não estar. Eram dez portugas contra apenas dois brasileiros: eu e ELE. Meu marido e sua educação de lorde se mantiveram contidos, com poucas manifestações. Eu e minha educação de moleque tiramos todos os sarros possíveis e imagináveis dos patrícios. A cada gol era uma comemoração, uma dancinha e uma combinação de gritos e sacaneadas diferentes. Considerando que foram 6 ‘golos’, não é de se estranhar que nenhum deles quis sair para beber com a gente depois. Nem os que moram comigo. Dormiram lá.
Por fim, só uma revolta aqui registrada contra, de novo, Cristiano Ronaldo. Cheio de marra e jogando nada, o cara me dá um tapinha na nuca do meu Thiago Silva. Nessa hora, eu me irritei. O fato só fez com que eu comemorasse ainda mais cada gol e cada defesa do melhor zagueiro do Brasil, que jogou um jogo completo na Seleção pela primeira vez. Muito bem, diga-se!
Ah! E uma informação derradeira: vi ontem o ‘novo’ Indiana Jones e Mr. Harrison Ford ensina que: tratando-se de escorpiões, quanto menor, mais perigoso. Não sei porquê, mas achei que seria útil guardar isso por algum motivo. E quis dividir.
Bye, bye!
Bom, feitos esses primeiros apontamentos, o ‘ô cabeção’ aí é porque eu me esqueci de fazer um texto em homenagem a partida Brasil 6 x Portugal 2. Como pude, não é mesmo? Pois é. Pensei na hora, criei passagens, anotei destaques e... me esqueci. É que foi tão fácil, né?!
Mas, então, o jogo foi quarta, hoje já é sexta, mas ainda assim, acho que o evento merece algumas palavras.
Primeira coisa: o uniforme dos portugueses. Um pouco justo além da conta, não? Tudo bem que temos o ‘metrossexual’ Cristiano Ronaldo como capitão, mas não me pareceu algo esportivo e confortável. Ainda sobre Cristiano Ronaldo – pano rápido: por alguns instantes achei que o ‘C’ na braçadeira dele fosse de Cristiano... – o gajo tem uma pose de pombo muito estranha. É que ele é atlético e tal, mas meio fino. Sei lá... não fica nem lá, nem cá, sabe? Destaque também para a indumentária de Pelé. De longe, quando tive a impressão de tratar-se de um manto branco, ri o achando vestido de Pai de Santo. Com a câmera mais de perto e o azul bebê revelado, ninguém traduziu melhor que Paulette: Pelé estava de pijama. As gravatas verde-limão de Galvão e Falcão foram outro ponto alto da festa. Dunga tava lá de camisa rosa, mas Dunga não surpreende mais. At all. Quem surpreendeu foram nossos jogadores que, finalmente!, resolveram mostrar intimidade com a bola.
Assistimos na cobertura alugada em Ipanema por outros portugueses, amigos de nossos primos portugueses que também estão por aqui de passagem. Ontem, eles desejaram não estar. Eram dez portugas contra apenas dois brasileiros: eu e ELE. Meu marido e sua educação de lorde se mantiveram contidos, com poucas manifestações. Eu e minha educação de moleque tiramos todos os sarros possíveis e imagináveis dos patrícios. A cada gol era uma comemoração, uma dancinha e uma combinação de gritos e sacaneadas diferentes. Considerando que foram 6 ‘golos’, não é de se estranhar que nenhum deles quis sair para beber com a gente depois. Nem os que moram comigo. Dormiram lá.
Por fim, só uma revolta aqui registrada contra, de novo, Cristiano Ronaldo. Cheio de marra e jogando nada, o cara me dá um tapinha na nuca do meu Thiago Silva. Nessa hora, eu me irritei. O fato só fez com que eu comemorasse ainda mais cada gol e cada defesa do melhor zagueiro do Brasil, que jogou um jogo completo na Seleção pela primeira vez. Muito bem, diga-se!
Ah! E uma informação derradeira: vi ontem o ‘novo’ Indiana Jones e Mr. Harrison Ford ensina que: tratando-se de escorpiões, quanto menor, mais perigoso. Não sei porquê, mas achei que seria útil guardar isso por algum motivo. E quis dividir.
Bye, bye!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Suíte II
- Adriana, você já falou alguma vez com o vizinho aqui de cima, o mais alto?
(pequena pausa para pensar no que dizer)
- Por quê?
- Sei lá. Ele veio agora, quando eu tava subindo, me perguntar quem era o quê de quem aqui em casa.
- E o que você respondeu???
- Que eu morava com a minha mulher e os outros dois eram meus primos de Portugal, ué...
- PQP! Que merda. Nem um dia!
- Hã?
- Eu tava fazendo mistério. E você estragou tudo. Não deixou o menino na dúvida nem um dia.
- Como assim?
- Ontem, ele me perguntou isso também e eu falei que não ia contar.
- E para quê isso?
- Sei lá. Brincadeira.
- Adriana, eu não acredito que você deu condição para o vizinho!?
- Deu condição é muito bom! Tem umas palavras e combinações que só você ainda usa...
- Jura que você tá dando mole pro vizinho de cima?
- Ah, eu fico sozinha o dia todo. Não vejo ninguém. Antes eu trabalhava num lugar enorme, cheio de gente. Pô, tô batendo cabeça na parede aqui!
- Caralho...
- Mas você viu o sotaque dele que bonitinho...
- É, meio lá do nordeste, né?
- De Pernambuco.
- Como você sabe a diferença entre o sotaque de Pernambuco, Bahia ou Alagoas?
- Não sei.
- E da onde surgiu Pernambuco?
- Sei lá. Da minha cabeça.
- Vagabunda e doida mesmo. Coitado do pernambucano...
(pequena pausa para pensar no que dizer)
- Por quê?
- Sei lá. Ele veio agora, quando eu tava subindo, me perguntar quem era o quê de quem aqui em casa.
- E o que você respondeu???
- Que eu morava com a minha mulher e os outros dois eram meus primos de Portugal, ué...
- PQP! Que merda. Nem um dia!
- Hã?
- Eu tava fazendo mistério. E você estragou tudo. Não deixou o menino na dúvida nem um dia.
- Como assim?
- Ontem, ele me perguntou isso também e eu falei que não ia contar.
- E para quê isso?
- Sei lá. Brincadeira.
- Adriana, eu não acredito que você deu condição para o vizinho!?
- Deu condição é muito bom! Tem umas palavras e combinações que só você ainda usa...
- Jura que você tá dando mole pro vizinho de cima?
- Ah, eu fico sozinha o dia todo. Não vejo ninguém. Antes eu trabalhava num lugar enorme, cheio de gente. Pô, tô batendo cabeça na parede aqui!
- Caralho...
- Mas você viu o sotaque dele que bonitinho...
- É, meio lá do nordeste, né?
- De Pernambuco.
- Como você sabe a diferença entre o sotaque de Pernambuco, Bahia ou Alagoas?
- Não sei.
- E da onde surgiu Pernambuco?
- Sei lá. Da minha cabeça.
- Vagabunda e doida mesmo. Coitado do pernambucano...
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Competência
Estava lendo um livro e chego na seguinte frase: ‘A competência é atraente’. Isso me fez esquecer completamente a leitura de lá e vir correndo escrever cá. (esse ‘escrever cá’ foi em homenagem a meus primos portugueses).
Mas não é? Para mim, foi como um clique. Eu sempre soube da minha admiração por pessoas realmente boas em alguma coisa. Mas nunca tinha parado para analisar bem. Ficava no campo subjetivo. No bolo ‘o que me atrai em alguém’.
Mas depois de ler essa frase hoje, estou com isso na cabeça. Adoro olhar para alguém que sabe o que está fazendo. Sabe dessas coisas que você não se liga muito, mas que de repente faz todo o sentido? Explicando: acabei de perceber um lado do meu marido que me chama a atenção. A tal da competência. E é muito mais do que competência profissional. É competência na vida. Até quando ele carrega vários engradados de cerveja, um empilhado em cima do outro, e sobe trinta lances de escada durante a organização de uma festa para mim, eu me pego parada, olhando de longe. É uma segurança interna. Um tomar as rédeas da situação. Resolver o problema. Uma auto-suficiência natural sem precisar cobrar nada de ninguém e nem explanar aos quatro ventos o quanto ele é eficiente. Apenas é. Está nele. Falando de trabalho, então, uma vez fiquei observando o moço em seu ambiente profissional. O cara consegue dar ordens na maior elegância. É atencioso e ao mesmo tempo ligado em cada detalhe que está acontecendo à volta dele. Foi assim que eu descobri que ainda era apaixonada por ele, num período de crise braba. Fui até lá para terminar tudo pela enésima vez quando, de repente, me vi babando de novo. Fui embora sem ser vista e com a crise resolvida. Sempre que eu não sei exatamente o que fazer ou até sei, mas não estou muito certa daquilo, ligo pra ele para escutar o que o menino tem a dizer. Nunca falha. Sem tomar posição, ele consegue me mostrar um caminho. Incrível.
Mas o negócio aqui não era para ser sobre ele e sim sobre a magia da competência. Desde adolescente quando nos apaixonamos por caras um pouco mais velhos, a coisa passa por aí. Ainda que a competência seja meio fútil... competência para dirigir, para ter carro, para pagar o motel... Depois a maioria vira um bando de incompetente. E nosso interesse se desliga um pouco dos músculos sensacionais e se volta para cabeças pensantes e seres inteligentes. Conheci pouca gente interessante na vida. Interessante e competente então... Ih... esses são raros. Mas existiram. Seja uma sensibilidade especial para enxergar as pessoas e nossa passagem pela vida, seja um jeito de amar e ser amado em que é preciso muita competência, seja uma coragem e uma loucura além dos padrões ou até uma cabeça com idéias originais e transformadas em belos produtos.
Enfim, tiro o chapéu para quem me desperta da inércia por sua competência natural. Aliás, ontem fui a mais um dos espetáculos com a participação do meu amigo querido Fernando Caruso. Genial. Tenho tanto orgulho desse menino. E mais orgulho ainda de, mesmo nessa loucura toda de falta de tempo para tudo e todos, termos conseguido manter uma amizade competente.
Na falta de um final, que se fechem as cortinas. Palmas aos competentes.
Mas não é? Para mim, foi como um clique. Eu sempre soube da minha admiração por pessoas realmente boas em alguma coisa. Mas nunca tinha parado para analisar bem. Ficava no campo subjetivo. No bolo ‘o que me atrai em alguém’.
Mas depois de ler essa frase hoje, estou com isso na cabeça. Adoro olhar para alguém que sabe o que está fazendo. Sabe dessas coisas que você não se liga muito, mas que de repente faz todo o sentido? Explicando: acabei de perceber um lado do meu marido que me chama a atenção. A tal da competência. E é muito mais do que competência profissional. É competência na vida. Até quando ele carrega vários engradados de cerveja, um empilhado em cima do outro, e sobe trinta lances de escada durante a organização de uma festa para mim, eu me pego parada, olhando de longe. É uma segurança interna. Um tomar as rédeas da situação. Resolver o problema. Uma auto-suficiência natural sem precisar cobrar nada de ninguém e nem explanar aos quatro ventos o quanto ele é eficiente. Apenas é. Está nele. Falando de trabalho, então, uma vez fiquei observando o moço em seu ambiente profissional. O cara consegue dar ordens na maior elegância. É atencioso e ao mesmo tempo ligado em cada detalhe que está acontecendo à volta dele. Foi assim que eu descobri que ainda era apaixonada por ele, num período de crise braba. Fui até lá para terminar tudo pela enésima vez quando, de repente, me vi babando de novo. Fui embora sem ser vista e com a crise resolvida. Sempre que eu não sei exatamente o que fazer ou até sei, mas não estou muito certa daquilo, ligo pra ele para escutar o que o menino tem a dizer. Nunca falha. Sem tomar posição, ele consegue me mostrar um caminho. Incrível.
Mas o negócio aqui não era para ser sobre ele e sim sobre a magia da competência. Desde adolescente quando nos apaixonamos por caras um pouco mais velhos, a coisa passa por aí. Ainda que a competência seja meio fútil... competência para dirigir, para ter carro, para pagar o motel... Depois a maioria vira um bando de incompetente. E nosso interesse se desliga um pouco dos músculos sensacionais e se volta para cabeças pensantes e seres inteligentes. Conheci pouca gente interessante na vida. Interessante e competente então... Ih... esses são raros. Mas existiram. Seja uma sensibilidade especial para enxergar as pessoas e nossa passagem pela vida, seja um jeito de amar e ser amado em que é preciso muita competência, seja uma coragem e uma loucura além dos padrões ou até uma cabeça com idéias originais e transformadas em belos produtos.
Enfim, tiro o chapéu para quem me desperta da inércia por sua competência natural. Aliás, ontem fui a mais um dos espetáculos com a participação do meu amigo querido Fernando Caruso. Genial. Tenho tanto orgulho desse menino. E mais orgulho ainda de, mesmo nessa loucura toda de falta de tempo para tudo e todos, termos conseguido manter uma amizade competente.
Na falta de um final, que se fechem as cortinas. Palmas aos competentes.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Suíte
- Oi, Adriana, tudo bem?
- Oi.
- Eu que canto.
- Oi?
- No banheiro, aquele dia. Eu que cantei com você.
- Oi!
- Me explica uma coisa?
- Fala.
- Como vocês funcionam, afinal?
- Vocês quem?
- Você e mais três homens aí.
(...)
- Por quê?
- Sei lá. Curiosidade. Três homens e uma mulher... Já tentei várias combinações e todas são esquisitas. Vocês são todos irmãos? É a menos estranha.
- Não.
- Como é, então?
- Não vou contar.
- Hã?
- É, sei lá. Tipo uma brincadeira. Vamos ver se com o tempo você adivinha.
- Você é meio maluca, não?
- a hã.
- Ok. A gente se esbarra por aí. Tchau, Adriana.
- Como você sabe meu nome?
- Eu que pego as cartas no correio e deixo aí na porta. Já chequei lá e só vem coisa no seu nome. Só tem você de mulher, então...
- Como é o seu?
- Não vou contar. Vamos ver se com o tempo você adivinha....
Pô, e o menino ainda tem um sotaque de Pernambuco bem de leve, sabe? Só para dar um charme a mais... ok, ok. Dar mole para o vizinho já é demais. Amanhã eu conto. a hã.
- Oi.
- Eu que canto.
- Oi?
- No banheiro, aquele dia. Eu que cantei com você.
- Oi!
- Me explica uma coisa?
- Fala.
- Como vocês funcionam, afinal?
- Vocês quem?
- Você e mais três homens aí.
(...)
- Por quê?
- Sei lá. Curiosidade. Três homens e uma mulher... Já tentei várias combinações e todas são esquisitas. Vocês são todos irmãos? É a menos estranha.
- Não.
- Como é, então?
- Não vou contar.
- Hã?
- É, sei lá. Tipo uma brincadeira. Vamos ver se com o tempo você adivinha.
- Você é meio maluca, não?
- a hã.
- Ok. A gente se esbarra por aí. Tchau, Adriana.
- Como você sabe meu nome?
- Eu que pego as cartas no correio e deixo aí na porta. Já chequei lá e só vem coisa no seu nome. Só tem você de mulher, então...
- Como é o seu?
- Não vou contar. Vamos ver se com o tempo você adivinha....
Pô, e o menino ainda tem um sotaque de Pernambuco bem de leve, sabe? Só para dar um charme a mais... ok, ok. Dar mole para o vizinho já é demais. Amanhã eu conto. a hã.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
O Sapo
Nada de idéias. Aí, abro meus sites usuais de fofocas e está lá: Marcelo Camelo está namorando uma ninfeta cult: Mallu Magalhães. Dizem até que ele está pensando em acrescentar um ‘l’ ao Marcelo dele. Assim seriam Marcello e Mallu. Uma nova modalidade escrota de se declarar amor eterno no mundo das celebridades. Pelo menos é mais fácil de tirar que tatuagem. Se Deborah Secco e Alessandra Negrini tivessem pensado nisso...
Continuando: mais um namorado de Luana entra na porrada. Desta vez, não foi a moça que apanhou, mas o ex de Ivete que agora pega Luana sentou o sarrafo num outro alguém aí que diz ter apenas conversado com a moça. Luana está precisando tirar umas férias bem longe do Leblon...
E cansei. Parei aí. Decidi não me aproveitar das cagadas alheias em busca de assunto.
E foi então que, agora há pouco, em minha corrida diária, estou lá serelepe escutando meu Rock Bola reprise quando – juro - pula um mega sapo na minha frente. Dá para imaginar meu susto, o breque que quase partiu minha coluna ao meio e o grito fenomenal que saiu da minha boca, certo?
Paralisada, dei uma olhada para os lados para ver a reação das pessoas ao meu show particular. Ninguém. Não tinha um ser sequer em plena orla da Urca às 8h45 da noite. Meu primeiro sentimento foi de alívio: ‘Ufa, ninguém viu meu micão’. Mas instantes depois me bateu uma certa tristeza. Ninguém para compartilhar um sorriso cúmplice. Ninguém para gargalhar de uma cena com um ‘quê’ de bizarra. Ninguém para rir de mim...
Achei um baita de um desperdício.
Continuando: mais um namorado de Luana entra na porrada. Desta vez, não foi a moça que apanhou, mas o ex de Ivete que agora pega Luana sentou o sarrafo num outro alguém aí que diz ter apenas conversado com a moça. Luana está precisando tirar umas férias bem longe do Leblon...
E cansei. Parei aí. Decidi não me aproveitar das cagadas alheias em busca de assunto.
E foi então que, agora há pouco, em minha corrida diária, estou lá serelepe escutando meu Rock Bola reprise quando – juro - pula um mega sapo na minha frente. Dá para imaginar meu susto, o breque que quase partiu minha coluna ao meio e o grito fenomenal que saiu da minha boca, certo?
Paralisada, dei uma olhada para os lados para ver a reação das pessoas ao meu show particular. Ninguém. Não tinha um ser sequer em plena orla da Urca às 8h45 da noite. Meu primeiro sentimento foi de alívio: ‘Ufa, ninguém viu meu micão’. Mas instantes depois me bateu uma certa tristeza. Ninguém para compartilhar um sorriso cúmplice. Ninguém para gargalhar de uma cena com um ‘quê’ de bizarra. Ninguém para rir de mim...
Achei um baita de um desperdício.
domingo, 16 de novembro de 2008
Pimba na Portuguesa
Pô, ontem, enquanto eu ainda estava bêbada, tinha bolado um texto super criativo e cheio de trocadilhos que na altura pareciam incríveis sobre o fato deu levar os portugueses ao maracanã para ver Fluminense e... Portuguesa!
Bem, esqueci tudo. Mas o que importa é que metemos 3 x 1 na Portuguesa. E eu estava lá!
NENSE!
Bem, esqueci tudo. Mas o que importa é que metemos 3 x 1 na Portuguesa. E eu estava lá!
NENSE!
sábado, 15 de novembro de 2008
Dos Populares
Olha, não sei se é porque estamos na reta final e o povo está sentindo, mas o fato é que estamos na melhor fase dos comentários. Quase uma roda de bar. Aproveitando a deixa dos encontros de fim de ano que já já começam a pipocar por aí, estou pensando até em fazer um amigo oculto (que nesse caso seria oculto mesmo!).
Bom, estou de saída para a praia, coisa que não faço há tempos. Mas deixo aqui uma pequena tirada de uma nova figura, um novo jornaleiro! Estava sentindo falta do meu velho amigo da banca da Praça São Salvador, vamos ver se ganho um novo aqui na Urca. Mas, ao contrário do antigo, esse fala bastante!
- Esse trabalho deixa a gente meio sem vida.
- É.
- Pelo menos aqui, nunca fui assaltado. Mas não tenho tempo para quase nada.
- Você é casado?
- Não. Fiz esse curso aí, mas não passei não.
Bom, estou de saída para a praia, coisa que não faço há tempos. Mas deixo aqui uma pequena tirada de uma nova figura, um novo jornaleiro! Estava sentindo falta do meu velho amigo da banca da Praça São Salvador, vamos ver se ganho um novo aqui na Urca. Mas, ao contrário do antigo, esse fala bastante!
- Esse trabalho deixa a gente meio sem vida.
- É.
- Pelo menos aqui, nunca fui assaltado. Mas não tenho tempo para quase nada.
- Você é casado?
- Não. Fiz esse curso aí, mas não passei não.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Pessoas que a gente Esquece
Antes, esclarecendo: o ‘dar mole’ a que me referi é algo bem inofensivo. Ou não é pensado para que seja um perigo. É muito mais gostar de gente interessante e se mostrar empolgada com isso do que uma coisa ‘piranhão’, sabe? Esqueço que tenho mais leitores do que eu acreditava possível e que dentro desse grupo há pessoas que não me conhecem tão bem. Algumas delas ficaram cabreiras comigo. Não precisa. Falei de onda e, ok assumo, um pouco também para afrontar a tal pessoa que falou a frase lá para mim. Mas viremos a página:
- Oi!
(...)
- Tudo bem, Adriana?
- A hã. (e um sorriso amarelo)
- Como você está? Quanto tempo!
- Bem.
- Você não lembra de mim, né?
(...)
- Não tem problema. Fulano. Do Céu.
(...)
- Saía sempre eu, você, a Beltrana e mais outras pessoas que eu esqueci o nome...
- Ah! Estou lembrando. Você teve uma filha?
- Tive.
- Lembrei. Com a Ciclana.
- É.
E não tínhamos mais assunto. Até porque eu só lembrei disso mesmo. Até vieram algumas cenas na minha cabeça e tal, mas nada muito firme. Não consegui lembrar pra onde exatamente a gente ia. Nem conversas significativas ou algum dia significativo. Até porque a Beltrana é aquela tal que eu me libertei após anos de cativeiro. É de se esperar que eu tenha apagado algumas coisas referentes a ela e minha vida com ela no passado.
Mas, enfim, me deu um certo arrepio pensar que há várias pessoas que já passaram pela minha vida em algum momento que, se eu nunca mais encontrar, estarão esquecidas eternamente. Nem encontrando ajuda muito...
Tá. Não é preciso grandes dramas. Se a pessoa fosse importante mesmo, eu lembraria. Não sei. Será? Me perguntaram outro dia em quem eu dei o primeiro beijo. Fiquei na dúvida. Falei um nome, mas dei uma rateada. E, nesse caso, lembrei do nome, mas não consigo ter lembranças das sensações lá do beijo. Nenhuma. Não sei nem dizer se eu achei bom ou ruim. Nem como eu estava antes. Se eu estava aflita, se foi de surpresa, se foi de caso pensado, o que aconteceu depois... Nada. Branco.
Tentei fazer uma espécie de retrospectiva da minha vida. Fiquei um tempo pensando e vendo qual seria a primeira memória de criança que eu tenho guardada. De novo, só coisas misturadas, confusas, imagens embaçadas. Nada muito claro. Lembrei de algumas amiguinhas de infância, do porteiro da minha creche!, mas de alguma professora... nenhuma. Fui para o tempo de pré-adolescente e consegui resgatar alguma coisa das brincadeiras de pique-esconde pelo prédio e veio todo o meu grupinho da época na cabeça. Mas não vale muito porque eles ainda moram no prédio dos meus pais e eu ainda os vejo. Talvez por isso eu não tenho esquecido deles....
Depois, dei uma cansada. Fiquei desestimulada. Mas saí desse exercício com uma certa nostalgia, uma saudade não sei muito bem de quê, ou melhor, de quem. Porque é uma saudade de gente. Mas gente que eu não lembro direito, ou não lembro nada. E, talvez por isso, foi uma saudade maior, mais dolorida.
- Oi!
(...)
- Tudo bem, Adriana?
- A hã. (e um sorriso amarelo)
- Como você está? Quanto tempo!
- Bem.
- Você não lembra de mim, né?
(...)
- Não tem problema. Fulano. Do Céu.
(...)
- Saía sempre eu, você, a Beltrana e mais outras pessoas que eu esqueci o nome...
- Ah! Estou lembrando. Você teve uma filha?
- Tive.
- Lembrei. Com a Ciclana.
- É.
E não tínhamos mais assunto. Até porque eu só lembrei disso mesmo. Até vieram algumas cenas na minha cabeça e tal, mas nada muito firme. Não consegui lembrar pra onde exatamente a gente ia. Nem conversas significativas ou algum dia significativo. Até porque a Beltrana é aquela tal que eu me libertei após anos de cativeiro. É de se esperar que eu tenha apagado algumas coisas referentes a ela e minha vida com ela no passado.
Mas, enfim, me deu um certo arrepio pensar que há várias pessoas que já passaram pela minha vida em algum momento que, se eu nunca mais encontrar, estarão esquecidas eternamente. Nem encontrando ajuda muito...
Tá. Não é preciso grandes dramas. Se a pessoa fosse importante mesmo, eu lembraria. Não sei. Será? Me perguntaram outro dia em quem eu dei o primeiro beijo. Fiquei na dúvida. Falei um nome, mas dei uma rateada. E, nesse caso, lembrei do nome, mas não consigo ter lembranças das sensações lá do beijo. Nenhuma. Não sei nem dizer se eu achei bom ou ruim. Nem como eu estava antes. Se eu estava aflita, se foi de surpresa, se foi de caso pensado, o que aconteceu depois... Nada. Branco.
Tentei fazer uma espécie de retrospectiva da minha vida. Fiquei um tempo pensando e vendo qual seria a primeira memória de criança que eu tenho guardada. De novo, só coisas misturadas, confusas, imagens embaçadas. Nada muito claro. Lembrei de algumas amiguinhas de infância, do porteiro da minha creche!, mas de alguma professora... nenhuma. Fui para o tempo de pré-adolescente e consegui resgatar alguma coisa das brincadeiras de pique-esconde pelo prédio e veio todo o meu grupinho da época na cabeça. Mas não vale muito porque eles ainda moram no prédio dos meus pais e eu ainda os vejo. Talvez por isso eu não tenho esquecido deles....
Depois, dei uma cansada. Fiquei desestimulada. Mas saí desse exercício com uma certa nostalgia, uma saudade não sei muito bem de quê, ou melhor, de quem. Porque é uma saudade de gente. Mas gente que eu não lembro direito, ou não lembro nada. E, talvez por isso, foi uma saudade maior, mais dolorida.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Mole
- Dri, você dá mole para todo mundo.
Há um tempo, na adolescência e tal, talvez essa afirmação fosse me incomodar. Mas com a minha cabeça atual, aliás minha cabeça de um tempo já, eu apenas respondi:
- É, é verdade.
Engana-se quem pensou aí que a minha resposta foi do tipo: “falem o que quiser, não estou nem aí” ou “não vou perder meu tempo com essa pessoa”... Não, não. É porque é verdade mesmo. Dou mole. Não para tooodo mundo. Mas diria que também não é assim para um grupo tão restrito.
Dou mole para todo mundo que me interessa. Para todo mundo que eu daria numa situação de liberdade ideal. Mas aí há conceitos e um regime aí que diz que eu não posso efetivamente concretizar o ato. Mas não diz que eu não posso jogar charme, usar vestido ou calça de cintura baixa, escrever umas coisas engraçadinhas que ficam meio no ar, dar uma encostada na perna e no braço meio sem querer...
Até meu marido me sacaneia com isso e ele mesmo diz que eu sou uma vagabunda. Ia escrever ‘no bom sentido’. Mas não é bem isso. É só um vagabunda sem a intenção de ofender. Enfim, ele deve se garantir pra caralho. E esse é um dos motivos da gente estar junto até hoje.
Mas para terminar: não tem gente que é cinéfilo, que pinta, coleciona selos, faz rali? Então, meu hobby é dar mole.
Há um tempo, na adolescência e tal, talvez essa afirmação fosse me incomodar. Mas com a minha cabeça atual, aliás minha cabeça de um tempo já, eu apenas respondi:
- É, é verdade.
Engana-se quem pensou aí que a minha resposta foi do tipo: “falem o que quiser, não estou nem aí” ou “não vou perder meu tempo com essa pessoa”... Não, não. É porque é verdade mesmo. Dou mole. Não para tooodo mundo. Mas diria que também não é assim para um grupo tão restrito.
Dou mole para todo mundo que me interessa. Para todo mundo que eu daria numa situação de liberdade ideal. Mas aí há conceitos e um regime aí que diz que eu não posso efetivamente concretizar o ato. Mas não diz que eu não posso jogar charme, usar vestido ou calça de cintura baixa, escrever umas coisas engraçadinhas que ficam meio no ar, dar uma encostada na perna e no braço meio sem querer...
Até meu marido me sacaneia com isso e ele mesmo diz que eu sou uma vagabunda. Ia escrever ‘no bom sentido’. Mas não é bem isso. É só um vagabunda sem a intenção de ofender. Enfim, ele deve se garantir pra caralho. E esse é um dos motivos da gente estar junto até hoje.
Mas para terminar: não tem gente que é cinéfilo, que pinta, coleciona selos, faz rali? Então, meu hobby é dar mole.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Uma Externa e Duas Kombis
Ôpa! Estava precisando. De um dia diferente e divertido. Eu, a rua e o povo e suas idéias.
Externa em Duque de Caxias. A principio, ninguém merece. E foi assim que eu acordei às 6h30 da manhã. Me sentindo uma corna de acordar de madrugada e partir para Caxias.
Mas eis que logo no caminho de ida, em plena Washingtom Luís, dei meu primeiro sorriso do dia. Diria mais, hein. Foi um dos poucos sorrisos a essa hora em toda a minha vida. Mas não agüentei. Eu lá, puta, com aquela cara amarrada e resmungando do trânsito, quando à minha frente aparece uma Kombi com o seguinte adesivo no vidro traseiro:
TÁ COM PRESSA? SAI MAIS CEDO
Mais???? Mas tive que rir... do jeito que eu mais gosto. Eu e eu. Mais ninguém. Num momento em que uma gargalhada vem do nada e quebra todo um clima pesado e sem muita razão de ser.
Mas a coisa não parou por aí. Já em Caxias - ‘debaixo de um sol que faz até lacraia andar na ponta do pé’, segundo meu companheiro de labuta, vulgo Boaz, o melhor e mais engraçado camera man da cidade - sentados em um pitoco no meio de uma avenida de mão dupla em pleno centro efervescente da região, a espera de um caminhão específico que tinha que passar em um local e um ângulo específicos, quando passa outra Kombi com o motorista nos olhando. Ele nos encara, ri, larga a mão na buzina e me sai a seguinte pérola pelos altos falantes da Kombi, numa daquelas vozes caricatas usadas nessas buzinas engraçadinhas de carro de paraíba:
TÁ SOFRENDO?
Externa em Duque de Caxias. A principio, ninguém merece. E foi assim que eu acordei às 6h30 da manhã. Me sentindo uma corna de acordar de madrugada e partir para Caxias.
Mas eis que logo no caminho de ida, em plena Washingtom Luís, dei meu primeiro sorriso do dia. Diria mais, hein. Foi um dos poucos sorrisos a essa hora em toda a minha vida. Mas não agüentei. Eu lá, puta, com aquela cara amarrada e resmungando do trânsito, quando à minha frente aparece uma Kombi com o seguinte adesivo no vidro traseiro:
TÁ COM PRESSA? SAI MAIS CEDO
Mais???? Mas tive que rir... do jeito que eu mais gosto. Eu e eu. Mais ninguém. Num momento em que uma gargalhada vem do nada e quebra todo um clima pesado e sem muita razão de ser.
Mas a coisa não parou por aí. Já em Caxias - ‘debaixo de um sol que faz até lacraia andar na ponta do pé’, segundo meu companheiro de labuta, vulgo Boaz, o melhor e mais engraçado camera man da cidade - sentados em um pitoco no meio de uma avenida de mão dupla em pleno centro efervescente da região, a espera de um caminhão específico que tinha que passar em um local e um ângulo específicos, quando passa outra Kombi com o motorista nos olhando. Ele nos encara, ri, larga a mão na buzina e me sai a seguinte pérola pelos altos falantes da Kombi, numa daquelas vozes caricatas usadas nessas buzinas engraçadinhas de carro de paraíba:
TÁ SOFRENDO?
E mais uma vez caí na gargalhada. Desta vez, em conjunto, o que também é uma delícia. Convenhamos, uma pessoa sentada num pitoco, no meio de uma avenida em Caxias, com caminhões, ônibus e poeira rolando soltos, suando em bicas e rindo da vida, é uma coisa a ser louvada. É ou não é? Para mim, merece ser comemorado.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Abrindo para Colaborações
Então, já que a original não anda lá essas coisas, estou abrindo para colaborações. Carol vem participando intensamente. Bem, hoje o espaço será aberto, merecidamente e com justiça, a uma outra leitora assídua que - não é de hoje e sei lá se por influência minha ou não - vem escrevendo suas peripécias de maneira muito bem-humorada.
Com vocês, Paulette e uma das suas aventuras com entregadores e afins:
Pelamordedeus, me aconteceu um episódio pra lá de estranho, posso contar?
Chamei um técnico para limpar meu filtro de água. Ele acabou de sair daqui e estou até agora cho-ca-da com os momentos vividos.
Primeiro de tudo, o dia dele vir era sexta e a fera não apareceu e nem avisou. Chegou hoje, uma segunda-feira às seis da tarde, totalmente do nada.
Eis que me surge um cidadão de meia-idade, feliz além da conta - tipo alegre demais para o horário e dia da semana - de calça jeans semi-baggie e camisa florida. Já chegou se apresentando: "Oláááá, prazer, Alcântara!".
Achei estranho, mas vamo lá.
Já entrou entrando, lavou a mão no tanque, olhou o filtro de água e me soltou a seguinte pérola:
"Pô, Gata, esse filtro não tem como limpar não!!!".
Fiquei muda, olhando para um ponto fixo - tipo zero reação - tamanha a minha surpresa com o tratamento dispensado por Alcântara com suas clientes.
Quando ele viu minha (não) reação, resolveu consertar, e mais uma vez se superou:
-"Foi mal, qual o nome da Primeira-dama?"
Dali em diante, confesso que não sei mais o que veio depois. Entrei numa espécie de transe protetivo contra falas esquisitas. Só sei que depois que Alcântara foi embora, minha empregada contou que foi paquerada por ele também e que o sujeito ainda tentou pegar o telefone da "gata".
Olha, francamente....... não sei não.
Com vocês, Paulette e uma das suas aventuras com entregadores e afins:
Pelamordedeus, me aconteceu um episódio pra lá de estranho, posso contar?
Chamei um técnico para limpar meu filtro de água. Ele acabou de sair daqui e estou até agora cho-ca-da com os momentos vividos.
Primeiro de tudo, o dia dele vir era sexta e a fera não apareceu e nem avisou. Chegou hoje, uma segunda-feira às seis da tarde, totalmente do nada.
Eis que me surge um cidadão de meia-idade, feliz além da conta - tipo alegre demais para o horário e dia da semana - de calça jeans semi-baggie e camisa florida. Já chegou se apresentando: "Oláááá, prazer, Alcântara!".
Achei estranho, mas vamo lá.
Já entrou entrando, lavou a mão no tanque, olhou o filtro de água e me soltou a seguinte pérola:
"Pô, Gata, esse filtro não tem como limpar não!!!".
Fiquei muda, olhando para um ponto fixo - tipo zero reação - tamanha a minha surpresa com o tratamento dispensado por Alcântara com suas clientes.
Quando ele viu minha (não) reação, resolveu consertar, e mais uma vez se superou:
-"Foi mal, qual o nome da Primeira-dama?"
Dali em diante, confesso que não sei mais o que veio depois. Entrei numa espécie de transe protetivo contra falas esquisitas. Só sei que depois que Alcântara foi embora, minha empregada contou que foi paquerada por ele também e que o sujeito ainda tentou pegar o telefone da "gata".
Olha, francamente....... não sei não.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Quebra Galho
Carol, minha assessora para assuntos especiais, é muito eficiente. Foi lá pesquisar e encontrou a origem do, segundo ela, ditado mais velho do mundo. Data da época do homem das cavernas e a coisa se passou da seguinte maneira:
“Um neanderthal magricelo estava doido para conquistar uma neanderthala, não tão magricela assim. Ele precisava daqueles porretes para dar na cabeça dela, mas não conseguia nem quebrar um pedaço de pau. Daí, pede para seu irmão mais parrudinho: QUEBRA ESSE GALHO AÍ PRA MIM, BROU”.
E assim surgiu o primeiro ditado popular...
Carol super quebrou meu galho! Aliás, me veio uma idéia aqui. Posso fazer um blog em 2009 só com explicações para ditados populares. Hein, hein!? Assunto é o que não falta.
Até.
“Um neanderthal magricelo estava doido para conquistar uma neanderthala, não tão magricela assim. Ele precisava daqueles porretes para dar na cabeça dela, mas não conseguia nem quebrar um pedaço de pau. Daí, pede para seu irmão mais parrudinho: QUEBRA ESSE GALHO AÍ PRA MIM, BROU”.
E assim surgiu o primeiro ditado popular...
Carol super quebrou meu galho! Aliás, me veio uma idéia aqui. Posso fazer um blog em 2009 só com explicações para ditados populares. Hein, hein!? Assunto é o que não falta.
Até.
domingo, 9 de novembro de 2008
Onde?
O diálogo abaixo aconteceu ontem. Não havia colocado ainda porque estava preocupada e não podia fazer piada. Ainda. Mas agora que eu sei que não é grave, me liberei para reproduzir.
Estava eu presa lá no tal rio que falei, quando toca o meu celular:
- Adriana?
- Oi, João.
- Escuta, é que o Rex está a sangrar.
- O quê?
- Está a sangrar, o Rex.
- O que houve?
- Não sei. Eu cheguei agora e está a sair sangue.
- Onde?
- Em baixo.
- O quê? Está sangrando onde, João?
- Lá.
- Lá onde, João? O que está acontecendo?!
- Está a sangrar de lá.
- João! Caralho, onde?
- Da pila?
- O quê?
- Pila!
- No piru?
- É, sim.
- Pqp, João! Então, fala!
Bom, liguei para o veterinário de outro telefone ao mesmo tempo e eles resolveram lá com um remédio naquele momento. O Rex está bem. Fez exames e tudo indica que, como os coroas, ele está com uma inflamação na próstata. Vai ser castrado... Aliás, soube hoje que essa é a melhor forma de se evitar problemas e câncer na próstata. É só arrancar as bolas. Simples assim.
Mas o que foi João constrangidíssimo no telefone para falar piru?! Dei boas gargalhadas mais tarde...
Estava eu presa lá no tal rio que falei, quando toca o meu celular:
- Adriana?
- Oi, João.
- Escuta, é que o Rex está a sangrar.
- O quê?
- Está a sangrar, o Rex.
- O que houve?
- Não sei. Eu cheguei agora e está a sair sangue.
- Onde?
- Em baixo.
- O quê? Está sangrando onde, João?
- Lá.
- Lá onde, João? O que está acontecendo?!
- Está a sangrar de lá.
- João! Caralho, onde?
- Da pila?
- O quê?
- Pila!
- No piru?
- É, sim.
- Pqp, João! Então, fala!
Bom, liguei para o veterinário de outro telefone ao mesmo tempo e eles resolveram lá com um remédio naquele momento. O Rex está bem. Fez exames e tudo indica que, como os coroas, ele está com uma inflamação na próstata. Vai ser castrado... Aliás, soube hoje que essa é a melhor forma de se evitar problemas e câncer na próstata. É só arrancar as bolas. Simples assim.
Mas o que foi João constrangidíssimo no telefone para falar piru?! Dei boas gargalhadas mais tarde...
sábado, 8 de novembro de 2008
Rio Bonito Off Road
Exerci, pela primeira vez, a função de navegadora. Achei que eu ia odiar, mas adorei. É o máximo! Tem que pensar rápido, mandar, gritar, berrar com o motorista. E entender um calhamaço de instrução lá que, tá, mistura tempo, quilometragem e velocidade, mas que, com a graça de Deus, não é um mapa. São só desenhos! E ainda saí com o filme feito. Fui meio que para fazer um favor porque não tinha ninguém para ir com ele. Dei uma de boa moça e esposa companheira. Mas, no fim, eu é que me diverti horrores! Adrenalina pura. Lama, pedra, buracos mil, areia, riachos, morros, valas e até passar por cima de urubus! E, por último, um senhor rio onde ficamos presos. Mas com a ajudinha de um troller camarada, deu para seguir. Enfim, adorei esse negócio. Seguem algumas fotos. Não deu para tirar muitas porque era muita coisa para eu fazer ao mesmo tempo. E, ainda que eu goste de off road, minha essência é feminina.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Quando um não quer... Dois brigam sim.
Impressionante a popularidade dos ditados... populares! Há! Piadinha ruim, né...
Mas, enfim, meu leitor assíduo Francisco explicou ‘nas coxas’, que na verdade é mais uma expressão que um ditado. Segundo ele, “as pessoas faziam as telhas de barro, conformando-as nas coxas”. Estou chegando à conclusão de que todos os ditados que não entendo se referem a telhas e telhados... Bem, mas alguém me explica ‘quebrar o galho’!? Onde quebrar o galho poderia ser encaixado como ‘me faz um favor’? Por que quebrar o galho de alguém seria uma coisa boa???? Carol, te vira aí!
Continuando a me aproveitar do tema já que a minha criatividade não anda lá essas coisas, vou abusar um pouquinho mais. Na verdade, vou pegar só o mote de um outro ditado ‘quando um não quer, dois não brigam’ para também expor aqui que isso nem sempre é verdade.
Eu, por exemplo, odeio brigar. Não estou falando daquelas discussõezinhas bobas que começam e acabam ali na hora. Pequenas explosões do dia-a-dia. Não, essas eu tiro de letra e acho que são saudáveis para qualquer tipo de relacionamento e até para as nossas cabeças. Uma extravasada é bom de vez em quando. Ficar guardando tudo para si é péssimo. Eu não guardo.
Mas, enfim, me refiro a brigas mais cascudas. Aquelas que duram dias, semanas, meses e até anos. Aquelas que causam um mal estar tão grande que faz você fingir que ainda está dormindo, só para não encarar a pessoa do seu lado ao acordar. Que te deixa mais quieta, mais triste, menos viva. Uma espécie de pedrinha no sapato que incomoda 24 horas.
Uma briga no ar, um assunto mal resolvido, um tema sem solução é capaz de atingir tudo. O telefone toca e só de pensar que pode ser a pessoa com quem você está brigado, já te faz caminhar para atendê-lo com uma expressão mais séria. A voz muda de tom. A respiração fica mais difícil. As pernas pesam. O tempo se arrasta.
Não combino com brigas. Me corrói por dentro. Não gosto de climão. Não gosto de falar no mesmo assunto dez mil vezes. Não gosto de não conseguir chegar a um acordo. Por isso mesmo, na maior parte das vezes, eu cedo. Sempre cedo. Prefiro abrir mão de uma opinião ou de uma vontade, de um filme, de uma comida, de um lugar para viajar... do que ficar do lado de alguém mal-humorado, emburrado, ou - o que me dá mais arrepios - alguém naquele silêncio proposital e agressivo.
Muito poucas vezes na vida eu não pude recorrer a essa opção: ceder. Mas infelizmente em determinadas ocasiões não há outro jeito e aí, mesmo quando um não quer, dois brigam.
Mas, enfim, meu leitor assíduo Francisco explicou ‘nas coxas’, que na verdade é mais uma expressão que um ditado. Segundo ele, “as pessoas faziam as telhas de barro, conformando-as nas coxas”. Estou chegando à conclusão de que todos os ditados que não entendo se referem a telhas e telhados... Bem, mas alguém me explica ‘quebrar o galho’!? Onde quebrar o galho poderia ser encaixado como ‘me faz um favor’? Por que quebrar o galho de alguém seria uma coisa boa???? Carol, te vira aí!
Continuando a me aproveitar do tema já que a minha criatividade não anda lá essas coisas, vou abusar um pouquinho mais. Na verdade, vou pegar só o mote de um outro ditado ‘quando um não quer, dois não brigam’ para também expor aqui que isso nem sempre é verdade.
Eu, por exemplo, odeio brigar. Não estou falando daquelas discussõezinhas bobas que começam e acabam ali na hora. Pequenas explosões do dia-a-dia. Não, essas eu tiro de letra e acho que são saudáveis para qualquer tipo de relacionamento e até para as nossas cabeças. Uma extravasada é bom de vez em quando. Ficar guardando tudo para si é péssimo. Eu não guardo.
Mas, enfim, me refiro a brigas mais cascudas. Aquelas que duram dias, semanas, meses e até anos. Aquelas que causam um mal estar tão grande que faz você fingir que ainda está dormindo, só para não encarar a pessoa do seu lado ao acordar. Que te deixa mais quieta, mais triste, menos viva. Uma espécie de pedrinha no sapato que incomoda 24 horas.
Uma briga no ar, um assunto mal resolvido, um tema sem solução é capaz de atingir tudo. O telefone toca e só de pensar que pode ser a pessoa com quem você está brigado, já te faz caminhar para atendê-lo com uma expressão mais séria. A voz muda de tom. A respiração fica mais difícil. As pernas pesam. O tempo se arrasta.
Não combino com brigas. Me corrói por dentro. Não gosto de climão. Não gosto de falar no mesmo assunto dez mil vezes. Não gosto de não conseguir chegar a um acordo. Por isso mesmo, na maior parte das vezes, eu cedo. Sempre cedo. Prefiro abrir mão de uma opinião ou de uma vontade, de um filme, de uma comida, de um lugar para viajar... do que ficar do lado de alguém mal-humorado, emburrado, ou - o que me dá mais arrepios - alguém naquele silêncio proposital e agressivo.
Muito poucas vezes na vida eu não pude recorrer a essa opção: ceder. Mas infelizmente em determinadas ocasiões não há outro jeito e aí, mesmo quando um não quer, dois brigam.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Caraças
Carácolis! Acabei de fazer uma descoberta que não vai mudar em nada a minha vida, nem a de ninguém, mas que eu fiquei tanto tempo dando gargalhadas sozinha que quis compartilhar. Aliás, diga-se, gargalhadas bem-vindas.
Então, desde que conheço meu sogro, acho muito engraçado quando ele diz algumas palavras que, pra mim, são invencionices da cabeça dele. Adaptações à la seu Antônio. Um dialeto todo próprio que aprendi a achar simpático com o tempo. Nunca falei dele aqui. Mas temos uma relação incrivelmente boa, levando em consideração que trata-se de um patriarca português bem ranzinza e com cara de poucos amigos. É dos meus, sabe? Não sai indo assim com a cara de todo mundo. Mas foi com a minha. De uma maneira impressionante que causa até uma certa inveja entre meus concorrentes, o outro genro e a outra nora, e até entre os próprios filhos dele. O homem me escuta, sei lá porquê. Se eu falo que a parede é verde e ele estava falando que era azul, muda de idéia no ato. Já se é um dos filhos que insiste... ih... ele discute até não poder mais.
Enfim, Seu Antônio é meu defensor e meu fã e espalha isso aos quatro ventos. Como eu falei, isso me causa mal estar às vezes, mas tenho que admitir que adoro. Aliás, pensando aqui agora, o fato dos meus sogros serem tão benevolentes e simpáticos comigo, é um dos motivos deu manter meu casamento. Falam tão mal dessa espécie por aí, que é melhor eu garantir meus sogros gente boa. Já escutei tanta história de amiga... Eu só tenho história boa para contar e engraçada.
Pois então, uma das palavras que Seu Antônio vive falando por aí é ‘caraças’. Até minutos atrás, eu achava que era uma maneira fofa que meu sogro fofo arranjou de adaptar ‘caralho’. Eis que eu estou passando agora pelo corredor e Miguel, vendo um jogo de futebol em que o time dele perdeu um ‘golo’, solta um: “Caraças!”. Voltei na hora:
- Oi?
- Quê?
- O que você disse?
- Quando?
- Agora.
- Golo?
- Não, depois.
- Caraças?
- É. É assim mesmo, caraças?
- Sim.
- Você aprendeu com o Seu Antônio?
- Não, caraças.
(risos)
– Oi?
- Claro que não. Caraças é caraças.
- Jesus, o que é caraças?
- Caraças.
- Não é caralho?
- Não, é caraças.
Ou seja, ‘caraças’ é uma espécie de palavrão muito usado por todo e qualquer português e não apenas pelo meu querido Seu Antônio. E eu há oito anos achando bonitinho ele não querer falar ‘caralho’... Morri de rir.
Então, desde que conheço meu sogro, acho muito engraçado quando ele diz algumas palavras que, pra mim, são invencionices da cabeça dele. Adaptações à la seu Antônio. Um dialeto todo próprio que aprendi a achar simpático com o tempo. Nunca falei dele aqui. Mas temos uma relação incrivelmente boa, levando em consideração que trata-se de um patriarca português bem ranzinza e com cara de poucos amigos. É dos meus, sabe? Não sai indo assim com a cara de todo mundo. Mas foi com a minha. De uma maneira impressionante que causa até uma certa inveja entre meus concorrentes, o outro genro e a outra nora, e até entre os próprios filhos dele. O homem me escuta, sei lá porquê. Se eu falo que a parede é verde e ele estava falando que era azul, muda de idéia no ato. Já se é um dos filhos que insiste... ih... ele discute até não poder mais.
Enfim, Seu Antônio é meu defensor e meu fã e espalha isso aos quatro ventos. Como eu falei, isso me causa mal estar às vezes, mas tenho que admitir que adoro. Aliás, pensando aqui agora, o fato dos meus sogros serem tão benevolentes e simpáticos comigo, é um dos motivos deu manter meu casamento. Falam tão mal dessa espécie por aí, que é melhor eu garantir meus sogros gente boa. Já escutei tanta história de amiga... Eu só tenho história boa para contar e engraçada.
Pois então, uma das palavras que Seu Antônio vive falando por aí é ‘caraças’. Até minutos atrás, eu achava que era uma maneira fofa que meu sogro fofo arranjou de adaptar ‘caralho’. Eis que eu estou passando agora pelo corredor e Miguel, vendo um jogo de futebol em que o time dele perdeu um ‘golo’, solta um: “Caraças!”. Voltei na hora:
- Oi?
- Quê?
- O que você disse?
- Quando?
- Agora.
- Golo?
- Não, depois.
- Caraças?
- É. É assim mesmo, caraças?
- Sim.
- Você aprendeu com o Seu Antônio?
- Não, caraças.
(risos)
– Oi?
- Claro que não. Caraças é caraças.
- Jesus, o que é caraças?
- Caraças.
- Não é caralho?
- Não, é caraças.
Ou seja, ‘caraças’ é uma espécie de palavrão muito usado por todo e qualquer português e não apenas pelo meu querido Seu Antônio. E eu há oito anos achando bonitinho ele não querer falar ‘caralho’... Morri de rir.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Santa Carol...
Hoje o espaço aqui será todinho cedido para explicações recebidas recentemente sobre meu post dos ditados populares. Gente! Me senti o próprio Xexéu recebendo e-mails de leitores com explicações para as dúvidas publicadas. Seguem elucidações da minha querida amiga e leitora Carol:
“Santinha do pau oco - Lembra na aula de história, quando lá no Brasil Colônia os contrabandistas traficavam ouro em pó dentro das estátuas de santos para ninguém desconfiar e enviavam pra Portugal? Daí que vem esse nome...”.
Carol, confesso que, se você não falasse, acho que nunca mais lembraria do Brasil Colônia. Mas não é? Brasil Colônia. A gente só fala nele nas aulas de colégio mesmo... E, Carol, também não sei se lembro da história aí do contrabando ou se fiquei sugestionada a lembrar depois que você falou. Mas acho que, sim, lembro de algo parecido. De qualquer forma, muito obrigada!
Agora, essa explicação aí logo abaixo foi realmente esclarecedora. Eu não sabia. Nunca soube. E gostei de saber!
“Sem eira, nem beira - Antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado, então construíam somente a tribeira ficando assim: sem eira nem beira".
Ôpa! Então eu também não sabia o que era beira. E presumi-se que hoje em dia todo mundo é pobre... Não se vê eiras e beiras por aí. Mas atenção que Carol mandou uma foto para ilustrar! Olha aí, minha gente, um telhado com eira, beira e tribeira!
Valeu, Carol! Beijocas a todos.
“Santinha do pau oco - Lembra na aula de história, quando lá no Brasil Colônia os contrabandistas traficavam ouro em pó dentro das estátuas de santos para ninguém desconfiar e enviavam pra Portugal? Daí que vem esse nome...”.
Carol, confesso que, se você não falasse, acho que nunca mais lembraria do Brasil Colônia. Mas não é? Brasil Colônia. A gente só fala nele nas aulas de colégio mesmo... E, Carol, também não sei se lembro da história aí do contrabando ou se fiquei sugestionada a lembrar depois que você falou. Mas acho que, sim, lembro de algo parecido. De qualquer forma, muito obrigada!
Agora, essa explicação aí logo abaixo foi realmente esclarecedora. Eu não sabia. Nunca soube. E gostei de saber!
“Sem eira, nem beira - Antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado, então construíam somente a tribeira ficando assim: sem eira nem beira".
Ôpa! Então eu também não sabia o que era beira. E presumi-se que hoje em dia todo mundo é pobre... Não se vê eiras e beiras por aí. Mas atenção que Carol mandou uma foto para ilustrar! Olha aí, minha gente, um telhado com eira, beira e tribeira!
Valeu, Carol! Beijocas a todos.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Adesivos de Carro
Infelizmente, eu não portava uma máquina fotográfica no momento em que vi um dos adesivos de carro que mais me chamaram a atenção na vida. Meu celular também não tem câmera. Talvez, essa tenha sido uma das únicas vezes em que eu acharia isso útil. É, porque para usar câmera de celular para efetivamente tirar fotos, do tipo posadas e tal, acho o óh. Com raríssimas exceções, as fotos ficam uma merda. Foco passa ao longe. A não ser, claro, esses celulares incríveis, mas que, desculpa, andar com isso ou uma câmera de verdade, em tamanho, é a mesmíssima coisa.
Enfim, o assunto é o tal adesivo. Não vai causar o mesmo impacto que causou em mim, no cenário lá da rua e tal, mas ainda assim vale à pena transcrever aqui.
QUEM AMA, CHUPA
Enfim, o assunto é o tal adesivo. Não vai causar o mesmo impacto que causou em mim, no cenário lá da rua e tal, mas ainda assim vale à pena transcrever aqui.
QUEM AMA, CHUPA
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Ditados Populares
Capa do jornal hoje: Brasileiros elegem as vans o melhor transporte do Rio. Estou super in...
Bem, estava escrevendo um negócio lá e coloquei um ditado popular no meio. Mas aí, parei para analisar e comecei a divagar sobre ditados populares. Seguem as minhas divagações:
“O pior cego é aquele que não quer ver”. Isso porque quem falou esta pérola a primeira vez não era cego literalmente e não sabe a merda que deve ser não enxergar lhufas.
“Pimenta no cu dos outros é refresco”. Fico pensando, será que alguém já colocou pimenta no cu? Assim, para dar uma tesdadinha. Vou enviar essa sugestão para aquele programa “Caçadores de Mitos”. Já pensou? Ou um Jack Ass da vida...
“Dá mais que chuchu na serra”. O chuchu já foi tema aqui. E imagino que na serra realmente haja muito chuchu. Mas nunca vi e nem desconfio de como seja uma plantação de chuchu. E, olha, acho que a maioria das pessoas também nunca viu.
“Santinha do pau oco”. Esse é de um grupo de ditados que eu nunca parei muito para pensar no significado, mas, agora agora, o que veio na minha cabeça foram aqueles coelhos de chocolate que a gente ganha na páscoa todo feliz e quando morde, esfarela tudo porque só tem a camada de fora. Ou seja, engana trouxa.
“Sem eira, nem beira”. Vou morrer sem saber o que é eira.
“Antes tarde do que nunca”. Nem sempre, hein.
“Aqui se faz, aqui se paga”. Nem sempre, hein.
“Cada macaco no seu galho”. Talvez, o melhor de todos os ditados.
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Pensando literalmente, de novo, a gente sabe que a força da água até consegue corroer a pedra. Mas pqp! Haja paciência. Eu não tenho não.
“Devagar se vai ao longe”. Mesma coisa. Zzzzzzzzzzzzz...
“Deus ajuda, quem cedo madruga”. Também vou morrer sem ser ajudada por Deus. Dormir é uma das minhas ‘ações’ preferidas.
“Depois da tempestade, vem a bonança”. Tipo: “não dá para ficar pior”. Olha, sempre dá.
“Deus escreve certo por linhas tortas”, isso encaixa em “desculpa para boi dormir”, que não faz o menor sentido, mas é exatamente isso. Mas, pera aí, merece um segundo de análise: desculpa para boi dormir. Hum.... não saquei a relação. Aliás, boi dorme? Fecha o olhinho?
“Está na chuva é para se molhar”. Não concordo com isso sempre não. Até porque dificilmente quando começa a chover as pessoas ficam lá na boa... Eu até gosto, mas mais do sentido literal do que do que o ditado quer dizer.
“Melhor um pássaro na mão, que dois voando”. Um pouco conformista. E se eu tiver um periquito na mão, enquanto voa o gavião?
“Pau que nasce torto, morre torto”. Sou um exemplo vivo de que isso não é verdade.
Bem, poderia ficar aqui até amanhã. Adorei esse tópico, assunto, enfim... mas vou indo.
Bem, estava escrevendo um negócio lá e coloquei um ditado popular no meio. Mas aí, parei para analisar e comecei a divagar sobre ditados populares. Seguem as minhas divagações:
“O pior cego é aquele que não quer ver”. Isso porque quem falou esta pérola a primeira vez não era cego literalmente e não sabe a merda que deve ser não enxergar lhufas.
“Pimenta no cu dos outros é refresco”. Fico pensando, será que alguém já colocou pimenta no cu? Assim, para dar uma tesdadinha. Vou enviar essa sugestão para aquele programa “Caçadores de Mitos”. Já pensou? Ou um Jack Ass da vida...
“Dá mais que chuchu na serra”. O chuchu já foi tema aqui. E imagino que na serra realmente haja muito chuchu. Mas nunca vi e nem desconfio de como seja uma plantação de chuchu. E, olha, acho que a maioria das pessoas também nunca viu.
“Santinha do pau oco”. Esse é de um grupo de ditados que eu nunca parei muito para pensar no significado, mas, agora agora, o que veio na minha cabeça foram aqueles coelhos de chocolate que a gente ganha na páscoa todo feliz e quando morde, esfarela tudo porque só tem a camada de fora. Ou seja, engana trouxa.
“Sem eira, nem beira”. Vou morrer sem saber o que é eira.
“Antes tarde do que nunca”. Nem sempre, hein.
“Aqui se faz, aqui se paga”. Nem sempre, hein.
“Cada macaco no seu galho”. Talvez, o melhor de todos os ditados.
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Pensando literalmente, de novo, a gente sabe que a força da água até consegue corroer a pedra. Mas pqp! Haja paciência. Eu não tenho não.
“Devagar se vai ao longe”. Mesma coisa. Zzzzzzzzzzzzz...
“Deus ajuda, quem cedo madruga”. Também vou morrer sem ser ajudada por Deus. Dormir é uma das minhas ‘ações’ preferidas.
“Depois da tempestade, vem a bonança”. Tipo: “não dá para ficar pior”. Olha, sempre dá.
“Deus escreve certo por linhas tortas”, isso encaixa em “desculpa para boi dormir”, que não faz o menor sentido, mas é exatamente isso. Mas, pera aí, merece um segundo de análise: desculpa para boi dormir. Hum.... não saquei a relação. Aliás, boi dorme? Fecha o olhinho?
“Está na chuva é para se molhar”. Não concordo com isso sempre não. Até porque dificilmente quando começa a chover as pessoas ficam lá na boa... Eu até gosto, mas mais do sentido literal do que do que o ditado quer dizer.
“Melhor um pássaro na mão, que dois voando”. Um pouco conformista. E se eu tiver um periquito na mão, enquanto voa o gavião?
“Pau que nasce torto, morre torto”. Sou um exemplo vivo de que isso não é verdade.
Bem, poderia ficar aqui até amanhã. Adorei esse tópico, assunto, enfim... mas vou indo.
domingo, 2 de novembro de 2008
Vou de Van, ‘ce’ Sabe...
Andei de van. Confesso. Tanto tempo evitando este transporte horroroso e acabei sucumbindo. Por livre e espontânea pressão, que fique bem claro.
Sempre achei que um dia isso ia acabar acontecendo. Mas na minha cabeça seria muito no futuro, quando eu tivesse amigas velhinhas, companheiras de teatro. Bem, as velhinhas estavam lá.
O programa? Uma ida com uma legião de portugueses à quadra da Mangueira. Quem inventou? Bem, eu não fui. Por que me meti nessa? Digamos que eu fui metida.
E, assim, após um sábado nublado e passado em casa dormindo e vendo TV, tive que incorporar a mulata que existe em cada um de nós e partir para o samba no pé. Diante das minhas concorrentes lusitanas, eu realmente dei um show.
Mas calma, que isso já foi mais tarde. Não quero pular a parte mais significativa da noite, a van. Quando ela embicou na garagem do meu prédio, deu para ouvir claramente lá de cima e eu jurava que um caminhão estava no portão. Não, era a van. Mas não era assim, uma van. Era tipo: A Van. Uma van de Itu. Lá dentro, exatos 17 portugueses entre 15 e 80 anos. Sim, foi uma saída eclética. Tinha gente de todas as cores e sabores.
No trajeto de ida, o som ambiente foram histórias de família. Partindo do princípio que eu ainda nem aprendi quem é quem direito, dá para concluir que não entendi nada. Fui muda até lá. Não conseguia nem acompanhar o timing das risadas para disfarçar. Era tudo tão desordenado por si só que não precisei fazer esforço. Ninguém notou que eu não estava participando.
Dentro da Mangueira, me senti um pouco mais em casa. Um pouco menos estrangeira. Isso só até os garçons cobrarem 60 pratas só para a gente sentar em uma mesa. Pensei em me revoltar, mas diante da gringalhada colorida ao meu redor, achei que o garçom estava sendo bem mais sensato do que eu.
E tome de caipirinha. Português já é um povo espalhafatoso e escandaloso originalmente, imaginem mamados!? Viram italianos, o único povo - que eu me lembre - que grita ainda mais. Talvez, gregos. Mas, ainda bem, não chegaram a quebrar pratos e copos.
Agora, portugueses mamados e tentando sambar foi um show à parte. O melhor da noite para mim, que comecei a achar que tudo havia valido à pena só para chegar até ali.
E, por fim, a volta. A volta na van. Bem, na volta na van, eles cantaram. Todos juntos. Todas aquelas músicas que a gente acha que só tem em filme ou comercial caricato. Mas é real. Eles cantam. Exatamente daquele jeito. Fui muda e voltei calada, mas foi uma das noites mais divertidas do ano. Não que eu vá repetir...
Sempre achei que um dia isso ia acabar acontecendo. Mas na minha cabeça seria muito no futuro, quando eu tivesse amigas velhinhas, companheiras de teatro. Bem, as velhinhas estavam lá.
O programa? Uma ida com uma legião de portugueses à quadra da Mangueira. Quem inventou? Bem, eu não fui. Por que me meti nessa? Digamos que eu fui metida.
E, assim, após um sábado nublado e passado em casa dormindo e vendo TV, tive que incorporar a mulata que existe em cada um de nós e partir para o samba no pé. Diante das minhas concorrentes lusitanas, eu realmente dei um show.
Mas calma, que isso já foi mais tarde. Não quero pular a parte mais significativa da noite, a van. Quando ela embicou na garagem do meu prédio, deu para ouvir claramente lá de cima e eu jurava que um caminhão estava no portão. Não, era a van. Mas não era assim, uma van. Era tipo: A Van. Uma van de Itu. Lá dentro, exatos 17 portugueses entre 15 e 80 anos. Sim, foi uma saída eclética. Tinha gente de todas as cores e sabores.
No trajeto de ida, o som ambiente foram histórias de família. Partindo do princípio que eu ainda nem aprendi quem é quem direito, dá para concluir que não entendi nada. Fui muda até lá. Não conseguia nem acompanhar o timing das risadas para disfarçar. Era tudo tão desordenado por si só que não precisei fazer esforço. Ninguém notou que eu não estava participando.
Dentro da Mangueira, me senti um pouco mais em casa. Um pouco menos estrangeira. Isso só até os garçons cobrarem 60 pratas só para a gente sentar em uma mesa. Pensei em me revoltar, mas diante da gringalhada colorida ao meu redor, achei que o garçom estava sendo bem mais sensato do que eu.
E tome de caipirinha. Português já é um povo espalhafatoso e escandaloso originalmente, imaginem mamados!? Viram italianos, o único povo - que eu me lembre - que grita ainda mais. Talvez, gregos. Mas, ainda bem, não chegaram a quebrar pratos e copos.
Agora, portugueses mamados e tentando sambar foi um show à parte. O melhor da noite para mim, que comecei a achar que tudo havia valido à pena só para chegar até ali.
E, por fim, a volta. A volta na van. Bem, na volta na van, eles cantaram. Todos juntos. Todas aquelas músicas que a gente acha que só tem em filme ou comercial caricato. Mas é real. Eles cantam. Exatamente daquele jeito. Fui muda e voltei calada, mas foi uma das noites mais divertidas do ano. Não que eu vá repetir...
sábado, 1 de novembro de 2008
Obrigada
Bem, não é segredo para ninguém que frequenta este humilde blog que eu não ando em meus dias mais inspirados. Por cansaço; por um pouco de tristeza por saber que minha trilha aqui está chegando ao fim - pra quem não sabe, esse blog teve data pra começar e tem data pra terminar: dia 31 de dezembro -; ou porque eu não sou tão boa assim mesmo.
Mas fiquei muito feliz com alguns antigos leitores que me incentivaram e com novos que apareceram justamente neste momento de crise. É aquela história... na saúde e na doença. Gostei bastante de ter sido empurrada para frente por gente que gosta de mim ou por gente que simplesmente gosta ou já gostou do que eu escrevo.
A inspiração não apareceu milagrosamente, mas estou mais felizinha. Graças a vocês. Obrigada de verdade, do fundo do coração. São pessoas que por algum motivo se identificaram com o que saiu da minha caixola e esse é um dos melhores presentes que existem. Pra mim, claro.
Vamos ver se amanhã eu surjo com algo bem interessante. vou me esforçar. beijos e brigada!
Mas fiquei muito feliz com alguns antigos leitores que me incentivaram e com novos que apareceram justamente neste momento de crise. É aquela história... na saúde e na doença. Gostei bastante de ter sido empurrada para frente por gente que gosta de mim ou por gente que simplesmente gosta ou já gostou do que eu escrevo.
A inspiração não apareceu milagrosamente, mas estou mais felizinha. Graças a vocês. Obrigada de verdade, do fundo do coração. São pessoas que por algum motivo se identificaram com o que saiu da minha caixola e esse é um dos melhores presentes que existem. Pra mim, claro.
Vamos ver se amanhã eu surjo com algo bem interessante. vou me esforçar. beijos e brigada!
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Cansaço
Decepção é uma das minhas palavras e sentimentos mais temidos. Não sei lidar com ela. Nunca soube. Em qualquer área e de qualquer tipo. Ser decepcionada ou decepcionar alguém é uma das piores coisas da vida.
E venho chegando à conclusão de que o cansaço é o melhor amigo da decepção. É como uma espécie de diabinho que aparece ali na cabeça e fica dando idéias nada bacanas ao pé do ouvido.
Quando se está cansado nada mais é como deveria ser. Você não é mais você e o que você faz passa a não corresponder com as atitudes que seriam as suas. Começa pela perda de critério. Quando se está no limite da falta de energia, qualquer coisa está bom. O senso crítico vai pra casa do caralho.
Da cama que não dá mais tempo de fazer antes de sair a noites e noites mal dormidas, todos esses pequenos detalhes vão se juntando e te transformando numa pessoa pior, numa pessoa diferente. Não só o seu padrão de qualidade, mas a sua própria qualidade em si enquanto pessoa – justamente o que faz os outros te admirarem - caem. E nem é algo que não se vê acontecendo. Até vemos, mas não há tempo nem para tentar reverter. Você vai indo com a maré e é jogado longe.
O cansaço tem me impedido de escrever coisas legais aqui, tem me impedido de ter tempo ou inteligência para pescar as coisas inusitadas ou que dêem uma boa história. Acordo, lutando com o despertador, saio correndo, não como, corro o dia todo e no fim, nem durmo porque nem isso a cabeça cheia de coisa deixa. O que só piora o cansaço, que acumula, acumula e acumula.
Por isso, a decepção. Estou decepcionada comigo por não conseguir mais pensar na velocidade e na qualidade de antes. A sensação é que tudo o que eu estou fazendo está mais ou menos. Saca pintura de parede mal feita? Ou aquela borracha que quando apaga deixa o papel meio manchado; o esmalte que descasca e a gente dá aquela retocadinha tosca; matéria de jornal entregue em cima da hora; roupa de viagem já meio suja mas só tem aquela mesmo; caneta acabando a tinta mas que a gente faz uma força incrível até sair alguma coisa, ainda que meio falhado... enfim, posso ficar até amanhã nas alusões, mas acho que deu para entender, né? Perdão.
E venho chegando à conclusão de que o cansaço é o melhor amigo da decepção. É como uma espécie de diabinho que aparece ali na cabeça e fica dando idéias nada bacanas ao pé do ouvido.
Quando se está cansado nada mais é como deveria ser. Você não é mais você e o que você faz passa a não corresponder com as atitudes que seriam as suas. Começa pela perda de critério. Quando se está no limite da falta de energia, qualquer coisa está bom. O senso crítico vai pra casa do caralho.
Da cama que não dá mais tempo de fazer antes de sair a noites e noites mal dormidas, todos esses pequenos detalhes vão se juntando e te transformando numa pessoa pior, numa pessoa diferente. Não só o seu padrão de qualidade, mas a sua própria qualidade em si enquanto pessoa – justamente o que faz os outros te admirarem - caem. E nem é algo que não se vê acontecendo. Até vemos, mas não há tempo nem para tentar reverter. Você vai indo com a maré e é jogado longe.
O cansaço tem me impedido de escrever coisas legais aqui, tem me impedido de ter tempo ou inteligência para pescar as coisas inusitadas ou que dêem uma boa história. Acordo, lutando com o despertador, saio correndo, não como, corro o dia todo e no fim, nem durmo porque nem isso a cabeça cheia de coisa deixa. O que só piora o cansaço, que acumula, acumula e acumula.
Por isso, a decepção. Estou decepcionada comigo por não conseguir mais pensar na velocidade e na qualidade de antes. A sensação é que tudo o que eu estou fazendo está mais ou menos. Saca pintura de parede mal feita? Ou aquela borracha que quando apaga deixa o papel meio manchado; o esmalte que descasca e a gente dá aquela retocadinha tosca; matéria de jornal entregue em cima da hora; roupa de viagem já meio suja mas só tem aquela mesmo; caneta acabando a tinta mas que a gente faz uma força incrível até sair alguma coisa, ainda que meio falhado... enfim, posso ficar até amanhã nas alusões, mas acho que deu para entender, né? Perdão.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Besteiras um Pouco Atrasadas, mas Válidas
Fiquei triste pelo Gabeira ter perdido. Mas, pera lá!, ninguém me avisou que ele era Flamengo!? Camisa da charanga do mengão não dá. Pior que uma outra com florzinhas que ele já apareceu uma vez...
Simpatizo com Luana, a Piovani. Já disse aqui. Mas, querida, o mundo sabia que Dado era uma roubada! Esperava mais velocidade da moça.
E, por fim, o melhor cartão postal que alguém poderia me mandar. Infelizmente, vi na internet. Mas se eu ganhasse isso de alguém, admiraria a pessoa para sempre. Achei sensacional.
Simpatizo com Luana, a Piovani. Já disse aqui. Mas, querida, o mundo sabia que Dado era uma roubada! Esperava mais velocidade da moça.
E, por fim, o melhor cartão postal que alguém poderia me mandar. Infelizmente, vi na internet. Mas se eu ganhasse isso de alguém, admiraria a pessoa para sempre. Achei sensacional.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O que é o Casamento
A pessoa passa uma semana viajando, quase incomunicável com uma desculpa lá de que o telefone ‘está fora de rede’, e nosso primeiro diálogo é:
Lá do fundo da casa:
- Mor! Mor!
- Que é?
Nada.
- Que ééé?
Nada de novo. Levanto e vou até lá:
- Que é?
- Você não regou as plantas.
Lá do fundo da casa:
- Mor! Mor!
- Que é?
Nada.
- Que ééé?
Nada de novo. Levanto e vou até lá:
- Que é?
- Você não regou as plantas.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Quando Vale à Pena
Adoro pintar a unha de vermelho. Mas dá tanta trabalheira para tirar depois que, volta e meia, eu pinto de clarinho mesmo.
Gosto muito de tangerina. Mas tirar as pelinhas e o cheiro que fica na mão depois, às vezes, faz com que eu coma uma maça sem muita graça mesmo.
Esquiar é muito legal. Mas aquela roupa toda que tem que colocar e a dificuldade de andar normalmente com botas duras até dizer chega me fazem pensar que, talvez, eu queira só apreciar a vista. Sem desmerecer a vista.
Ainda não inventaram coisa melhor que sexo, mas viajar para aquele lugar maravilhoso e frio pra caralho, muitas vezes, já fez com que eu ficasse com preguiça de tirar todas as camadas de roupa que estavam ali quentinhas...
Comidas com catupiry são divinas. Só que o tanto que terei que correr mais depois, me lembra que um peito de frango com salada pode ser melhor negócio.
Enfim, a preguiça está aí à beira o tempo todo. Tudo bem se render a ela na maior parte das vezes. Sim, na maior parte das vezes. O que não pode é deixá-la vencer sempre. Aí, realmente, corre-se o risco de viver uma vida sem graça. Ao mesmo tempo em que enfrentá-la o tempo todo acaba fazendo com que a vida fique complicada e cansativa em excesso. Nem estou defendendo o equilíbrio. Sou a favor da balança pender para a preguiça, só não quero que encoste lá na base.
Ôpa, está quase lá? Pinte a unha de vermelho, vai esquiar, se entupa de tangerina, esqueça o frio, abra a boca para o catupiry ou compre um barco! Nada dá mais trabalho que um barco, como diria papai, que já até naufragou e passou semanas desaparecido. É, tipo náufrago, mas aí já é outra história...
Gosto muito de tangerina. Mas tirar as pelinhas e o cheiro que fica na mão depois, às vezes, faz com que eu coma uma maça sem muita graça mesmo.
Esquiar é muito legal. Mas aquela roupa toda que tem que colocar e a dificuldade de andar normalmente com botas duras até dizer chega me fazem pensar que, talvez, eu queira só apreciar a vista. Sem desmerecer a vista.
Ainda não inventaram coisa melhor que sexo, mas viajar para aquele lugar maravilhoso e frio pra caralho, muitas vezes, já fez com que eu ficasse com preguiça de tirar todas as camadas de roupa que estavam ali quentinhas...
Comidas com catupiry são divinas. Só que o tanto que terei que correr mais depois, me lembra que um peito de frango com salada pode ser melhor negócio.
Enfim, a preguiça está aí à beira o tempo todo. Tudo bem se render a ela na maior parte das vezes. Sim, na maior parte das vezes. O que não pode é deixá-la vencer sempre. Aí, realmente, corre-se o risco de viver uma vida sem graça. Ao mesmo tempo em que enfrentá-la o tempo todo acaba fazendo com que a vida fique complicada e cansativa em excesso. Nem estou defendendo o equilíbrio. Sou a favor da balança pender para a preguiça, só não quero que encoste lá na base.
Ôpa, está quase lá? Pinte a unha de vermelho, vai esquiar, se entupa de tangerina, esqueça o frio, abra a boca para o catupiry ou compre um barco! Nada dá mais trabalho que um barco, como diria papai, que já até naufragou e passou semanas desaparecido. É, tipo náufrago, mas aí já é outra história...
domingo, 26 de outubro de 2008
Lema
Estou sem idéias e aí, vou colocar a letra de uma música hoje. Acabei de ouvi-la no carro. É uma música que eu não escutava há um tempo e que eu adoro. Uma espécie de lema mesmo. Estou bem, antes que chovam e-mails perguntando se eu me separei, se eu estou grávida e coisas sérias do gênero. Não é o meu momento. É o quanto o que diz aí me agrada.
Socorro
Composição: Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
Socorro
Composição: Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
sábado, 25 de outubro de 2008
A Volta dos que não Foram
Fluminense 3 x 0 no Palmeiras! Coisas de fluminense... Está quase caindo, mas ganha de três de um dos que estão lá em cima.
Ser tricolor é muito mais do que torcer para um time apenas. É ser surpreendido. É ganhar quando parece que tudo está perdido. E juro que a minha intenção aqui não era rimar.
Há uma coisa de superioridade em ser Fluminense, mesmo quando se está na porta da 2ª divisão. Uma coisa meio como aquelas famílias que estão quase na falência, mas não perdem a pose. A boa e velha tradição. Não teria orgulho de pertencer a uma família decadente, mas tenho um baita orgulho de ser tricolor. O paralelo foi só a título de ilustração.
Sempre achei que escolhi meu time de coração influenciada por homens importantes da minha vida. Mas estou começando a perceber cada vez mais que sou fluminense porque o time combina comigo. Quem mais vibra tanto com uma simples vitória na reta final do Brasileiro como se fosse título de campeonato? Uma vitória que só garante - por enquanto - a saída do rebaixamento, mas ganha ares de grande evento. Uma vitória simples e significativa pra cacete.
E isso sou eu. Adoro ganhar campeonatos. Adoro viajar para a Europa
Adoro sábado, domingo e feriados. Mas uma vitória pra sair da zona, um pulo ali em Mauá ou uma quinta-feira bem-vinda, muitas vezes me deixa mais feliz do que um troféu.
NENSE!
Ser tricolor é muito mais do que torcer para um time apenas. É ser surpreendido. É ganhar quando parece que tudo está perdido. E juro que a minha intenção aqui não era rimar.
Há uma coisa de superioridade em ser Fluminense, mesmo quando se está na porta da 2ª divisão. Uma coisa meio como aquelas famílias que estão quase na falência, mas não perdem a pose. A boa e velha tradição. Não teria orgulho de pertencer a uma família decadente, mas tenho um baita orgulho de ser tricolor. O paralelo foi só a título de ilustração.
Sempre achei que escolhi meu time de coração influenciada por homens importantes da minha vida. Mas estou começando a perceber cada vez mais que sou fluminense porque o time combina comigo. Quem mais vibra tanto com uma simples vitória na reta final do Brasileiro como se fosse título de campeonato? Uma vitória que só garante - por enquanto - a saída do rebaixamento, mas ganha ares de grande evento. Uma vitória simples e significativa pra cacete.
E isso sou eu. Adoro ganhar campeonatos. Adoro viajar para a Europa
Adoro sábado, domingo e feriados. Mas uma vitória pra sair da zona, um pulo ali em Mauá ou uma quinta-feira bem-vinda, muitas vezes me deixa mais feliz do que um troféu.
NENSE!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Glacê
- Ela era muito esquisita mesmo.
- É, sei lá, tinha cara de quem comeu e não gostou.
- Pois é parecia que não ia com a cara de ninguém.
- Não era ela que não ia com a nossa cara, era a cara dela que não ia com ela.
- Eu acho que ela era um pouco assim... como é?
- Como?
- Tipo... como fala?
(gestos, mímicas e tentativas.)
- Aquele ar meio superior, sabe? Como é? É... Glacê!
- Hein?
- Não é Glacê?
- Blasée, pode ser?
- Ah, é. Blasée...
- É, sei lá, tinha cara de quem comeu e não gostou.
- Pois é parecia que não ia com a cara de ninguém.
- Não era ela que não ia com a nossa cara, era a cara dela que não ia com ela.
- Eu acho que ela era um pouco assim... como é?
- Como?
- Tipo... como fala?
(gestos, mímicas e tentativas.)
- Aquele ar meio superior, sabe? Como é? É... Glacê!
- Hein?
- Não é Glacê?
- Blasée, pode ser?
- Ah, é. Blasée...
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Liberdade, Igualdade e Foda-se
E a fraternidade foi pro caralho...
Li isso uma vez também numa dessas coisas enviadas por amigos por e-mail e não sei porque na época não dei a devida atenção. E sei menos ainda porque lembrei disso agora.
Na verdade, sei. É que me irritei comigo mesma porque numa discussão com o meu marido que durou apenas cinco minutos, usei ‘foda-se’ umas dez vezes. Não sou nenhuma pudica, mas acho feio menina falar tanto palavrão. Acho, fazer o quê? Talvez papai tenha falado tanto isso que ficou.
Aí, me peguei pensando em como hoje em dia tudo é meio foda-se. O tal liga o foda-se. Bem, a relação não ficou muito clara. Nem pra mim. Mas foi apenas uma tentativa de explicar de onde veio meu título.
Enfim, mas acho mesmo que as pessoas já se importaram mais umas com as outras. Atualmente, vinga o individualismo. E, olha, isso vindo de uma individualista é algo a se pensar... Sempre prezei minha individualidade, liberdade, meus direitos iguais, principalmente, no quesito homem e mulher. Aquela guerra adolescente de se eles podem, elas deveriam poder. Sempre achei chato quem gruda no pé, quem dependia de mim e tal. Mas daí a mandar todo mundo se foder, é um passo um pouco mais largo que eu ainda não tive coragem de dar. E tomara que nem tenha.
Acho que o mundo está precisando sim de mais fraternidade. Acho que as pessoas estão precisando de mais amigos. Nosso tempo hoje é gasto com trabalho. O pouco que sobra é obrigatoriamente para o marido, a mulher, namorado, namorada e afins. Coitado de quem já tem filhos. Mais gente para dividir a atenção e o tempo curto. Ou seja, para os amigos, quase nada. Migalhas. Migalhas e pedidos de desculpas. Migalhas e e-mails marcando aquele encontro que ‘nunca será’. Migalhas e justificativas. Eternas justificativas. E assim, o mundo sente falta da fraternidade.
Tenho total consciência de que a coisa aqui hoje não ficou redondinha. Não teve lógica do início ao fim e nem um fechamento cereja de bolo. Tá cheio de buracos, de furos de roteiro, de lacunas. Mais ou menos como a minha vida sem tempo para os meus amigos. E foi por isso que eu discuti. Preciso de amigos. E atrás deles, irei. Quer queiram, quer não. Justo ou injusto. Certo ou errado. Foda-se.
Li isso uma vez também numa dessas coisas enviadas por amigos por e-mail e não sei porque na época não dei a devida atenção. E sei menos ainda porque lembrei disso agora.
Na verdade, sei. É que me irritei comigo mesma porque numa discussão com o meu marido que durou apenas cinco minutos, usei ‘foda-se’ umas dez vezes. Não sou nenhuma pudica, mas acho feio menina falar tanto palavrão. Acho, fazer o quê? Talvez papai tenha falado tanto isso que ficou.
Aí, me peguei pensando em como hoje em dia tudo é meio foda-se. O tal liga o foda-se. Bem, a relação não ficou muito clara. Nem pra mim. Mas foi apenas uma tentativa de explicar de onde veio meu título.
Enfim, mas acho mesmo que as pessoas já se importaram mais umas com as outras. Atualmente, vinga o individualismo. E, olha, isso vindo de uma individualista é algo a se pensar... Sempre prezei minha individualidade, liberdade, meus direitos iguais, principalmente, no quesito homem e mulher. Aquela guerra adolescente de se eles podem, elas deveriam poder. Sempre achei chato quem gruda no pé, quem dependia de mim e tal. Mas daí a mandar todo mundo se foder, é um passo um pouco mais largo que eu ainda não tive coragem de dar. E tomara que nem tenha.
Acho que o mundo está precisando sim de mais fraternidade. Acho que as pessoas estão precisando de mais amigos. Nosso tempo hoje é gasto com trabalho. O pouco que sobra é obrigatoriamente para o marido, a mulher, namorado, namorada e afins. Coitado de quem já tem filhos. Mais gente para dividir a atenção e o tempo curto. Ou seja, para os amigos, quase nada. Migalhas. Migalhas e pedidos de desculpas. Migalhas e e-mails marcando aquele encontro que ‘nunca será’. Migalhas e justificativas. Eternas justificativas. E assim, o mundo sente falta da fraternidade.
Tenho total consciência de que a coisa aqui hoje não ficou redondinha. Não teve lógica do início ao fim e nem um fechamento cereja de bolo. Tá cheio de buracos, de furos de roteiro, de lacunas. Mais ou menos como a minha vida sem tempo para os meus amigos. E foi por isso que eu discuti. Preciso de amigos. E atrás deles, irei. Quer queiram, quer não. Justo ou injusto. Certo ou errado. Foda-se.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sem Noção
Orkut dá ibope e adorei Bárbara, minha nova leitora! Agora, eu de novo... Nunca paro de me surpreender comigo. Estava eu e Chamila no ônibus – é, enfiei a menina num ônibus! Fiz só por puro prazer de vê-la odiando a situação – quando, de repente, ao lado de fora, vejo um amigo dela que trabalhava com a gente antigamente.
- Olha! Falei dele ontem.
- Semana passada.
- Ah, tá. Mas caraca, que coincidência! Será que ele ainda trabalha lá? Nunca mais vi...
- Adriana, quem não trabalha mais lá é você. Há mais de dez meses...
Cara, sinceramente, de onde vem essa minha total falta de noção para certas coisas? Eu não sou retardada. Não esqueço coisas profissionais. Sou responsável. Mas tenho uns lapsos, uns brancos, uns desligamentos que decididamente não são facilmente explicáveis.
- Olha! Falei dele ontem.
- Semana passada.
- Ah, tá. Mas caraca, que coincidência! Será que ele ainda trabalha lá? Nunca mais vi...
- Adriana, quem não trabalha mais lá é você. Há mais de dez meses...
Cara, sinceramente, de onde vem essa minha total falta de noção para certas coisas? Eu não sou retardada. Não esqueço coisas profissionais. Sou responsável. Mas tenho uns lapsos, uns brancos, uns desligamentos que decididamente não são facilmente explicáveis.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Seres Orkutianos
Pergunta bem manjada: ‘Você acredita em E.T.?’ Como não gente? Eles estão por aí num orkut perto de você.
E eu duvido que um marciano verde e cabeçudo seja mais inacreditável que certos perfis do orkut. E nem precisa ser um perfil de alguém que você nunca viu mais gordo. Um perfil amigo pode ser revelador.
Mais do que perfis, fotos. Mais do que fotos, as legendas das fotos. Essas desmascaram qualquer orkutiano. E te deixa seriamente pensativo, questionando como é que você não tinha percebido tamanha estranheza antes...
O tópico ‘quem sou eu’ é o melhor deles. Em meio a poesias, músicas e celebrações ao time de coração há cada coisa... que só pode ser de seres de outro planeta. E esses seres são super evoluídos, têm múltiplas personalidades. A cada semana, um ‘quem sou eu’ não só diferente, mas com outro eu. Algo que vai do pagode à música clássica, sem o menor constrangimento. Isso poderia ser uma coisa boa. Uma pessoa eclética, flexível ou até uma pessoa louca! Até aí, ótimo. Mas, na maior parte das vezes, é uma pessoa sem noção. E nada interessante.
Estou cansando do orkut. Foi apenas um desabafo.
E eu duvido que um marciano verde e cabeçudo seja mais inacreditável que certos perfis do orkut. E nem precisa ser um perfil de alguém que você nunca viu mais gordo. Um perfil amigo pode ser revelador.
Mais do que perfis, fotos. Mais do que fotos, as legendas das fotos. Essas desmascaram qualquer orkutiano. E te deixa seriamente pensativo, questionando como é que você não tinha percebido tamanha estranheza antes...
O tópico ‘quem sou eu’ é o melhor deles. Em meio a poesias, músicas e celebrações ao time de coração há cada coisa... que só pode ser de seres de outro planeta. E esses seres são super evoluídos, têm múltiplas personalidades. A cada semana, um ‘quem sou eu’ não só diferente, mas com outro eu. Algo que vai do pagode à música clássica, sem o menor constrangimento. Isso poderia ser uma coisa boa. Uma pessoa eclética, flexível ou até uma pessoa louca! Até aí, ótimo. Mas, na maior parte das vezes, é uma pessoa sem noção. E nada interessante.
Estou cansando do orkut. Foi apenas um desabafo.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Muito Foda
- Eu só estou cansada. Pára de reclamar. Eu duvido que você ache outra mulher que nem eu.
- Eu também.
- Tô falando sério. Tô trabalhando que nem uma corna. Cuido dos cachorros. A casa tá sempre direita. Você não tem o que falar. Só estou exausta. Mas sou uma mulher muito foda.
- Muito foda, só não fode.
- Eu também.
- Tô falando sério. Tô trabalhando que nem uma corna. Cuido dos cachorros. A casa tá sempre direita. Você não tem o que falar. Só estou exausta. Mas sou uma mulher muito foda.
- Muito foda, só não fode.
domingo, 19 de outubro de 2008
Mais uma vez, Renata
Renata é meu carma. Desde aquela história lá do início da doida de uma das minhas ex-academias que cismou de me chamar de Renata e depois tive que sair de lá para não correr o risco dela descobrir minha verdadeira identidade até o nome da ex do meu amado marido.
A única. Sim, antes de mim, só houve a Renata. Diz ele que andou comendo umas por aí no curto período entre nós duas. Eu, sinceramente, acho difícil já que a pessoa conheceu Renata pirralho, namorou Renata uma eternidade, ficou solteiro apenas seis meses e se apaixonou por mim para sempre... Eu prefiro pensar assim e não parar muito pra tentar fazer as contas e ver se é possível ele ter se divertido uma vida em apenas seis meses. Eu aproveitei bastante a minha, mas tive uns aninhos aí antes da criança. E ah! um intervalo com ele mesmo em pleno carnaval carioca que foi o melhor de todos os tempos. Já ele, coitado, passou três meses chorando por mim... e não pegou ninguém!
Bom, contada a minha versão romântica dos fatos, o problema é que Renata ainda está entre nós. Não sempre. Mas volta e meia Renata não é morta.
A primeira vez que a moça surgiu foi bem no início do namoro. Estávamos caindo na porrada no carro quando ele solta um berro com algo como: “Puta que Pariu, Renata!”.
E o silêncio se fez presente. Serviu para desviar o foco e mudar o assunto da briga, mas fiquei puta pra cacete. Mesmo com justificativas de que ele lembrava dela de momentos estressantes como aquele e que por isso seria compreensível, ele se confundir naquela situação desagradável e de pressão. Não engoli muito não, mas ele já tinha me chamado de mãe e de Cristina, a irmã, em outras brigas parecidas. Resolvi não dar muita bola.
Um tempo depois o ‘Renata’ apareceu numa situação corriqueira, tipo chamando para sair de casa logo. “Vamos Renata!”. Não fomos, claro. E o resto do dia foi dedicado a discutir porque Renata apareceu dessa vez. Mais blá blá blá e, outra vez, eu decidi deixar pra lá.
Aí, Renata deu uma sumida no mundo. Enquanto isso, nós evoluímos em nossa relação de ficantes, para namorados, depois moradores do mesmo local até efetivamente marido e mulher. E vivemos assim muito tempo até Renata ser convidada para jantar na casa dos meus sogros. Contei aqui. Foi uma coisa bem esquisita até porque quem veio me contar foi o próprio. Estratégia ou não, o fato dele mesmo vir me dizer achando a coisa meio estranha, fez com que eu ficasse sem argumentos para reclamar com ele. Se eu quisesse brigar com alguém, teria que ser com a minha sogra. Mas aí... deixei pra lá. Tenho uma grande tendência na vida a deixar pra lá, como já deve ter dado para perceber.
Eis que Renata aparece de novo. Há pouquíssimo tempo. Estávamos jantando na casa de um casal amigo. Conversas descontraídas. Falávamos sobre viagens. Situação nada estressante. Papo bom, companhia legal. Sai um:
- Claro que não, Renata.
- E aí, querido? Qual será a explicação desta vez?
(uns dez segundos em que ele ficou pensando. E o outro casal mudo na expectativa, assim como eu.)
- É que o Renato está na minha cabeça.
Foi a pior desculpa de todas as ‘Renatas’. Renato é um grande amigo dele, até aí, morreu Neves. E não estávamos falando do Renato. Ou seja, não tem desculpa. Mas aí o que eu ia fazer? Ia ficar pensando que ele ainda vê Renata? Ia fechar o tempo num jantar que estava no início e divertido? Ia ficar enchendo a paciência em busca de uma explicação plausível que eu sabia que não existia? Resolvi deixar pra lá...
A única. Sim, antes de mim, só houve a Renata. Diz ele que andou comendo umas por aí no curto período entre nós duas. Eu, sinceramente, acho difícil já que a pessoa conheceu Renata pirralho, namorou Renata uma eternidade, ficou solteiro apenas seis meses e se apaixonou por mim para sempre... Eu prefiro pensar assim e não parar muito pra tentar fazer as contas e ver se é possível ele ter se divertido uma vida em apenas seis meses. Eu aproveitei bastante a minha, mas tive uns aninhos aí antes da criança. E ah! um intervalo com ele mesmo em pleno carnaval carioca que foi o melhor de todos os tempos. Já ele, coitado, passou três meses chorando por mim... e não pegou ninguém!
Bom, contada a minha versão romântica dos fatos, o problema é que Renata ainda está entre nós. Não sempre. Mas volta e meia Renata não é morta.
A primeira vez que a moça surgiu foi bem no início do namoro. Estávamos caindo na porrada no carro quando ele solta um berro com algo como: “Puta que Pariu, Renata!”.
E o silêncio se fez presente. Serviu para desviar o foco e mudar o assunto da briga, mas fiquei puta pra cacete. Mesmo com justificativas de que ele lembrava dela de momentos estressantes como aquele e que por isso seria compreensível, ele se confundir naquela situação desagradável e de pressão. Não engoli muito não, mas ele já tinha me chamado de mãe e de Cristina, a irmã, em outras brigas parecidas. Resolvi não dar muita bola.
Um tempo depois o ‘Renata’ apareceu numa situação corriqueira, tipo chamando para sair de casa logo. “Vamos Renata!”. Não fomos, claro. E o resto do dia foi dedicado a discutir porque Renata apareceu dessa vez. Mais blá blá blá e, outra vez, eu decidi deixar pra lá.
Aí, Renata deu uma sumida no mundo. Enquanto isso, nós evoluímos em nossa relação de ficantes, para namorados, depois moradores do mesmo local até efetivamente marido e mulher. E vivemos assim muito tempo até Renata ser convidada para jantar na casa dos meus sogros. Contei aqui. Foi uma coisa bem esquisita até porque quem veio me contar foi o próprio. Estratégia ou não, o fato dele mesmo vir me dizer achando a coisa meio estranha, fez com que eu ficasse sem argumentos para reclamar com ele. Se eu quisesse brigar com alguém, teria que ser com a minha sogra. Mas aí... deixei pra lá. Tenho uma grande tendência na vida a deixar pra lá, como já deve ter dado para perceber.
Eis que Renata aparece de novo. Há pouquíssimo tempo. Estávamos jantando na casa de um casal amigo. Conversas descontraídas. Falávamos sobre viagens. Situação nada estressante. Papo bom, companhia legal. Sai um:
- Claro que não, Renata.
- E aí, querido? Qual será a explicação desta vez?
(uns dez segundos em que ele ficou pensando. E o outro casal mudo na expectativa, assim como eu.)
- É que o Renato está na minha cabeça.
Foi a pior desculpa de todas as ‘Renatas’. Renato é um grande amigo dele, até aí, morreu Neves. E não estávamos falando do Renato. Ou seja, não tem desculpa. Mas aí o que eu ia fazer? Ia ficar pensando que ele ainda vê Renata? Ia fechar o tempo num jantar que estava no início e divertido? Ia ficar enchendo a paciência em busca de uma explicação plausível que eu sabia que não existia? Resolvi deixar pra lá...
sábado, 18 de outubro de 2008
Deus, Dai-me Paciência
Situação: Eu e ELE deitados na cama, nos dois minutos iniciais em que eu consigo permanecer na posição abraçadinha. De repente, uma risada acontece bem no meu ouvido:
- Que foi?
- É que eu lembrei de uma vez em que a gente encheu o saco da minha mãe para ela abrir uma lata de marrom glacê pra gente comer. Ela não queria, mas acabou abrindo. Odiamos, mas aí ela fez a gente comer tudo. E ficamos lá chorando e comendo.
- E de onde veio isso?
- É que quando eu estava saindo da academia, parei ali no sambinha da Praia Vermelha e na música eles falaram em canjica. Aí, lembrei que eu não gosto de canjica e que eu também não gosto de manjar e que...
- Ah tá, foda-se.
- ok.
- O quê?
- Mais alguma explicação?
- É, realmente é muito esquisito você rir no meu ouvido do nada e eu perguntar do que se trata...
- O problema não é perguntar, é não ter paciência para ouvir a resposta.
Ele não deixa de ter razão. Deus, dai-me paciência...
- Que foi?
- É que eu lembrei de uma vez em que a gente encheu o saco da minha mãe para ela abrir uma lata de marrom glacê pra gente comer. Ela não queria, mas acabou abrindo. Odiamos, mas aí ela fez a gente comer tudo. E ficamos lá chorando e comendo.
- E de onde veio isso?
- É que quando eu estava saindo da academia, parei ali no sambinha da Praia Vermelha e na música eles falaram em canjica. Aí, lembrei que eu não gosto de canjica e que eu também não gosto de manjar e que...
- Ah tá, foda-se.
- ok.
- O quê?
- Mais alguma explicação?
- É, realmente é muito esquisito você rir no meu ouvido do nada e eu perguntar do que se trata...
- O problema não é perguntar, é não ter paciência para ouvir a resposta.
Ele não deixa de ter razão. Deus, dai-me paciência...
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Ode à Forma Simples
‘Às vezes não entendo coisas difíceis, escritas de forma simples’. Quase poética essa observação, não? Quase uma tese sobre a vida e o modo como a encaramos.
E ao contrário daquele chato das cuecas em degradée, a sinceridade fofa e transparente desse outro coleguinha de conversas aleatórias, me fez dar o sorrisinho com a viradinha de cabeça para o lado. Me fez pensar um pouquinho.
Mas não é? Porque pensa só: estamos tão acostumados a ter que interpretar o que realmente o fulano ou a fulana quis dizer, que quando nos deparamos com algo curto e direto, temos certa dificuldade em acreditar que aquilo é aquilo mesmo.
Imagina o diálogo da ‘trepadinha’. Não dá para supor que alguém teria coragem de dizer algo assim na lata, certo? E aí, é tão louco - olha só! - que mesmo sem conseguir achar uma interpretação, tem que haver uma explicação plausível. Tinha. Mas será que ninguém mais hoje em dia consegue ser simples e direto em suas conversas e diálogos por aí?
Não sou a favor da grosseria, da sinceridade por sinceridade que machuca. Não. Acho legal termos cuidado com as pessoas a nossa volta. Só tenho medo do exagero das entrelinhas. Que de romântico e sugestivo podem se tornar um pouco chatas e confusas.
E ao contrário daquele chato das cuecas em degradée, a sinceridade fofa e transparente desse outro coleguinha de conversas aleatórias, me fez dar o sorrisinho com a viradinha de cabeça para o lado. Me fez pensar um pouquinho.
Mas não é? Porque pensa só: estamos tão acostumados a ter que interpretar o que realmente o fulano ou a fulana quis dizer, que quando nos deparamos com algo curto e direto, temos certa dificuldade em acreditar que aquilo é aquilo mesmo.
Imagina o diálogo da ‘trepadinha’. Não dá para supor que alguém teria coragem de dizer algo assim na lata, certo? E aí, é tão louco - olha só! - que mesmo sem conseguir achar uma interpretação, tem que haver uma explicação plausível. Tinha. Mas será que ninguém mais hoje em dia consegue ser simples e direto em suas conversas e diálogos por aí?
Não sou a favor da grosseria, da sinceridade por sinceridade que machuca. Não. Acho legal termos cuidado com as pessoas a nossa volta. Só tenho medo do exagero das entrelinhas. Que de romântico e sugestivo podem se tornar um pouco chatas e confusas.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Velocidade de Cabeças
‘Sua cabeça funciona numa velocidade que eu não consigo acompanhar’. Isso é um elogio? Não consegui descobrir. Até porque foi escrito e não falado ao vivo. Ou seja, não teve tom, nem expressão.
Ou a pessoa é meio mongol, ou estava me achando um pouco demais, ou é simplesmente homem e não agüenta o tranco da cabeça de uma mulher como nós mulheres agüentamos o tranco das cabeças masculinas. Com todos os trocadilhos.
Não sou do time que gosta de discutir a relação. Acho bem chato, apesar de ser necessário de vez em quando. Aí, não tem jeito. Alguém tem que falar. E esse alguém somos nós, muito mais corajosas que vocês. Em qualquer situação. Se Deus nos tivesse dado também a força bruta, o mundo estaria totalmente dominado pelo grupo das meninas.
Mas não é disso que se trata meu pensamento de hoje. Não estava discutindo a relação. Até porque não tenho este tipo de relação com meu interlocutor da ocasião. Estava só jogando conversa fora, colocando assuntos aleatórios na roda. Aí, o sujeito reclama que eu não termino os assuntos em ordem?! Que mala! Deve guardar as cuecas em degradée...
Abre aspas: Querido, eu não termino todos os assuntos porque, por incrível que pareça!, nem todos os meus assuntos são interessantes. E eu tenho senso crítico para perceber que a coisa não vai dar em lugar nenhum e que morreu ali. Fecha aspas.
Tá, aí a pessoa argumenta que então não teria porquê voltar a um assunto mencionado, após já estar há um tempo se falando de outro diferente.
Abre aspas: Meu amor, se por acaso eu voltar a achar meu assunto interessante porque tive uma luz ou fui picada pelo bichinho que junta coisas aparentemente sem sentido, é óbvio que eu voltarei ao assunto. Fecha aspas.
Mas o chato não se convenceu e saiu achando que a minha cabeça funciona mais rápido do que deveria. Ok. Cada um com a sua velocidade de cabeça.
Ps: Enfim, levei os portugueses ao Maracanã. Já que o Fluminense não anda empolgando muito - apesar de ter ganho da última vez com gols do Washington lá no Atlético dele de coração -, decidimos ir ao jogo do Brasil. Uma coisa para turista mesmo. Maracanã, Seleção, distribuição de bandeirinhas, um show palhaçada lá no início, crianças assoprando aquela corneta insuportável, hino nacional, Kaká e Robinho em campo, placar 0 x 0... Enfim, um saco. Nunca tinha ido a jogo da Seleção no Maracanã, que eu me lembre. E arrisco dizer que não devo ir mais. Prefiro o Flu, ainda que bem mal das pernas...
Ou a pessoa é meio mongol, ou estava me achando um pouco demais, ou é simplesmente homem e não agüenta o tranco da cabeça de uma mulher como nós mulheres agüentamos o tranco das cabeças masculinas. Com todos os trocadilhos.
Não sou do time que gosta de discutir a relação. Acho bem chato, apesar de ser necessário de vez em quando. Aí, não tem jeito. Alguém tem que falar. E esse alguém somos nós, muito mais corajosas que vocês. Em qualquer situação. Se Deus nos tivesse dado também a força bruta, o mundo estaria totalmente dominado pelo grupo das meninas.
Mas não é disso que se trata meu pensamento de hoje. Não estava discutindo a relação. Até porque não tenho este tipo de relação com meu interlocutor da ocasião. Estava só jogando conversa fora, colocando assuntos aleatórios na roda. Aí, o sujeito reclama que eu não termino os assuntos em ordem?! Que mala! Deve guardar as cuecas em degradée...
Abre aspas: Querido, eu não termino todos os assuntos porque, por incrível que pareça!, nem todos os meus assuntos são interessantes. E eu tenho senso crítico para perceber que a coisa não vai dar em lugar nenhum e que morreu ali. Fecha aspas.
Tá, aí a pessoa argumenta que então não teria porquê voltar a um assunto mencionado, após já estar há um tempo se falando de outro diferente.
Abre aspas: Meu amor, se por acaso eu voltar a achar meu assunto interessante porque tive uma luz ou fui picada pelo bichinho que junta coisas aparentemente sem sentido, é óbvio que eu voltarei ao assunto. Fecha aspas.
Mas o chato não se convenceu e saiu achando que a minha cabeça funciona mais rápido do que deveria. Ok. Cada um com a sua velocidade de cabeça.
Ps: Enfim, levei os portugueses ao Maracanã. Já que o Fluminense não anda empolgando muito - apesar de ter ganho da última vez com gols do Washington lá no Atlético dele de coração -, decidimos ir ao jogo do Brasil. Uma coisa para turista mesmo. Maracanã, Seleção, distribuição de bandeirinhas, um show palhaçada lá no início, crianças assoprando aquela corneta insuportável, hino nacional, Kaká e Robinho em campo, placar 0 x 0... Enfim, um saco. Nunca tinha ido a jogo da Seleção no Maracanã, que eu me lembre. E arrisco dizer que não devo ir mais. Prefiro o Flu, ainda que bem mal das pernas...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Vivendo Divertidamente
Vamos lá, mais uma das minhas histórias divertidas. Têm acontecido tantas ultimamente que eu poderia fazer mais de um post por dia. Mas aí acho que o povo ia me achar over.
Enfim, estava eu e minha querida sócia Chamila Camomila no calor do Centro da Cidade, munidas de uma papelada considerável em busca do Escritório de Direitos Autorais, que é super fácil de chegar, mas demos tanta volta que eu não sei mais dizer exatamente onde é.
Nosso intuito era registrar um de nossos projetos super criativos. E após descer e subir algumas vezes um elevador daqueles bem caquéticos de brinquedo de parque temático americano, conseguimos chegar ao 12º andar, o nosso destino.
Hora de apresentar a documentação toda. Fui tirando da bolsa Identidade, ficha disso, ficha daquilo, sei lá quantas cópias, etc, etc, etc. Aí, a atendente – simpática, é importante dizer - após passar um tempinho olhando bem a xérox do meu CPF, vira-se para mim e pergunta:
- Quem é ‘fulano’?
Ao olhar pro papel, vi que, bem ao modo Adriana desligada de ser, eu havia xerocado o CPF DELE e não o meu. Mas antes que eu pudesse abrir a boca para explicar o mal entendido, escuto Camila, com uma bela e poderosa engroçada de voz, dizer diretamente à moça atenciosa:
- ‘Sou eu’.
Gente, vocês precisavam ver a cara da criatura olhando meio pasma para nós duas. Foi a melhor do dia. Saímos as duas loucas, rindo sem parar. Por essas e outras é que eu adoro o que eu faço e com quem eu faço.
Enfim, estava eu e minha querida sócia Chamila Camomila no calor do Centro da Cidade, munidas de uma papelada considerável em busca do Escritório de Direitos Autorais, que é super fácil de chegar, mas demos tanta volta que eu não sei mais dizer exatamente onde é.
Nosso intuito era registrar um de nossos projetos super criativos. E após descer e subir algumas vezes um elevador daqueles bem caquéticos de brinquedo de parque temático americano, conseguimos chegar ao 12º andar, o nosso destino.
Hora de apresentar a documentação toda. Fui tirando da bolsa Identidade, ficha disso, ficha daquilo, sei lá quantas cópias, etc, etc, etc. Aí, a atendente – simpática, é importante dizer - após passar um tempinho olhando bem a xérox do meu CPF, vira-se para mim e pergunta:
- Quem é ‘fulano’?
Ao olhar pro papel, vi que, bem ao modo Adriana desligada de ser, eu havia xerocado o CPF DELE e não o meu. Mas antes que eu pudesse abrir a boca para explicar o mal entendido, escuto Camila, com uma bela e poderosa engroçada de voz, dizer diretamente à moça atenciosa:
- ‘Sou eu’.
Gente, vocês precisavam ver a cara da criatura olhando meio pasma para nós duas. Foi a melhor do dia. Saímos as duas loucas, rindo sem parar. Por essas e outras é que eu adoro o que eu faço e com quem eu faço.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Trepadinha
Estava eu voltando da praia com: o primo português do meu marido; o melhor amigo do meu marido; e um amigo do amigo, quando esse último vira-se, dando uma batidinha malandra no meu ombro, e diz:
- E aí, vamos dar uma trepadinha?
Cinco segundos de silêncio em que todos, inclusive eu, tentamos entender de onde veio aquilo. Sim porque é importante dizer que estávamos em silêncio. Naquele vácuo que fica entre um assunto e outro, sabe?
Pois bem, passados os cinco segundos, eu quebrei o gelo:
- O quê???
E gargalhadas vieram de todos os lados. A mais alta foi do autor do convite que rapidamente tentou se explicar, um pouco sem graça para deleite geral, dizendo que estava se referindo a uma singela escalada.
Explicando: o menino gosta de trepar em morros por aí e faz muito isso aqui na Urca, pertinho da minha casa. Havia comentado comigo e eu falei para ele me chamar numa próxima vez.
O coitado foi tentar puxar assunto e lembrou do meu comentário passado. Mas, cá entre nós, quem usaria ‘trepadinha’ para chamar alguém para escalar? Só Marcos André...
- E aí, vamos dar uma trepadinha?
Cinco segundos de silêncio em que todos, inclusive eu, tentamos entender de onde veio aquilo. Sim porque é importante dizer que estávamos em silêncio. Naquele vácuo que fica entre um assunto e outro, sabe?
Pois bem, passados os cinco segundos, eu quebrei o gelo:
- O quê???
E gargalhadas vieram de todos os lados. A mais alta foi do autor do convite que rapidamente tentou se explicar, um pouco sem graça para deleite geral, dizendo que estava se referindo a uma singela escalada.
Explicando: o menino gosta de trepar em morros por aí e faz muito isso aqui na Urca, pertinho da minha casa. Havia comentado comigo e eu falei para ele me chamar numa próxima vez.
O coitado foi tentar puxar assunto e lembrou do meu comentário passado. Mas, cá entre nós, quem usaria ‘trepadinha’ para chamar alguém para escalar? Só Marcos André...
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Concursos e Promoções
Acabei de ver uma coisa que eu sempre pensei em fazer: uma menina que dedica a vida a participar de concursos e promoções dos mais diversos temas e áreas. Pensa só: não é genial?
E, não. Não envolve sorte, só foco. É bem diferente. Até o mais azarado dos seres, se sentar a bunda na cadeira de manhã até à noite e se dedicar só a pesquisar o que há de promoções em pauta, alguma coisa vai ganhar. E muito provavelmente, algumas. Não pode ficar escolhendo só o que gosta. É aquela história de atirar para todos os lados. Tá, a pessoa precisa ser um pouquinho criativa, mas só um pouquinho mesmo, porque nem todas as promoções necessitam de respostas geniais. A maioria, aliás, é bem pobrinha de sofisticação.
Então, no jornal da tarde agora, saiu uma reportagem de uma menina que faz exatamente isso da vida. Gasta seu tempo livre investindo em sorteios sem precisar sequer sair de casa. Nessa, já ganhou carro, viagens e zilhões de produtos, serviços e mordomias. Assim, ela conseguiu passar por experiências exóticas como um spa na África do Sul e um dia de princesa no Gugu.
O problema, o meu pelo menos, esbarra na tal falta de paciência. Deve ser infernal passar o dia a preencher cadastros. Ainda que usando Control C, Control V. Mesmo com expectativa de recompensas melhores do que em alguns cargos do funcionalismo público em que só se preenche fichas mesmo.
E há também um certo preconceito interno. ‘Você não vai fazer nada de útil da vida? Só ficar na internet atrás de prêmios?’ Como se ganhar uma viagem com tudo pago para sei lá onde não fosse útil...
E, olha, daria para ir além e transformar o inútil efetivamente em negócio. Imagina uma empresa só para fazer isso pelos outros. As pessoas pagariam uma mensalidade e disponibilizariam seus dados pessoais. Contrata-se uns estagiários espertinhos e subvalorizados só para preencher cadastros e dar respostas antenadas mais ou menos de acordo com os perfis dos associados. Quanto mais o cliente ganhasse coisinhas, mais ia divulgar sua empresa sem querer até. Mas atenção! Seria um clube restrito. Algo com muita cara de privê para não dar a idéia de que muitos associados dificultariam as chances dos antigos. Ao atingir um patamar ‘x’ de, sei lá, 100 sócios, o clube fecha. Só entra quando alguém sair. E mesmo assim, pagando-se, no mínimo, o dobro ou o triplo. Depende da procura.
Não é uma idéia?! Podem roubar. Eu realmente adoraria, mas não sou capaz... Boa sorte.
E, não. Não envolve sorte, só foco. É bem diferente. Até o mais azarado dos seres, se sentar a bunda na cadeira de manhã até à noite e se dedicar só a pesquisar o que há de promoções em pauta, alguma coisa vai ganhar. E muito provavelmente, algumas. Não pode ficar escolhendo só o que gosta. É aquela história de atirar para todos os lados. Tá, a pessoa precisa ser um pouquinho criativa, mas só um pouquinho mesmo, porque nem todas as promoções necessitam de respostas geniais. A maioria, aliás, é bem pobrinha de sofisticação.
Então, no jornal da tarde agora, saiu uma reportagem de uma menina que faz exatamente isso da vida. Gasta seu tempo livre investindo em sorteios sem precisar sequer sair de casa. Nessa, já ganhou carro, viagens e zilhões de produtos, serviços e mordomias. Assim, ela conseguiu passar por experiências exóticas como um spa na África do Sul e um dia de princesa no Gugu.
O problema, o meu pelo menos, esbarra na tal falta de paciência. Deve ser infernal passar o dia a preencher cadastros. Ainda que usando Control C, Control V. Mesmo com expectativa de recompensas melhores do que em alguns cargos do funcionalismo público em que só se preenche fichas mesmo.
E há também um certo preconceito interno. ‘Você não vai fazer nada de útil da vida? Só ficar na internet atrás de prêmios?’ Como se ganhar uma viagem com tudo pago para sei lá onde não fosse útil...
E, olha, daria para ir além e transformar o inútil efetivamente em negócio. Imagina uma empresa só para fazer isso pelos outros. As pessoas pagariam uma mensalidade e disponibilizariam seus dados pessoais. Contrata-se uns estagiários espertinhos e subvalorizados só para preencher cadastros e dar respostas antenadas mais ou menos de acordo com os perfis dos associados. Quanto mais o cliente ganhasse coisinhas, mais ia divulgar sua empresa sem querer até. Mas atenção! Seria um clube restrito. Algo com muita cara de privê para não dar a idéia de que muitos associados dificultariam as chances dos antigos. Ao atingir um patamar ‘x’ de, sei lá, 100 sócios, o clube fecha. Só entra quando alguém sair. E mesmo assim, pagando-se, no mínimo, o dobro ou o triplo. Depende da procura.
Não é uma idéia?! Podem roubar. Eu realmente adoraria, mas não sou capaz... Boa sorte.
domingo, 12 de outubro de 2008
Quando Não Pode
Dizem que o proibido é mais sedutor. Será? Será que é só porque é proibido que chama mais a atenção? Não pode acontecer de você de repente se ver querendo algo que não pode, mas porque combina com você, porque te chamaria atenção ainda que permitido, você quer? Pode, claro que pode.
E aí? E aí, nada. A verdade é que não pode. Tipo criança quando pega algo do chão e a gente diz: não pode. Disse ‘não pode’ hoje para o meu afilhado algumas vezes. Passei o dia todo com ele. Dia das crianças. E falei tanto ‘não pode’ que fiquei me imaginado no lugar dele. Eu para ele sou a vida para mim. Eu a falar não pode para ele. A vida a falar não pode para mim.
Sou tão criança quanto ele querendo coisas que estão ali na minha frente e que me parecem tão interessantes quanto pedrinhas brilhantes na terra. Mas aí, alguém do parquinho disse que as pedrinhas dão coceira. Machucam. Não pode. E passei a tarde a tirar pedrinhas brilhantes da mão ávida e afoita de uma criança.
No fundo, no fundo, a gente nunca perde o ímpeto infantil de abaixar e colocar a mão nas pedrinhas proibidas. A diferença é que quando criança, um adulto tira da sua mão. Quando adulto, geralmente você mesmo solta as pedrinhas antes de colocá-las na boca.
É só, que a tarde infantil me deu uma canseira danada e eu estou filosofando sem muito saco de filosofar. Feliz Dia das Crianças. Para todos.
E aí? E aí, nada. A verdade é que não pode. Tipo criança quando pega algo do chão e a gente diz: não pode. Disse ‘não pode’ hoje para o meu afilhado algumas vezes. Passei o dia todo com ele. Dia das crianças. E falei tanto ‘não pode’ que fiquei me imaginado no lugar dele. Eu para ele sou a vida para mim. Eu a falar não pode para ele. A vida a falar não pode para mim.
Sou tão criança quanto ele querendo coisas que estão ali na minha frente e que me parecem tão interessantes quanto pedrinhas brilhantes na terra. Mas aí, alguém do parquinho disse que as pedrinhas dão coceira. Machucam. Não pode. E passei a tarde a tirar pedrinhas brilhantes da mão ávida e afoita de uma criança.
No fundo, no fundo, a gente nunca perde o ímpeto infantil de abaixar e colocar a mão nas pedrinhas proibidas. A diferença é que quando criança, um adulto tira da sua mão. Quando adulto, geralmente você mesmo solta as pedrinhas antes de colocá-las na boca.
É só, que a tarde infantil me deu uma canseira danada e eu estou filosofando sem muito saco de filosofar. Feliz Dia das Crianças. Para todos.
sábado, 11 de outubro de 2008
Dois em Um
Não ia escrever sobre isso. ‘Isso’ é um episódio que me aconteceu envolvendo eu e meu carro. Mas depois que um segundo episódio envolveu mais uma vez os mesmos protagonistas - eu e meu carro -, decidi que era assunto de post.
Anteontem (é assim que escreve?), foi um dia um pouco corrido e confuso, em que eu entrei e saí de vários shoppings de 11h da manhã às 21h da noite. E engana-se quem acha que foi um tour para fazer compras. Não, não. Morro assassinada se faço um troço desses. Por incrível que pareça, foi por trabalho.
Então, no último deles, o fatídico e esquisito Shopping Leblon, exausta na hora de pagar o estacionamento, cadê o papelzinho? Sei que tem um monte de gente achando que já passou por isso também. Mas calma que é muito pior. Procura daqui, procura dali, nada. Desisti de achar. Havia perdido, paciência. Comecei a me inteirar dos procedimentos para sair de lá sem o tal papel. Depois de percorrer grandes e desertos corredores, cheguei em um local chamado de administração do shopping. Contei minha história triste em tons ao mesmo tempo histéricos e sedutores para alguém me liberar sem eu ter que pagar uma fortuna. Ficou combinado que eu pagaria um preço meio termo. Momento de mostrar os documentos e dizer a placa. E cadê que a placa aparecia no sistema? Comecei a me irritar mais e mais e a explanar aos quatro cantos o absurdo que era a desorganização do local. Gritei e esperneei até um carinha lá aceitar me acompanhar até o veículo, onde ele compararia a placa do carro com a do documento. Ok, fomos.
- Qual o G que a Sra. parou?
(...)
- Senhora?
- Calma aí que eu tô pensando!
(...)
Cedi: - Não lembro.
Percorremos eu e o carinha todas as garagens do shopping e nadica de nada. - Caralho, roubaram meu carro!? Mas foi nesse instante que decidi analisar os fatos até ali: 1) eu não tinha achado um papel. 2) minha placa não constava no sistema. 3) Meu carro não estava em lugar nenhum.
- PQP! Eu parei do lado de fora. (e a imagem da vaga externa e super bem-vinda há três horas, me deixou morta de vergonha... Saí de cabeça baixa e prometendo nunca mais voltar ao Shopping Leblon).
Dois dias depois, hoje, voltei. Pois é, sou péssima com promessas, como já dizia meu querido marido...
E, juro por Deus, outra coisa me acontece. O papel estava lá. Achei e paguei. Eu lembrava direitinho o G que eu tinha parado. Mas cadê o carro? Caralho... só pode ser piada...
Enfim, o fato é que desta vez, eu não reconheci o meu carro. É que, desde que o moçoilo fez a tal trilha em Niterói que deixou o bichinho sujo mesmo de lama, eu não o vi nenhuma vez com luz natural batendo. E lá na garagem do Shopping Leblon, os arquitetos puseram a luz do dia fortíssima batendo. Daí, passei batida pelo meu próprio veículo, como eles chamam, três vezes! Até um dos adesivos de playboy que estão colados à contra-gosto no vidro traseiro, me tirar da escuridão.
Só eu, né? Vai ser desligada assim na PUTA QUE PARIU, com todas as letras!
Anteontem (é assim que escreve?), foi um dia um pouco corrido e confuso, em que eu entrei e saí de vários shoppings de 11h da manhã às 21h da noite. E engana-se quem acha que foi um tour para fazer compras. Não, não. Morro assassinada se faço um troço desses. Por incrível que pareça, foi por trabalho.
Então, no último deles, o fatídico e esquisito Shopping Leblon, exausta na hora de pagar o estacionamento, cadê o papelzinho? Sei que tem um monte de gente achando que já passou por isso também. Mas calma que é muito pior. Procura daqui, procura dali, nada. Desisti de achar. Havia perdido, paciência. Comecei a me inteirar dos procedimentos para sair de lá sem o tal papel. Depois de percorrer grandes e desertos corredores, cheguei em um local chamado de administração do shopping. Contei minha história triste em tons ao mesmo tempo histéricos e sedutores para alguém me liberar sem eu ter que pagar uma fortuna. Ficou combinado que eu pagaria um preço meio termo. Momento de mostrar os documentos e dizer a placa. E cadê que a placa aparecia no sistema? Comecei a me irritar mais e mais e a explanar aos quatro cantos o absurdo que era a desorganização do local. Gritei e esperneei até um carinha lá aceitar me acompanhar até o veículo, onde ele compararia a placa do carro com a do documento. Ok, fomos.
- Qual o G que a Sra. parou?
(...)
- Senhora?
- Calma aí que eu tô pensando!
(...)
Cedi: - Não lembro.
Percorremos eu e o carinha todas as garagens do shopping e nadica de nada. - Caralho, roubaram meu carro!? Mas foi nesse instante que decidi analisar os fatos até ali: 1) eu não tinha achado um papel. 2) minha placa não constava no sistema. 3) Meu carro não estava em lugar nenhum.
- PQP! Eu parei do lado de fora. (e a imagem da vaga externa e super bem-vinda há três horas, me deixou morta de vergonha... Saí de cabeça baixa e prometendo nunca mais voltar ao Shopping Leblon).
Dois dias depois, hoje, voltei. Pois é, sou péssima com promessas, como já dizia meu querido marido...
E, juro por Deus, outra coisa me acontece. O papel estava lá. Achei e paguei. Eu lembrava direitinho o G que eu tinha parado. Mas cadê o carro? Caralho... só pode ser piada...
Enfim, o fato é que desta vez, eu não reconheci o meu carro. É que, desde que o moçoilo fez a tal trilha em Niterói que deixou o bichinho sujo mesmo de lama, eu não o vi nenhuma vez com luz natural batendo. E lá na garagem do Shopping Leblon, os arquitetos puseram a luz do dia fortíssima batendo. Daí, passei batida pelo meu próprio veículo, como eles chamam, três vezes! Até um dos adesivos de playboy que estão colados à contra-gosto no vidro traseiro, me tirar da escuridão.
Só eu, né? Vai ser desligada assim na PUTA QUE PARIU, com todas as letras!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Teste do Sofá com Efeitos Tardios
Lá vem polêmica, hein. Sou chegada e a minha vida anda muito certinha... Por isso, vocês não imaginam a minha alegria de criança em estar aqui prestes a colocar ‘no papel’ um monte de idéias e pensamentos não ortodoxos. Estou tropeçando pelos dedos de tanta vontade de sair escrevendo tudo rápido pra não esquecer o que ronda a minha cabecinha.
As coisas foram se juntando enquanto eu corria. Me atrasei e acabei saindo para minha corrida de fim de tarde ontem exatamente na ‘Hora do Brasil’. Ninguém merece. Aí, desliguei o radinho e corri só com meus pensamentos. Fiquei impressionada com a quantidade deles. Aliás, não paro nunca de me surpreender com quanta coisa convive – nada em paz – dentro da minha caixola. São várias vozes lutando por atenção. E é guerra mesmo, porque não tem nenhuma personalidade apagadinha, sabe? É tudo no mais puro estilo Adriana de ser. Agora chega disso que eu tenho verdadeiro pavor dessas pessoas que falam de si em terceira ou outras pessoas que não seja a primeira do singular.
Por isso, eu, Adriana, danei a pensar que um montão de coisas que fiz lá atrás na vida estão sendo incrivelmente úteis hoje. E o mais bacana é que nenhuma delas foi feita de caso pensado. Dei por dar. Pelo simples ato sexual em si. Sem busca de favores.
Mas tenho que admitir que esses favores, gentilezas, quebra-galhos, simpatias ou o que seja estão caindo como uma luva atualmente.
Já falei aqui que eu não sou nem um pouco contra pistolão ou coisas do gênero. Acho que cada um joga com as suas armas e esse negócio de que o mundo é injusto e blá blá blá é um puta de um assunto chato que só usa quem fica sentado esperando as coisas caírem do céu. Quem levanta é para se virar. E se a pessoa vai virar de costas ou não, o problema é dela.
Aí, vem outros chatos dizerem que mulher se dá melhor porque é mulher e mais blá blá blá. Ah, pára de encher ou então vira viado que dá quase no mesmo ou, se bobear, sai na frente.
O fato é que existem dois caminhos principais e bem mais rápidos para se conseguir certas coisas: puxando o saco – sem nenhuma conotação sexual – ou lambendo o saco – com conotação sexual.
Prefiro a segunda. Aliás, só nasci para fazer a segunda. A primeira nem tentando muito. Minha soberana falta de paciência se impõe de uma forma admirável.
Mas, então, o mais legal da história no meu caso e na minha cabeça é que estou conseguindo um montão de coisas super necessárias nesse momento específico da minha vida por causa de sacos lambidos no passado por livre e espontânea vontade. Não é incrível? Fiquei até com um certo receio de precisar fazer de novo. Mas até agora só o passado me condena. O presente tem me mantido um poço de profissionalismo e inocência.
Por isso, chamei de teste do sofá tardio. Estou colhendo os louros (tem mais morenos. Gosto mais.) só agora. De braços abertos. As pernas estão comportadas.
As coisas foram se juntando enquanto eu corria. Me atrasei e acabei saindo para minha corrida de fim de tarde ontem exatamente na ‘Hora do Brasil’. Ninguém merece. Aí, desliguei o radinho e corri só com meus pensamentos. Fiquei impressionada com a quantidade deles. Aliás, não paro nunca de me surpreender com quanta coisa convive – nada em paz – dentro da minha caixola. São várias vozes lutando por atenção. E é guerra mesmo, porque não tem nenhuma personalidade apagadinha, sabe? É tudo no mais puro estilo Adriana de ser. Agora chega disso que eu tenho verdadeiro pavor dessas pessoas que falam de si em terceira ou outras pessoas que não seja a primeira do singular.
Por isso, eu, Adriana, danei a pensar que um montão de coisas que fiz lá atrás na vida estão sendo incrivelmente úteis hoje. E o mais bacana é que nenhuma delas foi feita de caso pensado. Dei por dar. Pelo simples ato sexual em si. Sem busca de favores.
Mas tenho que admitir que esses favores, gentilezas, quebra-galhos, simpatias ou o que seja estão caindo como uma luva atualmente.
Já falei aqui que eu não sou nem um pouco contra pistolão ou coisas do gênero. Acho que cada um joga com as suas armas e esse negócio de que o mundo é injusto e blá blá blá é um puta de um assunto chato que só usa quem fica sentado esperando as coisas caírem do céu. Quem levanta é para se virar. E se a pessoa vai virar de costas ou não, o problema é dela.
Aí, vem outros chatos dizerem que mulher se dá melhor porque é mulher e mais blá blá blá. Ah, pára de encher ou então vira viado que dá quase no mesmo ou, se bobear, sai na frente.
O fato é que existem dois caminhos principais e bem mais rápidos para se conseguir certas coisas: puxando o saco – sem nenhuma conotação sexual – ou lambendo o saco – com conotação sexual.
Prefiro a segunda. Aliás, só nasci para fazer a segunda. A primeira nem tentando muito. Minha soberana falta de paciência se impõe de uma forma admirável.
Mas, então, o mais legal da história no meu caso e na minha cabeça é que estou conseguindo um montão de coisas super necessárias nesse momento específico da minha vida por causa de sacos lambidos no passado por livre e espontânea vontade. Não é incrível? Fiquei até com um certo receio de precisar fazer de novo. Mas até agora só o passado me condena. O presente tem me mantido um poço de profissionalismo e inocência.
Por isso, chamei de teste do sofá tardio. Estou colhendo os louros (tem mais morenos. Gosto mais.) só agora. De braços abertos. As pernas estão comportadas.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Trânsito
Odeio trânsito. Trânsito de carro parado. Prefiro levar mais tempo para chegar a algum lugar andando, do que menos tempo, mas quase parada. Por isso, sou daquelas pessoas que ficam tentando pegar caminhos alternativos. E, sim, já tive milhões de provas de que isso nunca dá certo. E, pior, na maioria das vezes você se complica ainda mais.
Mas não tem jeito. É mais forte que eu. Se estou parada e aparece uma ruazinha ali à direita, eu sigo. Nem sempre sei onde aquilo vai dar. Posso ser sincera e assumir que, na maior parte das vezes, eu não resolvi o meu problema do trânsito. Mas... Mas amenizei o meu problema de tédio. E isso já é alguma coisa. Muita coisa.
Odeio tédio mais do que eu odeio trânsito. Música me distrai um pouco. Mas eu logo percebo que eu estou ali parada. Uma pessoa junto no carro só piora. Levando em consideração que eu fico intragável, as chances de uma discussão (se for alguém com uma certa intimidade) ou de uma explosão (se for alguém com quem eu tenha que aparentar normalidade) são altas, bem altas.
Uma das coisas de que mais tenho pavor de ficar parada no trânsito é que começo a pensar na vida. E pensar na vida entediada, presa dentro de um carro não é legal. Questões já resolvidas voltam à cabeça. Outras coisas que você nem tinha tempo de pensar e por isso mesmo estavam lá quietinhas no canto delas, surgem de repente, querendo solução. Você lembra de um monte de coisas que tem que fazer e não fez. Uma vai puxando a outra, culpados escondidos vão aparecendo e as dúvidas. Pqp como eu tenho raiva das dúvidas! Dúvida só serve para confundir mesmo. Enfim, não gosto de pensar na vida.
Por isso, desde que eu comecei a dirigir, são nove anos (caralho! Fiz 18 há 9 anos!) de dedicação a achar coisas que disfarcem meu tédio no trânsito. Hoje inventei uma nova brincadeira que pode até virar roteiro de curta-metragem.
Estava eu na Lagoa-barra (o que fazia eu lá, às 20h?? burra para c...) quando o mundo parou. Nem sinal de caminhos alternativos. Estava presa. Precavida que sou, antes do tédio invadir ou da vida rondar, comecei a fazer o seguinte: olhava para os carros do meu lado, na frente, atrás, enfim, os carros que estavam próximos e começava a inventar uma historinha para cada pessoa que estava dentro deles.
Assim: do meu lado tinha um velhinho em um táxi, com uma cara meio tristinha. Aí, fingi que ele tinha trabalhado a vida toda e juntado uma grana boa. Com esse dinheiro, abriu um negócio com um amigo que veio do norte, onde ele também morava. O negócio deu certo, cresceu e eles estavam super bem. Um belo dia, o cara sumiu com tudo e deixou o velhinho sem nada. Sem alternativa, ele teve que começar a trabalhar de novo e alugou um táxi.
Atrás, tinha um casal num carro preto grande que eu nem sei qual era. (não sou muito boa nisso, o que deixa meu marido, viciado em carro, um pouco irritado). Os dois estavam, há uns 10 minutos, mudos, olhando para a frente sem trocar uma palavra. Na minha historinha, estavam indo para a festa de 70 anos do pai dela. (ela estava toda maquiada) e como já haviam discutido em casa, porque ele não queria ir, agora estavam sem se falar. Ele pensava que era a última vez que estava fazendo algo que não queria e ela pensava em como ele era injusto, ingrato e egoísta.
Na frente, um cara num chevete (esse eu ainda sei reconhecer!) que tinha acabado de jogar uma lata vazia de cerveja pela janela. Preconceitos à parte, no meu roteiro virou um pé-rapado, que estava indo numa festa num condomínio na Barra com churrasquinho, pagode e funk.
Do outro lado, um garoto, sei lá de uns 20 anos, roendo unha. Esse estava indo pegar uma menina para sair pela primeira vez. A infeliz mora na Barra e fez com que eles marcassem um cinema no infernal New York City Center. Ele já está atrasado, começando mal. Está nervoso, ela não atende o celular.
E assim foi até eu chegar em São Conrado, quando peguei o Joá (dane-se se é perigoso) e fui me divertindo com curvas até a Barra. Cheguei de bom-humor, com uma idéia na cabeça e simpática com todo mundo!
Se eu não fosse maluca, ia acabar ficando louca...
Mas não tem jeito. É mais forte que eu. Se estou parada e aparece uma ruazinha ali à direita, eu sigo. Nem sempre sei onde aquilo vai dar. Posso ser sincera e assumir que, na maior parte das vezes, eu não resolvi o meu problema do trânsito. Mas... Mas amenizei o meu problema de tédio. E isso já é alguma coisa. Muita coisa.
Odeio tédio mais do que eu odeio trânsito. Música me distrai um pouco. Mas eu logo percebo que eu estou ali parada. Uma pessoa junto no carro só piora. Levando em consideração que eu fico intragável, as chances de uma discussão (se for alguém com uma certa intimidade) ou de uma explosão (se for alguém com quem eu tenha que aparentar normalidade) são altas, bem altas.
Uma das coisas de que mais tenho pavor de ficar parada no trânsito é que começo a pensar na vida. E pensar na vida entediada, presa dentro de um carro não é legal. Questões já resolvidas voltam à cabeça. Outras coisas que você nem tinha tempo de pensar e por isso mesmo estavam lá quietinhas no canto delas, surgem de repente, querendo solução. Você lembra de um monte de coisas que tem que fazer e não fez. Uma vai puxando a outra, culpados escondidos vão aparecendo e as dúvidas. Pqp como eu tenho raiva das dúvidas! Dúvida só serve para confundir mesmo. Enfim, não gosto de pensar na vida.
Por isso, desde que eu comecei a dirigir, são nove anos (caralho! Fiz 18 há 9 anos!) de dedicação a achar coisas que disfarcem meu tédio no trânsito. Hoje inventei uma nova brincadeira que pode até virar roteiro de curta-metragem.
Estava eu na Lagoa-barra (o que fazia eu lá, às 20h?? burra para c...) quando o mundo parou. Nem sinal de caminhos alternativos. Estava presa. Precavida que sou, antes do tédio invadir ou da vida rondar, comecei a fazer o seguinte: olhava para os carros do meu lado, na frente, atrás, enfim, os carros que estavam próximos e começava a inventar uma historinha para cada pessoa que estava dentro deles.
Assim: do meu lado tinha um velhinho em um táxi, com uma cara meio tristinha. Aí, fingi que ele tinha trabalhado a vida toda e juntado uma grana boa. Com esse dinheiro, abriu um negócio com um amigo que veio do norte, onde ele também morava. O negócio deu certo, cresceu e eles estavam super bem. Um belo dia, o cara sumiu com tudo e deixou o velhinho sem nada. Sem alternativa, ele teve que começar a trabalhar de novo e alugou um táxi.
Atrás, tinha um casal num carro preto grande que eu nem sei qual era. (não sou muito boa nisso, o que deixa meu marido, viciado em carro, um pouco irritado). Os dois estavam, há uns 10 minutos, mudos, olhando para a frente sem trocar uma palavra. Na minha historinha, estavam indo para a festa de 70 anos do pai dela. (ela estava toda maquiada) e como já haviam discutido em casa, porque ele não queria ir, agora estavam sem se falar. Ele pensava que era a última vez que estava fazendo algo que não queria e ela pensava em como ele era injusto, ingrato e egoísta.
Na frente, um cara num chevete (esse eu ainda sei reconhecer!) que tinha acabado de jogar uma lata vazia de cerveja pela janela. Preconceitos à parte, no meu roteiro virou um pé-rapado, que estava indo numa festa num condomínio na Barra com churrasquinho, pagode e funk.
Do outro lado, um garoto, sei lá de uns 20 anos, roendo unha. Esse estava indo pegar uma menina para sair pela primeira vez. A infeliz mora na Barra e fez com que eles marcassem um cinema no infernal New York City Center. Ele já está atrasado, começando mal. Está nervoso, ela não atende o celular.
E assim foi até eu chegar em São Conrado, quando peguei o Joá (dane-se se é perigoso) e fui me divertindo com curvas até a Barra. Cheguei de bom-humor, com uma idéia na cabeça e simpática com todo mundo!
Se eu não fosse maluca, ia acabar ficando louca...
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Nada É por Acaso
Não, por favor, nada de espiritismo. Sei que há um livro famosérrimo da Zíbia sei lá das quantas que tem esse título. Mas não sou espírita, para desgosto do meu pai, e muito menos leio livro da Zíbia que tem um filho dono de um dos programas mais trashes da TV. E trash no mau sentido. Porque há trashes e trashes e esse é o trash do mau, do demo, para ficarmos no campo religioso.
Meu ‘nada é por acaso’ é mais simples. Simplório, fica melhor. Tudo começou com Miguel, um dos portugas, que me pediu uma caixinha para guardar a coleção de moedas que está se formando na mesinha de cabeceira dele. Catei, mas não encontrei nenhum compartimento adaptável.
Até que andando pela Marechal Cantuária, a única rua da Urca onde vende-se coisas, passei por uma lotérica que além de aceitar apostas, vende trecos. Sei lá porquê, parei e entrei para olhar os trecos. Aí, avistei um simpático cofrinho em forma de porquinho todo pintado com temática tricolor. Tá, meu time não tá merecendo minha simpatia, mas quem é que resiste ao escudo do Fluminense? Eu ainda não consigo. É como olhar para o Marcelo Antony ou para o George Clooney, meus musos quarentões.
Enfim, comprei o porquinho para dar de presente a Miguel. Ele merece. Mesmo tendo chegado ao Brasil numa época em que o Flu não anda essas coisas, fez questão de escolher meu time para chamar de seu, comprou uma camisa e a veste com orgulho, vai entender...
O fato é que as moedas do Miguel, depois o escudo tricolor e, por último, o porquinho associado ao tema econômico e a alguém que eu gosto muito fizeram com que eu tivesse idéias bacanas e resolvesse coisas importantíssimas de trabalho hoje.
Viu, simplório. Como eu gosto.
Meu ‘nada é por acaso’ é mais simples. Simplório, fica melhor. Tudo começou com Miguel, um dos portugas, que me pediu uma caixinha para guardar a coleção de moedas que está se formando na mesinha de cabeceira dele. Catei, mas não encontrei nenhum compartimento adaptável.
Até que andando pela Marechal Cantuária, a única rua da Urca onde vende-se coisas, passei por uma lotérica que além de aceitar apostas, vende trecos. Sei lá porquê, parei e entrei para olhar os trecos. Aí, avistei um simpático cofrinho em forma de porquinho todo pintado com temática tricolor. Tá, meu time não tá merecendo minha simpatia, mas quem é que resiste ao escudo do Fluminense? Eu ainda não consigo. É como olhar para o Marcelo Antony ou para o George Clooney, meus musos quarentões.
Enfim, comprei o porquinho para dar de presente a Miguel. Ele merece. Mesmo tendo chegado ao Brasil numa época em que o Flu não anda essas coisas, fez questão de escolher meu time para chamar de seu, comprou uma camisa e a veste com orgulho, vai entender...
O fato é que as moedas do Miguel, depois o escudo tricolor e, por último, o porquinho associado ao tema econômico e a alguém que eu gosto muito fizeram com que eu tivesse idéias bacanas e resolvesse coisas importantíssimas de trabalho hoje.
Viu, simplório. Como eu gosto.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Pedras Portuguesas
Tenho praticado muito o desapego. É um exercício diário e forçado. Sou chata. Falei isso já, né? Mas engana-se quem pensou que minha chatice se resume a ser meio travada. Não. Minha chatice abrange temas como: chata com quem usa as minhas coisas, chata com quem tira as minhas coisas do lugar, chata com quem come as minhas coisas... chata com qualquer coisa que envolva as minhas coisas. E esse ‘minhas’ não necessariamente é tão ‘minhas’ assim. Deveria ser de todos. Mas eu não vejo assim. Desde muito nova, quando minha luta era só com Tatiana Maia.
Pois bem. Morar sozinha acostuma mal o ser humano. Um ser humano com tendências egoístas então... Sou esse aí. Tenho muita pré-disposição ao egoísmo e prezo bastante a privacidade. Nunca morei sozinha, sozinha. Mas morar com o meu marido é quase isso já que o cara é quase um escravo dos Senhores Feudais Portugueses. Desde que o conheço ele trabalha de domingo a domingo, salvo raríssimas exceções e nem estou falando de feriados, natal e ano novo. Esses são os dias em que mais se trabalha, aliás. E quando ele chegava em casa, não tinha força para mexer nas minhas coisas. Quem sempre mexeu e decidiu tudo fui eu. Nunca declarei, mas sou totalmente a favor da ditadura dentro de casa.
Agora, cada dia é uma surpresa. Cadê o pão preto que estava aqui? O João comeu. Cadê o João? Está procurando o chocolate. Cadê o chocolate? O Miguel comeu. Cadê o Miguel? Está monopolizando a TV...
Tá. Ainda gosto deles. E eles são muito menos intrusos do que parecem na minha descrição simpática. A chata sou eu mesmo. E é por isso que comecei dizendo que estou praticando o desapego. Acho que vai ser bom para mim. Até para o futuro. Se dois marmanjos me cutucam, imagina crianças!? Como farei para adestrar meus filhos?
Mas enquanto não encontro a cura da chatice, encaro meus novos moradores como pedras no meu caminho.
No meio do caminha tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. No meu caminho, são pedras, assim no plural. E portuguesas!
Pois bem. Morar sozinha acostuma mal o ser humano. Um ser humano com tendências egoístas então... Sou esse aí. Tenho muita pré-disposição ao egoísmo e prezo bastante a privacidade. Nunca morei sozinha, sozinha. Mas morar com o meu marido é quase isso já que o cara é quase um escravo dos Senhores Feudais Portugueses. Desde que o conheço ele trabalha de domingo a domingo, salvo raríssimas exceções e nem estou falando de feriados, natal e ano novo. Esses são os dias em que mais se trabalha, aliás. E quando ele chegava em casa, não tinha força para mexer nas minhas coisas. Quem sempre mexeu e decidiu tudo fui eu. Nunca declarei, mas sou totalmente a favor da ditadura dentro de casa.
Agora, cada dia é uma surpresa. Cadê o pão preto que estava aqui? O João comeu. Cadê o João? Está procurando o chocolate. Cadê o chocolate? O Miguel comeu. Cadê o Miguel? Está monopolizando a TV...
Tá. Ainda gosto deles. E eles são muito menos intrusos do que parecem na minha descrição simpática. A chata sou eu mesmo. E é por isso que comecei dizendo que estou praticando o desapego. Acho que vai ser bom para mim. Até para o futuro. Se dois marmanjos me cutucam, imagina crianças!? Como farei para adestrar meus filhos?
Mas enquanto não encontro a cura da chatice, encaro meus novos moradores como pedras no meu caminho.
No meio do caminha tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. No meu caminho, são pedras, assim no plural. E portuguesas!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A La Cláudio Paiva
- Oi! Que bom encontrar com você. Estava há um tempão pensando nisso.
- Oi.
- Eu me separei também, sabia?
- Ah é?
- É. Não estava dando certo. Muito tempo juntos. O relacionamento se desgastou sozinho, sabe? Não é culpa de ninguém. Não tinha mais paixão. Estávamos vivendo como dois velhos amigos. Meio devagar quase parando.
- Que pena.
- Ah, vai dizer que você não ficou feliz?
- Hã? Não, por que eu ficaria feliz? Separação é sempre uma coisa sofrida.
- Na verdade, estou aliviado. Só tenho pena pelas crianças. Mas também não estava sendo bom para elas.
- Bom, se cuida.
- Ei! Mas e você?
- Eu o quê?
- Separou por quê?
- Como assim?
- Como, como assim? A secretária lá da academia falou que você tinha se mudado. Tinha voltado para a Urca. Aí, me lembrei que você tinha me dito uma vez que seus pais moravam lá. Logo...
- Ah! Por isso que você falou ‘também’ no início... Não. Eu me mudei sim, mas não fui para a casa dos meus pais. E nem me separei.
- Não?
- Não.
- Que merda.
- (?)
- Bom, esquece tudo o que eu falei. A história de aliviado, velhos amigos e tal. Estou tentando voltar para a minha mulher.
(...)
- Oi.
- Eu me separei também, sabia?
- Ah é?
- É. Não estava dando certo. Muito tempo juntos. O relacionamento se desgastou sozinho, sabe? Não é culpa de ninguém. Não tinha mais paixão. Estávamos vivendo como dois velhos amigos. Meio devagar quase parando.
- Que pena.
- Ah, vai dizer que você não ficou feliz?
- Hã? Não, por que eu ficaria feliz? Separação é sempre uma coisa sofrida.
- Na verdade, estou aliviado. Só tenho pena pelas crianças. Mas também não estava sendo bom para elas.
- Bom, se cuida.
- Ei! Mas e você?
- Eu o quê?
- Separou por quê?
- Como assim?
- Como, como assim? A secretária lá da academia falou que você tinha se mudado. Tinha voltado para a Urca. Aí, me lembrei que você tinha me dito uma vez que seus pais moravam lá. Logo...
- Ah! Por isso que você falou ‘também’ no início... Não. Eu me mudei sim, mas não fui para a casa dos meus pais. E nem me separei.
- Não?
- Não.
- Que merda.
- (?)
- Bom, esquece tudo o que eu falei. A história de aliviado, velhos amigos e tal. Estou tentando voltar para a minha mulher.
(...)
domingo, 5 de outubro de 2008
O Bolo
Aniversário dele. O combinado era que o moço passaria o dia fora fazendo um rali aí em Niterói e eu cuidaria das pouquíssimas coisas que faltavam ser organizadas para a festinha de mais tarde em nossa casa.
Fiz até uma listinha. Ele podia ir tranqüilo. Pedi, esperei e paguei o gelo. Coloquei as bebidas para gelar com a ajuda de um dos portugas. Passei aspirador e pano na casa inteira. Recebi os sanduíches enormes. Recebi os barcões da comida japonesa que ele ama e eu odeio. Arrumei tudo. Lavei copos. Arrumei espaço para os petiscos. Selecionei DVDs e músicas. Confirmei com os amigos dele mais próximos. Tomei banho e fiquei linda, com o detalhe importantíssimo de que fiz isso sem precisar usar uma roupa nova. Prometi que ia gastar menos em roupa e tenho cumprido. De presente, usei uma roupa velha no aniversário dele! Ele ficou orgulhoso.
Estava tudo ótimo. Tudo lindo. As pessoas começaram a chegar. Veio todo mundo de mais importante. Não faltou comida e nem bebida, a maior alegria do rapaz, que tem uma neura um pouco acima do normal com isso. Coube todo mundo. Enfim, a noite corria muito bem.
A não ser por um detalhe. Sim, o bolo. Cadê a porra do bolo? Eu esqueci o bolo! Alguém me fala como pode no aniversário do meu marido em que eu fiquei encarregada de organizar uma festa na minha própria casa, eu esqueço do bolo, Jesus?!?!
Um bolo muito do mixuruca foi comprado às pressas numa padaria magicamente aberta. Com aquele glacê de cores que só há em padarias, sabe? Bom, estava todo mundo bêbado e o bolo desceu assim mesmo. Mas pqp! Oh cabeça ruim... Que merda. Ainda bem que ele é homem, já acostumou comigo e não fica magoado. Tá vendo como eu não poderia ser lésbica!? Imagina se fosse uma mulher. Tava fudida.
Fiz até uma listinha. Ele podia ir tranqüilo. Pedi, esperei e paguei o gelo. Coloquei as bebidas para gelar com a ajuda de um dos portugas. Passei aspirador e pano na casa inteira. Recebi os sanduíches enormes. Recebi os barcões da comida japonesa que ele ama e eu odeio. Arrumei tudo. Lavei copos. Arrumei espaço para os petiscos. Selecionei DVDs e músicas. Confirmei com os amigos dele mais próximos. Tomei banho e fiquei linda, com o detalhe importantíssimo de que fiz isso sem precisar usar uma roupa nova. Prometi que ia gastar menos em roupa e tenho cumprido. De presente, usei uma roupa velha no aniversário dele! Ele ficou orgulhoso.
Estava tudo ótimo. Tudo lindo. As pessoas começaram a chegar. Veio todo mundo de mais importante. Não faltou comida e nem bebida, a maior alegria do rapaz, que tem uma neura um pouco acima do normal com isso. Coube todo mundo. Enfim, a noite corria muito bem.
A não ser por um detalhe. Sim, o bolo. Cadê a porra do bolo? Eu esqueci o bolo! Alguém me fala como pode no aniversário do meu marido em que eu fiquei encarregada de organizar uma festa na minha própria casa, eu esqueço do bolo, Jesus?!?!
Um bolo muito do mixuruca foi comprado às pressas numa padaria magicamente aberta. Com aquele glacê de cores que só há em padarias, sabe? Bom, estava todo mundo bêbado e o bolo desceu assim mesmo. Mas pqp! Oh cabeça ruim... Que merda. Ainda bem que ele é homem, já acostumou comigo e não fica magoado. Tá vendo como eu não poderia ser lésbica!? Imagina se fosse uma mulher. Tava fudida.
sábado, 4 de outubro de 2008
Capítulo 2 - Letícia
Entendo que as pessoas muitas vezes não acreditem muito em algumas das minhas peripécias contadas aqui. Mas o que eu posso fazer se vivo passando por situações meio bizarras. Sei lá, atraio. Deve ter alguma explicação.
Bem, primeiro foi a ida à pracinha com Paulinha, a filha dos vizinhos que estavam caindo na porrada. Agora, conheci minha outra vizinha mirim. De novo, de uma maneira incomum. Letícia mora na casa ao lado.
Estava eu sexta-feira trabalhando, lá para umas 5h da tarde, quando começo a escutar:
- Manoel – Manoel (na voz de uma criança aos berros)
Primeiro só pensei uma besteirinha: Caralho, eu tenho três portugueses em casa e o vizinho é que se chama Manoel.
Mas aí, a criança permaneceu: - Pai – Papai – Manoeeeel!!!!– Alguém – Socorro! – Me ajuda – Me ajuda!
E a voz foi ficando cada vez mais desesperada. Tão desesperada que finalmente me fez levantar da cadeira e achar que não era possível que tudo aquilo fosse manha. Cheguei a pensar que ela tinha acabado de fazer cocô e ninguém estava indo lá limpá-la. Depois, achei que ela podia estar de castigo. Num terceiro momento, que de fato me fez levantar, achei que a estivessem matando.
Enfim, me meti numa microjanela que tem na minha copa e dá para ver a lateral da casa onde estavam matando a criança que ainda não tinha parado de gritar.
- Ei. – Ei, aqui.
(silêncio)
- Está tudo bem? Você está precisando de ajuda?
Uma voz fanha me responde: – Não está tudo bem.
Volto para o meu cafofo.
Segundos depois: - Me ajuda! – Pai, chega logo, pai. – Pai, por favor me ajuda.
Voltei para a janelinha: - Oi, olha para mim. O que está acontecendo?
- Eu estou sozinha em casa.
- Você tava dormindo?
- Não, tava no computador.
- E não tinha ninguém?
- Eu achei que a empregada tava, mas ela saiu. E agora eu tô sozinha. Me ajuda! Me ajuda! Pai! Papai!....
Resumindo: eu fui lá para frente, pulei o muro da casa da garota (totalmente louca, né? Ela podia estar de pirraça, podia estar mentindo, a casa podia ter alarme, podia ter cachorro... aliás, tinha. Dois. Mas eles foram com a minha cara), resgatei a pequena e saí com ela pelos braços (o portão abria por dentro, não pulei de novo). Levei a menina ainda histérica e soluçando para a minha varanda e ficamos lá sentadas conversando, esperando alguém da casa dela chegar. Nesse meio tempo, ELE entra em casa e óbvio pergunta quem é a pessoinha.
- Sou a Letícia. Tenho 7 anos. E estava sozinha em casa. Eu que pedi para vir ficar aqui, esperando. Não foi ela que me obrigou.
Muito bem. Letícia fez direitinho como combinamos. Estava morrendo de medo de levar um puta esporro por ter invadido uma casa na Urca e ter saído de lá com uma criança a tira-colo!?
Bem, o lance é que, no fim da história, foi ELE quem entregou Letícia ao pai, que chegou dois minutos depois. Perco quase três horas do meu dia e o menino com cara de bonzinho e responsável é quem leva os créditos. Francamente.
Letícia passa bem. O pai tinha ido buscar o outro filho na natação e avisou a Letícia que não quis ir. Pelo visto, ela mudou de idéia...
Bem, primeiro foi a ida à pracinha com Paulinha, a filha dos vizinhos que estavam caindo na porrada. Agora, conheci minha outra vizinha mirim. De novo, de uma maneira incomum. Letícia mora na casa ao lado.
Estava eu sexta-feira trabalhando, lá para umas 5h da tarde, quando começo a escutar:
- Manoel – Manoel (na voz de uma criança aos berros)
Primeiro só pensei uma besteirinha: Caralho, eu tenho três portugueses em casa e o vizinho é que se chama Manoel.
Mas aí, a criança permaneceu: - Pai – Papai – Manoeeeel!!!!– Alguém – Socorro! – Me ajuda – Me ajuda!
E a voz foi ficando cada vez mais desesperada. Tão desesperada que finalmente me fez levantar da cadeira e achar que não era possível que tudo aquilo fosse manha. Cheguei a pensar que ela tinha acabado de fazer cocô e ninguém estava indo lá limpá-la. Depois, achei que ela podia estar de castigo. Num terceiro momento, que de fato me fez levantar, achei que a estivessem matando.
Enfim, me meti numa microjanela que tem na minha copa e dá para ver a lateral da casa onde estavam matando a criança que ainda não tinha parado de gritar.
- Ei. – Ei, aqui.
(silêncio)
- Está tudo bem? Você está precisando de ajuda?
Uma voz fanha me responde: – Não está tudo bem.
Volto para o meu cafofo.
Segundos depois: - Me ajuda! – Pai, chega logo, pai. – Pai, por favor me ajuda.
Voltei para a janelinha: - Oi, olha para mim. O que está acontecendo?
- Eu estou sozinha em casa.
- Você tava dormindo?
- Não, tava no computador.
- E não tinha ninguém?
- Eu achei que a empregada tava, mas ela saiu. E agora eu tô sozinha. Me ajuda! Me ajuda! Pai! Papai!....
Resumindo: eu fui lá para frente, pulei o muro da casa da garota (totalmente louca, né? Ela podia estar de pirraça, podia estar mentindo, a casa podia ter alarme, podia ter cachorro... aliás, tinha. Dois. Mas eles foram com a minha cara), resgatei a pequena e saí com ela pelos braços (o portão abria por dentro, não pulei de novo). Levei a menina ainda histérica e soluçando para a minha varanda e ficamos lá sentadas conversando, esperando alguém da casa dela chegar. Nesse meio tempo, ELE entra em casa e óbvio pergunta quem é a pessoinha.
- Sou a Letícia. Tenho 7 anos. E estava sozinha em casa. Eu que pedi para vir ficar aqui, esperando. Não foi ela que me obrigou.
Muito bem. Letícia fez direitinho como combinamos. Estava morrendo de medo de levar um puta esporro por ter invadido uma casa na Urca e ter saído de lá com uma criança a tira-colo!?
Bem, o lance é que, no fim da história, foi ELE quem entregou Letícia ao pai, que chegou dois minutos depois. Perco quase três horas do meu dia e o menino com cara de bonzinho e responsável é quem leva os créditos. Francamente.
Letícia passa bem. O pai tinha ido buscar o outro filho na natação e avisou a Letícia que não quis ir. Pelo visto, ela mudou de idéia...
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Gisele
Quando eu era bem menina, ganhei um livro com todas as peças de ballet famosas: “O Lago dos Cisnes”; “O Quebra-Nozes”; “Copélia”; “Giselle”... Adorava. Era esse livro e um outro treco que era de uma boneca de papel e suas roupas também de papel. Eram dois dos meus passatempos prediletos. Li e reli as histórias de ballet cinqüenta mil vezes. Tenho ele até hoje. Meio prejudicado e tal, mas tenho. A boneca de papel escafedeu-se junto com o meu pogobol, o meu Sr. Batata, o jogo do pirata lá... e o resto do Almanaque Anos 80.
Mas não é sobre nada disso que eu quero falar. É que quando coloquei o título ‘Giselle’, lembrei do livro das histórias de ballet. Mas parou aí. O que eu quero falar mesmo é sobre o comercial da Vivara com a Gisele Bundchen.
Já viram? É uma mistura de comercial de shampoo com cabelos ao vento e de perfume com olhares e movimentos sedutores. Mas tem um ‘ar’ constrangedor a mais. Quando vi, me lembrei imediatamente da minha pré-adolescência quando eu ficava em frente ao espelho fazendo caras, bocas e poses para... nada. Só por puro prazer de se descobrir menina e admirar os próprios cabelos compridos.
Mas eu não tinha coragem de fazer isso na frente de ninguém. Desde pequena desenvolvi um senso de ridículo muito bem apurado até os dias de hoje. Nunca usaria um laçarote rosa enorme, por exemplo...
Mas o fato é que olhei para Gisele e lembrei de mim. Uau! Humildade para quê, não é mesmo? Mas é sério. Voltei uns quinze anos no tempo e me vi em frente ao espelho do quarto que hoje é ocupado pela minha irmã, que assim que eu saí de casa nem deixou a cama esfriar. Pulou para o meu ex-quarto que era maior que o dela.
Então, Gisele está lá dando uma de pré-adolescente curtindo uma com o espelho em rede nacional, quiçá internacional! E está ganhando horrores para pagar esse micão.
Talvez meu senso de ridículo tenha me atrapalhado mais do que me ajudado... vou rever os meus conceitos.
Mas não é sobre nada disso que eu quero falar. É que quando coloquei o título ‘Giselle’, lembrei do livro das histórias de ballet. Mas parou aí. O que eu quero falar mesmo é sobre o comercial da Vivara com a Gisele Bundchen.
Já viram? É uma mistura de comercial de shampoo com cabelos ao vento e de perfume com olhares e movimentos sedutores. Mas tem um ‘ar’ constrangedor a mais. Quando vi, me lembrei imediatamente da minha pré-adolescência quando eu ficava em frente ao espelho fazendo caras, bocas e poses para... nada. Só por puro prazer de se descobrir menina e admirar os próprios cabelos compridos.
Mas eu não tinha coragem de fazer isso na frente de ninguém. Desde pequena desenvolvi um senso de ridículo muito bem apurado até os dias de hoje. Nunca usaria um laçarote rosa enorme, por exemplo...
Mas o fato é que olhei para Gisele e lembrei de mim. Uau! Humildade para quê, não é mesmo? Mas é sério. Voltei uns quinze anos no tempo e me vi em frente ao espelho do quarto que hoje é ocupado pela minha irmã, que assim que eu saí de casa nem deixou a cama esfriar. Pulou para o meu ex-quarto que era maior que o dela.
Então, Gisele está lá dando uma de pré-adolescente curtindo uma com o espelho em rede nacional, quiçá internacional! E está ganhando horrores para pagar esse micão.
Talvez meu senso de ridículo tenha me atrapalhado mais do que me ajudado... vou rever os meus conceitos.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Noiva
Ok, ok, todo mundo conhecia a do ‘tô vendendo o almoço pra pagar a janta’. Sorry. Mas eu realmente nunca tinha ouvido e gostei. Vamos à próxima página:
Sempre achei noiva uma coisa meio paraíba. Não a ‘noiva’ em si. Mas aquele povo que fica noivo, sabe? Tipo, ‘estou noiva’; ‘meu noivo blá blá blá’, ô coisa brega...
Como nunca fui noiva, nunca usei aliança na mão direita. Deixo aqui um adendo de que aqueles casais que usaram aliança na mão direita um tempo antes de se casar sem o estardalhaço de ‘ficamos noivos’, não tem problema. Implico apenas com o termo estou ‘noiva’.
Mas então, eu não fui noiva e nem usei aliança na mão direita. Conheci o anel que usaria para ‘todo o sempre...’ no dia do meu casamento. Gostei mais ou menos. Antes eu tivesse visto antes... Não dá para deixar nada na mão de homem, literalmente no caso. Agora tenho que usar esse negócio mais ou menos ‘para sempre’.
Enfim, mas o fato é que estou noiva! Como? Tive uma espécie de alergia inexplicável no dedo anelar da mão esquerda por causa da aliança. Fez machucado e tudo!

E aí, tive que tirar a aliança de lá. Ou seja, estou temporariamente noiva. O anel está, pela primeira vez, na mão direita.
Será que isso faz diferença? Meu marido falou que faz. Pelo menos, para mulher. Diz ele que homem noivo é chamariz de mulher. Mas eu não acho que seja muito diferente de casado. Se uma aliança chama mulher, não importa em que mão esteja. Aliás, se levarmos em conta o desafio, quanto mais difícil melhor, não? Achei bobagem. Mas queria dar uma testada.
Aliás, eu tenho um sério problema. Já fiz inclusive pesquisa entre as minhas amigas e sou uma das poucas que não repara em aliança de homem. Isso não é bom. Mas é que nunca me lembro, ou me lembrava... de olhar para a mão do sujeito pra ver se ele era comprometido. Na maioria das vezes, descobri ou com o tempo ou porque o próprio avisou... Não me orgulho, quero deixar claro. Mas faz parte da minha desatenção.
Ao contrário, digo os homens em relação a mim, também nunca senti que repeli ou atraí gente pela aliança. Já ouvi muitas vezes “Você é casada???”, mas muito mais porque as pessoas não levam fé que eu possa ser casada do que por interesse em mim.
Mas vou aproveitar esse momento noiva para checar se algo muda. Aviso.
Sempre achei noiva uma coisa meio paraíba. Não a ‘noiva’ em si. Mas aquele povo que fica noivo, sabe? Tipo, ‘estou noiva’; ‘meu noivo blá blá blá’, ô coisa brega...
Como nunca fui noiva, nunca usei aliança na mão direita. Deixo aqui um adendo de que aqueles casais que usaram aliança na mão direita um tempo antes de se casar sem o estardalhaço de ‘ficamos noivos’, não tem problema. Implico apenas com o termo estou ‘noiva’.
Mas então, eu não fui noiva e nem usei aliança na mão direita. Conheci o anel que usaria para ‘todo o sempre...’ no dia do meu casamento. Gostei mais ou menos. Antes eu tivesse visto antes... Não dá para deixar nada na mão de homem, literalmente no caso. Agora tenho que usar esse negócio mais ou menos ‘para sempre’.
Enfim, mas o fato é que estou noiva! Como? Tive uma espécie de alergia inexplicável no dedo anelar da mão esquerda por causa da aliança. Fez machucado e tudo!
E aí, tive que tirar a aliança de lá. Ou seja, estou temporariamente noiva. O anel está, pela primeira vez, na mão direita.
Será que isso faz diferença? Meu marido falou que faz. Pelo menos, para mulher. Diz ele que homem noivo é chamariz de mulher. Mas eu não acho que seja muito diferente de casado. Se uma aliança chama mulher, não importa em que mão esteja. Aliás, se levarmos em conta o desafio, quanto mais difícil melhor, não? Achei bobagem. Mas queria dar uma testada.
Aliás, eu tenho um sério problema. Já fiz inclusive pesquisa entre as minhas amigas e sou uma das poucas que não repara em aliança de homem. Isso não é bom. Mas é que nunca me lembro, ou me lembrava... de olhar para a mão do sujeito pra ver se ele era comprometido. Na maioria das vezes, descobri ou com o tempo ou porque o próprio avisou... Não me orgulho, quero deixar claro. Mas faz parte da minha desatenção.
Ao contrário, digo os homens em relação a mim, também nunca senti que repeli ou atraí gente pela aliança. Já ouvi muitas vezes “Você é casada???”, mas muito mais porque as pessoas não levam fé que eu possa ser casada do que por interesse em mim.
Mas vou aproveitar esse momento noiva para checar se algo muda. Aviso.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Colaboradores
Conversa escutada no Bibi Sucos do Jardim Botânico, entre dois atendentes:
- Vai lá no baile da Rocinha hoje?
- Vou não.
- Ih... Tá devagar.
- Minha mulher me bate.
- Que isso rapaz?
- É. Ela falou que só não bate em homem bonito. Feio, ela senta a porrada.
Conversa entre eu e um taxista que virou meu fiel escudeiro nesses tempos de Lei Seca:
- É, policial é tudo bandido mesmo. Eles já têm esquema com os garçons dos bares, sabia? Os fofoqueiros avisam quando sai um cliente que bebeu e dá o itinerário todinho. Aí, os caras vão na certa.
- Jura? Mas também está tudo errado. Eles ganham mal para caramba.
- Que nada. Pode botar um salário de 5 mil na mão deles que eles vão continuar tudo mau caráter igualzinho. Sangue ruim.
- É verdade. Caráter é caráter.
- Eu não consigo. Tô vendendo o almoço pra comprar a janta, mas durmo tranqüilo.
Cantada que uma amiga levou e me contou:
- Aí, ele vira para mim e diz: Eu tenho que te fazer um elogio. Sua estrutura mandibular é linda. (?)
Outra amiga contando de outro cara que também estava dando mole:
- Ele olha de longe. Dá uns abraços mais longos, sabe? Tem um papo legal e tal. Mas... ele pisca. Vive piscando. Uma coisa meio Latino, sabe?
Por essas e outras meus dias têm sido bem divertidos. Queria só falar uma coisa que não tem nada com nada: descobri o Diogo Nogueira. Quer dizer, descobri que o Diogo Nogueira é uma graça! Apesar de dar pinta de viado de vez em quando. Mas fiquei impressionada. Depois de Maria Rita, estou vendo o mundo musical com olhos mais atentos e descobri que Diogo Nogueira também tá podendo, hein?! Pegava fácil... Homem que rebola, usa gola rolê e ainda assim é incrível, tem que ser muito macho.
Um último comentário: qual é o sentido da gente pagar pedágio na ida e na volta? Eu acho que todos os pedágios tinham que ser que nem a Ponte Rio-Niterói. Pagar para entrar, eu até entendo. Mas pagar para sair eu acho um pouco de abuso.
- Vai lá no baile da Rocinha hoje?
- Vou não.
- Ih... Tá devagar.
- Minha mulher me bate.
- Que isso rapaz?
- É. Ela falou que só não bate em homem bonito. Feio, ela senta a porrada.
Conversa entre eu e um taxista que virou meu fiel escudeiro nesses tempos de Lei Seca:
- É, policial é tudo bandido mesmo. Eles já têm esquema com os garçons dos bares, sabia? Os fofoqueiros avisam quando sai um cliente que bebeu e dá o itinerário todinho. Aí, os caras vão na certa.
- Jura? Mas também está tudo errado. Eles ganham mal para caramba.
- Que nada. Pode botar um salário de 5 mil na mão deles que eles vão continuar tudo mau caráter igualzinho. Sangue ruim.
- É verdade. Caráter é caráter.
- Eu não consigo. Tô vendendo o almoço pra comprar a janta, mas durmo tranqüilo.
Cantada que uma amiga levou e me contou:
- Aí, ele vira para mim e diz: Eu tenho que te fazer um elogio. Sua estrutura mandibular é linda. (?)
Outra amiga contando de outro cara que também estava dando mole:
- Ele olha de longe. Dá uns abraços mais longos, sabe? Tem um papo legal e tal. Mas... ele pisca. Vive piscando. Uma coisa meio Latino, sabe?
Por essas e outras meus dias têm sido bem divertidos. Queria só falar uma coisa que não tem nada com nada: descobri o Diogo Nogueira. Quer dizer, descobri que o Diogo Nogueira é uma graça! Apesar de dar pinta de viado de vez em quando. Mas fiquei impressionada. Depois de Maria Rita, estou vendo o mundo musical com olhos mais atentos e descobri que Diogo Nogueira também tá podendo, hein?! Pegava fácil... Homem que rebola, usa gola rolê e ainda assim é incrível, tem que ser muito macho.
Um último comentário: qual é o sentido da gente pagar pedágio na ida e na volta? Eu acho que todos os pedágios tinham que ser que nem a Ponte Rio-Niterói. Pagar para entrar, eu até entendo. Mas pagar para sair eu acho um pouco de abuso.
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