Capa do jornal hoje: Brasileiros elegem as vans o melhor transporte do Rio. Estou super in...
Bem, estava escrevendo um negócio lá e coloquei um ditado popular no meio. Mas aí, parei para analisar e comecei a divagar sobre ditados populares. Seguem as minhas divagações:
“O pior cego é aquele que não quer ver”. Isso porque quem falou esta pérola a primeira vez não era cego literalmente e não sabe a merda que deve ser não enxergar lhufas.
“Pimenta no cu dos outros é refresco”. Fico pensando, será que alguém já colocou pimenta no cu? Assim, para dar uma tesdadinha. Vou enviar essa sugestão para aquele programa “Caçadores de Mitos”. Já pensou? Ou um Jack Ass da vida...
“Dá mais que chuchu na serra”. O chuchu já foi tema aqui. E imagino que na serra realmente haja muito chuchu. Mas nunca vi e nem desconfio de como seja uma plantação de chuchu. E, olha, acho que a maioria das pessoas também nunca viu.
“Santinha do pau oco”. Esse é de um grupo de ditados que eu nunca parei muito para pensar no significado, mas, agora agora, o que veio na minha cabeça foram aqueles coelhos de chocolate que a gente ganha na páscoa todo feliz e quando morde, esfarela tudo porque só tem a camada de fora. Ou seja, engana trouxa.
“Sem eira, nem beira”. Vou morrer sem saber o que é eira.
“Antes tarde do que nunca”. Nem sempre, hein.
“Aqui se faz, aqui se paga”. Nem sempre, hein.
“Cada macaco no seu galho”. Talvez, o melhor de todos os ditados.
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Pensando literalmente, de novo, a gente sabe que a força da água até consegue corroer a pedra. Mas pqp! Haja paciência. Eu não tenho não.
“Devagar se vai ao longe”. Mesma coisa. Zzzzzzzzzzzzz...
“Deus ajuda, quem cedo madruga”. Também vou morrer sem ser ajudada por Deus. Dormir é uma das minhas ‘ações’ preferidas.
“Depois da tempestade, vem a bonança”. Tipo: “não dá para ficar pior”. Olha, sempre dá.
“Deus escreve certo por linhas tortas”, isso encaixa em “desculpa para boi dormir”, que não faz o menor sentido, mas é exatamente isso. Mas, pera aí, merece um segundo de análise: desculpa para boi dormir. Hum.... não saquei a relação. Aliás, boi dorme? Fecha o olhinho?
“Está na chuva é para se molhar”. Não concordo com isso sempre não. Até porque dificilmente quando começa a chover as pessoas ficam lá na boa... Eu até gosto, mas mais do sentido literal do que do que o ditado quer dizer.
“Melhor um pássaro na mão, que dois voando”. Um pouco conformista. E se eu tiver um periquito na mão, enquanto voa o gavião?
“Pau que nasce torto, morre torto”. Sou um exemplo vivo de que isso não é verdade.
Bem, poderia ficar aqui até amanhã. Adorei esse tópico, assunto, enfim... mas vou indo.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
Vou de Van, ‘ce’ Sabe...
Andei de van. Confesso. Tanto tempo evitando este transporte horroroso e acabei sucumbindo. Por livre e espontânea pressão, que fique bem claro.
Sempre achei que um dia isso ia acabar acontecendo. Mas na minha cabeça seria muito no futuro, quando eu tivesse amigas velhinhas, companheiras de teatro. Bem, as velhinhas estavam lá.
O programa? Uma ida com uma legião de portugueses à quadra da Mangueira. Quem inventou? Bem, eu não fui. Por que me meti nessa? Digamos que eu fui metida.
E, assim, após um sábado nublado e passado em casa dormindo e vendo TV, tive que incorporar a mulata que existe em cada um de nós e partir para o samba no pé. Diante das minhas concorrentes lusitanas, eu realmente dei um show.
Mas calma, que isso já foi mais tarde. Não quero pular a parte mais significativa da noite, a van. Quando ela embicou na garagem do meu prédio, deu para ouvir claramente lá de cima e eu jurava que um caminhão estava no portão. Não, era a van. Mas não era assim, uma van. Era tipo: A Van. Uma van de Itu. Lá dentro, exatos 17 portugueses entre 15 e 80 anos. Sim, foi uma saída eclética. Tinha gente de todas as cores e sabores.
No trajeto de ida, o som ambiente foram histórias de família. Partindo do princípio que eu ainda nem aprendi quem é quem direito, dá para concluir que não entendi nada. Fui muda até lá. Não conseguia nem acompanhar o timing das risadas para disfarçar. Era tudo tão desordenado por si só que não precisei fazer esforço. Ninguém notou que eu não estava participando.
Dentro da Mangueira, me senti um pouco mais em casa. Um pouco menos estrangeira. Isso só até os garçons cobrarem 60 pratas só para a gente sentar em uma mesa. Pensei em me revoltar, mas diante da gringalhada colorida ao meu redor, achei que o garçom estava sendo bem mais sensato do que eu.
E tome de caipirinha. Português já é um povo espalhafatoso e escandaloso originalmente, imaginem mamados!? Viram italianos, o único povo - que eu me lembre - que grita ainda mais. Talvez, gregos. Mas, ainda bem, não chegaram a quebrar pratos e copos.
Agora, portugueses mamados e tentando sambar foi um show à parte. O melhor da noite para mim, que comecei a achar que tudo havia valido à pena só para chegar até ali.
E, por fim, a volta. A volta na van. Bem, na volta na van, eles cantaram. Todos juntos. Todas aquelas músicas que a gente acha que só tem em filme ou comercial caricato. Mas é real. Eles cantam. Exatamente daquele jeito. Fui muda e voltei calada, mas foi uma das noites mais divertidas do ano. Não que eu vá repetir...
Sempre achei que um dia isso ia acabar acontecendo. Mas na minha cabeça seria muito no futuro, quando eu tivesse amigas velhinhas, companheiras de teatro. Bem, as velhinhas estavam lá.
O programa? Uma ida com uma legião de portugueses à quadra da Mangueira. Quem inventou? Bem, eu não fui. Por que me meti nessa? Digamos que eu fui metida.
E, assim, após um sábado nublado e passado em casa dormindo e vendo TV, tive que incorporar a mulata que existe em cada um de nós e partir para o samba no pé. Diante das minhas concorrentes lusitanas, eu realmente dei um show.
Mas calma, que isso já foi mais tarde. Não quero pular a parte mais significativa da noite, a van. Quando ela embicou na garagem do meu prédio, deu para ouvir claramente lá de cima e eu jurava que um caminhão estava no portão. Não, era a van. Mas não era assim, uma van. Era tipo: A Van. Uma van de Itu. Lá dentro, exatos 17 portugueses entre 15 e 80 anos. Sim, foi uma saída eclética. Tinha gente de todas as cores e sabores.
No trajeto de ida, o som ambiente foram histórias de família. Partindo do princípio que eu ainda nem aprendi quem é quem direito, dá para concluir que não entendi nada. Fui muda até lá. Não conseguia nem acompanhar o timing das risadas para disfarçar. Era tudo tão desordenado por si só que não precisei fazer esforço. Ninguém notou que eu não estava participando.
Dentro da Mangueira, me senti um pouco mais em casa. Um pouco menos estrangeira. Isso só até os garçons cobrarem 60 pratas só para a gente sentar em uma mesa. Pensei em me revoltar, mas diante da gringalhada colorida ao meu redor, achei que o garçom estava sendo bem mais sensato do que eu.
E tome de caipirinha. Português já é um povo espalhafatoso e escandaloso originalmente, imaginem mamados!? Viram italianos, o único povo - que eu me lembre - que grita ainda mais. Talvez, gregos. Mas, ainda bem, não chegaram a quebrar pratos e copos.
Agora, portugueses mamados e tentando sambar foi um show à parte. O melhor da noite para mim, que comecei a achar que tudo havia valido à pena só para chegar até ali.
E, por fim, a volta. A volta na van. Bem, na volta na van, eles cantaram. Todos juntos. Todas aquelas músicas que a gente acha que só tem em filme ou comercial caricato. Mas é real. Eles cantam. Exatamente daquele jeito. Fui muda e voltei calada, mas foi uma das noites mais divertidas do ano. Não que eu vá repetir...
sábado, 1 de novembro de 2008
Obrigada
Bem, não é segredo para ninguém que frequenta este humilde blog que eu não ando em meus dias mais inspirados. Por cansaço; por um pouco de tristeza por saber que minha trilha aqui está chegando ao fim - pra quem não sabe, esse blog teve data pra começar e tem data pra terminar: dia 31 de dezembro -; ou porque eu não sou tão boa assim mesmo.
Mas fiquei muito feliz com alguns antigos leitores que me incentivaram e com novos que apareceram justamente neste momento de crise. É aquela história... na saúde e na doença. Gostei bastante de ter sido empurrada para frente por gente que gosta de mim ou por gente que simplesmente gosta ou já gostou do que eu escrevo.
A inspiração não apareceu milagrosamente, mas estou mais felizinha. Graças a vocês. Obrigada de verdade, do fundo do coração. São pessoas que por algum motivo se identificaram com o que saiu da minha caixola e esse é um dos melhores presentes que existem. Pra mim, claro.
Vamos ver se amanhã eu surjo com algo bem interessante. vou me esforçar. beijos e brigada!
Mas fiquei muito feliz com alguns antigos leitores que me incentivaram e com novos que apareceram justamente neste momento de crise. É aquela história... na saúde e na doença. Gostei bastante de ter sido empurrada para frente por gente que gosta de mim ou por gente que simplesmente gosta ou já gostou do que eu escrevo.
A inspiração não apareceu milagrosamente, mas estou mais felizinha. Graças a vocês. Obrigada de verdade, do fundo do coração. São pessoas que por algum motivo se identificaram com o que saiu da minha caixola e esse é um dos melhores presentes que existem. Pra mim, claro.
Vamos ver se amanhã eu surjo com algo bem interessante. vou me esforçar. beijos e brigada!
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Cansaço
Decepção é uma das minhas palavras e sentimentos mais temidos. Não sei lidar com ela. Nunca soube. Em qualquer área e de qualquer tipo. Ser decepcionada ou decepcionar alguém é uma das piores coisas da vida.
E venho chegando à conclusão de que o cansaço é o melhor amigo da decepção. É como uma espécie de diabinho que aparece ali na cabeça e fica dando idéias nada bacanas ao pé do ouvido.
Quando se está cansado nada mais é como deveria ser. Você não é mais você e o que você faz passa a não corresponder com as atitudes que seriam as suas. Começa pela perda de critério. Quando se está no limite da falta de energia, qualquer coisa está bom. O senso crítico vai pra casa do caralho.
Da cama que não dá mais tempo de fazer antes de sair a noites e noites mal dormidas, todos esses pequenos detalhes vão se juntando e te transformando numa pessoa pior, numa pessoa diferente. Não só o seu padrão de qualidade, mas a sua própria qualidade em si enquanto pessoa – justamente o que faz os outros te admirarem - caem. E nem é algo que não se vê acontecendo. Até vemos, mas não há tempo nem para tentar reverter. Você vai indo com a maré e é jogado longe.
O cansaço tem me impedido de escrever coisas legais aqui, tem me impedido de ter tempo ou inteligência para pescar as coisas inusitadas ou que dêem uma boa história. Acordo, lutando com o despertador, saio correndo, não como, corro o dia todo e no fim, nem durmo porque nem isso a cabeça cheia de coisa deixa. O que só piora o cansaço, que acumula, acumula e acumula.
Por isso, a decepção. Estou decepcionada comigo por não conseguir mais pensar na velocidade e na qualidade de antes. A sensação é que tudo o que eu estou fazendo está mais ou menos. Saca pintura de parede mal feita? Ou aquela borracha que quando apaga deixa o papel meio manchado; o esmalte que descasca e a gente dá aquela retocadinha tosca; matéria de jornal entregue em cima da hora; roupa de viagem já meio suja mas só tem aquela mesmo; caneta acabando a tinta mas que a gente faz uma força incrível até sair alguma coisa, ainda que meio falhado... enfim, posso ficar até amanhã nas alusões, mas acho que deu para entender, né? Perdão.
E venho chegando à conclusão de que o cansaço é o melhor amigo da decepção. É como uma espécie de diabinho que aparece ali na cabeça e fica dando idéias nada bacanas ao pé do ouvido.
Quando se está cansado nada mais é como deveria ser. Você não é mais você e o que você faz passa a não corresponder com as atitudes que seriam as suas. Começa pela perda de critério. Quando se está no limite da falta de energia, qualquer coisa está bom. O senso crítico vai pra casa do caralho.
Da cama que não dá mais tempo de fazer antes de sair a noites e noites mal dormidas, todos esses pequenos detalhes vão se juntando e te transformando numa pessoa pior, numa pessoa diferente. Não só o seu padrão de qualidade, mas a sua própria qualidade em si enquanto pessoa – justamente o que faz os outros te admirarem - caem. E nem é algo que não se vê acontecendo. Até vemos, mas não há tempo nem para tentar reverter. Você vai indo com a maré e é jogado longe.
O cansaço tem me impedido de escrever coisas legais aqui, tem me impedido de ter tempo ou inteligência para pescar as coisas inusitadas ou que dêem uma boa história. Acordo, lutando com o despertador, saio correndo, não como, corro o dia todo e no fim, nem durmo porque nem isso a cabeça cheia de coisa deixa. O que só piora o cansaço, que acumula, acumula e acumula.
Por isso, a decepção. Estou decepcionada comigo por não conseguir mais pensar na velocidade e na qualidade de antes. A sensação é que tudo o que eu estou fazendo está mais ou menos. Saca pintura de parede mal feita? Ou aquela borracha que quando apaga deixa o papel meio manchado; o esmalte que descasca e a gente dá aquela retocadinha tosca; matéria de jornal entregue em cima da hora; roupa de viagem já meio suja mas só tem aquela mesmo; caneta acabando a tinta mas que a gente faz uma força incrível até sair alguma coisa, ainda que meio falhado... enfim, posso ficar até amanhã nas alusões, mas acho que deu para entender, né? Perdão.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Besteiras um Pouco Atrasadas, mas Válidas
Fiquei triste pelo Gabeira ter perdido. Mas, pera lá!, ninguém me avisou que ele era Flamengo!? Camisa da charanga do mengão não dá. Pior que uma outra com florzinhas que ele já apareceu uma vez...
Simpatizo com Luana, a Piovani. Já disse aqui. Mas, querida, o mundo sabia que Dado era uma roubada! Esperava mais velocidade da moça.
E, por fim, o melhor cartão postal que alguém poderia me mandar. Infelizmente, vi na internet. Mas se eu ganhasse isso de alguém, admiraria a pessoa para sempre. Achei sensacional.
Simpatizo com Luana, a Piovani. Já disse aqui. Mas, querida, o mundo sabia que Dado era uma roubada! Esperava mais velocidade da moça.
E, por fim, o melhor cartão postal que alguém poderia me mandar. Infelizmente, vi na internet. Mas se eu ganhasse isso de alguém, admiraria a pessoa para sempre. Achei sensacional.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
O que é o Casamento
A pessoa passa uma semana viajando, quase incomunicável com uma desculpa lá de que o telefone ‘está fora de rede’, e nosso primeiro diálogo é:
Lá do fundo da casa:
- Mor! Mor!
- Que é?
Nada.
- Que ééé?
Nada de novo. Levanto e vou até lá:
- Que é?
- Você não regou as plantas.
Lá do fundo da casa:
- Mor! Mor!
- Que é?
Nada.
- Que ééé?
Nada de novo. Levanto e vou até lá:
- Que é?
- Você não regou as plantas.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Quando Vale à Pena
Adoro pintar a unha de vermelho. Mas dá tanta trabalheira para tirar depois que, volta e meia, eu pinto de clarinho mesmo.
Gosto muito de tangerina. Mas tirar as pelinhas e o cheiro que fica na mão depois, às vezes, faz com que eu coma uma maça sem muita graça mesmo.
Esquiar é muito legal. Mas aquela roupa toda que tem que colocar e a dificuldade de andar normalmente com botas duras até dizer chega me fazem pensar que, talvez, eu queira só apreciar a vista. Sem desmerecer a vista.
Ainda não inventaram coisa melhor que sexo, mas viajar para aquele lugar maravilhoso e frio pra caralho, muitas vezes, já fez com que eu ficasse com preguiça de tirar todas as camadas de roupa que estavam ali quentinhas...
Comidas com catupiry são divinas. Só que o tanto que terei que correr mais depois, me lembra que um peito de frango com salada pode ser melhor negócio.
Enfim, a preguiça está aí à beira o tempo todo. Tudo bem se render a ela na maior parte das vezes. Sim, na maior parte das vezes. O que não pode é deixá-la vencer sempre. Aí, realmente, corre-se o risco de viver uma vida sem graça. Ao mesmo tempo em que enfrentá-la o tempo todo acaba fazendo com que a vida fique complicada e cansativa em excesso. Nem estou defendendo o equilíbrio. Sou a favor da balança pender para a preguiça, só não quero que encoste lá na base.
Ôpa, está quase lá? Pinte a unha de vermelho, vai esquiar, se entupa de tangerina, esqueça o frio, abra a boca para o catupiry ou compre um barco! Nada dá mais trabalho que um barco, como diria papai, que já até naufragou e passou semanas desaparecido. É, tipo náufrago, mas aí já é outra história...
Gosto muito de tangerina. Mas tirar as pelinhas e o cheiro que fica na mão depois, às vezes, faz com que eu coma uma maça sem muita graça mesmo.
Esquiar é muito legal. Mas aquela roupa toda que tem que colocar e a dificuldade de andar normalmente com botas duras até dizer chega me fazem pensar que, talvez, eu queira só apreciar a vista. Sem desmerecer a vista.
Ainda não inventaram coisa melhor que sexo, mas viajar para aquele lugar maravilhoso e frio pra caralho, muitas vezes, já fez com que eu ficasse com preguiça de tirar todas as camadas de roupa que estavam ali quentinhas...
Comidas com catupiry são divinas. Só que o tanto que terei que correr mais depois, me lembra que um peito de frango com salada pode ser melhor negócio.
Enfim, a preguiça está aí à beira o tempo todo. Tudo bem se render a ela na maior parte das vezes. Sim, na maior parte das vezes. O que não pode é deixá-la vencer sempre. Aí, realmente, corre-se o risco de viver uma vida sem graça. Ao mesmo tempo em que enfrentá-la o tempo todo acaba fazendo com que a vida fique complicada e cansativa em excesso. Nem estou defendendo o equilíbrio. Sou a favor da balança pender para a preguiça, só não quero que encoste lá na base.
Ôpa, está quase lá? Pinte a unha de vermelho, vai esquiar, se entupa de tangerina, esqueça o frio, abra a boca para o catupiry ou compre um barco! Nada dá mais trabalho que um barco, como diria papai, que já até naufragou e passou semanas desaparecido. É, tipo náufrago, mas aí já é outra história...
domingo, 26 de outubro de 2008
Lema
Estou sem idéias e aí, vou colocar a letra de uma música hoje. Acabei de ouvi-la no carro. É uma música que eu não escutava há um tempo e que eu adoro. Uma espécie de lema mesmo. Estou bem, antes que chovam e-mails perguntando se eu me separei, se eu estou grávida e coisas sérias do gênero. Não é o meu momento. É o quanto o que diz aí me agrada.
Socorro
Composição: Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
Socorro
Composição: Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
sábado, 25 de outubro de 2008
A Volta dos que não Foram
Fluminense 3 x 0 no Palmeiras! Coisas de fluminense... Está quase caindo, mas ganha de três de um dos que estão lá em cima.
Ser tricolor é muito mais do que torcer para um time apenas. É ser surpreendido. É ganhar quando parece que tudo está perdido. E juro que a minha intenção aqui não era rimar.
Há uma coisa de superioridade em ser Fluminense, mesmo quando se está na porta da 2ª divisão. Uma coisa meio como aquelas famílias que estão quase na falência, mas não perdem a pose. A boa e velha tradição. Não teria orgulho de pertencer a uma família decadente, mas tenho um baita orgulho de ser tricolor. O paralelo foi só a título de ilustração.
Sempre achei que escolhi meu time de coração influenciada por homens importantes da minha vida. Mas estou começando a perceber cada vez mais que sou fluminense porque o time combina comigo. Quem mais vibra tanto com uma simples vitória na reta final do Brasileiro como se fosse título de campeonato? Uma vitória que só garante - por enquanto - a saída do rebaixamento, mas ganha ares de grande evento. Uma vitória simples e significativa pra cacete.
E isso sou eu. Adoro ganhar campeonatos. Adoro viajar para a Europa
Adoro sábado, domingo e feriados. Mas uma vitória pra sair da zona, um pulo ali em Mauá ou uma quinta-feira bem-vinda, muitas vezes me deixa mais feliz do que um troféu.
NENSE!
Ser tricolor é muito mais do que torcer para um time apenas. É ser surpreendido. É ganhar quando parece que tudo está perdido. E juro que a minha intenção aqui não era rimar.
Há uma coisa de superioridade em ser Fluminense, mesmo quando se está na porta da 2ª divisão. Uma coisa meio como aquelas famílias que estão quase na falência, mas não perdem a pose. A boa e velha tradição. Não teria orgulho de pertencer a uma família decadente, mas tenho um baita orgulho de ser tricolor. O paralelo foi só a título de ilustração.
Sempre achei que escolhi meu time de coração influenciada por homens importantes da minha vida. Mas estou começando a perceber cada vez mais que sou fluminense porque o time combina comigo. Quem mais vibra tanto com uma simples vitória na reta final do Brasileiro como se fosse título de campeonato? Uma vitória que só garante - por enquanto - a saída do rebaixamento, mas ganha ares de grande evento. Uma vitória simples e significativa pra cacete.
E isso sou eu. Adoro ganhar campeonatos. Adoro viajar para a Europa
Adoro sábado, domingo e feriados. Mas uma vitória pra sair da zona, um pulo ali em Mauá ou uma quinta-feira bem-vinda, muitas vezes me deixa mais feliz do que um troféu.
NENSE!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Glacê
- Ela era muito esquisita mesmo.
- É, sei lá, tinha cara de quem comeu e não gostou.
- Pois é parecia que não ia com a cara de ninguém.
- Não era ela que não ia com a nossa cara, era a cara dela que não ia com ela.
- Eu acho que ela era um pouco assim... como é?
- Como?
- Tipo... como fala?
(gestos, mímicas e tentativas.)
- Aquele ar meio superior, sabe? Como é? É... Glacê!
- Hein?
- Não é Glacê?
- Blasée, pode ser?
- Ah, é. Blasée...
- É, sei lá, tinha cara de quem comeu e não gostou.
- Pois é parecia que não ia com a cara de ninguém.
- Não era ela que não ia com a nossa cara, era a cara dela que não ia com ela.
- Eu acho que ela era um pouco assim... como é?
- Como?
- Tipo... como fala?
(gestos, mímicas e tentativas.)
- Aquele ar meio superior, sabe? Como é? É... Glacê!
- Hein?
- Não é Glacê?
- Blasée, pode ser?
- Ah, é. Blasée...
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Liberdade, Igualdade e Foda-se
E a fraternidade foi pro caralho...
Li isso uma vez também numa dessas coisas enviadas por amigos por e-mail e não sei porque na época não dei a devida atenção. E sei menos ainda porque lembrei disso agora.
Na verdade, sei. É que me irritei comigo mesma porque numa discussão com o meu marido que durou apenas cinco minutos, usei ‘foda-se’ umas dez vezes. Não sou nenhuma pudica, mas acho feio menina falar tanto palavrão. Acho, fazer o quê? Talvez papai tenha falado tanto isso que ficou.
Aí, me peguei pensando em como hoje em dia tudo é meio foda-se. O tal liga o foda-se. Bem, a relação não ficou muito clara. Nem pra mim. Mas foi apenas uma tentativa de explicar de onde veio meu título.
Enfim, mas acho mesmo que as pessoas já se importaram mais umas com as outras. Atualmente, vinga o individualismo. E, olha, isso vindo de uma individualista é algo a se pensar... Sempre prezei minha individualidade, liberdade, meus direitos iguais, principalmente, no quesito homem e mulher. Aquela guerra adolescente de se eles podem, elas deveriam poder. Sempre achei chato quem gruda no pé, quem dependia de mim e tal. Mas daí a mandar todo mundo se foder, é um passo um pouco mais largo que eu ainda não tive coragem de dar. E tomara que nem tenha.
Acho que o mundo está precisando sim de mais fraternidade. Acho que as pessoas estão precisando de mais amigos. Nosso tempo hoje é gasto com trabalho. O pouco que sobra é obrigatoriamente para o marido, a mulher, namorado, namorada e afins. Coitado de quem já tem filhos. Mais gente para dividir a atenção e o tempo curto. Ou seja, para os amigos, quase nada. Migalhas. Migalhas e pedidos de desculpas. Migalhas e e-mails marcando aquele encontro que ‘nunca será’. Migalhas e justificativas. Eternas justificativas. E assim, o mundo sente falta da fraternidade.
Tenho total consciência de que a coisa aqui hoje não ficou redondinha. Não teve lógica do início ao fim e nem um fechamento cereja de bolo. Tá cheio de buracos, de furos de roteiro, de lacunas. Mais ou menos como a minha vida sem tempo para os meus amigos. E foi por isso que eu discuti. Preciso de amigos. E atrás deles, irei. Quer queiram, quer não. Justo ou injusto. Certo ou errado. Foda-se.
Li isso uma vez também numa dessas coisas enviadas por amigos por e-mail e não sei porque na época não dei a devida atenção. E sei menos ainda porque lembrei disso agora.
Na verdade, sei. É que me irritei comigo mesma porque numa discussão com o meu marido que durou apenas cinco minutos, usei ‘foda-se’ umas dez vezes. Não sou nenhuma pudica, mas acho feio menina falar tanto palavrão. Acho, fazer o quê? Talvez papai tenha falado tanto isso que ficou.
Aí, me peguei pensando em como hoje em dia tudo é meio foda-se. O tal liga o foda-se. Bem, a relação não ficou muito clara. Nem pra mim. Mas foi apenas uma tentativa de explicar de onde veio meu título.
Enfim, mas acho mesmo que as pessoas já se importaram mais umas com as outras. Atualmente, vinga o individualismo. E, olha, isso vindo de uma individualista é algo a se pensar... Sempre prezei minha individualidade, liberdade, meus direitos iguais, principalmente, no quesito homem e mulher. Aquela guerra adolescente de se eles podem, elas deveriam poder. Sempre achei chato quem gruda no pé, quem dependia de mim e tal. Mas daí a mandar todo mundo se foder, é um passo um pouco mais largo que eu ainda não tive coragem de dar. E tomara que nem tenha.
Acho que o mundo está precisando sim de mais fraternidade. Acho que as pessoas estão precisando de mais amigos. Nosso tempo hoje é gasto com trabalho. O pouco que sobra é obrigatoriamente para o marido, a mulher, namorado, namorada e afins. Coitado de quem já tem filhos. Mais gente para dividir a atenção e o tempo curto. Ou seja, para os amigos, quase nada. Migalhas. Migalhas e pedidos de desculpas. Migalhas e e-mails marcando aquele encontro que ‘nunca será’. Migalhas e justificativas. Eternas justificativas. E assim, o mundo sente falta da fraternidade.
Tenho total consciência de que a coisa aqui hoje não ficou redondinha. Não teve lógica do início ao fim e nem um fechamento cereja de bolo. Tá cheio de buracos, de furos de roteiro, de lacunas. Mais ou menos como a minha vida sem tempo para os meus amigos. E foi por isso que eu discuti. Preciso de amigos. E atrás deles, irei. Quer queiram, quer não. Justo ou injusto. Certo ou errado. Foda-se.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sem Noção
Orkut dá ibope e adorei Bárbara, minha nova leitora! Agora, eu de novo... Nunca paro de me surpreender comigo. Estava eu e Chamila no ônibus – é, enfiei a menina num ônibus! Fiz só por puro prazer de vê-la odiando a situação – quando, de repente, ao lado de fora, vejo um amigo dela que trabalhava com a gente antigamente.
- Olha! Falei dele ontem.
- Semana passada.
- Ah, tá. Mas caraca, que coincidência! Será que ele ainda trabalha lá? Nunca mais vi...
- Adriana, quem não trabalha mais lá é você. Há mais de dez meses...
Cara, sinceramente, de onde vem essa minha total falta de noção para certas coisas? Eu não sou retardada. Não esqueço coisas profissionais. Sou responsável. Mas tenho uns lapsos, uns brancos, uns desligamentos que decididamente não são facilmente explicáveis.
- Olha! Falei dele ontem.
- Semana passada.
- Ah, tá. Mas caraca, que coincidência! Será que ele ainda trabalha lá? Nunca mais vi...
- Adriana, quem não trabalha mais lá é você. Há mais de dez meses...
Cara, sinceramente, de onde vem essa minha total falta de noção para certas coisas? Eu não sou retardada. Não esqueço coisas profissionais. Sou responsável. Mas tenho uns lapsos, uns brancos, uns desligamentos que decididamente não são facilmente explicáveis.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Seres Orkutianos
Pergunta bem manjada: ‘Você acredita em E.T.?’ Como não gente? Eles estão por aí num orkut perto de você.
E eu duvido que um marciano verde e cabeçudo seja mais inacreditável que certos perfis do orkut. E nem precisa ser um perfil de alguém que você nunca viu mais gordo. Um perfil amigo pode ser revelador.
Mais do que perfis, fotos. Mais do que fotos, as legendas das fotos. Essas desmascaram qualquer orkutiano. E te deixa seriamente pensativo, questionando como é que você não tinha percebido tamanha estranheza antes...
O tópico ‘quem sou eu’ é o melhor deles. Em meio a poesias, músicas e celebrações ao time de coração há cada coisa... que só pode ser de seres de outro planeta. E esses seres são super evoluídos, têm múltiplas personalidades. A cada semana, um ‘quem sou eu’ não só diferente, mas com outro eu. Algo que vai do pagode à música clássica, sem o menor constrangimento. Isso poderia ser uma coisa boa. Uma pessoa eclética, flexível ou até uma pessoa louca! Até aí, ótimo. Mas, na maior parte das vezes, é uma pessoa sem noção. E nada interessante.
Estou cansando do orkut. Foi apenas um desabafo.
E eu duvido que um marciano verde e cabeçudo seja mais inacreditável que certos perfis do orkut. E nem precisa ser um perfil de alguém que você nunca viu mais gordo. Um perfil amigo pode ser revelador.
Mais do que perfis, fotos. Mais do que fotos, as legendas das fotos. Essas desmascaram qualquer orkutiano. E te deixa seriamente pensativo, questionando como é que você não tinha percebido tamanha estranheza antes...
O tópico ‘quem sou eu’ é o melhor deles. Em meio a poesias, músicas e celebrações ao time de coração há cada coisa... que só pode ser de seres de outro planeta. E esses seres são super evoluídos, têm múltiplas personalidades. A cada semana, um ‘quem sou eu’ não só diferente, mas com outro eu. Algo que vai do pagode à música clássica, sem o menor constrangimento. Isso poderia ser uma coisa boa. Uma pessoa eclética, flexível ou até uma pessoa louca! Até aí, ótimo. Mas, na maior parte das vezes, é uma pessoa sem noção. E nada interessante.
Estou cansando do orkut. Foi apenas um desabafo.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Muito Foda
- Eu só estou cansada. Pára de reclamar. Eu duvido que você ache outra mulher que nem eu.
- Eu também.
- Tô falando sério. Tô trabalhando que nem uma corna. Cuido dos cachorros. A casa tá sempre direita. Você não tem o que falar. Só estou exausta. Mas sou uma mulher muito foda.
- Muito foda, só não fode.
- Eu também.
- Tô falando sério. Tô trabalhando que nem uma corna. Cuido dos cachorros. A casa tá sempre direita. Você não tem o que falar. Só estou exausta. Mas sou uma mulher muito foda.
- Muito foda, só não fode.
domingo, 19 de outubro de 2008
Mais uma vez, Renata
Renata é meu carma. Desde aquela história lá do início da doida de uma das minhas ex-academias que cismou de me chamar de Renata e depois tive que sair de lá para não correr o risco dela descobrir minha verdadeira identidade até o nome da ex do meu amado marido.
A única. Sim, antes de mim, só houve a Renata. Diz ele que andou comendo umas por aí no curto período entre nós duas. Eu, sinceramente, acho difícil já que a pessoa conheceu Renata pirralho, namorou Renata uma eternidade, ficou solteiro apenas seis meses e se apaixonou por mim para sempre... Eu prefiro pensar assim e não parar muito pra tentar fazer as contas e ver se é possível ele ter se divertido uma vida em apenas seis meses. Eu aproveitei bastante a minha, mas tive uns aninhos aí antes da criança. E ah! um intervalo com ele mesmo em pleno carnaval carioca que foi o melhor de todos os tempos. Já ele, coitado, passou três meses chorando por mim... e não pegou ninguém!
Bom, contada a minha versão romântica dos fatos, o problema é que Renata ainda está entre nós. Não sempre. Mas volta e meia Renata não é morta.
A primeira vez que a moça surgiu foi bem no início do namoro. Estávamos caindo na porrada no carro quando ele solta um berro com algo como: “Puta que Pariu, Renata!”.
E o silêncio se fez presente. Serviu para desviar o foco e mudar o assunto da briga, mas fiquei puta pra cacete. Mesmo com justificativas de que ele lembrava dela de momentos estressantes como aquele e que por isso seria compreensível, ele se confundir naquela situação desagradável e de pressão. Não engoli muito não, mas ele já tinha me chamado de mãe e de Cristina, a irmã, em outras brigas parecidas. Resolvi não dar muita bola.
Um tempo depois o ‘Renata’ apareceu numa situação corriqueira, tipo chamando para sair de casa logo. “Vamos Renata!”. Não fomos, claro. E o resto do dia foi dedicado a discutir porque Renata apareceu dessa vez. Mais blá blá blá e, outra vez, eu decidi deixar pra lá.
Aí, Renata deu uma sumida no mundo. Enquanto isso, nós evoluímos em nossa relação de ficantes, para namorados, depois moradores do mesmo local até efetivamente marido e mulher. E vivemos assim muito tempo até Renata ser convidada para jantar na casa dos meus sogros. Contei aqui. Foi uma coisa bem esquisita até porque quem veio me contar foi o próprio. Estratégia ou não, o fato dele mesmo vir me dizer achando a coisa meio estranha, fez com que eu ficasse sem argumentos para reclamar com ele. Se eu quisesse brigar com alguém, teria que ser com a minha sogra. Mas aí... deixei pra lá. Tenho uma grande tendência na vida a deixar pra lá, como já deve ter dado para perceber.
Eis que Renata aparece de novo. Há pouquíssimo tempo. Estávamos jantando na casa de um casal amigo. Conversas descontraídas. Falávamos sobre viagens. Situação nada estressante. Papo bom, companhia legal. Sai um:
- Claro que não, Renata.
- E aí, querido? Qual será a explicação desta vez?
(uns dez segundos em que ele ficou pensando. E o outro casal mudo na expectativa, assim como eu.)
- É que o Renato está na minha cabeça.
Foi a pior desculpa de todas as ‘Renatas’. Renato é um grande amigo dele, até aí, morreu Neves. E não estávamos falando do Renato. Ou seja, não tem desculpa. Mas aí o que eu ia fazer? Ia ficar pensando que ele ainda vê Renata? Ia fechar o tempo num jantar que estava no início e divertido? Ia ficar enchendo a paciência em busca de uma explicação plausível que eu sabia que não existia? Resolvi deixar pra lá...
A única. Sim, antes de mim, só houve a Renata. Diz ele que andou comendo umas por aí no curto período entre nós duas. Eu, sinceramente, acho difícil já que a pessoa conheceu Renata pirralho, namorou Renata uma eternidade, ficou solteiro apenas seis meses e se apaixonou por mim para sempre... Eu prefiro pensar assim e não parar muito pra tentar fazer as contas e ver se é possível ele ter se divertido uma vida em apenas seis meses. Eu aproveitei bastante a minha, mas tive uns aninhos aí antes da criança. E ah! um intervalo com ele mesmo em pleno carnaval carioca que foi o melhor de todos os tempos. Já ele, coitado, passou três meses chorando por mim... e não pegou ninguém!
Bom, contada a minha versão romântica dos fatos, o problema é que Renata ainda está entre nós. Não sempre. Mas volta e meia Renata não é morta.
A primeira vez que a moça surgiu foi bem no início do namoro. Estávamos caindo na porrada no carro quando ele solta um berro com algo como: “Puta que Pariu, Renata!”.
E o silêncio se fez presente. Serviu para desviar o foco e mudar o assunto da briga, mas fiquei puta pra cacete. Mesmo com justificativas de que ele lembrava dela de momentos estressantes como aquele e que por isso seria compreensível, ele se confundir naquela situação desagradável e de pressão. Não engoli muito não, mas ele já tinha me chamado de mãe e de Cristina, a irmã, em outras brigas parecidas. Resolvi não dar muita bola.
Um tempo depois o ‘Renata’ apareceu numa situação corriqueira, tipo chamando para sair de casa logo. “Vamos Renata!”. Não fomos, claro. E o resto do dia foi dedicado a discutir porque Renata apareceu dessa vez. Mais blá blá blá e, outra vez, eu decidi deixar pra lá.
Aí, Renata deu uma sumida no mundo. Enquanto isso, nós evoluímos em nossa relação de ficantes, para namorados, depois moradores do mesmo local até efetivamente marido e mulher. E vivemos assim muito tempo até Renata ser convidada para jantar na casa dos meus sogros. Contei aqui. Foi uma coisa bem esquisita até porque quem veio me contar foi o próprio. Estratégia ou não, o fato dele mesmo vir me dizer achando a coisa meio estranha, fez com que eu ficasse sem argumentos para reclamar com ele. Se eu quisesse brigar com alguém, teria que ser com a minha sogra. Mas aí... deixei pra lá. Tenho uma grande tendência na vida a deixar pra lá, como já deve ter dado para perceber.
Eis que Renata aparece de novo. Há pouquíssimo tempo. Estávamos jantando na casa de um casal amigo. Conversas descontraídas. Falávamos sobre viagens. Situação nada estressante. Papo bom, companhia legal. Sai um:
- Claro que não, Renata.
- E aí, querido? Qual será a explicação desta vez?
(uns dez segundos em que ele ficou pensando. E o outro casal mudo na expectativa, assim como eu.)
- É que o Renato está na minha cabeça.
Foi a pior desculpa de todas as ‘Renatas’. Renato é um grande amigo dele, até aí, morreu Neves. E não estávamos falando do Renato. Ou seja, não tem desculpa. Mas aí o que eu ia fazer? Ia ficar pensando que ele ainda vê Renata? Ia fechar o tempo num jantar que estava no início e divertido? Ia ficar enchendo a paciência em busca de uma explicação plausível que eu sabia que não existia? Resolvi deixar pra lá...
sábado, 18 de outubro de 2008
Deus, Dai-me Paciência
Situação: Eu e ELE deitados na cama, nos dois minutos iniciais em que eu consigo permanecer na posição abraçadinha. De repente, uma risada acontece bem no meu ouvido:
- Que foi?
- É que eu lembrei de uma vez em que a gente encheu o saco da minha mãe para ela abrir uma lata de marrom glacê pra gente comer. Ela não queria, mas acabou abrindo. Odiamos, mas aí ela fez a gente comer tudo. E ficamos lá chorando e comendo.
- E de onde veio isso?
- É que quando eu estava saindo da academia, parei ali no sambinha da Praia Vermelha e na música eles falaram em canjica. Aí, lembrei que eu não gosto de canjica e que eu também não gosto de manjar e que...
- Ah tá, foda-se.
- ok.
- O quê?
- Mais alguma explicação?
- É, realmente é muito esquisito você rir no meu ouvido do nada e eu perguntar do que se trata...
- O problema não é perguntar, é não ter paciência para ouvir a resposta.
Ele não deixa de ter razão. Deus, dai-me paciência...
- Que foi?
- É que eu lembrei de uma vez em que a gente encheu o saco da minha mãe para ela abrir uma lata de marrom glacê pra gente comer. Ela não queria, mas acabou abrindo. Odiamos, mas aí ela fez a gente comer tudo. E ficamos lá chorando e comendo.
- E de onde veio isso?
- É que quando eu estava saindo da academia, parei ali no sambinha da Praia Vermelha e na música eles falaram em canjica. Aí, lembrei que eu não gosto de canjica e que eu também não gosto de manjar e que...
- Ah tá, foda-se.
- ok.
- O quê?
- Mais alguma explicação?
- É, realmente é muito esquisito você rir no meu ouvido do nada e eu perguntar do que se trata...
- O problema não é perguntar, é não ter paciência para ouvir a resposta.
Ele não deixa de ter razão. Deus, dai-me paciência...
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Ode à Forma Simples
‘Às vezes não entendo coisas difíceis, escritas de forma simples’. Quase poética essa observação, não? Quase uma tese sobre a vida e o modo como a encaramos.
E ao contrário daquele chato das cuecas em degradée, a sinceridade fofa e transparente desse outro coleguinha de conversas aleatórias, me fez dar o sorrisinho com a viradinha de cabeça para o lado. Me fez pensar um pouquinho.
Mas não é? Porque pensa só: estamos tão acostumados a ter que interpretar o que realmente o fulano ou a fulana quis dizer, que quando nos deparamos com algo curto e direto, temos certa dificuldade em acreditar que aquilo é aquilo mesmo.
Imagina o diálogo da ‘trepadinha’. Não dá para supor que alguém teria coragem de dizer algo assim na lata, certo? E aí, é tão louco - olha só! - que mesmo sem conseguir achar uma interpretação, tem que haver uma explicação plausível. Tinha. Mas será que ninguém mais hoje em dia consegue ser simples e direto em suas conversas e diálogos por aí?
Não sou a favor da grosseria, da sinceridade por sinceridade que machuca. Não. Acho legal termos cuidado com as pessoas a nossa volta. Só tenho medo do exagero das entrelinhas. Que de romântico e sugestivo podem se tornar um pouco chatas e confusas.
E ao contrário daquele chato das cuecas em degradée, a sinceridade fofa e transparente desse outro coleguinha de conversas aleatórias, me fez dar o sorrisinho com a viradinha de cabeça para o lado. Me fez pensar um pouquinho.
Mas não é? Porque pensa só: estamos tão acostumados a ter que interpretar o que realmente o fulano ou a fulana quis dizer, que quando nos deparamos com algo curto e direto, temos certa dificuldade em acreditar que aquilo é aquilo mesmo.
Imagina o diálogo da ‘trepadinha’. Não dá para supor que alguém teria coragem de dizer algo assim na lata, certo? E aí, é tão louco - olha só! - que mesmo sem conseguir achar uma interpretação, tem que haver uma explicação plausível. Tinha. Mas será que ninguém mais hoje em dia consegue ser simples e direto em suas conversas e diálogos por aí?
Não sou a favor da grosseria, da sinceridade por sinceridade que machuca. Não. Acho legal termos cuidado com as pessoas a nossa volta. Só tenho medo do exagero das entrelinhas. Que de romântico e sugestivo podem se tornar um pouco chatas e confusas.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Velocidade de Cabeças
‘Sua cabeça funciona numa velocidade que eu não consigo acompanhar’. Isso é um elogio? Não consegui descobrir. Até porque foi escrito e não falado ao vivo. Ou seja, não teve tom, nem expressão.
Ou a pessoa é meio mongol, ou estava me achando um pouco demais, ou é simplesmente homem e não agüenta o tranco da cabeça de uma mulher como nós mulheres agüentamos o tranco das cabeças masculinas. Com todos os trocadilhos.
Não sou do time que gosta de discutir a relação. Acho bem chato, apesar de ser necessário de vez em quando. Aí, não tem jeito. Alguém tem que falar. E esse alguém somos nós, muito mais corajosas que vocês. Em qualquer situação. Se Deus nos tivesse dado também a força bruta, o mundo estaria totalmente dominado pelo grupo das meninas.
Mas não é disso que se trata meu pensamento de hoje. Não estava discutindo a relação. Até porque não tenho este tipo de relação com meu interlocutor da ocasião. Estava só jogando conversa fora, colocando assuntos aleatórios na roda. Aí, o sujeito reclama que eu não termino os assuntos em ordem?! Que mala! Deve guardar as cuecas em degradée...
Abre aspas: Querido, eu não termino todos os assuntos porque, por incrível que pareça!, nem todos os meus assuntos são interessantes. E eu tenho senso crítico para perceber que a coisa não vai dar em lugar nenhum e que morreu ali. Fecha aspas.
Tá, aí a pessoa argumenta que então não teria porquê voltar a um assunto mencionado, após já estar há um tempo se falando de outro diferente.
Abre aspas: Meu amor, se por acaso eu voltar a achar meu assunto interessante porque tive uma luz ou fui picada pelo bichinho que junta coisas aparentemente sem sentido, é óbvio que eu voltarei ao assunto. Fecha aspas.
Mas o chato não se convenceu e saiu achando que a minha cabeça funciona mais rápido do que deveria. Ok. Cada um com a sua velocidade de cabeça.
Ps: Enfim, levei os portugueses ao Maracanã. Já que o Fluminense não anda empolgando muito - apesar de ter ganho da última vez com gols do Washington lá no Atlético dele de coração -, decidimos ir ao jogo do Brasil. Uma coisa para turista mesmo. Maracanã, Seleção, distribuição de bandeirinhas, um show palhaçada lá no início, crianças assoprando aquela corneta insuportável, hino nacional, Kaká e Robinho em campo, placar 0 x 0... Enfim, um saco. Nunca tinha ido a jogo da Seleção no Maracanã, que eu me lembre. E arrisco dizer que não devo ir mais. Prefiro o Flu, ainda que bem mal das pernas...
Ou a pessoa é meio mongol, ou estava me achando um pouco demais, ou é simplesmente homem e não agüenta o tranco da cabeça de uma mulher como nós mulheres agüentamos o tranco das cabeças masculinas. Com todos os trocadilhos.
Não sou do time que gosta de discutir a relação. Acho bem chato, apesar de ser necessário de vez em quando. Aí, não tem jeito. Alguém tem que falar. E esse alguém somos nós, muito mais corajosas que vocês. Em qualquer situação. Se Deus nos tivesse dado também a força bruta, o mundo estaria totalmente dominado pelo grupo das meninas.
Mas não é disso que se trata meu pensamento de hoje. Não estava discutindo a relação. Até porque não tenho este tipo de relação com meu interlocutor da ocasião. Estava só jogando conversa fora, colocando assuntos aleatórios na roda. Aí, o sujeito reclama que eu não termino os assuntos em ordem?! Que mala! Deve guardar as cuecas em degradée...
Abre aspas: Querido, eu não termino todos os assuntos porque, por incrível que pareça!, nem todos os meus assuntos são interessantes. E eu tenho senso crítico para perceber que a coisa não vai dar em lugar nenhum e que morreu ali. Fecha aspas.
Tá, aí a pessoa argumenta que então não teria porquê voltar a um assunto mencionado, após já estar há um tempo se falando de outro diferente.
Abre aspas: Meu amor, se por acaso eu voltar a achar meu assunto interessante porque tive uma luz ou fui picada pelo bichinho que junta coisas aparentemente sem sentido, é óbvio que eu voltarei ao assunto. Fecha aspas.
Mas o chato não se convenceu e saiu achando que a minha cabeça funciona mais rápido do que deveria. Ok. Cada um com a sua velocidade de cabeça.
Ps: Enfim, levei os portugueses ao Maracanã. Já que o Fluminense não anda empolgando muito - apesar de ter ganho da última vez com gols do Washington lá no Atlético dele de coração -, decidimos ir ao jogo do Brasil. Uma coisa para turista mesmo. Maracanã, Seleção, distribuição de bandeirinhas, um show palhaçada lá no início, crianças assoprando aquela corneta insuportável, hino nacional, Kaká e Robinho em campo, placar 0 x 0... Enfim, um saco. Nunca tinha ido a jogo da Seleção no Maracanã, que eu me lembre. E arrisco dizer que não devo ir mais. Prefiro o Flu, ainda que bem mal das pernas...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Vivendo Divertidamente
Vamos lá, mais uma das minhas histórias divertidas. Têm acontecido tantas ultimamente que eu poderia fazer mais de um post por dia. Mas aí acho que o povo ia me achar over.
Enfim, estava eu e minha querida sócia Chamila Camomila no calor do Centro da Cidade, munidas de uma papelada considerável em busca do Escritório de Direitos Autorais, que é super fácil de chegar, mas demos tanta volta que eu não sei mais dizer exatamente onde é.
Nosso intuito era registrar um de nossos projetos super criativos. E após descer e subir algumas vezes um elevador daqueles bem caquéticos de brinquedo de parque temático americano, conseguimos chegar ao 12º andar, o nosso destino.
Hora de apresentar a documentação toda. Fui tirando da bolsa Identidade, ficha disso, ficha daquilo, sei lá quantas cópias, etc, etc, etc. Aí, a atendente – simpática, é importante dizer - após passar um tempinho olhando bem a xérox do meu CPF, vira-se para mim e pergunta:
- Quem é ‘fulano’?
Ao olhar pro papel, vi que, bem ao modo Adriana desligada de ser, eu havia xerocado o CPF DELE e não o meu. Mas antes que eu pudesse abrir a boca para explicar o mal entendido, escuto Camila, com uma bela e poderosa engroçada de voz, dizer diretamente à moça atenciosa:
- ‘Sou eu’.
Gente, vocês precisavam ver a cara da criatura olhando meio pasma para nós duas. Foi a melhor do dia. Saímos as duas loucas, rindo sem parar. Por essas e outras é que eu adoro o que eu faço e com quem eu faço.
Enfim, estava eu e minha querida sócia Chamila Camomila no calor do Centro da Cidade, munidas de uma papelada considerável em busca do Escritório de Direitos Autorais, que é super fácil de chegar, mas demos tanta volta que eu não sei mais dizer exatamente onde é.
Nosso intuito era registrar um de nossos projetos super criativos. E após descer e subir algumas vezes um elevador daqueles bem caquéticos de brinquedo de parque temático americano, conseguimos chegar ao 12º andar, o nosso destino.
Hora de apresentar a documentação toda. Fui tirando da bolsa Identidade, ficha disso, ficha daquilo, sei lá quantas cópias, etc, etc, etc. Aí, a atendente – simpática, é importante dizer - após passar um tempinho olhando bem a xérox do meu CPF, vira-se para mim e pergunta:
- Quem é ‘fulano’?
Ao olhar pro papel, vi que, bem ao modo Adriana desligada de ser, eu havia xerocado o CPF DELE e não o meu. Mas antes que eu pudesse abrir a boca para explicar o mal entendido, escuto Camila, com uma bela e poderosa engroçada de voz, dizer diretamente à moça atenciosa:
- ‘Sou eu’.
Gente, vocês precisavam ver a cara da criatura olhando meio pasma para nós duas. Foi a melhor do dia. Saímos as duas loucas, rindo sem parar. Por essas e outras é que eu adoro o que eu faço e com quem eu faço.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Trepadinha
Estava eu voltando da praia com: o primo português do meu marido; o melhor amigo do meu marido; e um amigo do amigo, quando esse último vira-se, dando uma batidinha malandra no meu ombro, e diz:
- E aí, vamos dar uma trepadinha?
Cinco segundos de silêncio em que todos, inclusive eu, tentamos entender de onde veio aquilo. Sim porque é importante dizer que estávamos em silêncio. Naquele vácuo que fica entre um assunto e outro, sabe?
Pois bem, passados os cinco segundos, eu quebrei o gelo:
- O quê???
E gargalhadas vieram de todos os lados. A mais alta foi do autor do convite que rapidamente tentou se explicar, um pouco sem graça para deleite geral, dizendo que estava se referindo a uma singela escalada.
Explicando: o menino gosta de trepar em morros por aí e faz muito isso aqui na Urca, pertinho da minha casa. Havia comentado comigo e eu falei para ele me chamar numa próxima vez.
O coitado foi tentar puxar assunto e lembrou do meu comentário passado. Mas, cá entre nós, quem usaria ‘trepadinha’ para chamar alguém para escalar? Só Marcos André...
- E aí, vamos dar uma trepadinha?
Cinco segundos de silêncio em que todos, inclusive eu, tentamos entender de onde veio aquilo. Sim porque é importante dizer que estávamos em silêncio. Naquele vácuo que fica entre um assunto e outro, sabe?
Pois bem, passados os cinco segundos, eu quebrei o gelo:
- O quê???
E gargalhadas vieram de todos os lados. A mais alta foi do autor do convite que rapidamente tentou se explicar, um pouco sem graça para deleite geral, dizendo que estava se referindo a uma singela escalada.
Explicando: o menino gosta de trepar em morros por aí e faz muito isso aqui na Urca, pertinho da minha casa. Havia comentado comigo e eu falei para ele me chamar numa próxima vez.
O coitado foi tentar puxar assunto e lembrou do meu comentário passado. Mas, cá entre nós, quem usaria ‘trepadinha’ para chamar alguém para escalar? Só Marcos André...
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Concursos e Promoções
Acabei de ver uma coisa que eu sempre pensei em fazer: uma menina que dedica a vida a participar de concursos e promoções dos mais diversos temas e áreas. Pensa só: não é genial?
E, não. Não envolve sorte, só foco. É bem diferente. Até o mais azarado dos seres, se sentar a bunda na cadeira de manhã até à noite e se dedicar só a pesquisar o que há de promoções em pauta, alguma coisa vai ganhar. E muito provavelmente, algumas. Não pode ficar escolhendo só o que gosta. É aquela história de atirar para todos os lados. Tá, a pessoa precisa ser um pouquinho criativa, mas só um pouquinho mesmo, porque nem todas as promoções necessitam de respostas geniais. A maioria, aliás, é bem pobrinha de sofisticação.
Então, no jornal da tarde agora, saiu uma reportagem de uma menina que faz exatamente isso da vida. Gasta seu tempo livre investindo em sorteios sem precisar sequer sair de casa. Nessa, já ganhou carro, viagens e zilhões de produtos, serviços e mordomias. Assim, ela conseguiu passar por experiências exóticas como um spa na África do Sul e um dia de princesa no Gugu.
O problema, o meu pelo menos, esbarra na tal falta de paciência. Deve ser infernal passar o dia a preencher cadastros. Ainda que usando Control C, Control V. Mesmo com expectativa de recompensas melhores do que em alguns cargos do funcionalismo público em que só se preenche fichas mesmo.
E há também um certo preconceito interno. ‘Você não vai fazer nada de útil da vida? Só ficar na internet atrás de prêmios?’ Como se ganhar uma viagem com tudo pago para sei lá onde não fosse útil...
E, olha, daria para ir além e transformar o inútil efetivamente em negócio. Imagina uma empresa só para fazer isso pelos outros. As pessoas pagariam uma mensalidade e disponibilizariam seus dados pessoais. Contrata-se uns estagiários espertinhos e subvalorizados só para preencher cadastros e dar respostas antenadas mais ou menos de acordo com os perfis dos associados. Quanto mais o cliente ganhasse coisinhas, mais ia divulgar sua empresa sem querer até. Mas atenção! Seria um clube restrito. Algo com muita cara de privê para não dar a idéia de que muitos associados dificultariam as chances dos antigos. Ao atingir um patamar ‘x’ de, sei lá, 100 sócios, o clube fecha. Só entra quando alguém sair. E mesmo assim, pagando-se, no mínimo, o dobro ou o triplo. Depende da procura.
Não é uma idéia?! Podem roubar. Eu realmente adoraria, mas não sou capaz... Boa sorte.
E, não. Não envolve sorte, só foco. É bem diferente. Até o mais azarado dos seres, se sentar a bunda na cadeira de manhã até à noite e se dedicar só a pesquisar o que há de promoções em pauta, alguma coisa vai ganhar. E muito provavelmente, algumas. Não pode ficar escolhendo só o que gosta. É aquela história de atirar para todos os lados. Tá, a pessoa precisa ser um pouquinho criativa, mas só um pouquinho mesmo, porque nem todas as promoções necessitam de respostas geniais. A maioria, aliás, é bem pobrinha de sofisticação.
Então, no jornal da tarde agora, saiu uma reportagem de uma menina que faz exatamente isso da vida. Gasta seu tempo livre investindo em sorteios sem precisar sequer sair de casa. Nessa, já ganhou carro, viagens e zilhões de produtos, serviços e mordomias. Assim, ela conseguiu passar por experiências exóticas como um spa na África do Sul e um dia de princesa no Gugu.
O problema, o meu pelo menos, esbarra na tal falta de paciência. Deve ser infernal passar o dia a preencher cadastros. Ainda que usando Control C, Control V. Mesmo com expectativa de recompensas melhores do que em alguns cargos do funcionalismo público em que só se preenche fichas mesmo.
E há também um certo preconceito interno. ‘Você não vai fazer nada de útil da vida? Só ficar na internet atrás de prêmios?’ Como se ganhar uma viagem com tudo pago para sei lá onde não fosse útil...
E, olha, daria para ir além e transformar o inútil efetivamente em negócio. Imagina uma empresa só para fazer isso pelos outros. As pessoas pagariam uma mensalidade e disponibilizariam seus dados pessoais. Contrata-se uns estagiários espertinhos e subvalorizados só para preencher cadastros e dar respostas antenadas mais ou menos de acordo com os perfis dos associados. Quanto mais o cliente ganhasse coisinhas, mais ia divulgar sua empresa sem querer até. Mas atenção! Seria um clube restrito. Algo com muita cara de privê para não dar a idéia de que muitos associados dificultariam as chances dos antigos. Ao atingir um patamar ‘x’ de, sei lá, 100 sócios, o clube fecha. Só entra quando alguém sair. E mesmo assim, pagando-se, no mínimo, o dobro ou o triplo. Depende da procura.
Não é uma idéia?! Podem roubar. Eu realmente adoraria, mas não sou capaz... Boa sorte.
domingo, 12 de outubro de 2008
Quando Não Pode
Dizem que o proibido é mais sedutor. Será? Será que é só porque é proibido que chama mais a atenção? Não pode acontecer de você de repente se ver querendo algo que não pode, mas porque combina com você, porque te chamaria atenção ainda que permitido, você quer? Pode, claro que pode.
E aí? E aí, nada. A verdade é que não pode. Tipo criança quando pega algo do chão e a gente diz: não pode. Disse ‘não pode’ hoje para o meu afilhado algumas vezes. Passei o dia todo com ele. Dia das crianças. E falei tanto ‘não pode’ que fiquei me imaginado no lugar dele. Eu para ele sou a vida para mim. Eu a falar não pode para ele. A vida a falar não pode para mim.
Sou tão criança quanto ele querendo coisas que estão ali na minha frente e que me parecem tão interessantes quanto pedrinhas brilhantes na terra. Mas aí, alguém do parquinho disse que as pedrinhas dão coceira. Machucam. Não pode. E passei a tarde a tirar pedrinhas brilhantes da mão ávida e afoita de uma criança.
No fundo, no fundo, a gente nunca perde o ímpeto infantil de abaixar e colocar a mão nas pedrinhas proibidas. A diferença é que quando criança, um adulto tira da sua mão. Quando adulto, geralmente você mesmo solta as pedrinhas antes de colocá-las na boca.
É só, que a tarde infantil me deu uma canseira danada e eu estou filosofando sem muito saco de filosofar. Feliz Dia das Crianças. Para todos.
E aí? E aí, nada. A verdade é que não pode. Tipo criança quando pega algo do chão e a gente diz: não pode. Disse ‘não pode’ hoje para o meu afilhado algumas vezes. Passei o dia todo com ele. Dia das crianças. E falei tanto ‘não pode’ que fiquei me imaginado no lugar dele. Eu para ele sou a vida para mim. Eu a falar não pode para ele. A vida a falar não pode para mim.
Sou tão criança quanto ele querendo coisas que estão ali na minha frente e que me parecem tão interessantes quanto pedrinhas brilhantes na terra. Mas aí, alguém do parquinho disse que as pedrinhas dão coceira. Machucam. Não pode. E passei a tarde a tirar pedrinhas brilhantes da mão ávida e afoita de uma criança.
No fundo, no fundo, a gente nunca perde o ímpeto infantil de abaixar e colocar a mão nas pedrinhas proibidas. A diferença é que quando criança, um adulto tira da sua mão. Quando adulto, geralmente você mesmo solta as pedrinhas antes de colocá-las na boca.
É só, que a tarde infantil me deu uma canseira danada e eu estou filosofando sem muito saco de filosofar. Feliz Dia das Crianças. Para todos.
sábado, 11 de outubro de 2008
Dois em Um
Não ia escrever sobre isso. ‘Isso’ é um episódio que me aconteceu envolvendo eu e meu carro. Mas depois que um segundo episódio envolveu mais uma vez os mesmos protagonistas - eu e meu carro -, decidi que era assunto de post.
Anteontem (é assim que escreve?), foi um dia um pouco corrido e confuso, em que eu entrei e saí de vários shoppings de 11h da manhã às 21h da noite. E engana-se quem acha que foi um tour para fazer compras. Não, não. Morro assassinada se faço um troço desses. Por incrível que pareça, foi por trabalho.
Então, no último deles, o fatídico e esquisito Shopping Leblon, exausta na hora de pagar o estacionamento, cadê o papelzinho? Sei que tem um monte de gente achando que já passou por isso também. Mas calma que é muito pior. Procura daqui, procura dali, nada. Desisti de achar. Havia perdido, paciência. Comecei a me inteirar dos procedimentos para sair de lá sem o tal papel. Depois de percorrer grandes e desertos corredores, cheguei em um local chamado de administração do shopping. Contei minha história triste em tons ao mesmo tempo histéricos e sedutores para alguém me liberar sem eu ter que pagar uma fortuna. Ficou combinado que eu pagaria um preço meio termo. Momento de mostrar os documentos e dizer a placa. E cadê que a placa aparecia no sistema? Comecei a me irritar mais e mais e a explanar aos quatro cantos o absurdo que era a desorganização do local. Gritei e esperneei até um carinha lá aceitar me acompanhar até o veículo, onde ele compararia a placa do carro com a do documento. Ok, fomos.
- Qual o G que a Sra. parou?
(...)
- Senhora?
- Calma aí que eu tô pensando!
(...)
Cedi: - Não lembro.
Percorremos eu e o carinha todas as garagens do shopping e nadica de nada. - Caralho, roubaram meu carro!? Mas foi nesse instante que decidi analisar os fatos até ali: 1) eu não tinha achado um papel. 2) minha placa não constava no sistema. 3) Meu carro não estava em lugar nenhum.
- PQP! Eu parei do lado de fora. (e a imagem da vaga externa e super bem-vinda há três horas, me deixou morta de vergonha... Saí de cabeça baixa e prometendo nunca mais voltar ao Shopping Leblon).
Dois dias depois, hoje, voltei. Pois é, sou péssima com promessas, como já dizia meu querido marido...
E, juro por Deus, outra coisa me acontece. O papel estava lá. Achei e paguei. Eu lembrava direitinho o G que eu tinha parado. Mas cadê o carro? Caralho... só pode ser piada...
Enfim, o fato é que desta vez, eu não reconheci o meu carro. É que, desde que o moçoilo fez a tal trilha em Niterói que deixou o bichinho sujo mesmo de lama, eu não o vi nenhuma vez com luz natural batendo. E lá na garagem do Shopping Leblon, os arquitetos puseram a luz do dia fortíssima batendo. Daí, passei batida pelo meu próprio veículo, como eles chamam, três vezes! Até um dos adesivos de playboy que estão colados à contra-gosto no vidro traseiro, me tirar da escuridão.
Só eu, né? Vai ser desligada assim na PUTA QUE PARIU, com todas as letras!
Anteontem (é assim que escreve?), foi um dia um pouco corrido e confuso, em que eu entrei e saí de vários shoppings de 11h da manhã às 21h da noite. E engana-se quem acha que foi um tour para fazer compras. Não, não. Morro assassinada se faço um troço desses. Por incrível que pareça, foi por trabalho.
Então, no último deles, o fatídico e esquisito Shopping Leblon, exausta na hora de pagar o estacionamento, cadê o papelzinho? Sei que tem um monte de gente achando que já passou por isso também. Mas calma que é muito pior. Procura daqui, procura dali, nada. Desisti de achar. Havia perdido, paciência. Comecei a me inteirar dos procedimentos para sair de lá sem o tal papel. Depois de percorrer grandes e desertos corredores, cheguei em um local chamado de administração do shopping. Contei minha história triste em tons ao mesmo tempo histéricos e sedutores para alguém me liberar sem eu ter que pagar uma fortuna. Ficou combinado que eu pagaria um preço meio termo. Momento de mostrar os documentos e dizer a placa. E cadê que a placa aparecia no sistema? Comecei a me irritar mais e mais e a explanar aos quatro cantos o absurdo que era a desorganização do local. Gritei e esperneei até um carinha lá aceitar me acompanhar até o veículo, onde ele compararia a placa do carro com a do documento. Ok, fomos.
- Qual o G que a Sra. parou?
(...)
- Senhora?
- Calma aí que eu tô pensando!
(...)
Cedi: - Não lembro.
Percorremos eu e o carinha todas as garagens do shopping e nadica de nada. - Caralho, roubaram meu carro!? Mas foi nesse instante que decidi analisar os fatos até ali: 1) eu não tinha achado um papel. 2) minha placa não constava no sistema. 3) Meu carro não estava em lugar nenhum.
- PQP! Eu parei do lado de fora. (e a imagem da vaga externa e super bem-vinda há três horas, me deixou morta de vergonha... Saí de cabeça baixa e prometendo nunca mais voltar ao Shopping Leblon).
Dois dias depois, hoje, voltei. Pois é, sou péssima com promessas, como já dizia meu querido marido...
E, juro por Deus, outra coisa me acontece. O papel estava lá. Achei e paguei. Eu lembrava direitinho o G que eu tinha parado. Mas cadê o carro? Caralho... só pode ser piada...
Enfim, o fato é que desta vez, eu não reconheci o meu carro. É que, desde que o moçoilo fez a tal trilha em Niterói que deixou o bichinho sujo mesmo de lama, eu não o vi nenhuma vez com luz natural batendo. E lá na garagem do Shopping Leblon, os arquitetos puseram a luz do dia fortíssima batendo. Daí, passei batida pelo meu próprio veículo, como eles chamam, três vezes! Até um dos adesivos de playboy que estão colados à contra-gosto no vidro traseiro, me tirar da escuridão.
Só eu, né? Vai ser desligada assim na PUTA QUE PARIU, com todas as letras!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Teste do Sofá com Efeitos Tardios
Lá vem polêmica, hein. Sou chegada e a minha vida anda muito certinha... Por isso, vocês não imaginam a minha alegria de criança em estar aqui prestes a colocar ‘no papel’ um monte de idéias e pensamentos não ortodoxos. Estou tropeçando pelos dedos de tanta vontade de sair escrevendo tudo rápido pra não esquecer o que ronda a minha cabecinha.
As coisas foram se juntando enquanto eu corria. Me atrasei e acabei saindo para minha corrida de fim de tarde ontem exatamente na ‘Hora do Brasil’. Ninguém merece. Aí, desliguei o radinho e corri só com meus pensamentos. Fiquei impressionada com a quantidade deles. Aliás, não paro nunca de me surpreender com quanta coisa convive – nada em paz – dentro da minha caixola. São várias vozes lutando por atenção. E é guerra mesmo, porque não tem nenhuma personalidade apagadinha, sabe? É tudo no mais puro estilo Adriana de ser. Agora chega disso que eu tenho verdadeiro pavor dessas pessoas que falam de si em terceira ou outras pessoas que não seja a primeira do singular.
Por isso, eu, Adriana, danei a pensar que um montão de coisas que fiz lá atrás na vida estão sendo incrivelmente úteis hoje. E o mais bacana é que nenhuma delas foi feita de caso pensado. Dei por dar. Pelo simples ato sexual em si. Sem busca de favores.
Mas tenho que admitir que esses favores, gentilezas, quebra-galhos, simpatias ou o que seja estão caindo como uma luva atualmente.
Já falei aqui que eu não sou nem um pouco contra pistolão ou coisas do gênero. Acho que cada um joga com as suas armas e esse negócio de que o mundo é injusto e blá blá blá é um puta de um assunto chato que só usa quem fica sentado esperando as coisas caírem do céu. Quem levanta é para se virar. E se a pessoa vai virar de costas ou não, o problema é dela.
Aí, vem outros chatos dizerem que mulher se dá melhor porque é mulher e mais blá blá blá. Ah, pára de encher ou então vira viado que dá quase no mesmo ou, se bobear, sai na frente.
O fato é que existem dois caminhos principais e bem mais rápidos para se conseguir certas coisas: puxando o saco – sem nenhuma conotação sexual – ou lambendo o saco – com conotação sexual.
Prefiro a segunda. Aliás, só nasci para fazer a segunda. A primeira nem tentando muito. Minha soberana falta de paciência se impõe de uma forma admirável.
Mas, então, o mais legal da história no meu caso e na minha cabeça é que estou conseguindo um montão de coisas super necessárias nesse momento específico da minha vida por causa de sacos lambidos no passado por livre e espontânea vontade. Não é incrível? Fiquei até com um certo receio de precisar fazer de novo. Mas até agora só o passado me condena. O presente tem me mantido um poço de profissionalismo e inocência.
Por isso, chamei de teste do sofá tardio. Estou colhendo os louros (tem mais morenos. Gosto mais.) só agora. De braços abertos. As pernas estão comportadas.
As coisas foram se juntando enquanto eu corria. Me atrasei e acabei saindo para minha corrida de fim de tarde ontem exatamente na ‘Hora do Brasil’. Ninguém merece. Aí, desliguei o radinho e corri só com meus pensamentos. Fiquei impressionada com a quantidade deles. Aliás, não paro nunca de me surpreender com quanta coisa convive – nada em paz – dentro da minha caixola. São várias vozes lutando por atenção. E é guerra mesmo, porque não tem nenhuma personalidade apagadinha, sabe? É tudo no mais puro estilo Adriana de ser. Agora chega disso que eu tenho verdadeiro pavor dessas pessoas que falam de si em terceira ou outras pessoas que não seja a primeira do singular.
Por isso, eu, Adriana, danei a pensar que um montão de coisas que fiz lá atrás na vida estão sendo incrivelmente úteis hoje. E o mais bacana é que nenhuma delas foi feita de caso pensado. Dei por dar. Pelo simples ato sexual em si. Sem busca de favores.
Mas tenho que admitir que esses favores, gentilezas, quebra-galhos, simpatias ou o que seja estão caindo como uma luva atualmente.
Já falei aqui que eu não sou nem um pouco contra pistolão ou coisas do gênero. Acho que cada um joga com as suas armas e esse negócio de que o mundo é injusto e blá blá blá é um puta de um assunto chato que só usa quem fica sentado esperando as coisas caírem do céu. Quem levanta é para se virar. E se a pessoa vai virar de costas ou não, o problema é dela.
Aí, vem outros chatos dizerem que mulher se dá melhor porque é mulher e mais blá blá blá. Ah, pára de encher ou então vira viado que dá quase no mesmo ou, se bobear, sai na frente.
O fato é que existem dois caminhos principais e bem mais rápidos para se conseguir certas coisas: puxando o saco – sem nenhuma conotação sexual – ou lambendo o saco – com conotação sexual.
Prefiro a segunda. Aliás, só nasci para fazer a segunda. A primeira nem tentando muito. Minha soberana falta de paciência se impõe de uma forma admirável.
Mas, então, o mais legal da história no meu caso e na minha cabeça é que estou conseguindo um montão de coisas super necessárias nesse momento específico da minha vida por causa de sacos lambidos no passado por livre e espontânea vontade. Não é incrível? Fiquei até com um certo receio de precisar fazer de novo. Mas até agora só o passado me condena. O presente tem me mantido um poço de profissionalismo e inocência.
Por isso, chamei de teste do sofá tardio. Estou colhendo os louros (tem mais morenos. Gosto mais.) só agora. De braços abertos. As pernas estão comportadas.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Trânsito
Odeio trânsito. Trânsito de carro parado. Prefiro levar mais tempo para chegar a algum lugar andando, do que menos tempo, mas quase parada. Por isso, sou daquelas pessoas que ficam tentando pegar caminhos alternativos. E, sim, já tive milhões de provas de que isso nunca dá certo. E, pior, na maioria das vezes você se complica ainda mais.
Mas não tem jeito. É mais forte que eu. Se estou parada e aparece uma ruazinha ali à direita, eu sigo. Nem sempre sei onde aquilo vai dar. Posso ser sincera e assumir que, na maior parte das vezes, eu não resolvi o meu problema do trânsito. Mas... Mas amenizei o meu problema de tédio. E isso já é alguma coisa. Muita coisa.
Odeio tédio mais do que eu odeio trânsito. Música me distrai um pouco. Mas eu logo percebo que eu estou ali parada. Uma pessoa junto no carro só piora. Levando em consideração que eu fico intragável, as chances de uma discussão (se for alguém com uma certa intimidade) ou de uma explosão (se for alguém com quem eu tenha que aparentar normalidade) são altas, bem altas.
Uma das coisas de que mais tenho pavor de ficar parada no trânsito é que começo a pensar na vida. E pensar na vida entediada, presa dentro de um carro não é legal. Questões já resolvidas voltam à cabeça. Outras coisas que você nem tinha tempo de pensar e por isso mesmo estavam lá quietinhas no canto delas, surgem de repente, querendo solução. Você lembra de um monte de coisas que tem que fazer e não fez. Uma vai puxando a outra, culpados escondidos vão aparecendo e as dúvidas. Pqp como eu tenho raiva das dúvidas! Dúvida só serve para confundir mesmo. Enfim, não gosto de pensar na vida.
Por isso, desde que eu comecei a dirigir, são nove anos (caralho! Fiz 18 há 9 anos!) de dedicação a achar coisas que disfarcem meu tédio no trânsito. Hoje inventei uma nova brincadeira que pode até virar roteiro de curta-metragem.
Estava eu na Lagoa-barra (o que fazia eu lá, às 20h?? burra para c...) quando o mundo parou. Nem sinal de caminhos alternativos. Estava presa. Precavida que sou, antes do tédio invadir ou da vida rondar, comecei a fazer o seguinte: olhava para os carros do meu lado, na frente, atrás, enfim, os carros que estavam próximos e começava a inventar uma historinha para cada pessoa que estava dentro deles.
Assim: do meu lado tinha um velhinho em um táxi, com uma cara meio tristinha. Aí, fingi que ele tinha trabalhado a vida toda e juntado uma grana boa. Com esse dinheiro, abriu um negócio com um amigo que veio do norte, onde ele também morava. O negócio deu certo, cresceu e eles estavam super bem. Um belo dia, o cara sumiu com tudo e deixou o velhinho sem nada. Sem alternativa, ele teve que começar a trabalhar de novo e alugou um táxi.
Atrás, tinha um casal num carro preto grande que eu nem sei qual era. (não sou muito boa nisso, o que deixa meu marido, viciado em carro, um pouco irritado). Os dois estavam, há uns 10 minutos, mudos, olhando para a frente sem trocar uma palavra. Na minha historinha, estavam indo para a festa de 70 anos do pai dela. (ela estava toda maquiada) e como já haviam discutido em casa, porque ele não queria ir, agora estavam sem se falar. Ele pensava que era a última vez que estava fazendo algo que não queria e ela pensava em como ele era injusto, ingrato e egoísta.
Na frente, um cara num chevete (esse eu ainda sei reconhecer!) que tinha acabado de jogar uma lata vazia de cerveja pela janela. Preconceitos à parte, no meu roteiro virou um pé-rapado, que estava indo numa festa num condomínio na Barra com churrasquinho, pagode e funk.
Do outro lado, um garoto, sei lá de uns 20 anos, roendo unha. Esse estava indo pegar uma menina para sair pela primeira vez. A infeliz mora na Barra e fez com que eles marcassem um cinema no infernal New York City Center. Ele já está atrasado, começando mal. Está nervoso, ela não atende o celular.
E assim foi até eu chegar em São Conrado, quando peguei o Joá (dane-se se é perigoso) e fui me divertindo com curvas até a Barra. Cheguei de bom-humor, com uma idéia na cabeça e simpática com todo mundo!
Se eu não fosse maluca, ia acabar ficando louca...
Mas não tem jeito. É mais forte que eu. Se estou parada e aparece uma ruazinha ali à direita, eu sigo. Nem sempre sei onde aquilo vai dar. Posso ser sincera e assumir que, na maior parte das vezes, eu não resolvi o meu problema do trânsito. Mas... Mas amenizei o meu problema de tédio. E isso já é alguma coisa. Muita coisa.
Odeio tédio mais do que eu odeio trânsito. Música me distrai um pouco. Mas eu logo percebo que eu estou ali parada. Uma pessoa junto no carro só piora. Levando em consideração que eu fico intragável, as chances de uma discussão (se for alguém com uma certa intimidade) ou de uma explosão (se for alguém com quem eu tenha que aparentar normalidade) são altas, bem altas.
Uma das coisas de que mais tenho pavor de ficar parada no trânsito é que começo a pensar na vida. E pensar na vida entediada, presa dentro de um carro não é legal. Questões já resolvidas voltam à cabeça. Outras coisas que você nem tinha tempo de pensar e por isso mesmo estavam lá quietinhas no canto delas, surgem de repente, querendo solução. Você lembra de um monte de coisas que tem que fazer e não fez. Uma vai puxando a outra, culpados escondidos vão aparecendo e as dúvidas. Pqp como eu tenho raiva das dúvidas! Dúvida só serve para confundir mesmo. Enfim, não gosto de pensar na vida.
Por isso, desde que eu comecei a dirigir, são nove anos (caralho! Fiz 18 há 9 anos!) de dedicação a achar coisas que disfarcem meu tédio no trânsito. Hoje inventei uma nova brincadeira que pode até virar roteiro de curta-metragem.
Estava eu na Lagoa-barra (o que fazia eu lá, às 20h?? burra para c...) quando o mundo parou. Nem sinal de caminhos alternativos. Estava presa. Precavida que sou, antes do tédio invadir ou da vida rondar, comecei a fazer o seguinte: olhava para os carros do meu lado, na frente, atrás, enfim, os carros que estavam próximos e começava a inventar uma historinha para cada pessoa que estava dentro deles.
Assim: do meu lado tinha um velhinho em um táxi, com uma cara meio tristinha. Aí, fingi que ele tinha trabalhado a vida toda e juntado uma grana boa. Com esse dinheiro, abriu um negócio com um amigo que veio do norte, onde ele também morava. O negócio deu certo, cresceu e eles estavam super bem. Um belo dia, o cara sumiu com tudo e deixou o velhinho sem nada. Sem alternativa, ele teve que começar a trabalhar de novo e alugou um táxi.
Atrás, tinha um casal num carro preto grande que eu nem sei qual era. (não sou muito boa nisso, o que deixa meu marido, viciado em carro, um pouco irritado). Os dois estavam, há uns 10 minutos, mudos, olhando para a frente sem trocar uma palavra. Na minha historinha, estavam indo para a festa de 70 anos do pai dela. (ela estava toda maquiada) e como já haviam discutido em casa, porque ele não queria ir, agora estavam sem se falar. Ele pensava que era a última vez que estava fazendo algo que não queria e ela pensava em como ele era injusto, ingrato e egoísta.
Na frente, um cara num chevete (esse eu ainda sei reconhecer!) que tinha acabado de jogar uma lata vazia de cerveja pela janela. Preconceitos à parte, no meu roteiro virou um pé-rapado, que estava indo numa festa num condomínio na Barra com churrasquinho, pagode e funk.
Do outro lado, um garoto, sei lá de uns 20 anos, roendo unha. Esse estava indo pegar uma menina para sair pela primeira vez. A infeliz mora na Barra e fez com que eles marcassem um cinema no infernal New York City Center. Ele já está atrasado, começando mal. Está nervoso, ela não atende o celular.
E assim foi até eu chegar em São Conrado, quando peguei o Joá (dane-se se é perigoso) e fui me divertindo com curvas até a Barra. Cheguei de bom-humor, com uma idéia na cabeça e simpática com todo mundo!
Se eu não fosse maluca, ia acabar ficando louca...
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Nada É por Acaso
Não, por favor, nada de espiritismo. Sei que há um livro famosérrimo da Zíbia sei lá das quantas que tem esse título. Mas não sou espírita, para desgosto do meu pai, e muito menos leio livro da Zíbia que tem um filho dono de um dos programas mais trashes da TV. E trash no mau sentido. Porque há trashes e trashes e esse é o trash do mau, do demo, para ficarmos no campo religioso.
Meu ‘nada é por acaso’ é mais simples. Simplório, fica melhor. Tudo começou com Miguel, um dos portugas, que me pediu uma caixinha para guardar a coleção de moedas que está se formando na mesinha de cabeceira dele. Catei, mas não encontrei nenhum compartimento adaptável.
Até que andando pela Marechal Cantuária, a única rua da Urca onde vende-se coisas, passei por uma lotérica que além de aceitar apostas, vende trecos. Sei lá porquê, parei e entrei para olhar os trecos. Aí, avistei um simpático cofrinho em forma de porquinho todo pintado com temática tricolor. Tá, meu time não tá merecendo minha simpatia, mas quem é que resiste ao escudo do Fluminense? Eu ainda não consigo. É como olhar para o Marcelo Antony ou para o George Clooney, meus musos quarentões.
Enfim, comprei o porquinho para dar de presente a Miguel. Ele merece. Mesmo tendo chegado ao Brasil numa época em que o Flu não anda essas coisas, fez questão de escolher meu time para chamar de seu, comprou uma camisa e a veste com orgulho, vai entender...
O fato é que as moedas do Miguel, depois o escudo tricolor e, por último, o porquinho associado ao tema econômico e a alguém que eu gosto muito fizeram com que eu tivesse idéias bacanas e resolvesse coisas importantíssimas de trabalho hoje.
Viu, simplório. Como eu gosto.
Meu ‘nada é por acaso’ é mais simples. Simplório, fica melhor. Tudo começou com Miguel, um dos portugas, que me pediu uma caixinha para guardar a coleção de moedas que está se formando na mesinha de cabeceira dele. Catei, mas não encontrei nenhum compartimento adaptável.
Até que andando pela Marechal Cantuária, a única rua da Urca onde vende-se coisas, passei por uma lotérica que além de aceitar apostas, vende trecos. Sei lá porquê, parei e entrei para olhar os trecos. Aí, avistei um simpático cofrinho em forma de porquinho todo pintado com temática tricolor. Tá, meu time não tá merecendo minha simpatia, mas quem é que resiste ao escudo do Fluminense? Eu ainda não consigo. É como olhar para o Marcelo Antony ou para o George Clooney, meus musos quarentões.
Enfim, comprei o porquinho para dar de presente a Miguel. Ele merece. Mesmo tendo chegado ao Brasil numa época em que o Flu não anda essas coisas, fez questão de escolher meu time para chamar de seu, comprou uma camisa e a veste com orgulho, vai entender...
O fato é que as moedas do Miguel, depois o escudo tricolor e, por último, o porquinho associado ao tema econômico e a alguém que eu gosto muito fizeram com que eu tivesse idéias bacanas e resolvesse coisas importantíssimas de trabalho hoje.
Viu, simplório. Como eu gosto.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Pedras Portuguesas
Tenho praticado muito o desapego. É um exercício diário e forçado. Sou chata. Falei isso já, né? Mas engana-se quem pensou que minha chatice se resume a ser meio travada. Não. Minha chatice abrange temas como: chata com quem usa as minhas coisas, chata com quem tira as minhas coisas do lugar, chata com quem come as minhas coisas... chata com qualquer coisa que envolva as minhas coisas. E esse ‘minhas’ não necessariamente é tão ‘minhas’ assim. Deveria ser de todos. Mas eu não vejo assim. Desde muito nova, quando minha luta era só com Tatiana Maia.
Pois bem. Morar sozinha acostuma mal o ser humano. Um ser humano com tendências egoístas então... Sou esse aí. Tenho muita pré-disposição ao egoísmo e prezo bastante a privacidade. Nunca morei sozinha, sozinha. Mas morar com o meu marido é quase isso já que o cara é quase um escravo dos Senhores Feudais Portugueses. Desde que o conheço ele trabalha de domingo a domingo, salvo raríssimas exceções e nem estou falando de feriados, natal e ano novo. Esses são os dias em que mais se trabalha, aliás. E quando ele chegava em casa, não tinha força para mexer nas minhas coisas. Quem sempre mexeu e decidiu tudo fui eu. Nunca declarei, mas sou totalmente a favor da ditadura dentro de casa.
Agora, cada dia é uma surpresa. Cadê o pão preto que estava aqui? O João comeu. Cadê o João? Está procurando o chocolate. Cadê o chocolate? O Miguel comeu. Cadê o Miguel? Está monopolizando a TV...
Tá. Ainda gosto deles. E eles são muito menos intrusos do que parecem na minha descrição simpática. A chata sou eu mesmo. E é por isso que comecei dizendo que estou praticando o desapego. Acho que vai ser bom para mim. Até para o futuro. Se dois marmanjos me cutucam, imagina crianças!? Como farei para adestrar meus filhos?
Mas enquanto não encontro a cura da chatice, encaro meus novos moradores como pedras no meu caminho.
No meio do caminha tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. No meu caminho, são pedras, assim no plural. E portuguesas!
Pois bem. Morar sozinha acostuma mal o ser humano. Um ser humano com tendências egoístas então... Sou esse aí. Tenho muita pré-disposição ao egoísmo e prezo bastante a privacidade. Nunca morei sozinha, sozinha. Mas morar com o meu marido é quase isso já que o cara é quase um escravo dos Senhores Feudais Portugueses. Desde que o conheço ele trabalha de domingo a domingo, salvo raríssimas exceções e nem estou falando de feriados, natal e ano novo. Esses são os dias em que mais se trabalha, aliás. E quando ele chegava em casa, não tinha força para mexer nas minhas coisas. Quem sempre mexeu e decidiu tudo fui eu. Nunca declarei, mas sou totalmente a favor da ditadura dentro de casa.
Agora, cada dia é uma surpresa. Cadê o pão preto que estava aqui? O João comeu. Cadê o João? Está procurando o chocolate. Cadê o chocolate? O Miguel comeu. Cadê o Miguel? Está monopolizando a TV...
Tá. Ainda gosto deles. E eles são muito menos intrusos do que parecem na minha descrição simpática. A chata sou eu mesmo. E é por isso que comecei dizendo que estou praticando o desapego. Acho que vai ser bom para mim. Até para o futuro. Se dois marmanjos me cutucam, imagina crianças!? Como farei para adestrar meus filhos?
Mas enquanto não encontro a cura da chatice, encaro meus novos moradores como pedras no meu caminho.
No meio do caminha tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. No meu caminho, são pedras, assim no plural. E portuguesas!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A La Cláudio Paiva
- Oi! Que bom encontrar com você. Estava há um tempão pensando nisso.
- Oi.
- Eu me separei também, sabia?
- Ah é?
- É. Não estava dando certo. Muito tempo juntos. O relacionamento se desgastou sozinho, sabe? Não é culpa de ninguém. Não tinha mais paixão. Estávamos vivendo como dois velhos amigos. Meio devagar quase parando.
- Que pena.
- Ah, vai dizer que você não ficou feliz?
- Hã? Não, por que eu ficaria feliz? Separação é sempre uma coisa sofrida.
- Na verdade, estou aliviado. Só tenho pena pelas crianças. Mas também não estava sendo bom para elas.
- Bom, se cuida.
- Ei! Mas e você?
- Eu o quê?
- Separou por quê?
- Como assim?
- Como, como assim? A secretária lá da academia falou que você tinha se mudado. Tinha voltado para a Urca. Aí, me lembrei que você tinha me dito uma vez que seus pais moravam lá. Logo...
- Ah! Por isso que você falou ‘também’ no início... Não. Eu me mudei sim, mas não fui para a casa dos meus pais. E nem me separei.
- Não?
- Não.
- Que merda.
- (?)
- Bom, esquece tudo o que eu falei. A história de aliviado, velhos amigos e tal. Estou tentando voltar para a minha mulher.
(...)
- Oi.
- Eu me separei também, sabia?
- Ah é?
- É. Não estava dando certo. Muito tempo juntos. O relacionamento se desgastou sozinho, sabe? Não é culpa de ninguém. Não tinha mais paixão. Estávamos vivendo como dois velhos amigos. Meio devagar quase parando.
- Que pena.
- Ah, vai dizer que você não ficou feliz?
- Hã? Não, por que eu ficaria feliz? Separação é sempre uma coisa sofrida.
- Na verdade, estou aliviado. Só tenho pena pelas crianças. Mas também não estava sendo bom para elas.
- Bom, se cuida.
- Ei! Mas e você?
- Eu o quê?
- Separou por quê?
- Como assim?
- Como, como assim? A secretária lá da academia falou que você tinha se mudado. Tinha voltado para a Urca. Aí, me lembrei que você tinha me dito uma vez que seus pais moravam lá. Logo...
- Ah! Por isso que você falou ‘também’ no início... Não. Eu me mudei sim, mas não fui para a casa dos meus pais. E nem me separei.
- Não?
- Não.
- Que merda.
- (?)
- Bom, esquece tudo o que eu falei. A história de aliviado, velhos amigos e tal. Estou tentando voltar para a minha mulher.
(...)
domingo, 5 de outubro de 2008
O Bolo
Aniversário dele. O combinado era que o moço passaria o dia fora fazendo um rali aí em Niterói e eu cuidaria das pouquíssimas coisas que faltavam ser organizadas para a festinha de mais tarde em nossa casa.
Fiz até uma listinha. Ele podia ir tranqüilo. Pedi, esperei e paguei o gelo. Coloquei as bebidas para gelar com a ajuda de um dos portugas. Passei aspirador e pano na casa inteira. Recebi os sanduíches enormes. Recebi os barcões da comida japonesa que ele ama e eu odeio. Arrumei tudo. Lavei copos. Arrumei espaço para os petiscos. Selecionei DVDs e músicas. Confirmei com os amigos dele mais próximos. Tomei banho e fiquei linda, com o detalhe importantíssimo de que fiz isso sem precisar usar uma roupa nova. Prometi que ia gastar menos em roupa e tenho cumprido. De presente, usei uma roupa velha no aniversário dele! Ele ficou orgulhoso.
Estava tudo ótimo. Tudo lindo. As pessoas começaram a chegar. Veio todo mundo de mais importante. Não faltou comida e nem bebida, a maior alegria do rapaz, que tem uma neura um pouco acima do normal com isso. Coube todo mundo. Enfim, a noite corria muito bem.
A não ser por um detalhe. Sim, o bolo. Cadê a porra do bolo? Eu esqueci o bolo! Alguém me fala como pode no aniversário do meu marido em que eu fiquei encarregada de organizar uma festa na minha própria casa, eu esqueço do bolo, Jesus?!?!
Um bolo muito do mixuruca foi comprado às pressas numa padaria magicamente aberta. Com aquele glacê de cores que só há em padarias, sabe? Bom, estava todo mundo bêbado e o bolo desceu assim mesmo. Mas pqp! Oh cabeça ruim... Que merda. Ainda bem que ele é homem, já acostumou comigo e não fica magoado. Tá vendo como eu não poderia ser lésbica!? Imagina se fosse uma mulher. Tava fudida.
Fiz até uma listinha. Ele podia ir tranqüilo. Pedi, esperei e paguei o gelo. Coloquei as bebidas para gelar com a ajuda de um dos portugas. Passei aspirador e pano na casa inteira. Recebi os sanduíches enormes. Recebi os barcões da comida japonesa que ele ama e eu odeio. Arrumei tudo. Lavei copos. Arrumei espaço para os petiscos. Selecionei DVDs e músicas. Confirmei com os amigos dele mais próximos. Tomei banho e fiquei linda, com o detalhe importantíssimo de que fiz isso sem precisar usar uma roupa nova. Prometi que ia gastar menos em roupa e tenho cumprido. De presente, usei uma roupa velha no aniversário dele! Ele ficou orgulhoso.
Estava tudo ótimo. Tudo lindo. As pessoas começaram a chegar. Veio todo mundo de mais importante. Não faltou comida e nem bebida, a maior alegria do rapaz, que tem uma neura um pouco acima do normal com isso. Coube todo mundo. Enfim, a noite corria muito bem.
A não ser por um detalhe. Sim, o bolo. Cadê a porra do bolo? Eu esqueci o bolo! Alguém me fala como pode no aniversário do meu marido em que eu fiquei encarregada de organizar uma festa na minha própria casa, eu esqueço do bolo, Jesus?!?!
Um bolo muito do mixuruca foi comprado às pressas numa padaria magicamente aberta. Com aquele glacê de cores que só há em padarias, sabe? Bom, estava todo mundo bêbado e o bolo desceu assim mesmo. Mas pqp! Oh cabeça ruim... Que merda. Ainda bem que ele é homem, já acostumou comigo e não fica magoado. Tá vendo como eu não poderia ser lésbica!? Imagina se fosse uma mulher. Tava fudida.
sábado, 4 de outubro de 2008
Capítulo 2 - Letícia
Entendo que as pessoas muitas vezes não acreditem muito em algumas das minhas peripécias contadas aqui. Mas o que eu posso fazer se vivo passando por situações meio bizarras. Sei lá, atraio. Deve ter alguma explicação.
Bem, primeiro foi a ida à pracinha com Paulinha, a filha dos vizinhos que estavam caindo na porrada. Agora, conheci minha outra vizinha mirim. De novo, de uma maneira incomum. Letícia mora na casa ao lado.
Estava eu sexta-feira trabalhando, lá para umas 5h da tarde, quando começo a escutar:
- Manoel – Manoel (na voz de uma criança aos berros)
Primeiro só pensei uma besteirinha: Caralho, eu tenho três portugueses em casa e o vizinho é que se chama Manoel.
Mas aí, a criança permaneceu: - Pai – Papai – Manoeeeel!!!!– Alguém – Socorro! – Me ajuda – Me ajuda!
E a voz foi ficando cada vez mais desesperada. Tão desesperada que finalmente me fez levantar da cadeira e achar que não era possível que tudo aquilo fosse manha. Cheguei a pensar que ela tinha acabado de fazer cocô e ninguém estava indo lá limpá-la. Depois, achei que ela podia estar de castigo. Num terceiro momento, que de fato me fez levantar, achei que a estivessem matando.
Enfim, me meti numa microjanela que tem na minha copa e dá para ver a lateral da casa onde estavam matando a criança que ainda não tinha parado de gritar.
- Ei. – Ei, aqui.
(silêncio)
- Está tudo bem? Você está precisando de ajuda?
Uma voz fanha me responde: – Não está tudo bem.
Volto para o meu cafofo.
Segundos depois: - Me ajuda! – Pai, chega logo, pai. – Pai, por favor me ajuda.
Voltei para a janelinha: - Oi, olha para mim. O que está acontecendo?
- Eu estou sozinha em casa.
- Você tava dormindo?
- Não, tava no computador.
- E não tinha ninguém?
- Eu achei que a empregada tava, mas ela saiu. E agora eu tô sozinha. Me ajuda! Me ajuda! Pai! Papai!....
Resumindo: eu fui lá para frente, pulei o muro da casa da garota (totalmente louca, né? Ela podia estar de pirraça, podia estar mentindo, a casa podia ter alarme, podia ter cachorro... aliás, tinha. Dois. Mas eles foram com a minha cara), resgatei a pequena e saí com ela pelos braços (o portão abria por dentro, não pulei de novo). Levei a menina ainda histérica e soluçando para a minha varanda e ficamos lá sentadas conversando, esperando alguém da casa dela chegar. Nesse meio tempo, ELE entra em casa e óbvio pergunta quem é a pessoinha.
- Sou a Letícia. Tenho 7 anos. E estava sozinha em casa. Eu que pedi para vir ficar aqui, esperando. Não foi ela que me obrigou.
Muito bem. Letícia fez direitinho como combinamos. Estava morrendo de medo de levar um puta esporro por ter invadido uma casa na Urca e ter saído de lá com uma criança a tira-colo!?
Bem, o lance é que, no fim da história, foi ELE quem entregou Letícia ao pai, que chegou dois minutos depois. Perco quase três horas do meu dia e o menino com cara de bonzinho e responsável é quem leva os créditos. Francamente.
Letícia passa bem. O pai tinha ido buscar o outro filho na natação e avisou a Letícia que não quis ir. Pelo visto, ela mudou de idéia...
Bem, primeiro foi a ida à pracinha com Paulinha, a filha dos vizinhos que estavam caindo na porrada. Agora, conheci minha outra vizinha mirim. De novo, de uma maneira incomum. Letícia mora na casa ao lado.
Estava eu sexta-feira trabalhando, lá para umas 5h da tarde, quando começo a escutar:
- Manoel – Manoel (na voz de uma criança aos berros)
Primeiro só pensei uma besteirinha: Caralho, eu tenho três portugueses em casa e o vizinho é que se chama Manoel.
Mas aí, a criança permaneceu: - Pai – Papai – Manoeeeel!!!!– Alguém – Socorro! – Me ajuda – Me ajuda!
E a voz foi ficando cada vez mais desesperada. Tão desesperada que finalmente me fez levantar da cadeira e achar que não era possível que tudo aquilo fosse manha. Cheguei a pensar que ela tinha acabado de fazer cocô e ninguém estava indo lá limpá-la. Depois, achei que ela podia estar de castigo. Num terceiro momento, que de fato me fez levantar, achei que a estivessem matando.
Enfim, me meti numa microjanela que tem na minha copa e dá para ver a lateral da casa onde estavam matando a criança que ainda não tinha parado de gritar.
- Ei. – Ei, aqui.
(silêncio)
- Está tudo bem? Você está precisando de ajuda?
Uma voz fanha me responde: – Não está tudo bem.
Volto para o meu cafofo.
Segundos depois: - Me ajuda! – Pai, chega logo, pai. – Pai, por favor me ajuda.
Voltei para a janelinha: - Oi, olha para mim. O que está acontecendo?
- Eu estou sozinha em casa.
- Você tava dormindo?
- Não, tava no computador.
- E não tinha ninguém?
- Eu achei que a empregada tava, mas ela saiu. E agora eu tô sozinha. Me ajuda! Me ajuda! Pai! Papai!....
Resumindo: eu fui lá para frente, pulei o muro da casa da garota (totalmente louca, né? Ela podia estar de pirraça, podia estar mentindo, a casa podia ter alarme, podia ter cachorro... aliás, tinha. Dois. Mas eles foram com a minha cara), resgatei a pequena e saí com ela pelos braços (o portão abria por dentro, não pulei de novo). Levei a menina ainda histérica e soluçando para a minha varanda e ficamos lá sentadas conversando, esperando alguém da casa dela chegar. Nesse meio tempo, ELE entra em casa e óbvio pergunta quem é a pessoinha.
- Sou a Letícia. Tenho 7 anos. E estava sozinha em casa. Eu que pedi para vir ficar aqui, esperando. Não foi ela que me obrigou.
Muito bem. Letícia fez direitinho como combinamos. Estava morrendo de medo de levar um puta esporro por ter invadido uma casa na Urca e ter saído de lá com uma criança a tira-colo!?
Bem, o lance é que, no fim da história, foi ELE quem entregou Letícia ao pai, que chegou dois minutos depois. Perco quase três horas do meu dia e o menino com cara de bonzinho e responsável é quem leva os créditos. Francamente.
Letícia passa bem. O pai tinha ido buscar o outro filho na natação e avisou a Letícia que não quis ir. Pelo visto, ela mudou de idéia...
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Gisele
Quando eu era bem menina, ganhei um livro com todas as peças de ballet famosas: “O Lago dos Cisnes”; “O Quebra-Nozes”; “Copélia”; “Giselle”... Adorava. Era esse livro e um outro treco que era de uma boneca de papel e suas roupas também de papel. Eram dois dos meus passatempos prediletos. Li e reli as histórias de ballet cinqüenta mil vezes. Tenho ele até hoje. Meio prejudicado e tal, mas tenho. A boneca de papel escafedeu-se junto com o meu pogobol, o meu Sr. Batata, o jogo do pirata lá... e o resto do Almanaque Anos 80.
Mas não é sobre nada disso que eu quero falar. É que quando coloquei o título ‘Giselle’, lembrei do livro das histórias de ballet. Mas parou aí. O que eu quero falar mesmo é sobre o comercial da Vivara com a Gisele Bundchen.
Já viram? É uma mistura de comercial de shampoo com cabelos ao vento e de perfume com olhares e movimentos sedutores. Mas tem um ‘ar’ constrangedor a mais. Quando vi, me lembrei imediatamente da minha pré-adolescência quando eu ficava em frente ao espelho fazendo caras, bocas e poses para... nada. Só por puro prazer de se descobrir menina e admirar os próprios cabelos compridos.
Mas eu não tinha coragem de fazer isso na frente de ninguém. Desde pequena desenvolvi um senso de ridículo muito bem apurado até os dias de hoje. Nunca usaria um laçarote rosa enorme, por exemplo...
Mas o fato é que olhei para Gisele e lembrei de mim. Uau! Humildade para quê, não é mesmo? Mas é sério. Voltei uns quinze anos no tempo e me vi em frente ao espelho do quarto que hoje é ocupado pela minha irmã, que assim que eu saí de casa nem deixou a cama esfriar. Pulou para o meu ex-quarto que era maior que o dela.
Então, Gisele está lá dando uma de pré-adolescente curtindo uma com o espelho em rede nacional, quiçá internacional! E está ganhando horrores para pagar esse micão.
Talvez meu senso de ridículo tenha me atrapalhado mais do que me ajudado... vou rever os meus conceitos.
Mas não é sobre nada disso que eu quero falar. É que quando coloquei o título ‘Giselle’, lembrei do livro das histórias de ballet. Mas parou aí. O que eu quero falar mesmo é sobre o comercial da Vivara com a Gisele Bundchen.
Já viram? É uma mistura de comercial de shampoo com cabelos ao vento e de perfume com olhares e movimentos sedutores. Mas tem um ‘ar’ constrangedor a mais. Quando vi, me lembrei imediatamente da minha pré-adolescência quando eu ficava em frente ao espelho fazendo caras, bocas e poses para... nada. Só por puro prazer de se descobrir menina e admirar os próprios cabelos compridos.
Mas eu não tinha coragem de fazer isso na frente de ninguém. Desde pequena desenvolvi um senso de ridículo muito bem apurado até os dias de hoje. Nunca usaria um laçarote rosa enorme, por exemplo...
Mas o fato é que olhei para Gisele e lembrei de mim. Uau! Humildade para quê, não é mesmo? Mas é sério. Voltei uns quinze anos no tempo e me vi em frente ao espelho do quarto que hoje é ocupado pela minha irmã, que assim que eu saí de casa nem deixou a cama esfriar. Pulou para o meu ex-quarto que era maior que o dela.
Então, Gisele está lá dando uma de pré-adolescente curtindo uma com o espelho em rede nacional, quiçá internacional! E está ganhando horrores para pagar esse micão.
Talvez meu senso de ridículo tenha me atrapalhado mais do que me ajudado... vou rever os meus conceitos.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Noiva
Ok, ok, todo mundo conhecia a do ‘tô vendendo o almoço pra pagar a janta’. Sorry. Mas eu realmente nunca tinha ouvido e gostei. Vamos à próxima página:
Sempre achei noiva uma coisa meio paraíba. Não a ‘noiva’ em si. Mas aquele povo que fica noivo, sabe? Tipo, ‘estou noiva’; ‘meu noivo blá blá blá’, ô coisa brega...
Como nunca fui noiva, nunca usei aliança na mão direita. Deixo aqui um adendo de que aqueles casais que usaram aliança na mão direita um tempo antes de se casar sem o estardalhaço de ‘ficamos noivos’, não tem problema. Implico apenas com o termo estou ‘noiva’.
Mas então, eu não fui noiva e nem usei aliança na mão direita. Conheci o anel que usaria para ‘todo o sempre...’ no dia do meu casamento. Gostei mais ou menos. Antes eu tivesse visto antes... Não dá para deixar nada na mão de homem, literalmente no caso. Agora tenho que usar esse negócio mais ou menos ‘para sempre’.
Enfim, mas o fato é que estou noiva! Como? Tive uma espécie de alergia inexplicável no dedo anelar da mão esquerda por causa da aliança. Fez machucado e tudo!

E aí, tive que tirar a aliança de lá. Ou seja, estou temporariamente noiva. O anel está, pela primeira vez, na mão direita.
Será que isso faz diferença? Meu marido falou que faz. Pelo menos, para mulher. Diz ele que homem noivo é chamariz de mulher. Mas eu não acho que seja muito diferente de casado. Se uma aliança chama mulher, não importa em que mão esteja. Aliás, se levarmos em conta o desafio, quanto mais difícil melhor, não? Achei bobagem. Mas queria dar uma testada.
Aliás, eu tenho um sério problema. Já fiz inclusive pesquisa entre as minhas amigas e sou uma das poucas que não repara em aliança de homem. Isso não é bom. Mas é que nunca me lembro, ou me lembrava... de olhar para a mão do sujeito pra ver se ele era comprometido. Na maioria das vezes, descobri ou com o tempo ou porque o próprio avisou... Não me orgulho, quero deixar claro. Mas faz parte da minha desatenção.
Ao contrário, digo os homens em relação a mim, também nunca senti que repeli ou atraí gente pela aliança. Já ouvi muitas vezes “Você é casada???”, mas muito mais porque as pessoas não levam fé que eu possa ser casada do que por interesse em mim.
Mas vou aproveitar esse momento noiva para checar se algo muda. Aviso.
Sempre achei noiva uma coisa meio paraíba. Não a ‘noiva’ em si. Mas aquele povo que fica noivo, sabe? Tipo, ‘estou noiva’; ‘meu noivo blá blá blá’, ô coisa brega...
Como nunca fui noiva, nunca usei aliança na mão direita. Deixo aqui um adendo de que aqueles casais que usaram aliança na mão direita um tempo antes de se casar sem o estardalhaço de ‘ficamos noivos’, não tem problema. Implico apenas com o termo estou ‘noiva’.
Mas então, eu não fui noiva e nem usei aliança na mão direita. Conheci o anel que usaria para ‘todo o sempre...’ no dia do meu casamento. Gostei mais ou menos. Antes eu tivesse visto antes... Não dá para deixar nada na mão de homem, literalmente no caso. Agora tenho que usar esse negócio mais ou menos ‘para sempre’.
Enfim, mas o fato é que estou noiva! Como? Tive uma espécie de alergia inexplicável no dedo anelar da mão esquerda por causa da aliança. Fez machucado e tudo!
E aí, tive que tirar a aliança de lá. Ou seja, estou temporariamente noiva. O anel está, pela primeira vez, na mão direita.
Será que isso faz diferença? Meu marido falou que faz. Pelo menos, para mulher. Diz ele que homem noivo é chamariz de mulher. Mas eu não acho que seja muito diferente de casado. Se uma aliança chama mulher, não importa em que mão esteja. Aliás, se levarmos em conta o desafio, quanto mais difícil melhor, não? Achei bobagem. Mas queria dar uma testada.
Aliás, eu tenho um sério problema. Já fiz inclusive pesquisa entre as minhas amigas e sou uma das poucas que não repara em aliança de homem. Isso não é bom. Mas é que nunca me lembro, ou me lembrava... de olhar para a mão do sujeito pra ver se ele era comprometido. Na maioria das vezes, descobri ou com o tempo ou porque o próprio avisou... Não me orgulho, quero deixar claro. Mas faz parte da minha desatenção.
Ao contrário, digo os homens em relação a mim, também nunca senti que repeli ou atraí gente pela aliança. Já ouvi muitas vezes “Você é casada???”, mas muito mais porque as pessoas não levam fé que eu possa ser casada do que por interesse em mim.
Mas vou aproveitar esse momento noiva para checar se algo muda. Aviso.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Colaboradores
Conversa escutada no Bibi Sucos do Jardim Botânico, entre dois atendentes:
- Vai lá no baile da Rocinha hoje?
- Vou não.
- Ih... Tá devagar.
- Minha mulher me bate.
- Que isso rapaz?
- É. Ela falou que só não bate em homem bonito. Feio, ela senta a porrada.
Conversa entre eu e um taxista que virou meu fiel escudeiro nesses tempos de Lei Seca:
- É, policial é tudo bandido mesmo. Eles já têm esquema com os garçons dos bares, sabia? Os fofoqueiros avisam quando sai um cliente que bebeu e dá o itinerário todinho. Aí, os caras vão na certa.
- Jura? Mas também está tudo errado. Eles ganham mal para caramba.
- Que nada. Pode botar um salário de 5 mil na mão deles que eles vão continuar tudo mau caráter igualzinho. Sangue ruim.
- É verdade. Caráter é caráter.
- Eu não consigo. Tô vendendo o almoço pra comprar a janta, mas durmo tranqüilo.
Cantada que uma amiga levou e me contou:
- Aí, ele vira para mim e diz: Eu tenho que te fazer um elogio. Sua estrutura mandibular é linda. (?)
Outra amiga contando de outro cara que também estava dando mole:
- Ele olha de longe. Dá uns abraços mais longos, sabe? Tem um papo legal e tal. Mas... ele pisca. Vive piscando. Uma coisa meio Latino, sabe?
Por essas e outras meus dias têm sido bem divertidos. Queria só falar uma coisa que não tem nada com nada: descobri o Diogo Nogueira. Quer dizer, descobri que o Diogo Nogueira é uma graça! Apesar de dar pinta de viado de vez em quando. Mas fiquei impressionada. Depois de Maria Rita, estou vendo o mundo musical com olhos mais atentos e descobri que Diogo Nogueira também tá podendo, hein?! Pegava fácil... Homem que rebola, usa gola rolê e ainda assim é incrível, tem que ser muito macho.
Um último comentário: qual é o sentido da gente pagar pedágio na ida e na volta? Eu acho que todos os pedágios tinham que ser que nem a Ponte Rio-Niterói. Pagar para entrar, eu até entendo. Mas pagar para sair eu acho um pouco de abuso.
- Vai lá no baile da Rocinha hoje?
- Vou não.
- Ih... Tá devagar.
- Minha mulher me bate.
- Que isso rapaz?
- É. Ela falou que só não bate em homem bonito. Feio, ela senta a porrada.
Conversa entre eu e um taxista que virou meu fiel escudeiro nesses tempos de Lei Seca:
- É, policial é tudo bandido mesmo. Eles já têm esquema com os garçons dos bares, sabia? Os fofoqueiros avisam quando sai um cliente que bebeu e dá o itinerário todinho. Aí, os caras vão na certa.
- Jura? Mas também está tudo errado. Eles ganham mal para caramba.
- Que nada. Pode botar um salário de 5 mil na mão deles que eles vão continuar tudo mau caráter igualzinho. Sangue ruim.
- É verdade. Caráter é caráter.
- Eu não consigo. Tô vendendo o almoço pra comprar a janta, mas durmo tranqüilo.
Cantada que uma amiga levou e me contou:
- Aí, ele vira para mim e diz: Eu tenho que te fazer um elogio. Sua estrutura mandibular é linda. (?)
Outra amiga contando de outro cara que também estava dando mole:
- Ele olha de longe. Dá uns abraços mais longos, sabe? Tem um papo legal e tal. Mas... ele pisca. Vive piscando. Uma coisa meio Latino, sabe?
Por essas e outras meus dias têm sido bem divertidos. Queria só falar uma coisa que não tem nada com nada: descobri o Diogo Nogueira. Quer dizer, descobri que o Diogo Nogueira é uma graça! Apesar de dar pinta de viado de vez em quando. Mas fiquei impressionada. Depois de Maria Rita, estou vendo o mundo musical com olhos mais atentos e descobri que Diogo Nogueira também tá podendo, hein?! Pegava fácil... Homem que rebola, usa gola rolê e ainda assim é incrível, tem que ser muito macho.
Um último comentário: qual é o sentido da gente pagar pedágio na ida e na volta? Eu acho que todos os pedágios tinham que ser que nem a Ponte Rio-Niterói. Pagar para entrar, eu até entendo. Mas pagar para sair eu acho um pouco de abuso.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Golo
Querido Francisco, não. Nada de novos ares no Flu. Eu ando de mal com o time há um tempo, acho que nem saberia se alguma contratação bombástica acontecesse. Aliás, aproveitando o mote das eleições, que estão quase aí, cheguei à conclusão de que lido com o Fluminense da mesma maneira que lido com as eleições. Torço quando papai torce, voto em quem papai vota. Que vergonha, né... com 27 anos na cara. Mas é exatamente assim. Desde os meus 18 anos, vamos caminhando juntos da Rua Lauro Muller até perto da Morada do Sol e chegando lá, ele me dá a cola que preparou para mim. E eu simplesmente repito os números um a um. Quase um coronelismo. A analogia não foi boa? Diz aí, difícil saber quem anda mais desacreditado o Fluminense ou todos os políticos nacionais.
Agora, outra coisa boa. Já tentei fazer mistérios antes para dar ibope e não funcionaram muito. Mas é só ser verdade e vir lá do fundo que o troço desperta um interesse fora do comum. O que me leva a crer mais uma vez que o segredo do sucesso é a sinceridade. O meu, pelo menos. E eu adoro ser assim.
Juro que eu gostaria de publicar aos quatro ventos meus motivos de alegria, mas não é só meu e aí, tem que se respeitar os outros. Esclarecendo mais uma vez, não estou grávida. Como sempre, choveram e-mails, principalmente das minhas amigas meninas, perguntando. Não, gente. Vão ter os filhos de vocês e me deixem em paz. Alice será o oposto da mãe: uma pessoa paciente, serena, calma, sem pressa, sem angustia. Nada de ansiedade. Se bobear, deixa até o Antônio Pedro vir antes. Ela só vai chegar na boa, quando a mãe dela estiver feliz e contente com outras coisas que são mais importantes agora. Ok? Combinado? Vocês estão parecendo a minha mãe.
E, pra fechar, uma coisa engraçadinha: sou casada com um quase português há anos e nunca soube que em Portugal, o povo grita Golo! quando o time põe a bola na rede.
Golo. Gente, não é sonoro. Tenta aí gritar empolgado, como se o Brasil tivesse feito um golaço em plana Copa do Mundo: Gooooooolo! Esse último ‘o’ não encaixa de jeito nenhum. Quebra o ritmo todo. E nem é uma coisa tipo: nós brasileiros não estamos acostumados. Não. Escutei um dos portugas aqui gritando e fica esquisito da mesma maneira. Meio retardado. “Gooooooo – lo”. O ‘lo’ vem meio que depois.
E golo lembra o Golum de “O Sr. dos Anéis”, lembra bolo, lembra tudo, menos ‘gol’. Gol é gol. Não é golo.
Por hoje é só.
Agora, outra coisa boa. Já tentei fazer mistérios antes para dar ibope e não funcionaram muito. Mas é só ser verdade e vir lá do fundo que o troço desperta um interesse fora do comum. O que me leva a crer mais uma vez que o segredo do sucesso é a sinceridade. O meu, pelo menos. E eu adoro ser assim.
Juro que eu gostaria de publicar aos quatro ventos meus motivos de alegria, mas não é só meu e aí, tem que se respeitar os outros. Esclarecendo mais uma vez, não estou grávida. Como sempre, choveram e-mails, principalmente das minhas amigas meninas, perguntando. Não, gente. Vão ter os filhos de vocês e me deixem em paz. Alice será o oposto da mãe: uma pessoa paciente, serena, calma, sem pressa, sem angustia. Nada de ansiedade. Se bobear, deixa até o Antônio Pedro vir antes. Ela só vai chegar na boa, quando a mãe dela estiver feliz e contente com outras coisas que são mais importantes agora. Ok? Combinado? Vocês estão parecendo a minha mãe.
E, pra fechar, uma coisa engraçadinha: sou casada com um quase português há anos e nunca soube que em Portugal, o povo grita Golo! quando o time põe a bola na rede.
Golo. Gente, não é sonoro. Tenta aí gritar empolgado, como se o Brasil tivesse feito um golaço em plana Copa do Mundo: Gooooooolo! Esse último ‘o’ não encaixa de jeito nenhum. Quebra o ritmo todo. E nem é uma coisa tipo: nós brasileiros não estamos acostumados. Não. Escutei um dos portugas aqui gritando e fica esquisito da mesma maneira. Meio retardado. “Gooooooo – lo”. O ‘lo’ vem meio que depois.
E golo lembra o Golum de “O Sr. dos Anéis”, lembra bolo, lembra tudo, menos ‘gol’. Gol é gol. Não é golo.
Por hoje é só.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Eu e a Revista de Domingo
Hoje estou eufórica, mas não posso contar o motivo porque não me deixaram. Mas não há a menor possibilidade deu escrever um texto sobre outro assunto. Ou seja, não escreverei nada. Deixo só uma coisa que li na Revista de Domingo, na entrevista com o Carlo Mossy que eu adorei:
“O bar é o psicólogo da vida. As pessoas saem de lá ávidas, cheias de idéias e de planos para os próximos 15 minutos”.
Achei genial.
Beijos felizes!
“O bar é o psicólogo da vida. As pessoas saem de lá ávidas, cheias de idéias e de planos para os próximos 15 minutos”.
Achei genial.
Beijos felizes!
domingo, 28 de setembro de 2008
Não Existe Mulher Feia, Existe Mulher Pobre
A Maria Rita é uma espécie de Carla Perez da MPB. Perdão começar assim de supetão, mas é que fiquei realmente de queixo caído ao ver de perto a metamorfose da moça. Uma ex-gordinha, tímida que agora é um furacão, cheia de presença e trejeitos ousados, com direito à barriga de fora e micro vestido de paetês. Se a Maria Rita fosse num programa desses de transformação, a gente ia ficar em casa jurando que não era possível, não era a mesma pessoa.
Mas é. Oh, se é. Maria Rita está gostosérrima. E, mais, ela sabe disso e usa e abusa de suas novas formas. Eu sei lá se ela fez lipo, se botou silicone, se fez lifting... Não importa. Ficou ótimo. Mas não deixa de ser surpreendente.
Outra coisa muito surpreendente é a platéia de Maria Rita – ah sim, fui ao show dela ontem. Eu não costumo freqüentar casas de show pelo simples e sincero motivo de que não gosto de definir o que vou fazer daqui a dois fins de semana. É. Tudo acaba muito rápido e se você quiser mesmo ir a algum espetáculo, é preciso se adiantar. Mas isso pra mim é uma tortura automática. Me sinto imediatamente presa. Ou seja, quase nunca consigo ir a show nenhum. Fora que é tudo muito caro e confesso que tenho peninha de gastar o equivalente a um vestido sensacional numa única noite, que eu nem sei se vai ser boa. Mais ou menos como quando se gasta os tubos numa festa de casamento, quando se podia viajar por um mês. Guardadas as devidas proporções é claro.
Mas a platéia da Maria Rita. Muito estranha. Eu, no meu humilde réles conhecimento do mundo musical, tinha a impressão de que Maria Rita agradasse a uma faixa etária que começava na minha e ia mais além. E que fosse um pessoal mais sofisticado. Enfim, achei que ela havia herdado o público da mãe. Ledo engano. Maria Rita é do povo. Me senti num show do Belo, da banda Calypso ou similares. Era um tal de berrar ‘Gostosa!’, ‘Poderosa!’, ‘Vem aqui que eu...’ e a coisa foi piorando.
A faixa etária da galera era de 15 a 20 anos. Uns poucos velhos como eu se misturavam à massa. Achei que poderia ser só no curralzinho da ralé onde eu estava. Nada. Fiquei de olho na hora da saída e era tudo parecido. Talvez os da área vip estivessem um pouco mais bem vestidos. Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato deu não ter avistado nenhuma celebridade. Maria Rita está em baixa com os famosos. Achei que eu poderia não tê-los visto porque entraram e saíram por outro lugar. Hoje dei uma checada no Ego e sites do gênero e não tinha nada sobre famosos no show de Maria Rita. Apenas uma simples chamada: “Maria Rita lança DVD no Rio”. Xiii.... Nem o Falcão deu pinta.
Para fechar, a melhor conversa ouvida na noite:
- Ela é filha da Rita Lee, né?
- Acho que é.
Ôpa, para mim deu. Até.
Mas é. Oh, se é. Maria Rita está gostosérrima. E, mais, ela sabe disso e usa e abusa de suas novas formas. Eu sei lá se ela fez lipo, se botou silicone, se fez lifting... Não importa. Ficou ótimo. Mas não deixa de ser surpreendente.
Outra coisa muito surpreendente é a platéia de Maria Rita – ah sim, fui ao show dela ontem. Eu não costumo freqüentar casas de show pelo simples e sincero motivo de que não gosto de definir o que vou fazer daqui a dois fins de semana. É. Tudo acaba muito rápido e se você quiser mesmo ir a algum espetáculo, é preciso se adiantar. Mas isso pra mim é uma tortura automática. Me sinto imediatamente presa. Ou seja, quase nunca consigo ir a show nenhum. Fora que é tudo muito caro e confesso que tenho peninha de gastar o equivalente a um vestido sensacional numa única noite, que eu nem sei se vai ser boa. Mais ou menos como quando se gasta os tubos numa festa de casamento, quando se podia viajar por um mês. Guardadas as devidas proporções é claro.
Mas a platéia da Maria Rita. Muito estranha. Eu, no meu humilde réles conhecimento do mundo musical, tinha a impressão de que Maria Rita agradasse a uma faixa etária que começava na minha e ia mais além. E que fosse um pessoal mais sofisticado. Enfim, achei que ela havia herdado o público da mãe. Ledo engano. Maria Rita é do povo. Me senti num show do Belo, da banda Calypso ou similares. Era um tal de berrar ‘Gostosa!’, ‘Poderosa!’, ‘Vem aqui que eu...’ e a coisa foi piorando.
A faixa etária da galera era de 15 a 20 anos. Uns poucos velhos como eu se misturavam à massa. Achei que poderia ser só no curralzinho da ralé onde eu estava. Nada. Fiquei de olho na hora da saída e era tudo parecido. Talvez os da área vip estivessem um pouco mais bem vestidos. Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato deu não ter avistado nenhuma celebridade. Maria Rita está em baixa com os famosos. Achei que eu poderia não tê-los visto porque entraram e saíram por outro lugar. Hoje dei uma checada no Ego e sites do gênero e não tinha nada sobre famosos no show de Maria Rita. Apenas uma simples chamada: “Maria Rita lança DVD no Rio”. Xiii.... Nem o Falcão deu pinta.
Para fechar, a melhor conversa ouvida na noite:
- Ela é filha da Rita Lee, né?
- Acho que é.
Ôpa, para mim deu. Até.
sábado, 27 de setembro de 2008
Fila da Baronetti
Não, eu não fiz parte da fila da Baronetti. Para quem não sabe - meus leitores lá de Santo André e tal... – Baronetti é uma boate da moda, ou melhor, que nunca sai de moda mesmo que volta e meia morra gente por lá. Fica em Ipanema.
Pois é. Aí é que está. Eu sempre soube que ficava em Ipanema. Mas eu nunca tinha parado ou investigado para saber a localização exata. E, por algum motivo que eu não sei ao certo qual é, eu achava que era ali no fim/começo (depende do ponto de vista) da Visconde de Pirajá. Quase Posto 6. Mas ali é, ou era, outra, que eu esqueci o nome. Como dá para perceber, não sou muito ligada em boates...
Aliás, nem que eu quisesse eu poderia freqüentar a Baronetti, por exemplo. Primeiro porque iam me barrar na porta por excesso de idade e segundo porque, pelo que eu pude notar, é preciso ter algum tipo de esquema para conseguir entrar, vide a fila absurda – que não anda! – que fica na porta. O que me levou a perceber que há dois tipos de ‘night’ no local. Uma dentro da Baronetti e outra fora, onde o pessoal fica na calçada – e em grande parte da rua - desfilando e usando o banheiro do Informal. Era lá que eu estava. No Informal. Que, para os leitores de Santo André, é um bar, um dos muitos que tem filial no Rio e em São Paulo, acho.
Mas, então, falemos da fila da Baronetti. Fiquei assustada. Gente, existe um outro mundo, totalmente paralelo ao meu, onde meninas se vestem como se fizessem parte do grupo de bailarinos da Cher. É a melhor explicação visual que eu posso dar. Adoro reparar na roupa das pessoas. É feio, eu deveria ter vergonha de assumir e tal, mas é verdade. Sempre achei incrivelmente divertido. Lembro de almoços hilários no meu antigo trabalho – eu e minha querida amiga Andrea Gubert – só sentadas, observando e nos comunicando por olhares sarcásticos.
Como a Andrea fez falta ontem... Porque só eu parecia estar fazendo uma reportagem para o Planeta Bizarro. Os outros que estavam comigo estavam achando incrível. Eram só homens. E homem não se importa muito se a menina tem um laçarote rosa na cabeça, muito maior que o da Minnie. Se ela estiver de vestido curto, é para lá que eles olham.
O laçarote aí não foi ‘força de expressão’, ele era real! Os vestidos é que eram todos meio sem criatividade. Todos do mesmo modelo e variações. É nos acessórios que elas se diferenciam. Se diferenciam entre elas, porque para mim eram todas iguais.
Será que há uns dez anos eu também era assim? ELE falou que provavelmente. Mas eu continuo duvidando... Fiquei muito impressionada com a fila da Baronetti.
Pois é. Aí é que está. Eu sempre soube que ficava em Ipanema. Mas eu nunca tinha parado ou investigado para saber a localização exata. E, por algum motivo que eu não sei ao certo qual é, eu achava que era ali no fim/começo (depende do ponto de vista) da Visconde de Pirajá. Quase Posto 6. Mas ali é, ou era, outra, que eu esqueci o nome. Como dá para perceber, não sou muito ligada em boates...
Aliás, nem que eu quisesse eu poderia freqüentar a Baronetti, por exemplo. Primeiro porque iam me barrar na porta por excesso de idade e segundo porque, pelo que eu pude notar, é preciso ter algum tipo de esquema para conseguir entrar, vide a fila absurda – que não anda! – que fica na porta. O que me levou a perceber que há dois tipos de ‘night’ no local. Uma dentro da Baronetti e outra fora, onde o pessoal fica na calçada – e em grande parte da rua - desfilando e usando o banheiro do Informal. Era lá que eu estava. No Informal. Que, para os leitores de Santo André, é um bar, um dos muitos que tem filial no Rio e em São Paulo, acho.
Mas, então, falemos da fila da Baronetti. Fiquei assustada. Gente, existe um outro mundo, totalmente paralelo ao meu, onde meninas se vestem como se fizessem parte do grupo de bailarinos da Cher. É a melhor explicação visual que eu posso dar. Adoro reparar na roupa das pessoas. É feio, eu deveria ter vergonha de assumir e tal, mas é verdade. Sempre achei incrivelmente divertido. Lembro de almoços hilários no meu antigo trabalho – eu e minha querida amiga Andrea Gubert – só sentadas, observando e nos comunicando por olhares sarcásticos.
Como a Andrea fez falta ontem... Porque só eu parecia estar fazendo uma reportagem para o Planeta Bizarro. Os outros que estavam comigo estavam achando incrível. Eram só homens. E homem não se importa muito se a menina tem um laçarote rosa na cabeça, muito maior que o da Minnie. Se ela estiver de vestido curto, é para lá que eles olham.
O laçarote aí não foi ‘força de expressão’, ele era real! Os vestidos é que eram todos meio sem criatividade. Todos do mesmo modelo e variações. É nos acessórios que elas se diferenciam. Se diferenciam entre elas, porque para mim eram todas iguais.
Será que há uns dez anos eu também era assim? ELE falou que provavelmente. Mas eu continuo duvidando... Fiquei muito impressionada com a fila da Baronetti.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Peitos
- Bom, então é isso, isso e isso, né?
- É. Acho melhor assim.
- Tá, amanhã então a gente faz assim e assado.
- Tudo bem, vai me ligando.
- Bom, então já vou indo... (quase na porta)
- Ah! Esqueci de te falar uma coisa.
(voltei um pouco)
- Vou colocar peitos.
(?!)
Óbvio que sentei na beirada da cama e fiquei mais uns 20 ou 30 minutos falando sobre os futuros peitos da moçoila aí, que eu não sei se eu posso dizer o nome. Se bem que, a essa altura, os peitos novos já estão devidamente colocados. Um pouco inchados, é verdade. Ainda estão estilo Pamela, mas já já estarão mais proporcionais, segundo a recém dona dos meninos. Eu estou achando ótimo, tirando o sutiã da vovó que nesses primeiros dias é essencial. Enfim, não será fácil disfarçá-los. Mas manterei a identidade da menina em segredo só para atiçar a curiosidade dos meus leitores assíduos.
Bem, o fato é que reclamei horrores de ter sido informada sobre a novidade assim de supetão, uma coisa meio un passant, tipo: Ah! Esqueci de te falar uma coisa. O fulano ligou ontem! Ou: Ah! Esqueci de te falar uma coisa. Resolvi onde vou fazer a festa! Quem é que esquece de dizer que aparecerá de peitos inflados?
Mas hoje fico pensando e concordo que não há muito uma maneira de se dizer que vai colocar novos compartimentos dianteiros.
Talvez eu, que tenho peitos, não entenda muito bem a cabeça de quem quer colocá-los. Mas, segundo outra amiga que já tinha passado pela experiência antes, faz uma diferença incrível. A auto-estima vai lá em cima. Bom, com peitos de silicone, concordo. Já com os meus aqui de verdade, nem tanto...
Não sou contra plástica. Acho que se a pessoa se incomoda com algo, tem dinheiro e vai se sentir muito melhor do outro jeito, ótimo. Dou a maior força. Foi o caso dos peitos. Ainda não vi por completo. Mas estou em um dos primeiros lugares da fila. Essa é a vantagem de ser mulher. Se uma amiga põe silicone nos peitos, você pode matar a curiosidade e olhá-los bem de perto. Pode até tocá-los. Imagina se um cara faz plástica no pau para ele ficar maior e o amigo pede para ver?!
É isso. Estou louca para dar as boas vindas aos novos peitos de (...), que cansou de ser inteligente e agora só quer ser gostosa. Válido. Tô pensando em colocar uma bunda...
- É. Acho melhor assim.
- Tá, amanhã então a gente faz assim e assado.
- Tudo bem, vai me ligando.
- Bom, então já vou indo... (quase na porta)
- Ah! Esqueci de te falar uma coisa.
(voltei um pouco)
- Vou colocar peitos.
(?!)
Óbvio que sentei na beirada da cama e fiquei mais uns 20 ou 30 minutos falando sobre os futuros peitos da moçoila aí, que eu não sei se eu posso dizer o nome. Se bem que, a essa altura, os peitos novos já estão devidamente colocados. Um pouco inchados, é verdade. Ainda estão estilo Pamela, mas já já estarão mais proporcionais, segundo a recém dona dos meninos. Eu estou achando ótimo, tirando o sutiã da vovó que nesses primeiros dias é essencial. Enfim, não será fácil disfarçá-los. Mas manterei a identidade da menina em segredo só para atiçar a curiosidade dos meus leitores assíduos.
Bem, o fato é que reclamei horrores de ter sido informada sobre a novidade assim de supetão, uma coisa meio un passant, tipo: Ah! Esqueci de te falar uma coisa. O fulano ligou ontem! Ou: Ah! Esqueci de te falar uma coisa. Resolvi onde vou fazer a festa! Quem é que esquece de dizer que aparecerá de peitos inflados?
Mas hoje fico pensando e concordo que não há muito uma maneira de se dizer que vai colocar novos compartimentos dianteiros.
Talvez eu, que tenho peitos, não entenda muito bem a cabeça de quem quer colocá-los. Mas, segundo outra amiga que já tinha passado pela experiência antes, faz uma diferença incrível. A auto-estima vai lá em cima. Bom, com peitos de silicone, concordo. Já com os meus aqui de verdade, nem tanto...
Não sou contra plástica. Acho que se a pessoa se incomoda com algo, tem dinheiro e vai se sentir muito melhor do outro jeito, ótimo. Dou a maior força. Foi o caso dos peitos. Ainda não vi por completo. Mas estou em um dos primeiros lugares da fila. Essa é a vantagem de ser mulher. Se uma amiga põe silicone nos peitos, você pode matar a curiosidade e olhá-los bem de perto. Pode até tocá-los. Imagina se um cara faz plástica no pau para ele ficar maior e o amigo pede para ver?!
É isso. Estou louca para dar as boas vindas aos novos peitos de (...), que cansou de ser inteligente e agora só quer ser gostosa. Válido. Tô pensando em colocar uma bunda...
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Distraídos Venceremos
Essa frase está na minha geladeira. Há anos. O coitado do imã já está até meio rasgadinho, sabe? Enfim, hoje fui beber água e dei de cara com ela. Tinha esquecido que ficava lá. Com o passar dos anos, minha geladeira foi amadurecendo e ganhando várias responsabilidades. Ficam lá: as datas das últimas vacinas dos cachorros; telefones diversos de farmácias, depósitos de água, restaurantes, Pets e mil outros serviços; receitas de como o moço gosta que a empregada faça a soja (urgh) dele (é nojento); e recados variados para os portugueses, ELE e a empregada. Viu, trata-se de uma geladeira atarefada. E no meio dessa poluição visual, sabe-se lá porque, bati o olho na velha frase.
Quem me deu o imazinho foi um amigo das antigas que sempre brincava com o fato deu ser desligada e, por isso, me dar bem com todo mundo. Ele dizia que eu esquecia de coisas que as pessoas disseram ou fizeram e aí, conseguia conviver com elas na boa. Que a minha distração me salvava de muita dor de cabeça. Quando ele viu o imã para vender, comprou feliz da vida para mim.
Por muito tempo eu me esqueci dessa história. (Claro, não é mesmo?) Mas hoje lembrei e dei uma reanalisada nessa minha distração. Decidi investigar como ela anda hoje em dia.
Bom, estou igual. Mas... isso não é tão bom atualmente. Assim como a minha geladeira que ganhou incumbências importantes, eu também ganhei e esquecer delas não é uma boa. O que antes era quase um charme, uma característica engraçada, um jeito de ser cool... hoje, nem tanto.
Tenho de quem puxar. Já disse aqui um monte de vezes que saí igualzinho a Pedro Luiz, meu amado pai. Com uma diferença mortal! Ele é homem.
Em nossa sociedade é meio que permitido os homens serem desligados, esquecidos, meio irresponsáveis. Mas uma mulher? Não. Mulher por definição precisa ser mais cuidadosa, zelosa, responsável... Enfim, mulher.
Meu pai nunca soube em que série nós estávamos na escola. E notas, ele só tinha conhecimento quando era um ‘10’! gritado aos quatro ventos. Ele nunca foi a uma única reunião de pais e em todos os meus boletins, a assinatura é de Stella Maris Villarinho Benevides e Maia, minha querida mamãe.
Assim, papai ficou para a história e na nossa cabeça como o legal, o gente boa, o divertido e a coitada da mamãe virou quase persona non grata. Ninguém fala dela com gargalhadas no rosto.
Bem, no fim da minha análise, cheguei à conclusão de que um dos motivos, além da genética, para eu ser e gostar de ser essa pessoa esquecida e desligada é o simples fato de no meu inconsciente eu querer ser a legal, a gente boa, a divertida. Não é à toa que casei com o meu oposto. Afinal, alguém precisa fazer o trabalho sujo...
Conclusão: continuarei sendo esquecida e distraída. Mas devo muita coisa à mamãe que quase não é citada aqui exatamente por ser quem cuida de tudo o tempo todo e se contenta com o backstage. Mãe, brigada.
Quem me deu o imazinho foi um amigo das antigas que sempre brincava com o fato deu ser desligada e, por isso, me dar bem com todo mundo. Ele dizia que eu esquecia de coisas que as pessoas disseram ou fizeram e aí, conseguia conviver com elas na boa. Que a minha distração me salvava de muita dor de cabeça. Quando ele viu o imã para vender, comprou feliz da vida para mim.
Por muito tempo eu me esqueci dessa história. (Claro, não é mesmo?) Mas hoje lembrei e dei uma reanalisada nessa minha distração. Decidi investigar como ela anda hoje em dia.
Bom, estou igual. Mas... isso não é tão bom atualmente. Assim como a minha geladeira que ganhou incumbências importantes, eu também ganhei e esquecer delas não é uma boa. O que antes era quase um charme, uma característica engraçada, um jeito de ser cool... hoje, nem tanto.
Tenho de quem puxar. Já disse aqui um monte de vezes que saí igualzinho a Pedro Luiz, meu amado pai. Com uma diferença mortal! Ele é homem.
Em nossa sociedade é meio que permitido os homens serem desligados, esquecidos, meio irresponsáveis. Mas uma mulher? Não. Mulher por definição precisa ser mais cuidadosa, zelosa, responsável... Enfim, mulher.
Meu pai nunca soube em que série nós estávamos na escola. E notas, ele só tinha conhecimento quando era um ‘10’! gritado aos quatro ventos. Ele nunca foi a uma única reunião de pais e em todos os meus boletins, a assinatura é de Stella Maris Villarinho Benevides e Maia, minha querida mamãe.
Assim, papai ficou para a história e na nossa cabeça como o legal, o gente boa, o divertido e a coitada da mamãe virou quase persona non grata. Ninguém fala dela com gargalhadas no rosto.
Bem, no fim da minha análise, cheguei à conclusão de que um dos motivos, além da genética, para eu ser e gostar de ser essa pessoa esquecida e desligada é o simples fato de no meu inconsciente eu querer ser a legal, a gente boa, a divertida. Não é à toa que casei com o meu oposto. Afinal, alguém precisa fazer o trabalho sujo...
Conclusão: continuarei sendo esquecida e distraída. Mas devo muita coisa à mamãe que quase não é citada aqui exatamente por ser quem cuida de tudo o tempo todo e se contenta com o backstage. Mãe, brigada.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Lixeira
Sempre me impressionei com aquelas cenas de alguns filmes de suspense em que neguinho vai cavucar a lixeira alheia para descobrir coisas importantíssimas sobre o sujeito. É um nojo e eu nunca cheguei a achar que isso um dia pudesse fazer parte da minha própria vida. Não até inventarem as lixeiras dos e-mails. Uma lixeira mal administrada pode acabar com a vida de qualquer um. Ainda mais com pessoas como eu que demoraram um certo tempo até descobrir que o fato de você apagar ou excluir não quer dizer absolutamente nada no mundo virtual.
Aliás, esse mundo é um pouco benevolente demais, não é não? Uma espécie de universo em que para tudo há uma segunda chance e você não faz nada antes de um grande guru te perguntar ‘você tem certeza?’. Mesmo que você tenha, aquele negócio te faz dar uma balançada. “Hum... será?”
Mas o fato é que isso não deveria valer com a lixeira. Se você jogou no lixo é porque era para sumir. Ainda mais e-mail gente! Tudo bem que tem uns retardados por aí que jogam fora o que não deve e amam a lixeira. Mas, no geral, é trabalho dobrado. Você apaga lá e depois tem que ir apagar acolá. Um pequeno deslize e um mal entendido leva anos de relacionamento por água abaixo. Eu já tive que explicar porque chamei um cara, que teoricamente eu mal conhecia, de ‘querido’. Saco. Nada enfiava na cabeça do menino que querido é uma forma coloquial e tranqüila na minha área profissional, onde todo mundo acha que conhece todo mundo muito mais do que conhece.
Há um tempo descobri um atalho muito útil – shift + dell – que apaga a porra toda de uma vez. Mas meu atalho não funciona no e-mail fora do Outlook. O e-mail cibernético é contra apagar coisas assim de cara. É sim. Olha só a mensagem que fica depois que eu esvazio a lixeira:
Não há nenhuma conversa na lixeira. Por que jogar fora quando se tem mais de 2000 MB de armazenamento?!
“?!” digo eu! O que é essa pontuação exagerada no fim de uma mensagem doida dessa? O povo do Google que é dono do g-mail, do globo-mail e de mais da metade do mundo também é adepto da filosofia do ‘conhece muito mais do que conhece’. Porque para falar comigo com um ponto de exclamação e um de interrogação juntos tem que ter pelo menos me levado para jantar ou ser muito amigo ou um mala, que é mais o caso dessa mensagem surreal.
Enfim, foi só para compartilhar a mensagem aí que realmente me chamou a atenção. E respondendo a pergunta feita lá: porque alguém pode espionar a minha lixeira!
Aliás, esse mundo é um pouco benevolente demais, não é não? Uma espécie de universo em que para tudo há uma segunda chance e você não faz nada antes de um grande guru te perguntar ‘você tem certeza?’. Mesmo que você tenha, aquele negócio te faz dar uma balançada. “Hum... será?”
Mas o fato é que isso não deveria valer com a lixeira. Se você jogou no lixo é porque era para sumir. Ainda mais e-mail gente! Tudo bem que tem uns retardados por aí que jogam fora o que não deve e amam a lixeira. Mas, no geral, é trabalho dobrado. Você apaga lá e depois tem que ir apagar acolá. Um pequeno deslize e um mal entendido leva anos de relacionamento por água abaixo. Eu já tive que explicar porque chamei um cara, que teoricamente eu mal conhecia, de ‘querido’. Saco. Nada enfiava na cabeça do menino que querido é uma forma coloquial e tranqüila na minha área profissional, onde todo mundo acha que conhece todo mundo muito mais do que conhece.
Há um tempo descobri um atalho muito útil – shift + dell – que apaga a porra toda de uma vez. Mas meu atalho não funciona no e-mail fora do Outlook. O e-mail cibernético é contra apagar coisas assim de cara. É sim. Olha só a mensagem que fica depois que eu esvazio a lixeira:
Não há nenhuma conversa na lixeira. Por que jogar fora quando se tem mais de 2000 MB de armazenamento?!
“?!” digo eu! O que é essa pontuação exagerada no fim de uma mensagem doida dessa? O povo do Google que é dono do g-mail, do globo-mail e de mais da metade do mundo também é adepto da filosofia do ‘conhece muito mais do que conhece’. Porque para falar comigo com um ponto de exclamação e um de interrogação juntos tem que ter pelo menos me levado para jantar ou ser muito amigo ou um mala, que é mais o caso dessa mensagem surreal.
Enfim, foi só para compartilhar a mensagem aí que realmente me chamou a atenção. E respondendo a pergunta feita lá: porque alguém pode espionar a minha lixeira!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Voltando à Tona
Ainda da série do coração já que o assunto foi bem aceito e comentado. Ontem falei da mania ou burrice que às vezes nos assola e faz com que tentemos desesperadamente forçar a barra. Principalmente as mulheres que em um determinado momento perto dos 30 saem fazendo mesmo qualquer negócio. Bom, hoje vou falar de uma situação um pouco inversa. De quando a gente, por motivos legítimos como defesa, se engana e finge que já esqueceu alguém.
Todo mundo já teve pelo menos uma grande paixão na vida. Se não teve, acha que teve. E quando tiver, vai ver como a coisa é realmente muito maior do que se imaginava. Mas nem sempre essas paixões avassaladoras são possíveis. Aliás, muitas vezes não são. Por ‘n’ mil motivos. Dentre eles, incompatibilidade de gênios – amar não basta -; incompatibilidade de momentos na vida – amar não basta -; falta de coragem – amar não basta -; incompatibilidade de estado civil – amar não basta -; e mais um monte de outras incompatibilidades que só reforçam o fato de que o amor, ou a paixão, não é tudo. Não sustenta. Não enche barriga. E não gosta da rotina.
Mas o fato da cabeça ter tomado uma decisão, muito sensata até, não faz com que o coração acate essa escolha. E aí, é uma luta quase eterna entre um e outro. Quando a cabeça vence ou parece que vence, a importância da coisa vai mesmo diminuindo com o tempo e a esperança é que um dia suma. Trata-se de uma espécie de autodefesa muito útil para se continuar levando a vida. Caso contrário, seríamos um monte de infelizes a se lamentar o tempo todo.
As lembranças vão vindo com cada vez menos freqüência e rapidamente se consegue voltar ao que se estava fazendo antes. O máximo que o passado apaixonado ganha é um cúmplice suspiro. Um ar conformado e, no fundo, aliviado por aquele incômodo sentimento estar te deixando pouco a pouco. O problema é que a gente se apega. Se apega a filhote de cachorro, imagina a um sentimento que foi capaz de abalar as estruturas!
O segredo é saber lidar com esse corpo mole que pode ameaçar a paz conquistada. Não vou colocar aqui uma receita pra isso porque cada um deve descobrir a sua. Eu gosto muito das coisas naturais. Como eu sou meio esquecida e desligada mesmo, sempre deixei o fluxo da minha memória me ajudar a não me tocar da falta que alguém pode fazer. Insisto que isso não é fácil e que nem sempre fui bem-sucedida. Mas de outra forma não funciona. Comigo.
Mas vamos ser justos com os apaixonados e lembrar que nem sempre depende só deles. Uma variável determinante nesse caso chama-se destino. Se ele ajudar e colocar as duas partes em caminhos que não se cruzam, ótimo. Mas, se, por acaso, cruzar, as chances de se ‘defender’ diminuem consideravelmente. Eu até hoje só consegui esquecer gente de duas maneiras: ou porque me apaixonei por outro ou porque deixei de ver o sujeito at all.
Esse negócio de que se há de ser forte e assim você vai conseguir superar a dor é tudo balela. Quem é o sangue de barata que supera alguma coisa dando de cara com o objeto de sofrimento todos os dias? Gente, ninguém. A força aí só serve para tomar uma atitude do tipo mudar de emprego, sair do curso de inglês ou dar um tempo no mesmo grupo de amigos. Mas até chegar a esse ponto a pessoa precisa ter ido até o seu limite porque todo mundo sabe que no fundo, no fundo, a gente não quer coisa nenhuma ficar longe de quem se ama.
Bom, está na hora de acabar. Como deixei um conselho ontem – não force a barra -, deixo um conselho hoje - muito cuidado com a auto-enganação. Achar que esqueceu alguém está a léguas de distância de realmente ter esquecido. Então, se a idéia é realmente ficar cada um no seu quadrado, não atice o coração. Ele precisa de muito pouco para voltar à tona. E quando volta é mais ou menos como aquela primeira respirada quando se está debaixo d’água e, enfim, chega-se à superfície. Força total. Quase uma sobrevida. Um renascimento triunfante. E lembre-se de que quem achou que estava morto e, de repente, se descobre vivo, tem muito mais vontade de viver.
Todo mundo já teve pelo menos uma grande paixão na vida. Se não teve, acha que teve. E quando tiver, vai ver como a coisa é realmente muito maior do que se imaginava. Mas nem sempre essas paixões avassaladoras são possíveis. Aliás, muitas vezes não são. Por ‘n’ mil motivos. Dentre eles, incompatibilidade de gênios – amar não basta -; incompatibilidade de momentos na vida – amar não basta -; falta de coragem – amar não basta -; incompatibilidade de estado civil – amar não basta -; e mais um monte de outras incompatibilidades que só reforçam o fato de que o amor, ou a paixão, não é tudo. Não sustenta. Não enche barriga. E não gosta da rotina.
Mas o fato da cabeça ter tomado uma decisão, muito sensata até, não faz com que o coração acate essa escolha. E aí, é uma luta quase eterna entre um e outro. Quando a cabeça vence ou parece que vence, a importância da coisa vai mesmo diminuindo com o tempo e a esperança é que um dia suma. Trata-se de uma espécie de autodefesa muito útil para se continuar levando a vida. Caso contrário, seríamos um monte de infelizes a se lamentar o tempo todo.
As lembranças vão vindo com cada vez menos freqüência e rapidamente se consegue voltar ao que se estava fazendo antes. O máximo que o passado apaixonado ganha é um cúmplice suspiro. Um ar conformado e, no fundo, aliviado por aquele incômodo sentimento estar te deixando pouco a pouco. O problema é que a gente se apega. Se apega a filhote de cachorro, imagina a um sentimento que foi capaz de abalar as estruturas!
O segredo é saber lidar com esse corpo mole que pode ameaçar a paz conquistada. Não vou colocar aqui uma receita pra isso porque cada um deve descobrir a sua. Eu gosto muito das coisas naturais. Como eu sou meio esquecida e desligada mesmo, sempre deixei o fluxo da minha memória me ajudar a não me tocar da falta que alguém pode fazer. Insisto que isso não é fácil e que nem sempre fui bem-sucedida. Mas de outra forma não funciona. Comigo.
Mas vamos ser justos com os apaixonados e lembrar que nem sempre depende só deles. Uma variável determinante nesse caso chama-se destino. Se ele ajudar e colocar as duas partes em caminhos que não se cruzam, ótimo. Mas, se, por acaso, cruzar, as chances de se ‘defender’ diminuem consideravelmente. Eu até hoje só consegui esquecer gente de duas maneiras: ou porque me apaixonei por outro ou porque deixei de ver o sujeito at all.
Esse negócio de que se há de ser forte e assim você vai conseguir superar a dor é tudo balela. Quem é o sangue de barata que supera alguma coisa dando de cara com o objeto de sofrimento todos os dias? Gente, ninguém. A força aí só serve para tomar uma atitude do tipo mudar de emprego, sair do curso de inglês ou dar um tempo no mesmo grupo de amigos. Mas até chegar a esse ponto a pessoa precisa ter ido até o seu limite porque todo mundo sabe que no fundo, no fundo, a gente não quer coisa nenhuma ficar longe de quem se ama.
Bom, está na hora de acabar. Como deixei um conselho ontem – não force a barra -, deixo um conselho hoje - muito cuidado com a auto-enganação. Achar que esqueceu alguém está a léguas de distância de realmente ter esquecido. Então, se a idéia é realmente ficar cada um no seu quadrado, não atice o coração. Ele precisa de muito pouco para voltar à tona. E quando volta é mais ou menos como aquela primeira respirada quando se está debaixo d’água e, enfim, chega-se à superfície. Força total. Quase uma sobrevida. Um renascimento triunfante. E lembre-se de que quem achou que estava morto e, de repente, se descobre vivo, tem muito mais vontade de viver.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Vestibular do Coração
Um amigo outro dia me pediu para deixar aqui mais ‘textos meus’ do que continuar usando o blog como diário. Eu falei que ia tentar, mas que era difícil porque escrever diariamente é foda, não tem outra palavra. Estava olhando no arquivo geral e já tem 269 posts! Com esse, 270. Isso me fez pensar que eu perdi algumas oportunidades como a de comemorar a postagem nº 100. Burra pra cacete, fica desperdiçando assunto... Bom, o que eu posso fazer é tentar ficar mais ligada nessa questão do diário ou ‘não diário’, no caso. Concordo que nem todo mundo está interessado em saber o que eu fiz no fim de semana, mas pode estar aberto as minhas idéias e aos meus pensamentos mais abstratos. Lá vai mais um:
Sabe quando você passa por uma fase em que parece que ninguém foi feito para você? Um momento de carência e solidão capaz de fazer você se esforçar ao máximo para ficar com aquele cara mesmo. Oras... ele é tão legal. O que importa se ele é baixinho ou magro demais? O que é que tem se ele não encaixa no seu hall de pratos preferidos? Que bobeira, não é? Preconceito bobo.
Na na ni na não. Muito cuidado com a famosa forçação de barra. Na maioria das vezes, tudo aí acima importa sim. Importa muito. Eu sei lá o que nos atrai ou não no sexo oposto, ou, no mundo mais moderno, pode ser no mesmo sexo mesmo. Mas, enfim, existe uma conjuntura de fatores, mais ou menos como um mapa astral que define sua personalidade, que define o seu ‘tipo’ de homem, ou de mulher. Isso não quer dizer que a gente só vá se sentir atraído por um tipo determinado de pessoa. Há consideráveis combinações possíveis. Mas não há como tapar os olhos para as matérias específicas, digamos assim. Não dá para querer ser médico e zerar em biologia, entende? Há certas questões, ainda que de múltipla escolha – já que sorte é um fator importantíssimo nesse jogo -, que não dá para passar em branco. E chutar qualquer merda, nesse caso, costuma não funcionar... Nem aquele truque de marcar tudo a letra ‘b’. Com o tempo, as outras letras farão falta.
E é aí que já dá para perceber logo de cara quando não vai rolar. O cara é um problema de física e você quer ficar lá tentando resolver, achando que se estudar mais uma semana dá para encarar. Não dá.
O problema é que, ainda na alusão com o vestibular, tem gente que escolhe uns perfis em que a relação candidato/ vaga é assustadora. Se o seu tipo de homem é medicina na UFRJ, tá fudida. Agora, um de Geografia, de Ciências Sociais é bem mais fácil.... Mas, como eu disse no início, infelizmente, não somos nós que escolhemos. E quando tentamos fazer isso, tipo querer fazer direito de qualquer maneira porque o pai e a mãe querem, o risco de ir estudar na Estácio é grande, já que capacidade natural para passar não existe.
Por isso, é muito melhor ser honesta desde o início e fazer uma seleção básica, baseada na carcaça do sujeito. Se não há nada ali que te chame atenção imediatamente, é bem improvável que o quadro vá mudar com o tempo.
Tem gente que insiste e acaba ganhando um amigão no final. Aí pode até ser que não seja tanto desperdício. Mas se o que se está procurando é aquele ou aquela por quem a perna irá tremer, o coração vai disparar e a barriga vai ser sugada para dentro, aí é muito melhor prestar atenção naquele cara que o jeito de andar já te faz abrir um sorriso; que o som da risada tira imediatamente a sua concentração; e que volta e meia povoa seus sonhos. Se ele é moreno, alto, bonito e sensual, não interessa. Mas precisa parecer que foi feito para você.
Sabe quando você passa por uma fase em que parece que ninguém foi feito para você? Um momento de carência e solidão capaz de fazer você se esforçar ao máximo para ficar com aquele cara mesmo. Oras... ele é tão legal. O que importa se ele é baixinho ou magro demais? O que é que tem se ele não encaixa no seu hall de pratos preferidos? Que bobeira, não é? Preconceito bobo.
Na na ni na não. Muito cuidado com a famosa forçação de barra. Na maioria das vezes, tudo aí acima importa sim. Importa muito. Eu sei lá o que nos atrai ou não no sexo oposto, ou, no mundo mais moderno, pode ser no mesmo sexo mesmo. Mas, enfim, existe uma conjuntura de fatores, mais ou menos como um mapa astral que define sua personalidade, que define o seu ‘tipo’ de homem, ou de mulher. Isso não quer dizer que a gente só vá se sentir atraído por um tipo determinado de pessoa. Há consideráveis combinações possíveis. Mas não há como tapar os olhos para as matérias específicas, digamos assim. Não dá para querer ser médico e zerar em biologia, entende? Há certas questões, ainda que de múltipla escolha – já que sorte é um fator importantíssimo nesse jogo -, que não dá para passar em branco. E chutar qualquer merda, nesse caso, costuma não funcionar... Nem aquele truque de marcar tudo a letra ‘b’. Com o tempo, as outras letras farão falta.
E é aí que já dá para perceber logo de cara quando não vai rolar. O cara é um problema de física e você quer ficar lá tentando resolver, achando que se estudar mais uma semana dá para encarar. Não dá.
O problema é que, ainda na alusão com o vestibular, tem gente que escolhe uns perfis em que a relação candidato/ vaga é assustadora. Se o seu tipo de homem é medicina na UFRJ, tá fudida. Agora, um de Geografia, de Ciências Sociais é bem mais fácil.... Mas, como eu disse no início, infelizmente, não somos nós que escolhemos. E quando tentamos fazer isso, tipo querer fazer direito de qualquer maneira porque o pai e a mãe querem, o risco de ir estudar na Estácio é grande, já que capacidade natural para passar não existe.
Por isso, é muito melhor ser honesta desde o início e fazer uma seleção básica, baseada na carcaça do sujeito. Se não há nada ali que te chame atenção imediatamente, é bem improvável que o quadro vá mudar com o tempo.
Tem gente que insiste e acaba ganhando um amigão no final. Aí pode até ser que não seja tanto desperdício. Mas se o que se está procurando é aquele ou aquela por quem a perna irá tremer, o coração vai disparar e a barriga vai ser sugada para dentro, aí é muito melhor prestar atenção naquele cara que o jeito de andar já te faz abrir um sorriso; que o som da risada tira imediatamente a sua concentração; e que volta e meia povoa seus sonhos. Se ele é moreno, alto, bonito e sensual, não interessa. Mas precisa parecer que foi feito para você.
domingo, 21 de setembro de 2008
A Oito Mãos II
Dentre várias coisas preguiçosas que fizemos durante o fim de semana, esteve a leitura da entrevista da Cláudia Abreu à revista TPM. E a maior colaboração de tal entrevista foi a inclusão da palavra 'estofo' no vocabulário da Paula. Que rapidamente a usou para esculachar seu marido no café da manhã de domingo, dizendo que ela tinha receio de que no futuro, quando ela for alguém muito importante, vá faltar estofo intelectual nele para freqüentar os eventos de trabalho dela. Mas isso é bem no futuro porque por enquanto quem nos sacaneia e nos esculacha são eles. Mas o mundo dá voltas, oh se dá...
O esculacho a minha pessoa também se manifestou. Coloquei na roda o fato do meu próprio marido se interessar e se orgulhar mais do blog do priminho português que chegou agora e quer sentar na janela, do que do blog da própria mulher. O outro elemento masculino da roda, claro, ficou do lado dele e Paulette me deu apoio, afirmando que os homens têm muita dificuldade de elogiar suas mulheres e se incomodam com o sucesso delas. Quebra pau encerrado com os times claramente divididos. Falando em times, as meninas deram uma surra nos meninos no truco e no buraco. Lavada, com direito aos rapazes passarem por debaixo da mesa. Lamentável.
ELE descobriu o melhor restaurante que já comeu na vida! Um buffet a quilo em Teresópolis... Jesus amado...
Ainda sobre meninos terem ficado contra meninas, deu-se o seguinte diálogo entre eu e ELE:
- Por que não tem sonho na padaria do mercado?
- Porque eu não tenho confeiteiro.
- Mas não vale à pena ter?
- Vale.
- Ué. Então, por que você não contrata um?
- O problema é que eu não tenho espaço para expor.
- Não?
- Não.
- Mas você não comprou vários balcões novos?
- Comprei.
- Então?
- Agora eu vou ter espaço.
- Ué, menino, então contrata um confeiteiro.
- Sim. Vou contratar.
É mole? Porque ele não simplificou a conversa desde o início? Homens...
Para finalizar, uma piadinha que demonstra o típico humor do meu amado marido:
Qual é o contrário de volátil?
(...)
Vou lá sobrinho!
E esse foi o clima de um fim de semana sensacional entre amigos. Isso porque nem contei que ainda teve espaço para dois filmes de mulherzinha, feirinha, um festival de fondue, 6 garrafas de vinho e alguma coisa de sexo. Cada um com seu cada um porque a Paula fica nervosa ao ouvir falar de suruba e o marido dela acha que eu sou uma tremenda de uma propaganda enganosa...
até.

O esculacho a minha pessoa também se manifestou. Coloquei na roda o fato do meu próprio marido se interessar e se orgulhar mais do blog do priminho português que chegou agora e quer sentar na janela, do que do blog da própria mulher. O outro elemento masculino da roda, claro, ficou do lado dele e Paulette me deu apoio, afirmando que os homens têm muita dificuldade de elogiar suas mulheres e se incomodam com o sucesso delas. Quebra pau encerrado com os times claramente divididos. Falando em times, as meninas deram uma surra nos meninos no truco e no buraco. Lavada, com direito aos rapazes passarem por debaixo da mesa. Lamentável.
ELE descobriu o melhor restaurante que já comeu na vida! Um buffet a quilo em Teresópolis... Jesus amado...
Ainda sobre meninos terem ficado contra meninas, deu-se o seguinte diálogo entre eu e ELE:
- Por que não tem sonho na padaria do mercado?
- Porque eu não tenho confeiteiro.
- Mas não vale à pena ter?
- Vale.
- Ué. Então, por que você não contrata um?
- O problema é que eu não tenho espaço para expor.
- Não?
- Não.
- Mas você não comprou vários balcões novos?
- Comprei.
- Então?
- Agora eu vou ter espaço.
- Ué, menino, então contrata um confeiteiro.
- Sim. Vou contratar.
É mole? Porque ele não simplificou a conversa desde o início? Homens...
Para finalizar, uma piadinha que demonstra o típico humor do meu amado marido:
Qual é o contrário de volátil?
(...)
Vou lá sobrinho!
E esse foi o clima de um fim de semana sensacional entre amigos. Isso porque nem contei que ainda teve espaço para dois filmes de mulherzinha, feirinha, um festival de fondue, 6 garrafas de vinho e alguma coisa de sexo. Cada um com seu cada um porque a Paula fica nervosa ao ouvir falar de suruba e o marido dela acha que eu sou uma tremenda de uma propaganda enganosa...
até.
sábado, 20 de setembro de 2008
A Oito Mãos I
Cena: Eu, ELE, Paula e o ELE dela no carro. Passamos por um cavalo em pé no acostamento.
Eu: Eu sempre fico com pena de cavalo. Ele fica em pé o maior tempão...
Paula: Cavalo não deita?
ELE da Paula: Claro que deita. Cavalo dorme.
Paula: E a girafa, deita?
Eu: Deve deitar.
Paula: Caraca, deve ser difição para ela levantar depois...
ELE da Paula: Todos os mamíferos deitam. Dormir é característica de mamífero.
Eu: Hã? Qual é a relação?
Paula: Ué. E a baleia? Baleia não dorme?
ELE da Paula: Peixe não dorme.
ELE: Baleia é mamífero.
Paula: Tá. E tipo um sapo?
ELE da Paula: Inseto não dorme. Por isso eles têm vida curta.
Eu: Sapo não é inseto!
(e nesse momento foi decidido que essa era uma conversa digna do meu blog...)
Eu: Eu sempre fico com pena de cavalo. Ele fica em pé o maior tempão...
Paula: Cavalo não deita?
ELE da Paula: Claro que deita. Cavalo dorme.
Paula: E a girafa, deita?
Eu: Deve deitar.
Paula: Caraca, deve ser difição para ela levantar depois...
ELE da Paula: Todos os mamíferos deitam. Dormir é característica de mamífero.
Eu: Hã? Qual é a relação?
Paula: Ué. E a baleia? Baleia não dorme?
ELE da Paula: Peixe não dorme.
ELE: Baleia é mamífero.
Paula: Tá. E tipo um sapo?
ELE da Paula: Inseto não dorme. Por isso eles têm vida curta.
Eu: Sapo não é inseto!
(e nesse momento foi decidido que essa era uma conversa digna do meu blog...)
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Rumo a Terê
Não escrevi aqui sexta porque viajei. Fomos para Teresópolis com os mais que queridos Paula e o ELE dela. Não vou repor com texto de gaveta porque não achei nenhum. Aí, vou escrever só no sábado e domingo com o título “A Oito Mãos” I e II. Aqui, deixo o curto diálogo em que esse título foi criado.
Eu: Amigos, adorei a colaboração de vocês. Estou cheia de história para colocar no blog. Vou colocar o título de “A Quatro Mãos”!
(um minuto de silêncio)
O ELE da Paula: Então são oito.
Eu: Ih é.
(gargalhada geral)
Eu: Amigos, adorei a colaboração de vocês. Estou cheia de história para colocar no blog. Vou colocar o título de “A Quatro Mãos”!
(um minuto de silêncio)
O ELE da Paula: Então são oito.
Eu: Ih é.
(gargalhada geral)
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Diminutivos
É meio do grupo da história do chuchu, tá? Falarei sobre o uso do diminutivo em nossa linguagem falada. Só falada. Na escrita até valeria também. Mas escrever e falar são coisas bem diferentes. Falar é ‘cara a cara’, ainda que seja por telefone. Sua voz está ali, denunciando que é mesmo você o dono daquelas palavras ditas naquele momento. Ih... oh a filosofia... Tenho perigado nela, né? É a idade chegando... Ou o fim do ano, época em que repenso o rumo da prosa geral da História da Adriana.
Mas, bem, não me lembro de ter sido muito chamada de Drizinha até meus, sei lá, 25 anos. Sempre fui Dri para a maioria e Adriana mesmo para quem não adere a apelidos ou tem dificuldade de relacionamento. ELE é um que nunca me chamou de Dri. O mais estranho é que já vi várias vezes ele se referindo a mim como Dri, ou conversando com alguém ou escrevendo, mas olho no olho é Adriana. Vai entender... eu falei que cara a cara é diferente... Há também os que me chamam de Adriana porque gostam do nome em si. Meu pai é um. Claro que ele me chama por algumas variações de filha, mas usa bastante o Adriana. Dri, nunca.
Mas o ‘Drizinha’. Bem, o Drizinha veio com o tempo, o que é um pouco esquisito já que eu não diminuí e sim aumentei. Para cima, para os lados e na idade... Seria compreensível se quem me chamasse de Drizinha fosse consideravelmente mais velho ou velha que eu. Não. Minha amiga Deca me chamou de Drizinha outro dia. Minha amiga Lu Gomes sempre chamou. E volta e meia, alguém adere também.
Diminutivo geralmente vem simbolicamente acompanhado de uma espécie de carinho, um cuidado especial com a pessoa. A gente usa muito com neném e criança pequena. O que me leva a crer que o fato das pessoas estarem me chamando pela primeira vez no diminutivo é algo bom.
Indo mais fundo, posso chegar a conclusão de que, enfim, estou esboçando alguns sinais de meiguice. E sem querer! O que é o mais incrível para quem passou a vida a querer ser meiga forçadamente e não conseguia.
Se alguém quiser fazer uma imagem de mim agora, pode pensar na Drizinha de vestido branco, duas presilhas no cabelo, unha feita e um início de sorriso no rosto. Quase em paz. Enfim, meiga.
Mas, bem, não me lembro de ter sido muito chamada de Drizinha até meus, sei lá, 25 anos. Sempre fui Dri para a maioria e Adriana mesmo para quem não adere a apelidos ou tem dificuldade de relacionamento. ELE é um que nunca me chamou de Dri. O mais estranho é que já vi várias vezes ele se referindo a mim como Dri, ou conversando com alguém ou escrevendo, mas olho no olho é Adriana. Vai entender... eu falei que cara a cara é diferente... Há também os que me chamam de Adriana porque gostam do nome em si. Meu pai é um. Claro que ele me chama por algumas variações de filha, mas usa bastante o Adriana. Dri, nunca.
Mas o ‘Drizinha’. Bem, o Drizinha veio com o tempo, o que é um pouco esquisito já que eu não diminuí e sim aumentei. Para cima, para os lados e na idade... Seria compreensível se quem me chamasse de Drizinha fosse consideravelmente mais velho ou velha que eu. Não. Minha amiga Deca me chamou de Drizinha outro dia. Minha amiga Lu Gomes sempre chamou. E volta e meia, alguém adere também.
Diminutivo geralmente vem simbolicamente acompanhado de uma espécie de carinho, um cuidado especial com a pessoa. A gente usa muito com neném e criança pequena. O que me leva a crer que o fato das pessoas estarem me chamando pela primeira vez no diminutivo é algo bom.
Indo mais fundo, posso chegar a conclusão de que, enfim, estou esboçando alguns sinais de meiguice. E sem querer! O que é o mais incrível para quem passou a vida a querer ser meiga forçadamente e não conseguia.
Se alguém quiser fazer uma imagem de mim agora, pode pensar na Drizinha de vestido branco, duas presilhas no cabelo, unha feita e um início de sorriso no rosto. Quase em paz. Enfim, meiga.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Mais uma via e-mail
A vida não pode ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui, deveríamos dançar.
Mais uma frase recebida numa dessas brincadeirinhas, mensagens, blá blá blá que circulam pela internet. E, mais uma vez, foi enviada por uma amiga querida. Faz tempo, mas foi pelo dia internacional das “pessoas perturbadas”. E eu e Deca somos, com orgulho, pessoas perturbadas, no ótimo sentido.
Pena que eu não sou inteligente informaticamente, porque junto com a frase havia uma animaçãozinha do Jim Carrey dançando com um bando de malucos num hospício, de algum filme que não sei qual é. Queria mostrar aqui. A dancinha e a frase são ótimas juntas. Tipo aquele comercial da pasta de dente que diz que quando um sussurro foi dado no ouvido, nasceu o arrepio... (adoro esse comercial!).
Mas vamos à frase: é a mesma questão que já discuti aqui há um tempinho. A tal vida perfeita que a gente vive sonhando acordada e acaba esquecendo de viver a vida de verdade que ‘pode não ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui, deveríamos dançar’.
E, gente, dança logo porque depois vamos ficando mais velhos, com dor aqui, dor ali e ficando que nem meu pai que morre de saudades da época em que abaixava para pegar moedas! Hoje, ele entrega pra Deus.
Então, antes que a coluna trave, que as juntas dêem defeito e que os joelhos sejam mandados para o espaço a cada urro de dor, a hora é de dançar! Tem um montão de gente aí que insiste em avançar as coisas. Que cisma que já está mais pra valsa do que pra rock. Que qualquer coisa além de dois pra lá, dois pra cá, é impossível fazer. Não é não. Fecha o olho e deixa o ritmo fluir. A parte do olho fechado é importante porque caso a pessoa seja realmente péssima de ritmo, ela não vê ninguém rindo dela e, assim, consegue se soltar.
‘Se soltar’, essa é a mensagem mais importante do ‘dançar’. São sinônimos, nesse caso. Dançar é levar a vida com mais leveza, se levar menos a sério, rir mais da gente e dos outros! Arriscar enquanto dá. Uma distensão agora não será algo assim tão grave. E um tombo no meio do salão pode ser história para contar mais tarde.
Eu tenho uma história literal de um tombo no meio do salão que exemplifica bem como agi errado no passado (totalmente compreensível, vocês vão ver), e maravilhosamente bem num passado mais próximo.
Eu tinha uns 14, 15 anos. Estava numa festa de casamento com meus pais, bastante contrariada. Nessa idade em que ainda não somos nem um pouco independentes para eles, mas somos totalmente para a gente. (pelo menos, na minha época ainda era assim...). Bom, era fim de festa já. Papai já estava bem mais pra lá do que pra cá e resolveu me tirar para dançar em um salão totalmente vazio e já com algumas luzes acesas. Orquestra tocando algo como um “New York, New York”. Papai foi se aproximando cada vez mais do palquinho dos músicos. Não conseguia acompanhá-lo há tempos já. Até que, claro, caímos. Caímos mesmo. Desajeitados, um em cima do outro. Meu vestido na cabeça. Um senhor tombo no meio do salão. Lembro como se fosse hoje da gargalhada do meu pai no meu ouvido. E da minha raiva que veio de todas as minhas entranhas. Ele cagou para a minha cara amarrada, para as minhas ameaças de que eu nunca mais falaria com ele, para a minha vergonha. Papai só dançou.
Anos depois, por acaso voltamos à casa dos tais donos daquela festa e, sei lá porque, eles passaram o vídeo desse casamento. E lá estava ele, o tombo. Filmado. Registrado para a posteridade. Papai riu igualzinho. Uma mistura de riso de alegria e de nostalgia, saudade dos joelhos de outrora. ‘Um tombo desses hoje em dia... Sei não. Acho que eu não levantava.’ E eu ri junto. Lamentei um pouco por não saber dançar na época, mas me enchi de felicidade por ter aprendido a tempo. Recomendo.
Mais uma frase recebida numa dessas brincadeirinhas, mensagens, blá blá blá que circulam pela internet. E, mais uma vez, foi enviada por uma amiga querida. Faz tempo, mas foi pelo dia internacional das “pessoas perturbadas”. E eu e Deca somos, com orgulho, pessoas perturbadas, no ótimo sentido.
Pena que eu não sou inteligente informaticamente, porque junto com a frase havia uma animaçãozinha do Jim Carrey dançando com um bando de malucos num hospício, de algum filme que não sei qual é. Queria mostrar aqui. A dancinha e a frase são ótimas juntas. Tipo aquele comercial da pasta de dente que diz que quando um sussurro foi dado no ouvido, nasceu o arrepio... (adoro esse comercial!).
Mas vamos à frase: é a mesma questão que já discuti aqui há um tempinho. A tal vida perfeita que a gente vive sonhando acordada e acaba esquecendo de viver a vida de verdade que ‘pode não ser a festa que esperávamos, mas enquanto estamos aqui, deveríamos dançar’.
E, gente, dança logo porque depois vamos ficando mais velhos, com dor aqui, dor ali e ficando que nem meu pai que morre de saudades da época em que abaixava para pegar moedas! Hoje, ele entrega pra Deus.
Então, antes que a coluna trave, que as juntas dêem defeito e que os joelhos sejam mandados para o espaço a cada urro de dor, a hora é de dançar! Tem um montão de gente aí que insiste em avançar as coisas. Que cisma que já está mais pra valsa do que pra rock. Que qualquer coisa além de dois pra lá, dois pra cá, é impossível fazer. Não é não. Fecha o olho e deixa o ritmo fluir. A parte do olho fechado é importante porque caso a pessoa seja realmente péssima de ritmo, ela não vê ninguém rindo dela e, assim, consegue se soltar.
‘Se soltar’, essa é a mensagem mais importante do ‘dançar’. São sinônimos, nesse caso. Dançar é levar a vida com mais leveza, se levar menos a sério, rir mais da gente e dos outros! Arriscar enquanto dá. Uma distensão agora não será algo assim tão grave. E um tombo no meio do salão pode ser história para contar mais tarde.
Eu tenho uma história literal de um tombo no meio do salão que exemplifica bem como agi errado no passado (totalmente compreensível, vocês vão ver), e maravilhosamente bem num passado mais próximo.
Eu tinha uns 14, 15 anos. Estava numa festa de casamento com meus pais, bastante contrariada. Nessa idade em que ainda não somos nem um pouco independentes para eles, mas somos totalmente para a gente. (pelo menos, na minha época ainda era assim...). Bom, era fim de festa já. Papai já estava bem mais pra lá do que pra cá e resolveu me tirar para dançar em um salão totalmente vazio e já com algumas luzes acesas. Orquestra tocando algo como um “New York, New York”. Papai foi se aproximando cada vez mais do palquinho dos músicos. Não conseguia acompanhá-lo há tempos já. Até que, claro, caímos. Caímos mesmo. Desajeitados, um em cima do outro. Meu vestido na cabeça. Um senhor tombo no meio do salão. Lembro como se fosse hoje da gargalhada do meu pai no meu ouvido. E da minha raiva que veio de todas as minhas entranhas. Ele cagou para a minha cara amarrada, para as minhas ameaças de que eu nunca mais falaria com ele, para a minha vergonha. Papai só dançou.
Anos depois, por acaso voltamos à casa dos tais donos daquela festa e, sei lá porque, eles passaram o vídeo desse casamento. E lá estava ele, o tombo. Filmado. Registrado para a posteridade. Papai riu igualzinho. Uma mistura de riso de alegria e de nostalgia, saudade dos joelhos de outrora. ‘Um tombo desses hoje em dia... Sei não. Acho que eu não levantava.’ E eu ri junto. Lamentei um pouco por não saber dançar na época, mas me enchi de felicidade por ter aprendido a tempo. Recomendo.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Existe vida além da Camila...
A lei seca ainda está aí, é verdade, mas já está meio capenga. Confesso que já andei dando minhas saidinhas para uns chopes de carro mesmo. Não acredito mais tanto em blitz como há uns meses. De quinta a sábado, não arrisco, mas uma segunda, uma terça...
Bem, mas no lugar da lei seca, vieram amigas de regime. E assim fui convidada a tomar um suco com três simpáticas moçoilas esbeltas: Ana B., Tai e Carol. Pensei bastante antes de ir. Chovendo. Eu teria que me deslocar até o Leblon. E faria tudo isso para ver apenas três mulheres, nem um moço na brincadeira... e a bebida seria suco.
Bom, fui. E não é que o suco rendeu! De uma amiga que fez oito abortos, passando por outra que depilou que nem a Natália Cassassola com o detalhe de que o namorado passou a máquina lá e um amigo que tem mania de desviar rios! (é, isso mesmo), até confissões de paixonites a primeira vista por um pirralho de 20 anos, teve de tudo um pouco. Entre um suco de maracujá com gengibre e outro.
O meu suco chamava-se Rosa. Falando nisso, houve mais uma confissão de que se gostava de homens rosas, com tendência para engordar, seja lá que perfil de homem é esse. Há gosto para tudo, como diz o ditado. Enfim, meu suco era uma receita especial da casa. E, atenção, era segredo. Nenhuma de nós fez a mocinha contar do que ele era feito, enquanto ainda líamos o cardápio. E só eu, a corajosa!, pediu assim mesmo. Ele veio, todo mundo tomou e continuamos sem saber do que é. Uma fruta e uma hortaliça.
- Goiaba?
- Não.
- Morango?
- Não.
- Beterraba?
- Também não.
- Acerola?
- Não.
- Melancia?
- Não, senhora.
Existe alguma outra fruta rosa? Claro que não. E a mulher ia ficar dizendo ‘não’ lá até morrer, já que é segredo... E ela realmente não conta.
A comida também passou longe da batata frita. Somos muito chiques e comemos coisas como risoto de cogumelos, estrogonofe de palmito, panquecas de vegetais e um yakisoba de tofu. Com direito a ver Grazi Massafera. Magrinha e linda. Com um vestido estranho. Mas ela é o tipo de pessoa que com qualquer coisa tá valendo. Tai pegava. Eu também. Ana B. considera a hipótese e Carol acha que não.
Resistimos bravamente à cerveja. Mesmo com um Informal ali do lado. Incrível. Pagamos a conta e demorou para irmos embora. Ficamos mais uma meia hora divertindo o entregador do lado de fora, que escutava nossos assuntos de ouvido arregalado. Como mulher junta fala besteira! E como isso é bom!
Gosto tanto de mesas com homens que raramente me dou o prazer de dividir o espaço só com mulheres. Pena. Se eu me lembrasse mais vezes de como é bom, daria mais espaço para elas. Não qualquer elas, essas elas: Ana B., Tai e Carol. Adorei. Thanks.
Bem, mas no lugar da lei seca, vieram amigas de regime. E assim fui convidada a tomar um suco com três simpáticas moçoilas esbeltas: Ana B., Tai e Carol. Pensei bastante antes de ir. Chovendo. Eu teria que me deslocar até o Leblon. E faria tudo isso para ver apenas três mulheres, nem um moço na brincadeira... e a bebida seria suco.
Bom, fui. E não é que o suco rendeu! De uma amiga que fez oito abortos, passando por outra que depilou que nem a Natália Cassassola com o detalhe de que o namorado passou a máquina lá e um amigo que tem mania de desviar rios! (é, isso mesmo), até confissões de paixonites a primeira vista por um pirralho de 20 anos, teve de tudo um pouco. Entre um suco de maracujá com gengibre e outro.
O meu suco chamava-se Rosa. Falando nisso, houve mais uma confissão de que se gostava de homens rosas, com tendência para engordar, seja lá que perfil de homem é esse. Há gosto para tudo, como diz o ditado. Enfim, meu suco era uma receita especial da casa. E, atenção, era segredo. Nenhuma de nós fez a mocinha contar do que ele era feito, enquanto ainda líamos o cardápio. E só eu, a corajosa!, pediu assim mesmo. Ele veio, todo mundo tomou e continuamos sem saber do que é. Uma fruta e uma hortaliça.
- Goiaba?
- Não.
- Morango?
- Não.
- Beterraba?
- Também não.
- Acerola?
- Não.
- Melancia?
- Não, senhora.
Existe alguma outra fruta rosa? Claro que não. E a mulher ia ficar dizendo ‘não’ lá até morrer, já que é segredo... E ela realmente não conta.
A comida também passou longe da batata frita. Somos muito chiques e comemos coisas como risoto de cogumelos, estrogonofe de palmito, panquecas de vegetais e um yakisoba de tofu. Com direito a ver Grazi Massafera. Magrinha e linda. Com um vestido estranho. Mas ela é o tipo de pessoa que com qualquer coisa tá valendo. Tai pegava. Eu também. Ana B. considera a hipótese e Carol acha que não.
Resistimos bravamente à cerveja. Mesmo com um Informal ali do lado. Incrível. Pagamos a conta e demorou para irmos embora. Ficamos mais uma meia hora divertindo o entregador do lado de fora, que escutava nossos assuntos de ouvido arregalado. Como mulher junta fala besteira! E como isso é bom!
Gosto tanto de mesas com homens que raramente me dou o prazer de dividir o espaço só com mulheres. Pena. Se eu me lembrasse mais vezes de como é bom, daria mais espaço para elas. Não qualquer elas, essas elas: Ana B., Tai e Carol. Adorei. Thanks.
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